Cherry Bomb
15 Desventuras em série de Cherry
Notas iniciais

Liam
Cada minuto que se passava enquanto Cherry me contava sua história, eu ia cerrando mais e mais meus punhos. Aparentemente, essa tia da Cherry, Sabrina, fez da vida dela um inferno todos os dias.
— Ela sabia que eu não tinha muita coragem de reclamar de tudo pro meu irmão porque ele estava MUITO mais ocupado com a sua empresa. Eu tinha ouvido falar sobre um secretário que estava desviando dinheiro, então eu decidi ficar quieta. “É coisa da minha cabeça” eu tinha pensado.
Ela respirou fundo. Olhei para baixo, vi que suas mãos estavam tremendo.
— Primeiro foram as humilhações. Você sabe, Sabrina sempre foi uma pessoa conservadora, então ela não era a favor do meu cabelo escarlate. Teve um dia em que ela até tentou cortar ele e pintá-lo de preto, ela teve duas criadas me segurando, mas Yolanda, a cozinheira da casa, fingiu que tinha botado fogo na cozinha e eu usei como desculpa para sair correndo e acabei me trancando no banheiro até meu irmão ligar lá pra casa. Depois foram as ameaças e a brutalidade: ela tinha esses acessos de raiva e acabava descontando em mim, não fisicamente, claro, Sabrina tinha medo que meu irmão percebesse alguma coisa e Aaron adorava fazer surpresas para aparecer por lá, por isso ela nunca tentou nada... Até um dia, em que ela soube que iria perder a casa porque ela não tinha como pagar o aluguel e descobriu que todo o dinheiro dos meus pais viria parar em minhas mãos quando eu fizesse dezoito anos – o que aconteceu faz pouco tempo. Um dia depois do meu aniversário ela tentou me matar, envenenando minha comida. Ela tentou me fazer várias vezes assinar um papel sobre pressão psicológica, eu nunca consegui saber sobre o que era esse papel, mas eu sentia que era sobre o dinheiro. Ela tinha começado a ficar cada vez mais histérica e sem opções: seu ex-marido não dava mais dinheiro para ela e ela, louca para comprar suas vaidades e ficar com a casa começou a me trancar no porão, que depois de um tempo virou meu quarto. Foi então que eu decidi fugir e não olhei mais para trás. Entrei no primeiro ônibus que eu vi e acabei parando aqui, em São Francisco, porém meu único dinheiro – um que a cuidadora dos cachorros me arranjou – foi para a passagem de ônibus. Acabei desmaiando aqui perto de fome e cansaço. Eu estava praticamente esperando a morte quando você apareceu — e, pela primeira vez, depois dela começar a contar sobre a parte triste de seu passado, ela sorriu.
A história dela me deixou completamente chocado. Era tipo como Desventuras em Série, porém ela tinha o cabelo igual ao da Erza Scarlet* então era meio que uma mistura de livros com um anime.
Eu sabia que pensar em toda aquela situação a deixava com medo e triste. Eu sabia que ela sentia falta do irmão, mas por alguma razão ela não encontrava coragem para falar com ele.
Como se uma lâmpada acendesse em cima de minha cabeça, eu sorri com minha ideia óbvia e, ao mesmo tempo, genial.
Pigarreei, esperando que ela não notasse meu sorriso, eu não queria que houvesse um mal entendido.
— Bem, Cherry, eu realmente não sei o que dize...
— Eu me sinto amedrontada. Sabrina é louca e eu sei que ela não vai parar de tentar me fazer sofrer ou de me achar. Eu não queria por você mais em perigo mas como David disse, ela já sabe que estou por aqui. O que eu...
— Ei ei ei, vai parando por aí — levantei minha mão. — Não tem problema nenhum e, pelo menos por enquanto, não há perigo nenhum. Por isso, apenas se acalme.
Ela abriu um sorriso imenso.
— Você realmente tem um coração grande, Liam.
Eu corei.
— Pode apostar, baby, que o coração não é o maior órgão que nosso italiano tem. — Uma voz que conhecíamos bem falou atrás de nós.
Suspirei. Agora foi a vez de Cherry corar.
— Bryan — eu disse deixando claro o meu tom de “acabei de encontrar a desgraça”.
— Não faz assim, amor, senão você vai me fazer chateado...
— O que você está fazendo aqui, Bryan? — eu o cortei.
Ele coçou seu cabelo temporariamente verde.
— Sabe o que é? É que, bem, aconteceu um leve problema.
— Que problema, Bryan?
— Eu tenho esse amigo...
Lá vem.
—...E ele estava super estressado um dia. E aí ele encontrou o pior ser do universo na frente dele que o começou a provocar e eu-quero dizer- meu amigo pode ter dito algumas coisas bem grosseiras a ponto de deixar Ad- o pior ser do universo muito irritado.
— Você irritou Adler, de novo devo acrescentar, e agora ele está atrás de você?
— É. É bem assim mesmo.
— VOCÊ É TROUXA, BRYAN? — eu gritei.
Até esse ponto, David tinha entrado na sala também para ver a conversa e sentou-se ao lado de Cherry só observando os problemas como uma diva.
— Qual é a chance de você encontrar no meio da madrugada o Adler e acabar falando merda pra ele?
— Bem alta considerando que isso aconteceu alguns minutos atrás — ele disse.
Bryan estava tentando animar o humor de toda a situação porque eu tinha certeza que ele estava chateado com o lance da Penny e estava incomodado com o fato de Adler estar mais puto com ele do que nunca.
— E o que você pretende fazer, Bry? — Cherry perguntou, curiosa.
— Torcer para que Adler e seus minions não venham atrás de mim com tacos de baseball. Mas eu sei que eu não vou conseguir fugir da briga que ele vai querer acertar comigo e não sei se, quando a hora chegar, eu vou fugir dela, até porque eu também tenho meu orgulho.
***
Depois de Bryan ter acabado com o clima e eu realmente perceber o quão tarde tinha ficado, decidi que era melhor irmos dormir.
Bryan não queria sair pela noite ainda mais com a chance de começar a nevar de novo, e com Adler atrás da sua cabeça (eu teria que resolver isso logo, talvez amanhã já que não iria pra faculdade), por isso ele e David estão dormindo lá na sala.
Alexis desejou boa noite para mim e foi se deitar.
Eu fiquei me revirando na cama tentando pensar em formas de meu plano dar certo. Eu tinha certeza que Alexis ficaria muito feliz. Seria meu presente de Natal para ela.
Não pude deixar de sorrir sobre o pensamento de vê-la feliz. Acho que eu nunca fui tão disposto a uma única pessoa em toda a minha vida. Cherry estava fazendo eu ficar viciado nela como uma droga sem nós dois percebermos até que fosse tarde demais.
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