Charmoso Vigarista
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Tião Gavião mais uma vez sequestrou Penélope Charmosa. A corredora e aventureira estava cansada de ser sequestrada pelo vilão toda vez que tentava se divertir e apesar da sua posição social e dinheiro, ninguém nunca conseguiu dar um jeito nele. Porque eles não conseguiram capturá-lo e muito menos saber a verdadeira identidade dele? Se questiona.
Por mais que ela conseguisse se salvar sozinha, dessa vez a loira está mais enrascada do que das outras vezes e para piorar a situação, nem mesmo a Quadrilha da Morte está sendo de ajuda… se bem que ela nunca foi, pois mais atrapalha do que tudo.
Penélope não gosta de se sentir invalidade e indefesa, principalmente por precisar gritar por ajuda, mas dessa vez, não teve outro jeito a não ser gritar e implorar por ajuda.
— SOCORRO!! SOCORRO!!
— Dessa vez ninguém virá te salvar, minha querida Penélope!! — Gavião dá uma risada maléfica. — Seus anões de jardim não vão chegar a tempo…
Um carro não deixa o sequestrador falar, pois o atropela na hora. Charmosa se assusta com o acidente, mas também respira aliviada por ter sido salva ao reconhecer o carro de cores roxa e preto.
Do carro desceram Dick e Muttley discutindo com o motorista reclamando com o cachorro que ele não sabe dar informações precisas no mapa.
— Dick!? Dick? — Penélope chama a atenção dos dois. — Pode me ajudar?
O homem e seu animal para a discussão por alguns segundos surpresos com a presença da rosada.
— Por que eu faria isso? Eu hein! Não quero me meter nos teus problemas, loirona. Vamos, Muttley, dessa vez eu fico com o mapa.
Dick pega o mapa do cachorro e se prepara para volta para o carro. Muttley reclama e segue para o banco do motorista, entretanto Penélope clama novamente por ajuda.
— Vai, Dick, por favor. O que você quer? Dinheiro? Ganhar a corrida?
Penélope olha para seu sequestrador, ela quer tanto descobrir quem ele é e não queria perder a oportunidade, mas para isso precisa da ajuda de seu oponente de corrida para ser solta. O Vigarista fecha a porta do carro dando risada das ofertas dela. Dinheiro? Ganhar a corrida? Dick olha para seu amigo, ex-humano, que também cai na risada.
— Acha que eu preciso do seu dinheiro, Charmosa? Do dinheiro sujo da sua família? Não, obrigado!
A dona do carro Mágico sentiu um aperto no peito e uma vergonha ao mencionar o dinheiro sujo da sua família. Ela achava que ninguém da equipe sabia sobre isso, mas ela está enganada. Um deles sabe.
– E ganhar a corrida, Dick? — Faz força para se soltar. — Por favor, me solta! Eu preciso descobrir quem é a pessoa que vive me sequestrando. É a primiera vez que tenho essa oportunidade.
O dono da máquina malvada olha para o corpo que nem percebeu que atingiu, sem demonstrar reação externa. Com um gesto de cabeça e num entendimento silencioso, faz com que Muttley desse um jeito de prender o sequestrador e o colocasse no porta malas do carro.
— Deixa eu te falar uma coisa, loirona — Penélope não se importa com esses apelidos. Não se importa em ser enquadrada num estereótipo. — Não acha que se eu quisesse ganhar a corrida, eu já não teria ganho? Pensa um pouco, Penélope. A senhorita não é burra e eu não sou ruim e um desalmado.
Dick dá uma piscada antes de se levantar e soltar sua companheira de corrida. Ele a ajuda a se colocar de pé, mas devido as amarras e tanto tempo sentada com as pernas dobradas, a herdeira sente dificuldade de se manter em pé e acaba se apoiando no vilão.
— Se pode ganhar, por que não ganha?
Dick passa o braço pela cintura da loira, para dar apoio necessário a mulher caminhar até o carro.
— Meu pai me ensinou que vencer não é tudo…
— E ensinou o que? A perder tudo? Desculpa.
Ela se surpreende quando Dick não tem nenhuma reação violenta e não a repreende.
— Você é uma garota muito mimada e esnobe. Com certeza vive com o dinheiro dos pais, porque o prêmio das corridas não deve bancar seus luxos… Tem vergonha do dinheiro da família, mas ainda assim o usa. Agora eu te pergunto: Quais valores seus pais te ensinaram?
Penélope abaixa a cabeça envergonhada com o que disse e sentida por não poder responder. Seus pais nunca lhe deram valor algum. Valor moral, apenas valor em dinheiro.
Dick ajuda a carona a entrar no carro e Muttley vai direto para o banco de trás de olho na nova passageira.
— Meu pai me ensinou a ver as possibilidades de vida e se eu não as vejo, eu as faço. Responde ao entrar no banco do motorista. — Correr é um hobby, que muito me agrada. Mas não preciso da corrida para viver como muitos dos nossos colegas. Premiações, fama, dinheiro, contrato com a emissora e patrocínio, nada disso é importante para mim. Eu gosto de perder. Eu gosto de ser obsessivo, reclamão e um perdedor. A vida não precisa de ser uma competição sempre.
Dick liga o carro e segue em frente com as instruções de Muttley.
— Nossa… Não achei que o senhor fosse vir com lição de moral assim. Só que… ainda não consigo entender… Se o objetivo não é ganhar, porque tenta nos sabotar e destruir nossos carros?
Muttley revira os olhos e faz com que Dick faça o mesmo movimento.
— Não me diga que você é pago para nos sabotar? Isso é…
— Não sou pago para sabotar ninguém. A corrida é livre para se fazer o que quiser, desde que não machuque ninguém, então qualquer um pode usar de métodos… para ganhar a corrida. Eu saboto vocês porque… — Muttley dá um peteleco no amigo para ele não revelar a verdade verdadeira. — Eu saboto as casas de apostas.
Revela uma outra verdade.
— O que?
— É! — Dá de ombros. — Eu não gosto de casas de apostas. Meu pai perdeu todo o nosso dinheiro apostando, então eu sou contra essas casas de apostas e para ir contra elas e não deixar uma minoria controlar nossa diversão, eu estou sempre sabotando para essa minoria não fazerem nossa corrida um jogo.
Penélope fica em silêncio e encosta no vidro. Metade da fortuna da família Charmosa vem de dinheiros de apostas e ela sabe que esse dinheiro vem de modos nada honrosos.
— É uma boa ideia. Talvez seja por isso que minha família não goste que eu participe das corridas.
O caminho só não permanece em silêncio, porque Penélope teve que pegar o mapa e ajudar Dick a se localizar, já que eles não tinham como usar o GPS.
— Se não for pedir muito, Dick, pode passar na oficina para eu pegar o meu carro?
Dick se tensiona com o pedido e aperta as mãos no volante. Começa a gaguejar tentando encontrar uma desculpa para não fazer isso. E graças a Muttley, que lembrou do outro passageiro, os três foram para a delegacia entrar o tão aguardado sequestrador.
— Obrigada, Dick Vigarista! — Penélope abraça rapidamente seu colega e faz um cafuné e Muttley. — Obrigada, Muttley.
— De nada, loirona! Agora você vai ficar mais tranquila sem o Silvester Soluço tentando te matar. Te vejo na próxima corrida.
Fez uma continência relaxada e se retirou com seu fiel amigo cachorro.
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