Charlie é o Cara
37 Uma sessão com Katherine e um Smurf.
Notas iniciais
POV-Pete
― Meu Deus, Charlie! ― Falei sufocado, enquanto aqueles dedinhos dela se fecharam em volta da minha garganta.
Ela pode parecer inofensiva e baixinha, mas esses dedinhos podem fazer um estrago. Ela é praticamente um guaxinim.
― Charlie, socorro! ― Continuei com o meu desespero, tentando soltar as suas mãos do meu pescoço. ― Tá me matando, não consigo respirar!
― Eu vou te matar, Peter! Eu vou te matar! ― Ela disse com raiva, rangendo os dentes e apertando o meu pescoço com mais força. ― Eu vou te deixar pelado de tanta porrada que eu vou te dar!
― Bom, essas não são as circunstâncias em que me imaginei ficando pelado com você e nem que fosse isso que você fosse me dar, então... ― Tive que lutar para soltar as suas mãos do meu pescoço.
Não adiantou nada tirar dali, porque ela começou a me esmurrar onde ela alcançava. Dando socos no meu peito e barriga, enquanto eu tentava me proteger com as mãos.
― Seu intrometido! Está mexendo nas minhas gavetas? Vou socar sua cara! ― Ela levantou o braço, tentando acertar um soco no meu rosto mas eu desviei com facilidade.
― Você luta que nem menina! ― Disse debochado e rindo da força dos seus socos, e o fato de ela não acertar quase nenhum.
Isso pareceu só a deixar mais furiosa ainda, agitando ainda mais as mãos para todos os lados. Cansado de tentar me desviar dos socos dela, segurei em seus pulsos sem muita força, apenas o suficiente para ela parar de me bater. Mas então ela tentou acertar meu rosto com uma cabeçada.
― Meu Deus, mulher! Você é agressiva. ― Ela me olhava com aquela cara furiosa e os olhos fervendo de raiva.
― Você não viu nada! ― Charlie tentou outra cabeçada e eu vim com a minha para trás, desviando.
― Relaxa, relaxa! Vou soltar suas mãos e vou te deixar dar um golpe livre onde você quiser, menos no rosto, porque bom... ― Dei de ombros e ela acenou positivamente concordando.
― Justo. E depois você vai me explicar isso ai! ― Ela apontou para o meu bolso.
― Ok.
Soltei suas mãos lentamente e levantei as mãos, em sinal de rendição.
― Menos no rosto. ― Falei, acenando positivamente e fechando um olho, dando sinal para ela me bater.
Charlie me observou por um momento e então levantou uma mão para me dar um soco no peitoral, me preparei para levar o soco ali, quando ela me pegou de surpresa, me dando um soco no saco.
― Oh meu Deus! Aí também não! ― Choraminguei com a dor, levando minhas duas mãos naquela região e me curvando.
― Idiota! ― Ela me xingou.
― Quebrou o meu pênis. ― Sussurrei, apertando os olhos com a dor.
― Deveria quebrar a sua cara agora também! Você mexeu nas minhas coisas, Peter? Qual é o significado de privacidade para você? Eu sou uma garota, uma garota! Não um dos meninos em que você pode mexer na gaveta de cueca deles para pegar uma emprestada!
― Nós não emprestamos cueca um para o outro, só compramos as vezes. ― Me endireitei com um certo alívio da dor, mas mantive minhas mãos na virilha.
― Não interessa! ― Ela falou realmente irritada, pegando a calcinha do meu bolso. ― Eu sinto que a minha privacidade foi invadida, ok?
― Você acha eu mexer nas suas coisas ruim, hipoteticamente falando, como você reagiria se todos os caras tivessem mexido nas suas calcinhas? ― Falei, apertando os lábios, espremendo os olhos e preocupado com a sua reação.
― Porrada de novo! ― Charlie gritou, me acertando vários socos de novo, o fato é que agora eu não tinha as minhas mãos para me proteger.
― Oh meu Deus! ― Gritei enquanto ela me batia. ― Isso é uma demonstração do que você vai fazer com eles ou só está descontando em mim mesmo?
― Eu vou matar vocês! ― Ela gritou e fez um pausa para respirar depois de me socar repetidas vezes. Seu rosto estava vermelho, sua respiração ofegante e alguns fios de cabelo haviam caído no seu rosto.
― Se não estivesse correndo o perigo de apanhar de novo, eu diria que você está incrivelmente sexy assim. ― Sorri para ela.
― Sério? ― Charlie abriu um sorriso lisonjeada e eu acenei positivamente. ― Que pena, porque você vai apanhar de novo! ― Ela então acertou um soco no meu abdômen.
― Em nome de Deus, Charlie! ― Falei sufocado com a dor, me curvando novamente.
― Depois das aulas, nós vamos ter uma conversa, uma conversa muito séria. ― Ela disse de forma ameaçadora, como um vilão de filme. ― Diga aos meninos para irem direto para a casa, entendeu? Vai ser uma conversa muito, muito séria.
Charlie me deu uns tapinhas de leve nas costas, enquanto eu ainda estava curvado com dor.
― E você para de ser mulherzinha. Até mais tarde.
Ela saiu do banheiro na frente, enquanto eu fiquei ali mais uns instantes tentando me recuperar. Foi então que ouvi uma descarga e logo em seguida uma porta sendo destrancada, olhei na direção do box e vi a senhora Johnson sair dali, a recepcionista da sala de Ted. Ela sorriu educada ao me ver ali e passou por mim, indo até a pia lavar as mãos.
― Sabe Peter, eu gosto dessa garota. ― Ela falou enquanto lavava as mãos. ― Ela é selvagem.
― Você não faz ideia, senhora Johnson. ― Acenei positivamente, concordando com ela.
POV-Charlie
Contei para as garotas sobre Peter e os meninos mexendo onde não deviam quando voltei para a mesa. Nós terminamos o nosso café enquanto eu reclamava e falava todas as formas com que eu queria matá-los, depois fui direto para a aula. Eu não tive aula com Killian hoje e até senti a falta dele. A manhã passou rápido e assim que sai da última aula fui direto para a casa como o combinado com os rapazes.
Agora, eu estava sentada no sofá da sala, enquanto Peter, Mike, Bobby, Pablo e Joe estavam parados de pé na minha frente, com os braços cruzados. Poderiam ser uma Boy Band ou também os meus pais quando querem me dar uma bronca.
Olhei para Peter que estava comendo a unha de um dos meus polegares e me olhando.
― Para com isso, é nojento! ― Falei séria para e ele me olhou sem acreditar que eu tinha dito aquilo. ― Quer apanhar de novo? ― O ameacei.
Foi então que ele tirou o dedo da boca de vez e eu acenei positivamente, então olhei para Bobby que estava vestindo o seu equipamento de apanhador.
― Bobby, ainda não entendi porque está vestido assim.
― Peter nos disse que você ia bater na gente, então eu me preparei. ― Ele respondeu, usando um protetor bucal mesmo de capacete.
Olhei para Peter sem acreditar e ele olhou para Bobby, indignado com a traição.
― Eu não disse isso! ― Peter tentou se livrar disso.
― Sim, você disse. Lide com as consequências das suas palavras agora. ― Bobby deu de ombros e Peter acenou negativamente, ainda indignado.
Fiz uma mimica com as mãos de que ia bater nele mais tarde e ele me olhou apavorado.
― Certo, vamos começar essa reunião em família. ― Ouvi Bruce dizer e levantei meu olhos para a porta da sala, foi quando ele passou por ela primeiro e Jon o seguiu.
Bruce carregava uma gaveta nos braços e eu já esperava o rumo que aquilo ia tomar, apertei e ponte do nariz, fechei os olhos e acenei negativamente com a cabeça. Só ouvi o som de Bruce despejando todo o conteúdo da gaveta em cima da mesinha de centro.
― Eu quero dar um soco tão forte na sua cara agora, que vai gerar um desastre natural. ― Murmurei baixo para ele não ouvir.
― Calma, estamos em julgamento. Você não pode bater nas pessoas assim, Charlie. ― Ele me ouviu, infelizmente.
― Se eu fosse você, eu não brincava com o perigo. ― Ouvi Peter aconselha-lo. ― Ela me deu uma surra mais cedo.
Levantei meus olhos para olhar para eles com ódio. Os dois pareciam preocupados.
― Quando isso acabar, eu vou pegar vocês dois e vou quebrar esses dedinhos de rato da mão de vocês. ― Falei em tom baixo e rangendo os dentes, para parecer mais ameaçadora ainda.
― Charlie, por favor, pare de ameaçar as testemunhas. ― Pablo disse como se realmente estivéssemos em um julgamento.
― Você cala a boca, submisso! ― Apontei meu dedo para ele e ele fechou a boca imediatamente.
― São calcinhas bem legais, Charlie. ― Mike se aproximando da pilha em cima da mesa de centro e pegou uma para analisar melhor
― Oh meu Deus! Vocês tem ideia de como eu estou me sentindo? ― Gritei furiosa, apontando para os sete parados de pé ali e me olhando daquele jeito. ― Eu estou frustada, envergonhada e morrendo de raiva! E estou sentindo a minha privacidade ser invadida!
― Pelo menos é só a sua privacidade, não outra coisa. ― Joe fez uma piadinha de duplo sentido bem agora.
― Charlie, nós nos sentimos assim também! Eu pelo menos estou me sentindo como uma mãe que acabou de encontrar um pinto de borracha de vinte centímetros dentro da bolsa da filha. ― Bruce falou, apontando para si mesmo para definir sua frustração. ― Mais alguém se sente assim? ― Ele perguntou e olhou em volta, esperando o apoio dos companheiros.
Bobby foi levantando a mão lentamente e eu o olhei furiosa.
― Abaixe essa mão, Bobby! Não me faça levantar desse sofá! ― Apontei para ele.
― Desculpe! ― Ele falou e abaixou a mão imediatamente.
― Agora, nós temos as opções sobre o que pode ser isso. ― Bruce apontou para a pilha de calcinhas em cima da mesinha de centro.
Olhei para Peter que assistia tudo e até parecia se divertir com a situação.
― Você como presidente não vai dizer nada? ― Perguntei ofendida e irritada. ― Não tem um regulamento que diz que os colegas de fraternidade devem ajudar os seus irmãos e não fazer com que eles se sintam envergonhados e intimidados?
― Eu deveria, mas tenho que confessar que estou tão curioso quanto eles para saber o porque disso. ― Ele falou rindo.
― Tira esse sorriso da cara, seu idiota! ― Gritei furiosa com ele.
― Você é uma coelhinha secretamente? ― Joe perguntou.
― Ou uma atriz pornô? ― Mike quem perguntou agora.
― Por favor, diga que sim. ― Peter sussurrou, fechou os olhos e cruzou os dedos da mão, fazendo disso um desejo.
― Cala a boca, Peter. ― Revirei os olhos para ele.
― Ou também pode ser uma viciada em calcinhas. ― Jon falou pensativo.
― Viciada em calcinhas? ― Bruce olhou para ele, confuso.
― Ou uma traficante de calcinhas. ― Pablo acenou positivamente, confirmando quando todos nós olhamos para ele. ― Isso é muito comum no México.
― Oh Deus! ― Escondi meus rosto entre as mãos, tentando ignorá-los. ― Como vocês se sentiriam se eu fosse mexer na gaveta de cueca de vocês?
― Nós vamos ficar numa boa. ― Bruce respondeu, acenando positivamente e os meninos concordando.
― Eu não uso cueca então... ― Jon levantou a mão para falar.
― Ah, cala a boca! ― Peter falou e Pablo deu um pontapé na nuca de Jon, enquanto eu revirava os olhos.
― Então, Charlie... ― Mike me olhou. ― O que é isso?
― Eu não tenho que dar satisfações sobre nada da minha vida para vocês, ok? Especialmente com vocês mexendo nas minhas coisas sem permissão. ― Cruzei os braços e as pernas, encostando as costas no apoio do sofá e olhando fixamente para um ponto invisível no meio da sala.
― É claro que você tem, somos seus irmãos, estamos preocupados com você. ― Jon disse.
― Irmãos é? ― Pablo deu uma risadinha irônica e olhou para Peter, que ficou bravo com ele e lhe deu um soco no ombro.
― Au! ― Pablo falo esfregando o ombro.
― Charlie, estamos esperando. ― Bruce disse.
― Meu Deus, eu agora tenho que explicar as calcinhas que eu uso para vocês? Eu gosto de fios dental, o que tem de errado com isso? Quem não gosta de fios dental? Vocês são caras, respondam por mim. Exceto por Joe.
― Eu também adoro fios dental, eu totalmente usaria um dos seus, Charlie. ― Joe falou, acenando positivamente.
― Vocês não gostam de garotas que usam fio dental? ― Perguntei confusa.
― Eu gosto, eu gosto muito! ― Peter foi o primeiro a se manifestar.
― Não é como se fosse um bicho de sete cabeças, são só calcinhas, rapazes. Eu gosto de comprar calcinhas. O que tem de errado nisso? ― Falei, tentando parecer normal a minha fobia por comprar lingerie.
― Eu encontrei uma coisa na internet. ― Joe disse, mexendo no celular. ― Se chama calcinofobia, é a fobia de quem compra calcinhas compulsivamente.
― Ótimo, agora eu tenho um diagnóstico tirado da internet.
― Bom, mas sabe como é a regra, uma garota só compra lingerie para mostrar, então... Parece que você andou mostrando bastante, hein? ― Bruce disse remexendo no monte em cima da mesa.
― É, eu tenho mostrado mesmo, para o meu colchão, toda noite! ― Descruzei os braços em um movimento brusco, me levantando do sofá com um leve tom de irritação. ― Eu vou até sair daqui, porque eu estou a beira de enforcar vocês com essas calcinhas. Coloquem isso de volta e aí se a hora que eu voltar tiver uma faltando, vocês vão conhecer o significado de choque de monstro! ― Gritei apontando para eles e para o monte de calcinhas em cima da mesa.
― Ela é tão assustadora. ― Bobby sussurrou.
― É como a mulher gato. ― Bruce disse ainda assustado com a minha explosão.
― Peter! ― Me virei para ele e ele se assustou, então olhou para as calças e depois para o meu rosto. ― Me dá uma carona!
Peguei minha bolsa do sofá e sai andando na frente, pisando dura e irritada. Calcinofobia, era só o que me faltava. Mas depois vou checar isso, pode ser que eu tenha mesmo. Abri a porta da frente e Peter ainda não havia me acalçado.
― Peter! ― Gritei de novo. ― Eu vou contar até três!
Entrei no seu Jeep, estacionado na frente de casa e ele entrou alguns segundos depois. Coloquei o cinto e mantive meus olhos fixos no vazio a frente, Peter colocou a chave na ignição mas não ligou o carro, apoiou um braço no volante e se virou para mim.
― Desculpe. ― Ele disse parecendo sincero, apertando as sobrancelhas.
― Não começa, Peter. Não existe quantidade de KitKat no mundo agora que vai me fazer relaxar. ― Disse, ainda sem olhar para ele mas sabendo que ele sorriu com isso.
― Droga! ― Ele fingiu decepção e deu um tapinha sobre o volante. ― Vou ter que começar a comprar diamantes agora.
Foi impossível não rir ao ouvir ele falar isso, me virei para olhar para ele e ele estava me observando, só esperando eu olhar de volta.
― Aí está, o sorriso! ― Ele acenou positivamente quando olhei para ele sorrindo, então tentei ficar séria. ― Desculpa, de verdade. Eu sei que deve parecer horrível para você mas também é novidade para nós, não sabemos como lidar com uma garota ainda. Estamos aprendendo aos poucos, eu só te peço um pouquinho de paciência conosco, nós vamos aprender, eu prometo.
― Peter, como assim lidar com garotas? Vocês são a Roar Omega Roar, o que vocês sabem fazer melhor é dar festas e pegar mulher.
― Exatamente, é fácil ficar com uma garota numa noite e ela ir embora pela manhã, mas você é diferente, Charlie. ― Ele disse e fez uma pausa, falando sério e me olhando nos olhos. ― Você está ali todos os dias e é uma de nós. Sempre foi só nós garotos e nos acostumamos com isso, então as vezes esquecemos como você é frágil e diferente, ficamos até confusos e não sabemos como lidar em certas situações. Você realmente é como a nossa irmã mais nova, nós vamos mexer nas suas coisas sem permissão, vamos te irritar as vezes só porque é divertido e ainda vamos brigar com uns caras por você. Porque essa é a nossa forma de mostrar o quanto nos importamos com você e não é pouco.
Fiquei o observando falar e abri um sorriso tímido quando ele terminou, desviando os olhos dos dele por um momento. Ele sorriu aliviado por eu estar numa boa novamente, então ligou o carro.
― E aí, quando é que vai me mostrar aquelas calcinhas? ― Ele perguntou malicioso, piscando para mim.
― Cala a boca, ainda estou brava com você. ― Falei séria.
― Pensei que estivéssemos tendo um momento! ― Ele me olhou confuso.
― O momento acabou, cala a boca!
Tive que aguentar Peter cantando Kiss You do One Direction o caminho todo até o prédio da reitoria da faculdade, onde eu estava indo para a minha primeira sessão de aconselhamento com minha ''tia''.
― Aqui estamos! ― Peter falou, parando bem na frente do prédio, então se virou para mim. ― Você está bem? Está com cara de quem vai vomitar uma gosma verde a qualquer momento.
― Como você sabe que é verde? ― Perguntei, me virando para ele.
― Eu não sei, eu só acho verde bonito. Para uma cor de vomito, sabe. Vomito.
― Eu só... não gosto muito dela. ― Apertei meus olhos, olhando para o prédio.
― Kat é bem legal, não julgue ela por Angel.
― Oh, obrigado por me lembrar da existência de Angel! ― Bati minha cabeça contra o apoio do banco e acenei negativamente com a cabeça.
― Ela é um pé no saco, né? ― Peter disse com uma risadinha. ― Mas você é melhor do que ela. ― Ele completou, com um aceno positivo e incentivador.
― Eu não sei não... ― Soltei uma risadinha e torci os lábios para o lado.
― É claro que sim! Para começar, o seu nome é Charlie, isso sim é um nome legal! Você come KitKat como um esquilo come nozes, você é um desastre no pole dance, você tem um monte de calcinhas fio dental e você é loira morango, você é uma em um milhão, Charlie! ― Ele sorriu. ― A última coisa com que você deveria estar preocupada agora é Angel, especialmente ela sendo igual a maioria.
― Isso é muito legal, Pete. ― Sorri boba para ele.
― E nem com a minha cantada, no meu melhor dia, eu ia achar que ia conseguir ir a um encontro com uma garota como você.
― Um encontro duplo. ― O corrigi. ― Qual a sua melhor cantada?
― Baby, se prepare porque ela vai ser destruidora. ― Ele esfregou as mãos e as soprou, então se virou para mim, cerrando os olhos e tentando parecer sexy. ― Seu nome é Wi-Fi? Porque eu estou sentindo uma conexão aqui.
― Você não disse isso! ― Acenei negativamente, fazendo uma careta para essa cantada.
― Ok, essa não é a melhor. Talvez essa... Qual a diferença entre uma Ferrari e uma ereção? ― Ele me olhou, esperando a resposta.
― Não sei. ― Dei de ombros.
― Eu não tenho uma Ferrari! ― Ele disse rindo.
― Nunca mais fala isso. ― Falei rindo também.
― Que tal, sua roupa é linda. Ficaria melhor ainda em uma pilha no chão do meu quarto. ― Ele falou quando eu abri a porta do carro.
― Só está piorando, Peter.
― Já sei! Essa é infalível, infalível! Você mora em uma fazenda de frangos?
― Não, Peter. ― Respondi, saindo do carro.
― Porque você certamente sabe como fazer um pinto crescer.
― Oh meu Deus, Peter! ― Fechei a porta do seu carro e sai andando, me afastando do carro o mais rápido possível para não ouvir outra dessa.
― Até mais tarde, Charlie! ― Ele gritou de dentro do carro antes de sair dali.
Entrei no prédio e pedi informações para a recepcionista de Ted, ela me informou o caminho para a sala de Katherine. Segui direto para lá e bati na porta, avisando que eu estava entrando.
― É Charlie, eu estou entrando! ― Abri a porta e passei pela mesma rápida, fechando-a atrás de mim.
Rude do MAGIC! tocava em um volume razoável no ambiente. Uma densa atmosfera de fumaça estava na sala e eu tive que abanar uma nuvem com a minha mão para longe do meu rosto, observando Katherine se agitar na cadeira e enfiar algo embaixo da sua mesa com presa, tentando evitar que eu visse. Fiquei parada com a minha mão na maceta da porta e entendendo tudo.
― Tá fumando maconha? ― Perguntei, paralisada. Eu nem sei porque perguntei, o cheiro, a fumaça e a cara de surpresa que ela fez ao me ver ali já confirmavam.
― Charlie! Não! ― Ela disse e então tossiu uma nuvem de fumaça, se entregando.
― Oh meu Deus! Tá fumando maconha sim! ― Falei indignada, apontando para ela sem acreditar.
― Ok, talvez eu esteja! ― Ela falou, enfiando a mão embaixo da mesa novamente e tirando um bong pink dali debaixo. ― Não seja tão careta, é só um baseadinho da tarde! ― Katherine deu de ombros, pegando um isqueiro em cima da sua mesa e o acendendo novamente.
― Quer parar com isso? ― Me aproximei dela e tomei o isqueiro da sua mão, impedindo-a de continuar com isso.
― Charlie, relaxa! Você nem parece filha dos seus pais. ― Ela disse com o folego preso, prendendo mais uma boa quantidade de fumaça.
― Eu estou me sentindo em um clipe do Snoop Dogg, tem tanta fumaça aqui! ― Abanei outra nuvem de fumaça com o isqueiro. ― Não tem nenhuma janela aqui, droga! Que tipo de lugar é esse que não tem janelas? ― Perguntei em desespero para Katherine.
― Janelas? Pra que janelas? ― Ela disse gargalhando. ― Nós somos a janela para o mundo! Senta aí, vamos começar essa sessão!
Katherine pegou uma pasta de arquivos sobre a mesa com o meu nome e a abriu, abaixou os óculos para leitura estilo gatinho e olhou o arquivo.
― Bom, eu não consigo ler isso aqui, então não serve para nada. ― Ela fechou o arquivo e o jogou por trás dos ombros.
― Não, eu não vou ficar aqui de jeito nenhum! Não com você chapada e com isso... ― Afastei outra nuvem com a mão. Fui me virar para sair da sala mas parei diante da porta, observando ela por um momento com um pouco mais de atenção. ― Está vendo isso na porta?
― Isso o que? ― Katherine perguntou.
― Esse smurf, esse aí na porta... ― Apontei para a porta, assustada. ― Porque ele está sorrindo e dançando? ― Dei um passo para trás. ― Oh, merda! Eu estou ficando doidona de tabela! ― Katherine começou a rir e deu um tapa na mesa.
― Me dá esse isqueiro aqui!
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