Chocolate Is Universal
1 Sobrenome, flechas do amor e chocolate quente.
Notas iniciais
Então, essa é a primeira fanfic que eu crio de PJO. Então é provável que alguém esteja meio OOC aí, mas enfim.
Reynabeth está consumindo minha vida. /just saying
— Reyna Arila… Não. Reyna Avila Ramo… Não também.
Annabeth estava deitada no colo de Reyna, que por sua vez, permanecia sentada, à sombra de uma árvore em Nova Roma. Á cada tentativa de Annabeth em acertar seu nome inteiro, a pretora apertava os olhos, sem saber se estava incomodada ou irritada.
— RA-RA.
A romana olhou feio para a amiga que estava tendo um ataque de risos, lembrando de algo que Grover e Leo sempre falavam. As iniciais do nome da Reyna são engraçadas, diziam eles. RA-RA! Engraçado, literalmente!
Annabeth soltou um gemido de dor quando Reyna lhe deu um tapa na testa.
— Qual o problema de vocês com meu sobrenome? Esqueçam ele. É só Reyna. — Ela resmungou.
— Eu gosto dele. — Annabeth falou com um sorriso mas logo o desfez, substituindo por uma careta. — O meu único problema é não conseguir acertá-lo.
Reyna revirou os olhos e deu um meio sorriso. Desde o incidente com Grover há algum tempo atrás, todos faziam questão de irritá-la. Menos Annabeth, que até hoje não conseguia acertar falar seu sobrenome corretamente. Claro, isso rendeu muitas brincadeiras para cima da filha de Athena e muitos amigos dela no chão, com algum golpe de judô ou outra arte marcial.
Quando percebeu que estava se perdendo em pensamentos, voltou para a realidade. Annabeth agora estava resmungando algo sobre trava-línguas e latinos.
— Sabidinha, temos trabalho a fazer. — Reyna se pronunciou, ganhando a atenção da loira.
— Hm? Que trabalho?
— Eu sou pretora, lembra? — A morena riu e Annabeth resmungou novamente, dessa vez sobre romanos serem chatos.
— E eu tenho que ir fazer seus trabalhos chatos com você, certo?
— Claro.
Reyna piscou para a amiga e se levantou, expulsando-a de seu colo e a obrigando a se levantar.
— Tá, mas depois vamos tomar chocolate quente. — Annabeth falou, se apressando em seguir a pretora, que já ia na frente.
–x-x-
“Ela já está há mais de uma hora mexendo naqueles papéis…” Era o pensamento que rodava na cabeça de Annabeth enquanto olhava para Reyna sentada em frente a uma mesa, com vários papéis espalhados. Esta, que estava distraída com os documentos, olhou de relance para a loira sentada no sofá do cômodo. Seus olhos cinzentos pareciam sonolentos e ela mantinha um bico nos lábios e uma cara entediada. A romana sorriu e se levantou, se sentando ao lado da garota e a puxando para um abraço.
— Que cara entediada é essa, sabidinha? – Reyna perguntou.
Emburrada, Annabeth a empurrou e cruzou os braços, a fuzilando com o olhar.
— Eu estou sentada há mais de uma hora esperando por você. – A loira rosnou.
A combinação da expressão assassina e o rosnado em forma de fala fizeram a pretora se encolher inconscientemente. Ela já presenciara o quão perigosa Annabeth poderia ser, quando irritada. Reyna deu o melhor sorriso que pôde e acariciou a bochecha da outra, que logo abaixou a guarda e fechou os olhos para apreciar o carinho que recebia.
— Desculpe. Mas eu já terminei por hoje, se ainda quiser, podemos ir tomar chocolate quente.
Annabeth analisou a morena por alguns segundos, e no momento seguinte, se levantou, puxando Reyna consigo. Com o puxão súbito, a pretora quase se desequilibrava. Mas depois de quase seis meses convivendo com Annabeth, começou a se acostumar com as ações inesperadas da loira.
Ambas saíram do local e caminharam juntas até o café onde sempre tomavam seu precioso chocolate quente.
Assim que chegaram no local, Reyna foi em direção ao garçom, e Annabeth se sentou em uma mesa vazia.
— O de sempre. – Reyna sorriu para o garçom, que retribuiu o sorriso e se apressou em trazer duas xícaras da bebida pedida.
A morena sentou ao lado de Annabeth, que parecia estar com o pensamento longe. Esta, pensava no quanto sua vida mudara de cerca de dois anos pra cá.
Aparentemente, nem a guerra contra Gaia, ter semideuses no Tártaro e quase ter uma nova guerra entra gregos e romanos foram o suficiente para o entretenimento dos deuses. Afinal, logo após o término da guerra contra Gaia, Eros e Afrodite resolveram “agitar” um pouco as coisas.
O filho de Poseidon e a filha de Athena nunca estiveram tão bem naquele relacionamento, mas como nem tudo são rosas, Eros, com uma daquelas flechas do amor – Annabeth lembrou que Reyna tem um certo medo delas, por causa das histórias de Piper –, acertou Percy. Este, se apaixonou por Nico. Os dois começaram a namorar depois de algum tempo de rejeição de Percy e até Annabeth conseguir processar o que estava acontecendo.
“Dois dos semideuses escolhidos já se resolveram” era o que Eros e Afrodite conversavam.
Já Annabeth, começara a se sentir sufocada no Acampamento Meio-Sangue. Sempre via Percy e Nico passeando por ali, e mesmo que tivesse aceitado tudo o que acontecia, ainda tinha sentimentos muito fortes pelo “Cabeça de Alga”. Com um pouco de dor no coração, ela foi para o Acampamento Júpiter.
Ela tinha se impressionado com a arquitetura de Nova Roma, de fato. Começou a cursar a faculdade de arquitetura, e num dia como todos os outros, Reyna apareceu com um meio sorriso e fez um pedido um pouco estranho. “Gostaria de ser minha conselheira?” Annabeth ficara um tanto confusa com esse pedido, mas a morena deu de ombros e resmungou algo sobre ela achar que os conselhos de uma filha da deusa da sabedoria em seus trabalhos de pretora seria bom. Annabeth riu e aceitou, ganhando um sorriso encabulado da outra.
As duas viraram melhores amigas depois do acontecido. Suas semelhanças as aproximaram, e uma consolava a outra. Reyna, rejeitada pelos famosos filhos de Zeus e Poseidon. Annabeth, vítima de uma brincadeira dos deuses. Mas tinha uma coisa que a semideusa grega não podia consolar Reyna. A morena tinha se apaixonado novamente, e dessa vez, pela sua melhor amiga.
Eros, percebendo que esta era sua deixa, apareceu com mais uma flecha e acertou Annabeth. De repente, o que sentia por Percy se tornou em um simples amor de amigos. E a filha de Belona se tornara seu novo amor.
A filha de Athena pensava em toda essa reviravolta, e, aproveitando o momento de distração da garota, a pretora se pôs a observar a amiga. Seu cabelo cacheado e loiro estava preso em um rabo de cavalo folgado, como quase sempre; seus olhos cinzentos e tempestuosos focavam algo no horizonte, mas Reyna sabia que Annabeth não via nada, estava presa em seu mundo pessoal. Sorrindo, a romana seguiu a linha da clavícula da loira com o indicador, a despertando de seus pensamentos.
— Ah! O que foi? – Annabeth perguntou, se recuperando do susto leve que levou. Reyna sorriu e lhe deu um beijo na bochecha.
— No que estava pensando?
Annabeth corou um pouco e abriu um sorriso tímido.
— Nas coisas que aconteceram até chegarmos onde estamos hoje.
Reyna a olhou com uma curiosidade incontida, e ganhou um selinho da filha de Athena, que a olhava afetuosamente.
— Não me arrependo de nada. Não agora que eu a tenho aqui comigo. Como namorada. – Annabeth falou, colocando mais sentimentos naquelas palavras do que poderia controlar.
Reyna sorriu e puxou Annabeth pela camisa, colando seus lábios aos dela. Assim que se separaram, a loira riu levemente, fazendo Reyna sentir vontade de beijá-la novamente. Mas antes que pudesse faze isso, alguém atrás delas limpou a garganta, tentando chamar atenção. Quando olharam, era o garçom de antes. Ele as olhava com um sorriso travesso, mas logo colocou os dois chocolates quente na mesa e saiu andando.
— Aposto que ele envenenou isso. — Annabeth resmungou, olhando desconfiada para a bebida. Reyna lhe olhou com uma expressão engraçada.
— E por que ele faria isso?
— O quê? Você não viu o olhar maldoso dele?
Reyna riu e deu um beijo rápido em sua namorada, que ainda olhava desconfiada para a bebida fumegante em sua frente. A pretora tivera uma conversa com o tal garçom antes, eles formaram uma pequena amizade por conta do tempo que Reyna passava naquele café. O garçom dizia que sempre soube que a morena tinha uma inclinação pro lado “colorido da força”, como ele dizia.
— Sim, claro. Bebe logo isso, sabidinha.
Annabeth lançou mais um olhar desconfiado para a bebida, mas logo deu de ombros e bebeu um gole. Reyna lhe olhou como se dissesse “viu?”.
— Ora, depois de tudo o que passei, tenho todo o direito de ser desconfiada. — A loira falou.
A pretora a olhou com uma falsa incredulidade.
— Direito de desconfiar de um chocolate quente?
Com isto, Reyna começou a rir e Annabeth lhe mostrou a língua, num ato infantil. Um silêncio confortável se instalou entre as duas, que apenas observavam algumas crianças brincando em frente ao café.
— Quando formos para Roma… — Annabeth começou a falar, mas foi interrompida pela pretora.
— Vamos para Roma? Quando?
Então, como se percebesse o que tinha falado, a loira corou, desviando o olhar das órbitas negras que lhe encaravam com curiosidade.
— A-ah… Eu pensei… Na nossa lua de mel. — Annabeth falou a última frase num sussurro, mas foi alto o suficiente para Reyna ouvir.
A morena sorriu com uma felicidade incontida, e, como se não quisesse nada, se pronunciou.
— Será que tem chocolate quente lá? Não é uma bebida romana de fato...
Annabeth finalmente olhou para a outra, que lhe olhava de volta com um sorriso e um ar brincalhão. Ela sabia qual era a resposta daquela pergunta.
— Mas chocolate é universal. — A loira completou.
Ambas sorriram com a lembrança que lhes veio a mente. O dia em que elas se conheceram, e o dia em que elas tomaram chocolate quente juntas pela primeira vez. Com um único movimento, Annabeth se inclinou na direção de Reyna, e observando seus olhos negros como obsidio, sussurrou três palavras para ela. A pretora sentiu seu sorriso aumentar, e seu coração bater mais forte. Também se inclinou na direção da outra, e antes de tomar seus lábios em um beijo, as três palavras que antes saíram da boca de Annabeth, saíram pela sua.
“Eu te amo.”
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