Christmas reunion
1 A magia do Natal
Notas iniciais
Aqui escrevendo uma fic de Natal fofinha hehehe!
Há algum tempo que não escrevia contest...
Bem, espero que gostem!
E desejos de um Feliz Natal para todos!
Enjoy!
Todos dizem que o Natal é uma época feliz, mas dizem isso porque passam essa época em casa, junto a uma lareira quentinha com a família reunida a comer uma ceia de Natal e no fim, fazem uma troca de prendas… Eu sempre testemunhei isso quando passava às janelas das casas na véspera de Natal e lembrava-me de como acreditava naquela magia toda quando era miúda… Mas, infelizmente, a vida é muito mais dura que isso. Quando eu tinha seis anos, os meus pais tinham grandes problemas financeiros, o que levou a que eles me tivessem de vender para servir numa casa de senhores ricos, bem longe de onde morávamos na altura. Eu era pequena e inocente, como também frágil, o que levou a que o dono da casa se aproveitasse várias vezes de mim… Aquilo era terrível, uma experiência traumática para uma criança tão pequena… E ninguém se importava… Toda a gente naquela casa deixava que o homem se aproveitasse de mim! Naquela época, eu só tinha um amigo… Ele era filho do dono casa, um garoto de cabelos esverdeados bastante simpático, fora ele que me ajudou a fugir daquele inferno na Terra. Depois disso nunca mais o vi… Onde ele estará agora?
Agora eu vivia na rua. O Natal era uma época dura para mim. Sempre nevava na cidade onde eu vivia, e isso era horrível! Ficava a noite toda ao frio, refugiada por baixo de uma tampa de caixote do lixo tentando não me resfriar, ficava sozinha, com fome e ninguém me trazia prendas ou me cumprimentava… Eu era tratada como lixo pela sociedade e nem no Natal as pessoas se preocupavam comigo… Eu não tinha amigos e família que o fizessem… Perdera contacto com o meu único amigo fazia naquele dia seis anos…
- Feliz Natal, May… Feliz Natal… — Dizia eu para mim, pois se não fosse eu, ninguém o diria.
Eu já quase não me lembrava do nome dele. Era Drew, mesmo, não é? Eu já não tinha a certeza… A neve começara a cair forte no local onde eu estava, mas não me preocupei muito. Não era a primeira vez que apanhava alerta amarelo naquela zona. Se me mantivesse naquele beco, eu iria ficar bem… Então, tentei dormir. Fechei os olhos, e sonhei…
……
- Muito bem, May, você conseguirá sair daqui esta noite, quando eu e meus pais sairmos para ir esperar o Papai Noel no quintal, você pega a chave que eu vou deixar em seu quarto e sai pelas traseiras. – Drew disse na noite da minha fuga.
- Isso quer dizer que seu pai nunca mais me vai mal tratar? – Exclamei com os olhos brilhantes.
- Nunca mais! A partir de hoje você vai passar a ser livre. – Ele me sorriu.
- Mas… Menino Drew… Nós nunca mais nos vamos ver? – Fiquei triste.
- Provavelmente não… — Ele desanimou-se.
- Então eu fico. – Lágrimas correram pelos meus olhos.
- Hum? – O garoto ficou confuso.
- Menino Drew, eu não quero ficar longe de você. Você é especial para mim! É meu único amigo! Eu não quero perder você… — Chorei abraçada a ele.
- May, você não pode ficar cá. Meu pai te vai usar feito lixo de novo. Então, por favor, vá embora. Eu prometo, que quando for adulto, te vou procurar, e ai, te farei minha esposa. – Drew disse afastando-me e acariciando a minha face.
- Você… Promete… — Eu sorri-lhe.
- Claro que sim. E depois disso, mais ninguém te fará mal. – Drew disse colocando a mão sobre meu ventre, que era o local onde eu tinha a cicatriz mais feia que caracterizava os maus tratos por que passava. – Tome, leve o meu amuleto, assim, você nunca estará só.
Eu peguei aquele amuleto, era um pingente dourado e um pouco amassado também, algo que carrego até hoje.
…….
- Ei, menina, acorde. – Alguém me abanava, e, por consequente, me acordara do sono.
- Que foi? Não vê que estou dormindo?! Vá procurar o seu- — Parei de gritar quando reparei que quem me acordara não era um outro vagabundo qualquer, mas sim a pessoa que eu mais procurava no mundo! Era Drew!
- Desculpe, menina, não a queria assustar. Mas, por favor, venha. Você está cheia de neve. Poderá morrer se ficar aqui. Eu a levo para um local mais quente. – Drew ajudou-me a levantar, mas parecia que não me conhecia.
Eu tinha uma cara de estranheza e de espanto ao mesmo tempo, ele não se lembrava de mim... E estava tão diferente. O seu cabelo esverdeado estava perfeitamente alinhado, sua face continuava pálida, mas com traços mais adultos usava roupas bastante caras e de uma linhagem clássica… Nem parecia o mesmo Drew que usava uma jaqueta roxa, uma t-shirt preta umas calças de ganga…
- Oh, desculpe! Fui rude em não me apresentar. O meu nome é Drew. E você? Tem nome? – Ele perguntou estendendo-me a mão.
Eu estava sem fala, não conseguia falar, pois a emoção que senti ao rever o amor da minha vida não me deixava gesticular qualquer tipo de palavra.
- Você não tem de dizer, se não quiser. Só venha comigo, se você ficar ai, pode morrer. – Drew insistiu.
Eu estiquei a mão, agarrando a dele. O seu toque era o mesmo, leal, seguro, confiante e delicado. Tinha saudades de suas mãos macias que tanto agarravam as minhas. Ele sorriu e me ajudou a levantar, tirando o seu casaco de pele sintética e colocando sobre mim.
- Coloque isto, você está gelada. – Ele pronunciou.
Depois disso, me coloquei por baixo de seu guarda-chuva que nos protegia da neve e assim fomos até chegarmos à sua casa, ou melhor dizer, à sua mansão numa das ruas ricas da cidade! Entramos e ele logo me levou para a sala onde tinha uma lareira acesa.
- Fique confortável, ok? Se precisar de alguma coisa peça. Eu vou buscar um pouco de comida para você. – Ele disse indo para a cozinha.
Eu estranhei. Drew já não vivia com os pais naquela casa enorme que estava a pelo menos três continentes dali? E o que ele faria ali naquela cidade no meio de nenhures numa casa tão grande? E será que não a reconhecera? Eram muitos “se” para mim… Olhei o fogo na lareira, era intenso e quente. Subi o meu campo de visão ao que tinha à minha volta. A sala era ampla e bem decorada, mas fria… Não havia muito sentimento naquelas paredes brancas e brilhantes que eu já não vira há muito tempo. Houve um móvel que me chamou a atenção do lado da lareira. Era um pequeno móvel de madeira com imensos livros e uma moldura na terceira prateleira a contar de cima que continha uma foto peculiar… Observei-a bem… Era eu…
- Ei, parece que ficou olhando para essa foto. – Drew me assustou ao entrar com a bandeja de comida na mão.
Eu dei um pequeno salto na cadeira.
- Não precisa se assustar. Hehe. Tem aqui a comida. – Ele riu depositando a bandeja no meu colo.
Eu encarei a comida no meu colo um pouco envergonhada.
- Estava olhando para esta foto, não é? Sabe, aquela garotinha, é a razão por eu estar aqui. – Ele confessou.
- Hum? Aquela garota? – Fiquei espantada.
- Olha, ela fala! – ele riu – Sim. Quando nós eramos crianças, ela estava a cargo de minha família. Um dia, ajudei-a a fugir e prometi que me ia casar com ela. Agora que finalmente consegui sair de casa, quero concretizar o meu sonho de a encontrar de novo.
- Ena… Mas porquê logo começou por esta cidade no meio do nada? – Fiz-me desentendida.
- Bem, porque se eu fosse um fugitivo, também eu me colocaria numa terra desconhecida. – Ele falou sonhador, apoiando a cabeça no braço direito enquanto se encostava na parede. – Você acha que ela ainda me procura?
- Eu só não acho como tenho a certeza. – Sorri, fazendo de conta que não era nada comigo.
- Acha mesmo? – Olhou pela janela sonhador. – E será que ela ainda me ama?
Vi a sua face ficar rubra, ele realmente não fazia ideia que estava a falar com quem estava a falar. Via-o tão sonhador, tão belo… Era diferente de quando era criança, mais romântico, mais alunado… Eu tinha saudades daquele menino de quem eu cuidava.
- Eu tenho a certezinha absoluta que ela ainda te ama. – Voltei a sorrir.
- Puxa, você tem a certeza de muita coisa. Você a conhece ou algo assim? – Ele começou a suspeitar.
- Conheço. – Respondi avermelhando, mas mantendo o sorriso.
- A sério?! Me diz. Onde ela está? Eu tenho de encontra-la! Eu tenho de cumprir o que prometi… Por favor, lhe dou o que quiser, só me diga onde está a menina dos meus olhos. – Ele se colocou de joelhos na minha frente, implorando.
- Ahah, bobinho… Eu sou a May, menino Drew. Você está falando com aquela pessoa que cuidou de você aqueles anos todos. E que você já não vê faz hoje seis anos. – Eu lhe acariciei a face.
- May? Não creio… É mesmo você? – Ele estava incrédulo.
- Sou eu sim, Drew. Você acha que eu ia mentir para você? – Coloquei a bandeja da comida no chão, me levantei e fui ter com ele, mostrando o pendente.
- Meu amuleto… — Ele ficou perplexo, mas logo depois colocou uma expressão desconfiada. – Como sei que você não o roubo?
- Está me acusando de roubo?! – Fiquei um pouco indignada.
- Desculpe, fui um pouco rude. Não lhe estou chamando de mentirosa nem nada, mas… Eu preciso de ter a certeza que você é a May. E só há um jeito de o saber… — Ele ficou envergonhado.
- E qual é esse jeito? – Achei estranho, pensei que o pendente chegasse.
- Bem… — ele ficou altamente envergonhado e sem jeito, levando-o a desviar a cara – Tire a roupa…
- O quê?! – Assustei-me. Será que ele tinha virado um violador como o seu pai?!
- N-não me interprete mal! É que eu me lembro ao pormenor da localização das cicatrizes de minha linda… Se você as tiver iguais, eu vou ter a certeza de que você é ela. – Ele ficou ainda mais envergonhado e atrapalhado.
- Mas… Eu tenho complexos… Eu não posso fazer isso…- Abracei o meu próprio corpo, lembrando de meus traumas. Por culpa desses traumas horríveis Drew nunca poderia saber que eu era a May e… Eu nunca poderia ficar com ele… Os meus olhos se desfizeram em lágrimas.
- Não chore. – ele pediu – Uma pessoa com um trauma como o seu nunca conseguiria fazer isso, né, May?
Agora ele sorrira para mim. Agora ele já acreditava. Era apenas um teste… Eu o abracei, chorando no seu ombro, mas agora de alegria. Ele me abraçou de volta.
- Tive tantas saudades suas, May. – Ele me abraçou forte.
- Também tive muitas saudades suas, Drew. – Respondi-lhe me enroscando mais nele.
- May, eu sei que você tem complexos quanto a isso, mas… Me deixe ter a certeza que é você. Por favor, tire a blusa. – Ele pediu me afastando, agora mais sério.
- Tem a ver com a cicatriz no ventre, não é? – Eu subentendi o que ele queria ver.
- É... Eu pedia-lhe para que não tivesse vergonha. Por favor, acabe com este sofrimento. Eu tenho que ter a certeza que você é a May. Quando eramos crianças eu tratava de toda as suas cicatrizes, não precisa de ter pudor de mim. Por favor, May, só levante a blusa. Eu tenho de ver com os meus próprios olhos que é você. – Ele implorou segurando minhas mãos de joelhos na minha frente.
Eu avermelhei o bastante, mas eu tinha de lhe dar certezas. Então, levantei ligeiramente minha blusa, deixando exposto o meu ventre. A cicatriz já não era recente, mas ainda era bem visível e feia… Uma parte do meu corpo que eu escondia sempre que podia.
- É tal e qual eu me lembrava. Você é mesmo a May. – Ele me olhou com uma felicidade imensa enquanto acariciava com as suas mãos suaves a zona ferida.
- Eu lhe disse… — Declarei um pouco constrangida.
- Desculpe alguma vez ter duvidado. – Ele me abraçou com força, encostando a sua testa ao meu ventre antes de o beijar.
Eu sorri de lado, ele se levantou. Abraçou-me ternamente. Ele tinha ficado tão alto, tão elegante… Mas continuava a ser simpático e amoroso. Ele era o meu Drew, a minha simpatia, a minha razão de viver… Depois, ele me olhou nos olhos e beijo-me os lábios. Um beijo há muito esperado pelos dois. Ambos esperávamos aquele momento desde que nos lembrávamos, e depois de seis anos de separação, finalmente aconteceu…
- Oh, May… Nem sabe quantas vezes eu sonhei com este reencontro. – Ele sorriu quando nos separamos.
- Eu também, Drew. Todos os dias, nos últimos seis anos, eu tenho sonhado com você e com o nosso reencontro. – Lembrei nostálgica tocando a sua face.
Drew sorriu-me de novo, a sua expressão era de uma felicidade imensa, mas uma lágrima de tristeza manifestou-se escorrendo por sua face.
- Porque é que choras, Drew? – Perguntei-lhe preocupada.
- Tenho medo de acordar e ver que não estás comigo. – Ele baixou um pouco a cabeça.
- Mas eu estou aqui. Eu sou real. E de agora em diante não vais ter medo de acordar e eu não estar ali. Agora tu vais acordar e eu vou estar do teu lado. – Eu calmei-o limpando a sua lágrima.
- Oh, May – ele voltou a abraçar-me – por favor, casa comigo…
Após isso, largou-me e estendeu-me uma rosa.
- Com certeza, Drew. Tal como combinámos há seis Natais atrás. – Devolvi-lhe o abraço, aceitando a rosa vermelha.
- Feliz Natal, May. – Ele deixou os seus votos.
- Feliz Natal, Drew… — Retribui os votos.
Ok, eu sei que comecei por dizer que o Natal para mim não é lá grande coisa, mas depois disto tudo mudou. O que aconteceu foi um derradeiro milagre de Natal, pois naquela noite de tempestade em que eu quase morri de hipotermia na neve eu reencontrei o rapaz que eu esperava há tanto tempo, eu reencontrei uma família e ainda por cima um lar confortável onde eu podia formar família com a pessoa que eu mais amo neste Universo. Isto tudo aconteceu por mera coincidência na noite de Natal, nada nos poderia juntar deste jeito se não um milagre.
A magia do Natal faz destas coisas…
Notas finais
Espero que tenha gostado desta fic natalícia!
Bem,por isto é tudo. Só quero desejar um feliz Natal a todos os que leem as minhas fics!
Até mais!
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