Cherry Syrup
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Alfred arrumava os últimos papéis em sua maleta, quando sua atenção foi chamada pelo barulho da porta sendo aberta.
- Mattie? — Estranhou ele ainda estar ali, e estar com um prato de panquecas na mão. Há algum tempo havia acabado uma reunião, e ele fez panquecas?
- Al, eu fiz algumas, quer provar? — Sorriu ele, esticando o prato.
Sentia o cheiro gostoso das massas, mas... Não o de Maple. Olhou melhor, vendo algo vermelho no lugar do xarope caramelo.
- O que é esse negócio vermelho?
- Uhm... Ch-Cherry Syrup. — Respondeu o canadense, com um tom meio nervoso na voz.
- Por que não Maple?
- ... Só queria tentar algo novo.
- Hm.
- Want to try one?
Iria responder que não, mas o sorriso adorável do irmão o fez aceitar. Gostava de panquecas, mas não muito de maple — talvez com as cerejas apreciasse mais o sabor. Pegou o garfo, cortando um pedaço das panquecas. A calda de cereja escorreu, pingando no chão. Levou o pedaço até a boca, comendo-o.
- Nhg! — Engasgou, atirando o garfo no chão. Em vez de um gosto doce, sentiu o metálico, reconheçendo o que era. — T-This is not syrup... — Sentia o líquido melar seus lábios. Tentava conter a vontade de vomitar.
Um sorriso se desenhou nos lábios do canadense ao ver o olhar incrédulo de Alfred.
Olhou para Matthew, procurando a resposta para aquilo. Em lugar do olhar e sorriso doce do irmão, encontrou uma expressão doente. Estremeçeu diante daquele sorriso digno de um psicopata.
- Bro... Não despreze meu trabalho. — Remexeu os bolsos, retirando de lá um revólver. Apontou-o para sua testa. — Não reconheçe o gosto do seu país favorito?
Os dedos do mais novo tocaram sua face, sem soltar o revóver, sujando-a de carmim:
- Não aprecia o sangue do Artie?
Aquilo, dito de forma mais direta agora, o fez prender a respiração por um segundo. Era algum pesadelo? Porque não podia ser seu irmão.
Matthew colocou o prato no chão e levou os dedos para os lábios do americano. Limpou o sangue dali, juntando-o com o de seus dígitos, e tentou fazer com que Alfred os lambesse. O mais velho desviou.
Ia protestar, mas não teve chance de dizer nada. O cano da arma foi ao encontro de sua cabeça, com força. Teve a gola de seu casaco segurada e foi jogado no chão. Segurando-o agora pelos cabelos, o canadense aproximou o rosto de Alfred do pouco de sangue que caira no chão.
- Lick it. — Controlando-o pelos fios, ordenou.
Balançou a cabeça, dizendo que não. Tentou se afastar, mas seu cabelo fora puxado com mais força. Amedrontado pelo olhar insano que lhe era lançado, cedeu. Entreabriu os lábios, hesitando um pouco. Esticou a língua, tocando de leve o líquido escarlate. Tremeu ao sentir novamente o gosto metálico. Limpou o sangue, deixando saliva no lugar.
Levantou o olhar, encontrando o costumeiro sorriso gentil do irmão. Voltou a colocar a arma em sua testa e seus cabelos foram soltos, tornando-se um carinho. Os olhos lilases se fixaram nos seus. Ali ainda podia ver aquele ar doentio.
Pegou o garfo, limpando-o: — Alfie, coma mais um pouco. — Soou como um pedido, mas com certeza era uma ordem. Ficou de joelhos, pondo as mãos sobre os mesmos de modo comportado. A pressão que o canadense fazia com o revóver contra sua cabeça diminuiu.
Sem afastar a arma, puxou o prato mais para perto. Matthew cortou um pedaço, fazendo questão de encharcá-lo no sangue inglês. Levou o garfo até a boca do americano, que insistia em apertar os lábios — apesar de não mostar tanta resistência.
- Say \"Ahh\"... — Abriu a boca de modo fofo, indicando para o irmão imitá-lo.
Por um tempo, Alfred ficou observando o líquido vermelho, com pura repulsa. E imaginava também se Arthur estava bem — nenhum pensamento que vinha a sua mente lhe dava alívio.
Vendo um pequeno sinal de irritação no canadense, abriu a boca do mesmo jeito. A comida foi posta em sua boca, delicadamente — com os lados do garfo o menor recolheu do queixo dele o sangue que pingou.
Alfred lacrimejava sem perceber — de medo e de nojo. Não tinha coragem de engolir aquilo, mas mantê-lo na boca só aumentava sua ânsia. O gosto metálico misturado com o doce era enjoativo.
Matthew soltou um grunido, pareçendo mais irritado. As pontas do garfo foram pressionada contra seus lábios e arma contra sua testa, em uma ameaça. Engoliu.
Teve que cobrir sua boca com as mãos. A vontade de vomitar era quase incontrolável. Sentia aquilo preso em sua garganta, provavelmente seu corpo tentando impedí-lo de engolir de uma vez.
Juntou saliva e tragou, tentando fazer a comida descer.
- Good boy. — Por um segundo, subistituiu o cano da arma por um beijo.
Cortou mais um pedaço, levando-o até a boca americana. Hesitou mais uma vez, mas comeu. Nas outras garfadas que vieram, era a mesma coisa. Quando viu o prato vazio se aliviou um pouco.
Ainda sem perceber, várias lágrimas grossas desciam por seu rosto.
Matthew sorriu satisfeito, só aparentando fofura. Via-o tremer levemente, com o rosto marcado pelas lágrimas e os lábios sujos de sangue. Deixou o garfo de lado por um instante e tocou a façe do estadunidense, subistuindo a trilha de lágrimas por manchas vermelhas.
O canadense pegou Alfred de surpresa ao agora tocar os lábios dele com os seus.
Alfred ficou estático. Seu corpo estava rígido, mas tremia. Sentiu seu rosto se avermelhar, provavelmente se igualando as marcas carmim. A arma se encontrava em sua nuca e a mão do canadense em seu ombro, apertando-o. Tímidamente, o irmão pediu passagem com a língua. Não permitiu e ele forçou.
Ao sentir a língua dele tocar a sua, um arrepio correu por seu corpo. O beijo ainda estava devagar, mas o jeito da língua de Matthew roçar na sua fazia-o se entregar aos poucos.
O mais novo ainda não fora correspondido, mas sentia o se arrepiar — também notava-o envergonhado e confuso. Durante o beijo, o gosto agridoçe era sentido por ambos. Estava um pouco fraco por se misturar com a saliva dos norte-americanos.
Os irmãos já estavam sem fôlego. Matthew ficou meio decepcionado por não conseguir fazer que o maior correspondesse — mas sentiu que ele gostou do contato, nem que fosse só um pouco. As bocas se afastaram. Um filete rosado se formou, da mistura entre a saliva e o sangue. Deu um breve selinho, desfazendo o fio de saliva.
Alfred soluçou, denunciando mais seu choro. Com um dos braços dele, fora aconchegado no peito do canadense.
Matthew encostou o nariz nos cabelos do americando, inalando o leve perfume que exalava dali. O irmão afundou o rosto na curva entre seu pescoço e ombro, em uma tentativa de abafar o choro.
Sentiu seu casaco ficar um pouco úmido.
Só queria que aquilo fosse um pesadelo. Queria acordar em sua cama, tendo a resposta que fora realmente um pesadelo. Queria encontrar Arthur e Matthew e ouvir deles que tinha sido só um sonho ruim.
Apertou o corpo do irmão contra o seu, sentindo-o realmente ali. Era mesmo Mattie e aquilo acontecia. O contato frio da arma contra sua nuca dizia também que era tudo real.
Soluçou mais uma vez, apertando mais o menor contra si.
- Is not a nightmare... — Tinha que assumir.
Não teve mais tempo para pensar em algo confortante, ou ter uma idéia para escapar do canadense. As mãos de Matthew tocaram seus ombros, forçando-os para trás, lhe fazendo deitar no chão. Sua jaqueta foi tirada e deixada de lado e depois sua gravata foi afrouxada. Assustado pelo brilho nos olhos do irmão, feito pela luz que entrava pela janela, tinha medo de resistir.
Os botões de sua camisa foram abertos devagar — o mais novo parecia se divertir com seu medo.
O garfo, antes esquecido, foi pego pelo menor. Recolheu com a língua o sangue que restava nele e o deixou bem a vista de Alfred. Afastou o tecido que cobria o peito dele e tocou ali com os dentes do objeto. O viu se arrepiar. Seguiu, arranhando-o levemente, desde o começo do tórax até o fim do abdômen. Voltou do mesmo jeito, mas só parando no queixo do americano.
- I want to see your blood too, Al. — Sorriu mais ao ver o olhar assustado e lacrimejante do outro.
Observou pela pele alva e — por enquanto — imaculada do estadunidense.
Fez uma certa pressão contra o queixo dele, mas só deixou pontos vermelhos. Voltou ao começo do tórax, e aumentou a força.
Correu o peito dele, arranhando superficialmente. Alguns pontos de sangue apareçeram.
O americano não mostrou muitos sinais de dor. Segurou o garfo com força e repitiu o movimento, dessa vez cortando-lhe a pele. Alfred apertou os lábio e evitou um gemido de dor. Mais filetes de sangue se formaram.
- Alfie... Não se contenha, por favor. — Posicionou o garfo no ombro dele desta vez.
Com um único movimento, cortou-o diagonalmente desde o ombro até a cintura. Alfred ganiu.
Matthew continuou dilaçerando o peito do americano. O cortou de várias direções, de modo irregular. Ele gritava, garantindo a satisfação do canadense.
Parou só quando viu ele começar a chorar. Ofegava, incomodado pela dor.
Seu tronco inteiro ardia. Nem precisava olhar para saber que sangrava bastante. Piscou algumas vezes, tentando fazer as lágrimas parassem de cair.
Após sua visão ficar menos turva, encontrou Matthew sorrindo. Um beijo fora depositado em cada uma de suas pálpebras, enquanto os dedos brincavam com seu sangue.
- You\'re beautiful. — Após elogiar, o mais novo corou. Desviou o olhar por um segundo, voltou para alcançar timidamente os lábios do irmão.
O beijo não se aprofundou desta vez. O canadense só manteve as bocas juntas, de modo inocente. Em contraste, molhava seus dedos no sangue americano.
Se afastou para provar do líquido.
- And tastes so good... — Limpou os dedos sem demora. Desejando mais, avançou nos cortes.
Estremeçeu de dor. A língua do menor o machucava e acariciava ao mesmo tempo. Discretamente o observou: Parecia um vampiro.
Lambia suas feridas, acabando por sujar o rosto de vermelho. Sorvia o líquido, pareçendo realmente apreciar seus sabor.
Não conseguia pensar em nenhuma explicação que fizesse sentindo para o comportamento estranho de Mattie...
Enquanto lambia seu peito, as mãos alcançaram seu cinto. Abriram a fivela e acariciaram \"certos lugares\".
- Matthew! — Tirando forças de algum lugar que até ele mesmo desconhecia, se ergueu e segurou as mãos dele. — Stop it!
- Calma, — Beijou-o brevemente — prometo, vai ser bom... — Inverteu quem prendia quem e puxou-o para um abraço. Capturou seus lábios novamente para encorajá-lo.
Alfred tentava se afastar, se soltar, ou simplesmente libertar sua boca.
Durante o carinho, ao abrir os olhos pelo acaso do destino, viu um vulto aproximando-se silenciosamente dos dois. Reconheçeu os olhos verdes e um alivio enorme tomou conta de seu corpo. Só não identificou o que ele tinha consigo e o que iria fazer.
- ALFRED, ABAIXA! — Arthur gritou, fazendo ambos entrarem em estado de alerta. O beijo terminou e os norte-americanos se afastaram. Alfred se abaixou, por um milésimo imaginando que seu sangue disolvia-se em adrenalina. Naquela brecha, acertou Matthew com o que tinha em mãos.
O canadense quase atravessou a sala. Foi jogado há uma certa distância dos dois, e ficou imóvel.
- Que violência, Iggy... — Murmurou Alfred, estático, pensando se Matthew ainda estava vivo depois dessa.
- Violência é o que ele fez com você... E comigo! — Se virou para ele, deixando a mostra as manchas vermelhas em sua camisa e o corte em seu pescoço que ainda sangrava. — Mas... Você tá bem? — Perguntou, preocupado. Sentia-se até incomodado por ver os diversos cortes no peito do americano.
- \'Tô sim. Você também?
- Uhum...
Por um tempo, um silêncio instalou-se na sala. Ambos tinham o mesmo pensamento: O que fariam agora e depois que Matthew acordar.
- Por hora...
- Vamos levar ele para casa, torçer para ele não se lembrar de nada e fingir que não aconteçeu.
E foi o que fizeram.
Matthew foi um dos primeiros a chegar na reunião do dia seguinte, e só reclamou de dor de cabeça. Permaneçeu calado e sorridente todo o tempo — mas só presença dele despertava lembranças em Alfred e Arthur, que tremiam.
Fim.
Ou não.
Notas finais
Eu gostei. ;-;
Deixem reviews, onegai ._. Se não o Mattie vai na casa de cada um que não deixou review, e não vai ser uma visita muito legal. *Ameaça* Q
Vai ter continuação sim -claro
:D
Reviews?
Ah;
Acho que o final ficou ruim Ç_Ç~
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