Choques
1 Enrascada
Notas iniciais
Se quiserem continuação peçam nos comentários, tenho a história inteira prontinha!
XOXO
Prólogo
Seis anos de idade. Sábado ensolarado no Valle. Crianças no parque. Lembro-me bem de estar correndo em direção ao balanço e ser atropelada por um garoto enorme. O grandão chegou ao balanço primeiro. Depois que me empurrou, cai no chão e ralei o joelho, então comecei á chorar.“Bobão!” Pensei comigo mesma do alto da minha maturidade.
- Ei, quem você pensa que é? – Um menininho loiro apareceu e disse para o garoto enorme depois de ver o que tinha acontecido. Os dois acabaram brigando e para o meu espanto, o pequeno garoto venceu. O outro saiu correndo e foi embora. – Tudo bem menina? – Meu “herói” perguntou virando-se para mim que estava secando as lágrimas.
- T-tudo. Brigada. – Respondi sem jeito.
- Qual é seu nome?
- Laura, e o seu?
- Vitor. Laura, você é minha melhor amiga.
É incrível como as crianças se apegam rápido, não é? Pelo menos o amor delas é verdadeiro e sincero.
- Você é meu melhor amigo. Quer brincar? – Estendi a mão sorrindo. Ele pegou meu pulso e me puxou correndo até o balanço depois de dizer:
- Quero!
Capítulo 1- Enrascadas
- Lau, já sabe que roupa vai usar no Luau da Isabella quinta? – Beatriz me perguntou enquanto se olhava na tela do celular, tentando desajeitadamente se equilibrar em seu salto quinze da cor vermelho carmim.
Ela era minha melhor amiga. Naquela época, eu não costumava ser uma companhia muito agradável para as pessoas, mas mesmo assim elas gostavam de mim, de estar comigo, essas coisas. Mas para mim não fazia muita diferença. Porque segundo meu novo lema de vida, se apegar demais era burrice.
- Nem me fala, ainda não tive tempo de pensar nisso. – Guinchei fitando meu Iphone. 00h 15. Eles estavam atrasados. Guardei o celular no decote do vestido.
Estávamos em pé, na frente da minha casa, esperando Murilo e Andrei chegarem, para irmos á tal festa. E minha mãe não podia nos ouvir.
- Que tal se fôssemos ao shopping ver isso amanhã? – Beatriz perguntou animada. A ideia de passar uma tarde sozinha comigo parecia deixá-la feliz.
- Argh, você sabe que eu odeio compras. E além do mais, é só um Luau. – Fiz uma careta.
- Laura Helena! Não é só um Luau! É a décima sétima edição do Luau mais doido do mundo! A última edição durou tipo, uns três dias! Você sabe que a Isabella dá as melhores festas! Ahh! – Ela deu um gritinho agudo. Eu odiava quando ela me chamava pelos meus dois nomes. Argh. Já ia me defender quando ouvi o barulho de um carro virando a esquina.
- Olha ali, os meninos chegaram, vem! – Falei puxando-a pela mão até a rua. Os cumprimentamos e entramos no conversível. — Aceleeeeeeeera! — Gritei para Andrei que estava no volante do carro. E foi isso mesmo que ele fez.
- Uhuuuuuul! – Gritamos sentindo o vento no rosto.
Tanto eu, como ele, Beatriz, e Murilo estávamos em êxtase. Afinal, estávamos fazendo algo proibido. Fugir de casa não era novidade, mas cada vez que fazíamos algo errado, éramos invadidos pela adrenalina. As férias de julho estavam só começando. E enrascadas seriam inevitáveis. Eu sabia disso. Só não sabia o tamanho dos problemas em que me meteria.
- Ei gatas, amanhã bora dar uma volta de barco a vela? – Andrei perguntou. Ele e a Bia estavam no começo do namoro, por isso ainda sentiam aquele frio na barriga cada vez que se encontravam, diferente de mim e do Murilo, que vivíamos um na casa do outro e já estávamos acostumados.
- Hum, não sei, o que você acha Bia? – Respondi fingindo estar em dúvida.
- Sei não, tenho que ver se ainda tem algum espaçinho na minha agenda. – Ela sorriu e deu uma piscadinha para Andrei que sorriu de volta. – Claro que nós vamos né! Dãã! – Dava para ver que ela estava mesmo apaixonada. Aquele brilho nos olhos entregava seus sentimentos fazendo com que ela ficasse ainda mais fofa que o normal. E apesar de nunca ter dito, eu amava o jeito dela.
O céu estava escuro, e eu não enxergava estrelas devido à luz dos postes que dançavam pelo vidro da janela. Eu tinha tomado um calmante antes de sair de casa e fiquei meio fora do ar durante a maior parte do caminho. Finalmente chegamos ao local da festa. Murilo desceu, deu a volta, e abriu minha porta:
- Primeiro as damas. – Ele estendeu a mão para que eu descesse.
- Ah, que lindo você! – Falei sorrindo.
- Já me disseram isso! – Ele disse convencido, sorrindo enquanto me puxava pela cintura.
- Disseram é? E quem foi? – Falei fingindo estar enciumada e me desvencilhando de seus braços.
- Minha mãe, obviamente! – Nós rimos e ele me conduziu até a porta da casa onde acontecia a tão esperada festa.
Tudo ia tão bem entre nós… Eu realmente não tinha nada á reclamar sobre ele, era o namorado dos sonhos de qualquer garota. Depois de um rápido selinho, entramos no lugar cheio de luzes e com música alta, seguidos por Beatriz e Andrei que caminhavam de mãos dadas.
Aquele tipo de festa era muito comum para veteranos na faculdade do Valle. E nós, éramos calouros. Só que não éramosapenascalouros comuns, éramosOScalouros. Pois fazíamos parte da seleta lista de convidados, e não era de praxe dos veteranos convidar calouros pra suas festas V.I.P. Mas nós éramos diferentes. Enquanto outros imploravam por convites, os anfitriões da festa nos imploravam para que fôssemos. E eu achava tudo aquilo uma grande besteira.
A mansão dos Alcântara era enorme e estava lotada. Musica eletrônica ecoando pelas janelas. Gente espalhada até pelo enorme jardim que dava para a praia. Algumas pessoas caminhavam sobre a areia segurando os sapatos na mão, molhando os pés, e alguns casais estavam sentados observando o movimento das ondas. Quando entramos todos pararam por alguns segundos para observar.
- Oh, eles vieram mesmo! – Exclamou uma menina admirada. Eu não entendia aquilo.Uma festa tão legal, porque nós deixaríamos de ir? Nós não éramos super estrelas, ou algo do tipo, éramos só adolescentes comuns.
Todos nos cumprimentaram, sorriram... Eles só queriam um pouco de atenção. Eles só queriam estar com a gente. E eu não gostava muito disso. Eu não queria me apegar a mais ninguém. Não queria mais amigos.
- Linda, vou pegar umas bebidas para nós, ok? Fiquei sabendo que vai ter tequileiro profissional! – Murilo estava muito empolgado.
- Tudo bem amor, eu espero aqui. – Disse mais alto que o normal devido ao volume da música.
- Lau, eu e o Andrei vamos pra pista de dança, tudo bem? – Beatriz me avisou, puxando seu namorado pela mão, dançando toda animada.
- Beleza. – Assenti enquanto fitava o chão coberto por papel picado e caminhava em direção á um balcão no canto da sala. Fiquei lá e quando me dei conta tinha um grupo de meninas em volta de mim tentando puxar assunto.
- Oi Lau! – Disse uma garota que eu julgava se chamar Vanessa ou algo do tipo. Ela parecia insegura ao falar comigo. Apenas sorri. Ela continuou. – Esta gostando da festa? Err, queria muito que você fosse à minha também... Que tal? – Ela tirou um convite da mini bolsa prateada. As outras três meninas que estava com ela me olhavam cheias de esperança“Pega logo esse convite!”seus olhos diziam. Eu não ia recusar. Já estava esticando a mão quando...
- Lau? É você mesmo? – Senti uma mão sobre meu ombro. Aquela voz...
No momento em que olhei para trás quase tive um enfarte. Pisquei confusamente como se tentasse despertar de um sonho. Vitor me fitava parado bem na minha frente com um sorriso de orelha á orelha no rosto. Um turbilhão de pensamentos invadiu minha mente.
- V-V-Vitor? – Gaguejei nervosamente apenas por olhar para ele. – O… Que voc… — Minha visão panorâmica conseguiu detectar as meninas se afastando meio decepcionadas.
- Eu voltei, como tinha prometido, lembra? – As memórias afloraram rapidamente.
(flashback on) – Melhores amigos para sempre, certo?
- Certo! (flashback off)
(flashback on) – Vitor Matheus eu te amo.
- Eu te amo muito mais. (flashback off)
(flashback on) – Laura, acho que você é mais do que minha melhor amiga. Bem mais que isso.
- Acha? Eu tenho certeza. (flashback off)
(flashback on) – O VITOR FEZ O QUE?
- Ele foi embora Laura. E não vai mais voltar. (flashback off)
Voltei à realidade ainda meio dopada, e antes que falasse qualquer coisa, ele me puxou pela cintura e me beijou. Há quanto tempo não sentia aquilo…
- MAS O QUE É ISSO? – Murilo gritou, aparecendo com um copo de Martini em cada mão, parando a festa por completo.
Notas finais
XOXO
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