Christmas Week - Olicity Version
6 Adivinhe quem vem pro natal - Overwatch
Notas iniciais
Nem nos meus melhores sonhos adolescentes, ou contos de fadas perfeitos, ou filmes de romances que costumo assistir sozinha quando estou em casa eu imaginaria que minha vida seria tão maravilhosa como é agora.
Aos vinte e seis anos, eu, Felicity Smoak, tenho a vida perfeita!
Um emprego perfeito.
Um rosto e corpo perfeitamente gostoso.
Uma casa perfeita.
E um namorado perfeito! Tão perfeito que parece ser até mentira.
E realmente é! Para ser sincera, a única coisa inteiramente verdade que eu disse ali em cima é que eu tenho o emprego perfeito. Eu sempre quis trabalhar na Queen Consolidated e estar aqui hoje é um sonho que ralei a minha vida toda para conseguir.
Em cima dos meus saltos perfeitos, eu caminho apressadamente pelos corredores da empresa perfeita do meu namorado perfeito, em direção à sua sala, ouvindo o tilintar dos saltos finos sobre o chão de porcelanato enquanto caminho apressada, ignorando completamente toda a decoração nas paredes para o natal e toda essa magia que envolve essa época do ano, enquanto eu não vejo a hora de encontrar meu namorado...
Para matá-lo com minhas próprias mãos!
— Oliver Jonas bastardo Queen! – Anuncio minha chegada quando já estou parada no meio de sua sala, olhando para o rosto divertido de Oliver que aguarda pacientemente mais um surto meu. Dirijo para ele o meu melhor olhar ameaçador. – Você faz ideia de que esse já é o enésimo email da minha querida sogrinha só esta manhã?! – Aponto para meu tablet onde está aberto na página de correios eletrônicos, me questionando como Moira Queen conseguiu meu email de trabalho. – Sem contar as várias ligações e mensagens no meu celular!
— Ora, isso significa que ela gosta muito de você, é um bom sinal! – Sorri cínico e eu reprimo a vontade absurda de fazer um carinho em seu rosto. COM MEU TABLET.
— Isso não é um bom sinal – Gesticulo exasperada com as mãos, movendo-me de um lado para o outro sem parar enquanto o bastardo apenas ri da minha cara. — Isso significa que já fomos longe demais com todo esse teatro, Oliver, precisamos dar um fim nisso antes que mais pessoas sejam envolvidas. E quando digo mais pessoas eu quero dizer minha mãe, você não quer que o furacão Donna Smoak apareça aqui, quer? Por favor, diz que não!
— Você não pode querer desistir agora, Felicity, não quando consegui fazer com que minha mãe desistisse da ideia insana de querer me casar com qualquer uma que aparecesse só porque ela quer um neto, perto da minha mãe a sua é um anjo. É muito bom não ter Moira Queen vinte e quatro horas no meu encalço.
— Claro, até porque agora ela está no meu! – Bufei irritada enquanto meu chefe idiota/ namorado de mentira continuava a rir abertamente da minha cara. Eu juro que se continuar perto desse idiota com cara de deus grego ainda vou acabar cometendo um crime de ódio.
— Tudo bem, eu falo para ela te deixar em paz. – Disse dando de ombros, como se essa fosse a solução para todos os meus problemas.
— Não, você vai dizer para ela que tudo não passou de uma brincadeira. Eu deixo até você dizer que terminamos se quiser, mas apenas resolva isso de uma vez!
— Eu não posso fazer isso. – Disse calmamente.
— Como não pode?! Oliver, já faz quase seis meses que estamos mentindo para todo mundo, você prometeu que seria por pouco tempo!
— E eu prometo que será, só preciso de mais tempo. Por favor Felicity, me dê só mais algum tempo.
E lá estava a carinha de Oliver que caiu da mudança que tem me feito sair mentindo com orgulho para todo mundo que sou sua namorada. Rolando os olhos e já sabendo que tinha perdido mais uma batalha, decidi dar o tempo que ele queria.
— Dois dias, Queen, isso é tudo que você vai conseguir.
— É pouco, eu preciso de mais. – Oliver afastou sua cadeira e cruzou os braços, fazendo com que eu perdesse o foco por um instante ao observar seus músculos ficando apertados na camisa de cor azul bebê. Desgraçado!
—Nem mais um dia para você. — Falei com determinação.
— Três meses. – barganhou. – Esperamos passar o aniversário dela e aí eu conto que nós “terminamos”. – Fez aspas com os dedos no ar.
— Fora de cogitação! – falei exaltada. – Três meses é demais, Oliver, com isso seria quase um ano mentindo por aí que temos algo. Sabe, não seria bem mais simples apenas conhecer uma garota e pedi-la em namoro?
— Eu conheci uma garota. – Disse, sorrindo ligeiramente. — E eu a pedi em namoro. – Falou convencido. – Ela é a mulher mais linda que já conheci!
— Não. – Titubeei. – Você conheceu a garota do departamento de TI da sua empresa e no mesmo mês coagiu-a a ser sua namorada de mentira para a mamãe parar de arrumar namoradas para você.
— Que seja. – Deu de ombros com um sorriso divertido. – Não é tão ruim ser minha namorada, Felicity.
Não, não era e ele sabia que estava certo. Apesar de ser um namoro falso, Oliver fazia tudo que um relacionamento de verdade exigia. Todos os dias ele me buscava e levava em casa, saíamos para jantar, ir ao cinema, até mesmo ao parque nós já fomos. Ele me levava em todas as viagens que fazia e em todos os jantares com acionistas, segurava minha mão e me apresentava como sua namorada, graças à isso pude conhecer muita gente importante que poderia me garantir um bom emprego caso eu precisasse futuramente.
Como eu disse, ele era o namorado perfeito, não fosse pelo pequeno detalhe de que não é de verdade.
— Eu tenho uma vida, sabia? – Cruzei os braços irritada. — Tenho necessidades como mulher e já te ocorreu que eu possa ter alguém verdadeiramente interessado em mim?
— Você tem? – Questionou fazendo uma careta de insatisfação. – O Palmer? Eu vi como ele estava te cercando aquele dia aqui na QC. Então foi ele que te mandou aquelas flores?
— O que? O Palmer? Não, claro que não! Então por isso você bancou o macho alfa?
— Eu estava apenas protegendo o que é meu. – deu de ombros.
Era verdade que Ray Palmer investiu pesado em seus galanteios para mim na ultima vez que esteve na festa da QC e que ele verdadeiramente me atraia como homem, mas eu era a “namorada” de Oliver e por isso tratei de dispensá-lo como uma boa mulher comprometida mentirosa que sou.
Aquela noite eu estava me sentindo tão poderosa que me permiti até mesmo fantasiar que Oliver Queen tinha sentido ciúmes, pois a forma como ele agarrou possessivamente minha cintura ao se juntar conosco na nossa conversa, a forma como ele olhou feio para Ray quando perguntou: ‘Sr. Palmer, então já conheceu “minha” Felicity? E a forma como depositou seus lábios sobre os meus me fizeram pensar isso.
As flores eu recebi um dia após a festa e por isso ele pensa que foi Ray quem as mandou, quando na verdade elas foram enviadas pelo Sr. Dark em forma de agradecimento pelo convite, mas Oliver não precisava saber disso.
Tamanha foi minha surpresa quando mais tarde naquele mesmo dia, eu recebi um buquê bem maior e mais bonito, dessa vez enviado por ninguém mais, ninguém menos que Oliver Queen. Desde então as coisas tem ficado estranhas entre nós.
Estranhas no sentido de românticas, pois Oliver também tem sido mais atencioso e isso tem me deixado confusa. Não que eu ache ruim, eu só não estou acostumada com um deus grego como ele sendo tão gentil e amoroso assim, muito menos acostumada a pensar que talvez, só talvez o que temos pudesse se tornar real, eu já levei tempo demais tentando não me deixar levar por meus sentimentos.
— Até o ano novo, Felicity, me dê só mais esses dias e eu prometo que tudo isso acaba.
— Ótimo! – Girei nos calcanhares, pronta para sair de sua sala.
— Ótimo, te pego na sua casa na segunda às nove para a ceia de natal . – O ouvi dizer quando já saia de sua sala e podia ver, até mesmo de costas, o sorrisinho vitorioso que ele exibia agora.
— Oliver, eu não comemoro o natal e isso está fora de cogitação!- Falei sem parar de andar e até mesmo sem olhar para trás. Oliver sabia disso, tivemos bastante tempo para aprender muitas coisas um do outro durante esses quase seis meses de namoro falso, afinal, quando estamos juntos temos muito tempo livre para jogar conversa fora.
Eu não daria à ele o que ele queria, pelo menos foi isso que eu prometi à mim mesma.
Mas acontece que eu dei.
Não literalmente falando em linguagem informal e não que eu nunca tenha tido pensamentos impuros com meu chefe gato que eu chamava de meu nas horas vagas e não que eu seja uma tarada por Oliver Queen.
Por favor, não me julguem, qualquer uma teria certos pensamentos no meu lugar, mas quando me refiro à dar, quero dizer que não só ia para a ceia de natal da sua família, como estava parada em frente ao espelho do meu quarto que ficava ao lado da minha cama, observando o caimento do lindo vestido vermelho que meu querido namorado me presenteou para usar na ocasião.
Ele era simples, porém muito elegante, completamente colado ao corpo, o que valorizava bem minhas curvas. Liso, o que lhe conferia um ar sofisticado. Como detalhe, a peça continha um zíper que ia desde a minha cintura até o meio da minha coxa e uma fenda que pendia desde aí até o joelho, que era até onde o tecido cobria a perna direita.
Prendi meu cabelo em um coque meio desarrumado para não parecer tão formal e para finalizar uma maquiagem leve, destacando apenas meus olhos e meus lábios.
Perfeito.
[...]
— Você está muito tensa, Felicity, parece até que é a primeira vez que vem aqui, procure relaxar, suas mãos estão suando. – Oliver apertava carinhosamente minha mão, fazendo um carinho gostoso com o polegar.
Olhei novamente para a fachada de entrada da mansão Queen quando já estávamos prestes a passar por ela.
Toda a propriedade estava decorada com arranjos natalinos, o jardim em frente à casa não deixava a desejar e havia luzes iluminando por todos os lados, várias estátuas de anjos que eu nunca tinha visto antes também estavam postas decorativamente, além de guirlandas por todos os lados. Um pouco de neve cobria os arbustos e parcialmente o chão, deixando o ambiente ainda mais bonito e elegante ao estilo Moira Queen.
— Minha mãe é um pouco detalhista e obcecada como você já percebeu. – Oliver comentou com um sorriso ao meu lado. – Tem que ver lá dentro.
— Bonito, tendendo um pouco ao exagero, mas ainda assim, bonito.
— Estou muito feliz que tenha vindo, Felicity e quero te agradecer por isso.
— Não é como se eu tivesse tido escolha. – Brinquei e Oliver riu.
— Prometo que não precisamos ficar por muito tempo, apenas o suficiente para satisfazer Moira e então eu te levo para casa ou qualquer outro lugar que queira ir. – Disse ele ao tempo que se aproximou mais de mim para tocar meu rosto, roubando-me o ar quando seu rosto se aproximou ainda mais do meu e seus lábios pousaram perigosamente perto do canto da minha boca. Suspirei. – Está linda, Felicity, tão linda quanto um milagre de natal.
Oliver se afastou e então eu pude abrir os olhos a tempo de ver um brilho diferente nos seus, algo como uma emoção contida ou um desejo reprimido, além de muito carinho e ternura. Sorri.
— Você fica muito emotivo nessa época do ano, já te disseram isso? – Comentei antes de adentrarmos a sala de estar de sua casa.
Assim como Oliver dissera, o interior da mansão estava ainda mais lindo e eu me senti imediatamente em um castelo do século XIX.
Thea Queen, a irmã mais nova de Oliver estava sentada no sofá com seu namorado, Roy Harper e veio correndo nos abraçar assim que notou nossa chegada. Moira e Walter, o padrasto de Oliver, estavam juntos e abraçados ao lado da enorme árvore de natal e de frente para a lareira, afinal, era uma noite fria em Starling.
— Eu não acredito que você veio, Felicity, duvidava que Ollie conseguiria te convencer, mas olha só, você veio mesmo!
— Thea! Muito bom ver minha Queen preferida novamente. – A abracei de volta. Thea realmente era quem eu mais gostava da família Queen, apesar que todos sempre me trataram muito bem, acredito que tenha a ver com nossas idades que são bastante próximas. Thea apesar de sempre tender ao exagero como a mãe, também é muito divertida e acabamos nos tornando boas amigas.
— Oh, eles chegaram!- Ouvi Moira dizer ao se aproximar de nós com Walter ao seu lado. – Felicity, querida, fico muito feliz que tenha vindo, fique à vontade, a casa já é sua.
Moira me abraçou por um logo instante, antes de fazer o mesmo com Oliver.
— Eu que agradeço o convite, Moira, Walter. – Agradeci para os anfitriões da família Queen. Olhei um pouco da decoração por toda a sala e me senti sensibilizada com o candelabro sobre a lareira. Por mais que Moira pudesse tender um pouco ao exagero com todas as coisas, devo admitir que ela pensa em tudo. – É um menorá?
— Sei que você é judia, então pensei em trazer um pouco da sua cultura para que essa noite seja o mais confortável possível para você, querida. Quero que se sinta em casa.
— Não era necessário, Moira, mas obrigada, é muita gentileza sua.
— Espere só para ver o cardápio da ceia. – Thea comentou. – Parece que Felicity é a nova favorita da mamãe.
— Parece que tem alguém com ciúmes, irmãzinha. – Disse Oliver, rindo da irmã.
— Não sou eu que fui esquecida assim que Felicity entrou na sala. – Thea retrucou enquanto Oliver abraçava Moira. – E se não se importa irmãozinho, vou roubar sua namorada por um instante. – Anunciou quando já corria escada acima puxando-me com ela.
— Não se demorem, Thea, o jantar já será servido.
— Está bem, mamãe.
[...]
— Agora que estamos só nós duas, desembucha de uma vez o que você e meu irmão estão tramando. – Thea cruzou os braços e começou a bater o pé como uma adolescente mimada assim que entramos em seu quarto, ela me encarou como quem adoraria me jogar na fogueira e eu tive vontade de gritar por socorro.
— Não sei do que está falando. – levantei as mãos na defensiva. – Sou completamente inocente de qualquer acusação.
— Estou falando de vocês dois saírem por aí fingindo estar namorando todo esse tempo. E não tente negar porque eu ouvi os dois discutindo outro dia na QC. – Cortou-me quando já estava pronta para negar. – De quem foi a ideia?
— Oliver! – Acusei imediatamente para tirar o meu da reta.
— É claro que foi! – Suspirou frustrada. – Eu não acredito que mentiram para mim todo esse tempo e eu adorando a ideia de ter uma cunhada quando tudo não passava de uma farsa. – Jogou-se na cama parecendo muito frustrada.
—Se te serve como consolo, eu gosto da ideia de te ter como cunhada, na verdade te tenho como uma amiga. – Falei ao sentar do seu lado, Thea voltou sua atenção para mim. –Você é única amiga que tenho aqui e quando tudo isso acabar, quero que nossa amizade prevaleça. – Fui sincera.
— Então vocês já pensam em “terminar”?
— Na verdade fomos longe demais com isso, Thea, uma hora alguém vai acabar descobrindo tudo, como você descobriu.
— Logo agora que eu já estava shippando os dois. – Revirou os olhos. – Você é a primeira garota que Ollie arruma que não é detestável, custa vocês ficarem juntos por sei lá, os próximos cinquenta anos?
Sorri.
— Você parece uma garotinha mimada cujo doce foi arrancado à força. – Comentei apontando para o bico que Thea fazia.
— É sério Felicity, eu gosto de você como cunhada! – Ela sentou-se na cama para ficar à minha altura. – Eu vejo que você gosta do meu irmão e sei que ele também gosta de você, não vejo o porquê de não ficarem juntos.
— Porque você está blefando!
— Vai negar que não gosta do meu irmão? – Sondou.
— Eu amo o Oliver, mas eu sempre soube desde o começo que qualquer sentimento que viesse a ter seria impossível Thea, tudo não passa de um simples acordo que fizemos, entende? Oliver é um homem de muitas mulheres e a última coisa que ele faria era olhar para mim de verdade e ter algum interesse. Eu não vejo como posso atraí-lo de alguma forma.
— É aí que você se engana! Ollie já não é mais o mesmo desde que te conheceu, eu o conheço bem e vejo como ele mudou. Já faz muito tempo que não vejo mulheres entrando em seu quarto durante a noite e tem algo nele, no olhar dele que está diferente, quando está com você, ele parece outra pessoa, mais livre, mais leve e a forma como ele te olha, ele só olhou assim para mais uma mulher além de você.
— E o que aconteceu com essa mulher? – Questionei curiosa.
— Felizmente Ollie percebeu à tempo que ela não o olhava da mesma forma e hoje ela é casada com o vereador da cidade, tão vigarista quanto ela, enfim, os dois se completam. O fato, Felicity é que Ollie te ama e confie em mim, mais cedo ou mais tarde meu irmão vai te dizer isso.
— Nós não nos prolongaremos muito mais nisso e isso prova que você e está errada.
— Quando?
— Até o ano novo. – Falei com tristeza e de certa forma com alívio também, eu já não suportava mais mentir para mim mesma e sinceramente não sabia até quando poderia sustentar essa história, principalmente sabendo que logo teria fim.
— Eu não estava errada quando disse que você o amava também, estava?
—Não, mas até um cego veria que eu sou extremamente trouxa por Oliver Queen. – Admiti, mesmo que acabando com minha dignidade, mas era com Thea que eu estava falando e nossa relação me permite dizer isso em voz alta.
— Apenas confie em mim, cunhadinha. – Thea piscou e de certa forma, eu acreditava nela.
[...]
Voltamos então para o andar de baixo da mansão onde todos nos esperavam e fomos direto para a sala de jantar, onde estava a mesa do banquete.
E que banquete!
Thea não mentiu em nada quando disse para eu esperar para ver a ceia. Todo o tipo de comida estava servida como se fossemos alimentar um exército inteiro. Todos os tipos de pratos, desde peru assado à knaidlach, um prato servido no Hannukah que eu conhecia bem, o que Moira não sabia era que eu não tinha costume de comer pratos judaicos, mas achei tão sensível de sua parte pensar em mim que eu não poderia decepcioná-la.
A verdade é que apesar de ser judia, eu não cresci dentro dos costumes e cultura Judaica, para ser sincera, cresci com Donna Smoak- não que isso seja uma ofensa- como mãe, na cidade mais pecaminosa de todo o mundo, Las Vegas. Como judia apenas não comemoro o natal.
— Uma pena que sua mãe não esteja conosco essa noite. – Disse Walter diretamente para mim.
— Minha mãe vive em uma eterna lua de mel desde que se casou de novo e também para ela é mais difícil comemorar esta data.
— Entendo. E para você, como é estar aqui essa noite? – Indagou.
— Embora não tenhamos costume de comemorar esse dia, como todos sabem nós comemoramos o Hannukah, que não tem dia fixo devido ao calendário judaico que é lunar, enquanto o de vocês é o solar. Mas tenho um enorme respeito por suas crenças e até acho muito bonito e interessante.
— Este não é o primeiro natal de Felicity, não é mesmo, amor? – Oliver questionou para mim.
— Claro. – Sorri e fixei meus olhos no de Oliver, buscando pelo olhar que Thea disse que ele tinha toda vez que olhava para mim.
— O que foi? Está sujo aqui? – Perguntou preocupado já passando o guardanapo no rosto como se houvesse sujeira.
— Não é nada, só estava checando uma coisa.
— Tão fofos! Quero ser assim quando crescermos, Thea. – Roy brincou.
— Sabe que vocês nunca nos contaram como se conheceram? – Moira disse já interessada. – Eu adoraria ouvir como isso aconteceu.
Merda! Nós nunca tínhamos discutido sobre isso. Olhei em desespero para Oliver que parecia tão calmo que até merecia o troféu de ator do ano.
— Apesar de Felicity e eu trabalharmos na mesma empresa, eu não a conheci lá. A primeira vez que vi Felicity eu estava muito atrasado para uma reunião e mesmo assim resolvi passar no Big Belly Burguer antes, para tomar um café. E lá estava ela, curiosamente às sete da manhã, Felicity tinha pedido uma enorme porção de batata frita e um Milk shake de chocolate. Ela estava tão entretida tagarelando com seu lanche que se quer notou a presença daquele estranho a observando. Eu a achei tão fascinante que nem me importei com a hora, eu soube naquele momento que aquela mulher mudaria minha vida de alguma forma e que de um jeito, ou outro, eu precisava conhecê-la.
Eu estava em choque! Eu jurava que Oliver elaboraria uma história romântica super clichê dessas que vemos em filmes da qual ninguém ousaria duvidar.
Eu me lembrava desse dia! Embora realmente não tenha o visto, eu estive no Big Belly, eu pedi batata frita e Milk shake às sete da manhã. Aquele dia foi o dia da minha entrevista para a vaga do departamento de TI e eu estava tão nervosa que pedi essa bomba calórica logo pela manhã. A razão para que eu estivesse tagarelando – embora faça isso com bastante frequência – era porque havia derramado Milk shake na camisa que eu tinha comprado especialmente para aquele dia.
— Você nunca me disse isso. – Acusei emotiva.
— Estava guardando para esse momento. – Ele sorriu. – Naquele mesmo dia mais tarde, eu vi Felicity saindo do departamento de RH e logo soube que ela era a mais nova funcionária do departamento de TI. Daí em diante eu sempre dava um jeito do meu computador precisar de manutenção, até o dia em que tomei coragem para chamá-la para sair e o resto vocês já sabem.
Tudo aconteceu como Oliver havia dito. Todos os dias praticamente eu era chamada na sala da diretoria e todos os dias era um mini infarto achando que eu seria demitida quando na verdade era só Oliver que precisava de uma ajudinha do TI. Agora até mesmo as palavras de Thea pareciam fazer sentido.
Será?
Verdade ou não, a história de Oliver tinha convencido não só à mim, como também à sua família.
Oliver havia dito que não precisávamos ficar até o final, mas a verdade é que por mais que sejam loucos, sua família também é muito acolhedora e algo neles me faz sentir em casa, principalmente quando tenho muita saudade da minha mãe. Então ao contrário de irmos embora, Oliver e eu fomos para o lugar que eu considerava o meu favorito na mansão Queen. O terraço. No terraço era onde criávamos nossas teorias conspiratórias mais loucas sobre o universo, conversávamos sobre tudo e também sobre nada.
— A vista está incrivelmente mais linda essa noite. – Comento ao olhar as luzes brilhantes de Starling City. Oliver se coloca ao meu lado, passando seu braço por meus ombros no intuito de me abraçar e aquecer.
— E também muito fria. – Disse me apertando mais contra si, seus dedos acariciando-me por sobre a camada grossa do meu suéter. – Mas olhe para o céu, eu não via um céu tão estrelado assim há muito tempo.
Sinto o ar gélido ricochetear em meu rosto e gosto da sensação que causa ao contrastar com o calor que emana do corpo másculo de Oliver. Isso era com certeza algo de que eu sentiria muita falta quando acabássemos com essa farsa. A única coisa que eu desejava era que tivéssemos momentos como esse novamente algum dia.
Com um suspiro cansado, afasto para o fundo do meu coração surrado todas as minhas tristezas, determinada a aproveitar o máximo que posso esse momento de paz absoluta. E assim como Oliver sugeriu, abri meus olhos para contemplar o céu mais lindo que vi em toda a minha vida. Haviam tantas estrelas que parecia não haver um só pequeno espaço no céu, sem dúvidas que esse era um dia especial, isso eu não podia negar.
— Felicity, eu gostaria muito de falar com você. – Oliver começou e de repente eu pude senti-lo tenso, o que era bastante estranho e incomum vindo dele.
Olhei para Oliver e esperei que ele prosseguisse.
— Há um tempo que venho tentando dizer e por isso que venho tentando prolongar toda essa história, mas eu não sei por onde começar. Que ironia, logo eu, estar com dificuldades sobre como falar com uma mulher, visto que não é qualquer mulher e sim você.
— Oliver, dar voltas por estar com dificuldade de dizer algo combina comigo e não com você, por favor, diz de uma vez, seja confiante!
Acariciei seu rosto com as pontas dos meus dedos e Oliver se inclinou para receber mais do carinho, nosso relacionamento nos permitia esse tipo de contato.
— Felicity, eu gosto de você! – Disse após uma longa pausa.
— Eu sei, eu também gosto de você, Oliver. – Falei com inocência e um sorriso no rosto.
Oliver percebeu minha confusão e suspirando pesadamente, ele voltou a falar.
— Você não entendeu, eu gosto mesmo de você, como um homem gosta de uma mulher, não como os amigos que nos tornamos. – Suspirou novamente, pegando minhas mãos dessa vez, eu estava em choque com essa nova informação. – Eu amo você, Felicity Smoak.
Santo Deus!
Realmente, verdadeiramente nem em meus melhores sonhos eu poderia imaginar Oliver dizendo algo assim para mim. Francamente, qual era a probabilidade? Quando embarquei nessa loucura com ele eu tinha cem por cento de certeza que eu me ferraria de todas as formas possíveis me apaixonando por ele, exatamente porque era impossível que Oliver fosse se interessar por mim.
Ok, não tão impossível assim, mas se tratando de Felicity Smoak e a sorte que eu tenho no azar, as chances eram mínimas, quase nada, com X tendendo à zero.
Então sim, agora eu estou parada pateticamente frente ao homem que acabou de dizer que me ama, sem que eu consiga dizer uma só palavra.
— Oliver...- Começo, mas sinto meu cérebro virando gelatina e tudo que consigo pensar é : THEA ESTAVA CERTA E FRUTA QUE PARTIU, ESSE MOMENTO É MEU!
— Felicity, antes que fale qualquer coisa, até mesmo antes que dê um chute no meu traseiro, peço que me ouça. – Abri a boca para protestar, mas ele me impediu que falasse. – Há três meses venho tentando te dizer o que sinto por você, mas toda vez que estou prestes a dizer, alguma coisa acontece e eu acabo não falando nada. No inicio foi até divertido começar esse namoro falso, serviu bem para minha mãe me deixar em paz, mas há algo em você, Felicity, que tem me mostrado dia após dia o quanto você é diferente de todas as outras mulheres que já conheci. Não posso negar que sempre estive atraído por você, mas ao longo de que fui te conhecendo de verdade, eu vi esse simples desejo se transformando em uma relação de respeito, admiração, cumplicidade, carinho, afeto e por último mas não menos importante, amor. Você tem transformado minha vida de todas as maneiras que possa imaginar. Antes de você eu não tinha objetivos, vivia apenas para o hoje sem me importar com o amanhã, minha vida não tinha cor e no meu coração existia apenas a amargura. E então você chegou, veio como um sopro de ar puro, trazendo consigo uma luz que foi capaz de iluminar até meus dias mais sombrios, só seu sorriso tem o poder de alegrar meu dia e eu não estou disposto à perder tudo isso que me proporciona, a perder você. Você me torna uma pessoa melhor, Felicity e eu não sei se eu consegui tocar seu coração como você tocou o meu, mas eu te peço, imploro se for preciso para que você me deixe tentar ser para você, metade do que você é para mim. – Observei Oliver tirar uma pequena caixinha do bolso de trás da sua calça de linho fino e seus olhos se prenderem aos meus antes dele revelar o que havia ali dentro. – Não achei apropriado comprar alianças de compromisso como presente de natal, também pegaria mal de um namoro falso pular direto para um noivado, embora isso seja algo que irá acontecer naturalmente, eu espero. Então eu simplesmente escolhi um anel que achei que combinaria perfeitamente com você e essa noite para perguntar se você aceita sem mentiras e enganações, ser minha namorada, Felicity?
— Antes de responder à sua pergunta, eu gostaria de dizer algumas palavras. – Oliver assentiu e então prossegui calmamente. – Você me irrita de maneiras que nem eu mesma consigo imaginar? Irrita! Eu sinto vontade de te estrangular quase que o tempo todo? Sinto! Eu não consigo resistir à essa carinha de Oliver que caiu da mudança? Não! Quando começamos essa loucura eu não sabia o que esperar, muito menos pensei que poderia ir tão longe. Eu sabia que correria riscos de me apaixonar por você e que esse sentimento pudesse não ser correspondido, o que acabaria fazendo com que eu me machucasse profundamente. Mas eu pensei: o que tenho a perder? Eu tinha acabado de sair de um relacionamento e tudo que eu pensava era que nada poderia doer mais, afinal, eu precisava ocupar minha mente. Verdadeiramente eu pensei que pudesse ser um blefe seu e que essa brincadeira logo acabaria, mas os dias passavam e junto com eles eu me via cada vez mais apegada à você, eu sou muito grata por ter me permitido entrar em sua vida, por ter me mostrado um Oliver que poucos tem a chance de conhecer. Ao contrário do que eu imaginei que encontraria nessa relação, eu ganhei não só um amigo, mas um homem para estar ao meu lado e para segurar minha mão nos bons e maus momentos, você me ajudou a crescer e curou minhas feridas, assim como eu te ajudei a se curar e em troca, como forma de gratidão, eu te dei meu coração. Então sim, eu aceito ser sua namorada. Eu amo você, Oliver Queen.
Lágrimas de felicidade banhavam meu rosto quando eu o puxei para um beijo. Um beijo cheio de amor e promessas.
Eu beijava Oliver com certo desespero, afinal foram meses de espera e eu mal podia esperar para sentir o sabor de um beijo seu. Confesso que meu cérebro não me preparou para a doçura que era os lábios de Oliver. Seus lábios eram macios e receptivos, sua língua quente e aveludada deslizava na minha tranquilamente em comparação com minha ansiedade. Seus dedos se entrelaçaram em meus cabelos e sua língua se aprofundou em minha boca, sondando, explorando, reconhecendo. Céus! Nada se comparava com seu gosto e eu não me importava se o ar começava a sumir dos meus pulmões, eu queria desesperadamente mais e mais daquele homem para mim.
Eu iniciei o beijo, mas foi ele quem o conduziu, no ritmo de sua preferência e mesmo que silenciosamente, ele parecia dizer que não necessitava pressa, teríamos todo o tempo do mundo para nós dois, eu pertencia à ele e ele à mim.
— Parece que é meia noite. – Falei após nos separarmos e eu conferir a hora em meu celular. – Feliz natal, Oliver.
O Abracei e beijei novamente, dessa vez sem pressa e então percebi como seus lábios se emolduravam aos meus com perfeição e pude sentir mais de seu gosto de hortelã. Eu nunca me cansaria disso!
— Sem dúvidas que é um natal muito feliz, o melhor natal que já tive. – Disse dando-me meu sorriso favorito, o que aqueceu meu coração imediatamente. – Feliz Hanukkah, minha doce Felicity. – Oliver segurou minha mão entrelaçando seus dedos nos meus. – Vamos voltar? Está na hora dos presentes e eu preciso contar à minha família que tenho uma namorada.
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