Christmas Night
2 2. Last Chistmas
Notas iniciais
Segunda one-shot natalina finchel! Esperamos que curtam (:
“Last christmas
I gave you my heart (gave you my heart)
But the very next day you gave it away (gave it away)
This year
To save me from tears
I´ll give it to someone special (I’ll give it someone special)”
“No Natal passado
Te dei meu coração (Te dei meu coração)
Mas no dia seguinte (no dia seguinte), você jogou fora (você jogou fora).
E neste ano,
Pra que eu não chore,
Vou dar pra alguém especial.”
Ela acordou um pouco atordoada com a música de seu despertador que ecoava estridentemente pelo quarto.
Havia dias que Rachel não dormia bem. Ela sabia que aquilo podia prejudicar sua voz, mas era mais forte que ela, a insônia batia e ela não podia parar de pensar em Finn, no que tinha acontecido com ele, na mentira em que ele a fizera acreditar por tanto tempo. Ele e Santana tinham transado, ela tirara a virgindade dele, e Rachel se sentia a menina mais humilhada do mundo por isso. Não por ele já ter experiência sexual, mas por ter mentido, por tê-la feito crer que ela era a garota certa para isso, pelo modo como ela ficou sabendo.
Ele dissera que seu problema era por ter sido Santana e ela não pudera negar. Ele tinha razão. Se fosse Quinn talvez ela entendesse. Ele amara Quinn no fim das contas, mas Santana? A garota que se esforçava pra humilhá-la todos os dias na escola e que era a mais desejada de todas as meninas do McKinley? Por esses e outros motivos menores, o golpe da descoberta havia sido maior.
Como ela podia se comparar a Santana? Provavelmente ela era incrível na cama e apenas essa ideia já a deixava insegurança quanto ao seu relacionamento com Finn.
Santana Lopez era tudo o que ela jamais seria.
Sacudindo a cabeça, ela tentou desviar seus pensamentos. Estava próximo ao Natal, ela sabia que ele amava a data, e, mesmo que ele também tivesse motivos para estar magoado com ela (realmente, ficar com Puck não era nem de longe a melhor coisa que ela podia ter feito), Rachel queria que as coisas se ajeitassem no Natal. Não era isso que todo mundo dizia? Natal não era a época de perdão, de amor, de arrependimento? Ela tinha uma chance.
{...}
A banda do colégio havia deixado o auditório e a menina estava sentada com o pacote de presente na mão. Ela olhou o pequeno pacote, pensando na ironia. Ela chegara a pensar em entregar o presente que comprara no outro Natal, mas ela sabia que ainda não era a hora. Se no Natal passado, ela havia dado a ele um pedaço de carvão dentro da meia, esse ano, após trai-lo, ele devia devolver o presente, mas não Finn, ele era sempre bondoso demais, generoso demais pra isso e ela o tinha magoado sem propósito, apenas para perceber em seguida que ela sempre sairia mais ferida.
Ela deu-lhe um presente, que ele rejeitara. Ela preparara o palco para cantar para ele, e ele rejeitara!
Apesar do remorso que sentia pelo que tinha causado a Finn, parte dela sabia que ele ainda amava e era nessa esperança que ela se agarrava. Ele podia ter se negado a ouvir sua canção, mas isso apenas porque sabia que se a ouvisse não teria forças pra não perdoá-la. Era assim entre eles, a música entrava quando as palavras não eram suficientes para alcançar o tamanho de seus sentimentos.
– Eu não sei mais o que fazer.- Rachel suspirou. Ela falava com Kurt ao telefone, e aquilo era muito louco, mas eles só se tornaram amigos e confidentes depois que ele tinha ido embora pra Dalton Academy.
–Ai, Rachel, Finn está extremamente magoado com você. Eu acho que ter ficado com o Puck...
–Eu sei, eu sei, Kurt.- ela o interrompeu.- Eu só estava desesperada e triste, ok? Precisava descontar de alguma forma!
– Mas justamente com o cara que engravidou a namorada dele? O melhor amigo dele?
Rachel engoliu em seco, lutando para não chorar.
– Rachel, você precisa se reaproximar aos poucos dele, sem ser tão afoita. Que tal chamá-lo para comprar uma árvore de Natal? Isso pode interessá-lo!- exclamou Kurt, fazendo um sorriso voltar a surgir nos lábios de Rachel do outro lado da linha.
~
Tinham destruído a árvore de Natal do Glee Club, e ninguém sabia que era parte de mais um plano maléfico de Sue Sylvester para estragar o que eles estavam fazendo, para variar. Mas aquilo era o que menos importava a Rachel. Ela aproximou-se de Finn e disse:
–Nós temos que comprar outra árvore de Natal, Finn, somos os líderes deste grupo!
Ele a encarou relutante.
Dizer que era fácil conviver com ela diariamente naqueles últimos dias no Glee Club era uma grande mentira. Tudo o que ele queria era que aqueles momentos antes das Seletivas não tivessem existido, e poder abraçá-la, levá-la para a ceia em sua casa, beijá-la sob a neve...
Mas, ele estava doído e machucado. Triste, como se Rachel tivesse feito algo pior que Quinn. Ele sabia que, racionalmente, a loira tinha sido muito mais desonesta e mesquinha, mas emocionalmente, era o erro de Rachel que pesava mais, porque ele a amava, e achava que sempre ficaria com ela. Não sabendo bem por que, talvez pelo senso de responsabilidade para com o time, ele aceitou.
– Tudo bem.- disse, escapulindo logo em seguida.
E lá estavam eles entre pinheiros fresquinhos, todos encapotados sob o frio que já fustigava Ohio procurando uma árvore para colocarem na sala do Glee Club.
– Tá frio aqui, é um clima bem aconchegante!- ela disse, pegando o braço dele.
– Não, até que tá bem quente pra essa época do ano.- ele rebateu, esquivo.
Rachel estava tentando, estava tentando... então tocou Wham!, “Last Christimas”. Os olhos dela brilharam, pois adorava esta canção. Finn também a conhecia, e, como que por encanto, andando entre os pinheiros, eles fizeram um dueto, cada verso calando fundo na alma de ambos, porque era Natal, e eles haviam dados seus corações um pro outro, e tudo ficou tão duro quando acabou e Rachel disse:
– Ano passado, eu pedi ao Papai Noel que me desse você.- ela segredou, os olhos bailando numa dor pungente e numa esperança de que a música tivesse sensibilizado Finn.
Na ponta dos pés, rápida, ela encostou os lábios nos dele, que a afastou:
–Mas não estamos mais no ano passado.
E, mesmo com ela argumentando que fosse Natal, que se fizesse perdão entre eles, Finn não arrefeceu. Disse ser errado estar ali com ela. Errado dar esperanças a ela, que tinha tido duas namoradas na vida e elas o tinham traído.
Rachel estava perplexa demais para protestar antes que ele dissesse que estava terminando oficialmente com ela e ir embora, deixando a garota ali, sob o frio, rodeada por pinheiros, chorando silenciosamente.
Sem pensar no que estava fazendo, Rachel começou a correr. Ela só queria sumir dali o quanto antes, o refrão da balada natalina ainda ecoando em seus ouvidos. Afastou-se o suficiente para ver apenas pontos difusos das luzes penduradas nos pinheiros da loja.
Afastando as lágrimas com a ponta dos dedos cobertos pelo pesado casaco, ela sentou-se embaixo de um pinheiro, em plena neve, sem se importar. Estava frio, embora Finn negasse.
“Talvez ele não saiba que está frio porque seu coração é mais congelado que toda esse neve” – Ela pensou amarga.
Ali embaixo dos pinheiros, olhando as luzinhas brilharem coloridas, as crianças rirem descontraídas e a neve cair pelas montanhas, ela deixou desafogar o pranto que continha no peito.
Após alguns minutos de extremo abandono, ela puxou o celular do bolso do casaco e viu que havia uma chamada perdida de Finn. Lutou contra a vontade de retornar a ligação, mas em vez disso, discou o número de Kurt.
–Foi um erro, Kurt!- Rachel bufou, aos prantos, falando com o amigo ao telefone.- Finn não me ama mais!
– Mas, Rachel...
– Eu fiz tudo por ele, Kurt, tudo! Mas agora, já chega! Quem não quer mais saber de Natal sou eu, sou judia mesmo, não tenho a obrigação de ligar para uma data que só me traz dor.
– Finn está com você? – Kurt questionou preocupado. – Ele não voltou pra casa ainda, meus pais estão preocupados.
– Não, ele me deixou sozinha na loja de pinheiros. – Ela respondeu. – Se souber dele, me avise, Kurt.
~
Finn encostou a cabeça no volante da velha caminhonete azul que tinha ganhado de Burt como presente de Natal antecipado e chorou. Ele estava arrasado, como se Rachel tivesse levado algo dele com ela que nunca fosse recuperar. Esta dor, este Natal, ele com certeza nunca iria esquecer. Não havia imaginado como podia ser ruim uma data que ele amava tanto. E tudo por causa dela.
Talvez fosse por isso que diziam que o Natal poderia ser inesquecível de muitas maneiras. De uma coisa ele estava certo. Essa era a pior de todas as maneiras.
~
Na véspera do Natal, ela tinha seus planos bem claros, até o grupo ser reunido às pressas por Sue na sala do Glee Club e organizar uma ceia surpresa na casa de Will como um pedido de desculpas por ter estraçalhado com a decoração deles naquele ano.
Rachel não queria ir, estava farta de manter tradições que, ela sabia, só haviam razão de ser por Finn, mas, quando todos se dispersaram e saíram, ele a segurou pelo pulso com delicadeza e pediu:
–Venha, Rachel, por favor.
Havia sinceridade nas palavras dele, mas ela também estava exausta:
– Não tenho mais razão nenhuma para comemorar o Natal.
– Por favor, Rachel, não é uma questão nossa. É o Glee Club, entendeu? E nós somos os capitães.
– Engraçado, você não lembrou disso quando me deixou sozinha sem sequer trazer um pinheiro pra cá há alguns dias!- ela vociferou.
–Você sabe o que aconteceu!- Finn explodiu.- Você forçou um beijo, você forçou uma volta...
–Ah, cala a boca, Finn...- Rachel virou as costas para ele, mas sentiu-se puxada pela cintura até encarar os olhos dele fixos nos dela.
Uma chama inegável de paixão ainda rescendia ali, e eles lentamente aproximaram suas bocas, até as línguas se tocarem e sentirem os gostos uma da outra.
Foram segundos de magia e ouro derretido pulsando em suas veias, Rachel segurava com força os ombros dele, da mesma forma que Finn enlaçava a cintura dela.
Mas o encanto se quebrou quando eles ouviram um barulho vindo da porta e eles se soltaram, as respirações ainda aceleradas.
–Por que, Finn?- foi tudo o que ela perguntou, com os olhos úmidos, e saiu correndo porta afora, chorando.
Na hora marcada, no entanto, todos estavam na casa de Will para arrumarem a ceia de Natal. Finn não pôde deixar de sorrir com o canto do lábio no momento em que seu olhar cruzou o de Rachel e ele percebeu o quanto ela estava bonita, com seu vestido vermelho e cachos caindo sobre os ombros.
Ela era forte. Ela era linda. Era a garota que, inevitavelmente, sempre teria seu coração.
Rachel sorriu de volta, mesmo triste. Naquele ano, ela aprendeu que o Natal não era apenas sobre perdão, amor, arrependimento. Era sobre ser resiliente e ter fé.
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