Chicago

5 Capítulo 4


= Capitulo 4 – Edward =

Sai do teatro pela porta dos fundos. Eram as mais próximas do escritório de Esme e quanto mais rápido eu saísse, mas rápido chegaria na empresa. Mas mesmo cortando caminho, eu tive que passar pelo camarim de algumas dançarinas e entre elas Lauren, que mostrou aquele mesmo dedo do meio me mandando à merda.

Entrei no Volvo e dirigi pelas ruas de Nova York. Não demorou muito e eu chegava no prédio onde era a sede da empresa que meu pai e meu irmão trabalhavam. O porteiro, assim que me viu, abriu o portão da garagem e eu segui para lá, estacionando e pegando o elevador para os escritórios.

O prédio da Masen & Cullen Corporation ficava no meio da Wall Street e era muito movimentado, mas exatamente nessa hora em que eu estava por lá, eu não consegui ver uma alma viva no elevador.

Cheguei no andar do meu pai e a mesa da secretária estava vazia, então segui para a porta do escritório sem ser anunciado. Entrei direto sem pedir permissão.

— Qual é a sua, Carlisle? – disparei logo assim que entrei, batendo a porta atrás de mim com toda a força que eu tinha, fazendo ele e Ângela, a secretária, se assustarem com meu grito.

Carlisle levantou os olhos, respirou fundo e os abaixou para algum papel que estava sobre a mesa. Ângela, que estava postada ao seu lado, continuou assustada, provavelmente implorando para sair dali o quanto antes e não ter que presenciar mais uma discussão de pai e filho.

— Para você, Edward, é pai ou papai, não importando o quão gay isso possa parecer – sem me olhar, ele falou aquelas palavras. Sentando na cadeira a sua frete, pude vê-lo assinando um papel e o entregando a Ângela, que tratou de sair do escritório logo em seguida – E aquela porta ali – ele apontou com a caneta enquanto Ângela a fechava com muito cuidado – custou muito dinheiro.

— Falo sério, Carlisle, qual é a sua intenção?

— Em relação a que? — ele indagou me analisando.

— Primeiro você dá aquela merda de teatro a Esme e agora cria essa condição de que só vai patrocinar se ela coreografar... – desdenhei

Meu pai se recostou na cadeira, afrouxou o nó da gravata e ficou me olhando. Sem falar nada, sem mover s olhos, sem se mecher.

— Esme precisa voltar a viver.

— Ela está vivendo.

Cruzou os braços.

— Está, Edward? Você acha que ficar em casa estava ajudando? Ou ficar olhando as fotos de Bree e vendo os vídeos de quando vocês eram crianças estava trazendo alguma melhora?

— Mamãe tinha desistido dessa vida. Ela não queria mais saber de coreografar e você sabe disso... Sabe disso mais do que ninguém.

— Então os passeios que vocês faziam pelo Central Park onde vocês ficavam falando de Forks e relembrando tudo é o certo? É isso Edward?

Desviei meu olhar e fiquei olhando para a vista que a sua janela do 36º andar proporcionava.

— Oh, você pensou que eu não soubesse, não é? Edward, meu filho, ficar em um parque falando sobre o passado não ajuda a superar a perda de um ente querido. Não estava ajudando Esme a superar.

— Você não pode saber disso...

— Eu vivo com ela, Edward. Você apenas dorme lá em casa... Quando dorme, né. Prometi a quase trinta anos atrás compartilhar minha vida, meus segredos e meu temores com ela. A mulher que eu amo. E durante todo esse tempo, Esme nunca me escondeu nada, como eu nunca escondi nada dela. Nenhum segredo, nenhuma mentira. Acredite se quiser, mas é verdade. Ela me conta cada mínimo detalhe do dia dela.

Continuei em silencio e Carlisle continuou.

— Bree era a minha filha também. E eu a amo. Nunca vou deixar de amar, mas ela cometeu um erro e pagou com a vida. Ninguém deu permissão para ela pegar aquela carro e mesmo assim ela fez. Para ir a uma estúpida festa que eu havia proibido. Ela não respeitou isso e foi. Ninguém imaginava, provavelmente nem ela, que um caminhoneiro bêbado apareceria, mas apareceu. Acidentes acontecem. Poderia ter sido com qualquer um. Sua mãe precisa se ocupar. Eu espero que essa “homenagem” faça ela perceber o quanto ela sente falta dessa vida.

Ri de escárnio

— Você não tem coração... Você nem sofreu e foi a sua filha que foi embora! – cuspi cada palavra olhando em seus olhos.

— Você acha que eu não sofrei? Você acha isso porque não fiquei chorando na sua frente, porque não fiquei em casa sofrendo? Porque não parei de viver minha vida, como você, que trancou a faculdade, está sem trabalhar e só vai a festas, chega de manhã em casa, dorme até o almoço, vai para o parque com sua mãe e faz isso todos os dias? Mas eu sofri Edward. Porque como você mesmo falou: a minha filha foi embora. Compartilho da mesma perda que você. E eu a amo até hoje, tanto quanto eu amo você e Jasper. Porque eu amo.

‘Minha princesinha dos olhos azuis foi embora e nada pode trazê-la de volta, mas alguém precisava sustentar a família e não me refiro a apenas dinheiro. Suporte. Alguém tinha que ser forte e velar por vocês. Esme estava catatônica, Jasper nem chegou a sofrer direito por conta da monografia de final de curto que tomava o tempo que ele tinha e o que ele não tinha também. E você em festas e vivendo como se o mundo fosse acabar em poucas horas. Como pai e chefe de família, eu assumi isso. É meu dever cuidar de vocês e eu estou fazendo isso como eu acho que deve ser feito.

‘Mas acredite Edward, houveram momentos em que eu queria largar tudo – Carlisle se levantou e ficou de costas para mim olhando a mesma vista que a pouco eu apreciava – e ficar com sua mãe, mas eu busquei forças e continuei. Continuei por vocês – ele voltou a me olhar – Prometi perante a Deus, ficar com Esme na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza e é isso q eu tenho feito e é isso que eu vou continuar fazendo até eu ter forças ainda. Eu vou apoiar vocês, lutar por vocês e ajudarem vocês a superarem nem que para isso eu use meios extremos. ‘

— Do que você está falando, pai?

— Chegou a minha hora de te ajudar, Edward. Você quis trancar a faculdade, não me opus. Quis ficar sem trabalhar e eu concordei, mas já fazem meses e eu pensei que você pegaria esse tempo e o usaria para se encontrar, mas você não fez. Eu vou te ajudar a fazer isso.

— Aonde você quer chegar? – franzi as sobrancelhas.

— Eu andei conversando com sua mãe e ela gostou da ideia – ele começou – Você praticamente já mora no apartamento de Manhattam, então isso não vai ser problema. Ele é seu.

— Você ta me dando o apartamento?

Ele concordou.

— Já que você vai trabalhar, não tem porque continuar morando na casa dos pais.

— Espera, acho que me perdi! Eu vou começar a trabalhar?

— Isso... — ele foi para a mesa e procurou um papel quando o encontrou leu alguma coisa e voltou a falar me olhando – Eu tenho duas propostas de emprego para te oferecer: você pode começar a estagiar aqui, recebendo um salário e todos os benefícios... isso vai ser bom para o seu currículo! Para a faculdade quando você voltar.

— A outra proposta?

— Ah sim! Trabalhar com sua mãe no teatro.

— O que eu faria lá?

— Não sei... Luz, som, vender ingresso, não me interessa! Esme arrumaria algo pra você lá.

Considerei tudo que Carlisle disse e analisando-o, ele parecia certo na decisão que havia tomado.

— Posso pensar?

Ele sorriu e voltou a se sentar na cadeira.

— Claro! Você tem até domingo! Segunda já quero que você comece, onde quer que você escolha e morando no apartamento.

— Tenho mesmo que me mudar?

— Não, não tem, mas se fizer isso vai ser melhor. Você estará trabalhando e ainda terá um lugar seu. Além do mais, você já mora lá. Direta ou indiretamente.

Levantei.

— Posso ir?

Carlisle me olhava tentando transmitir alguma mensagem. Dizer alguma coisa que com a boca, ele não conseguia proferir. Sussurrou um sim e fui para a porta.

— Não bata a porta... – foi a ultima coisa q eu ouvi enquanto a maçaneta soltava um clique avisando que a porta estava fechada. E fora fechada delicadamente.

Notas finais
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