Charlie é o Cara
35 Alô, é o despertador?
Notas iniciais
POV-Charlie
― Peter, cadê a minha blusa? ― Perguntei irritada andando de um lado para o outro no quarto procurando a minha blusa branca.
― Eu não sei. ― Peter fez um bico, olhando em volta sem sinal de vista. ― Olha só Charlie, parece que eu amamentei um guaxinim vampiro. ― Ele disse rindo para a marca de dentes em torno do seu mamilo, onde dois filetes de sangue escorriam da marca das presas.
― Peter, isso aí tá muito esquisito. ― Fiz uma careta olhando para a marca no peito dele. ― Eu vou levar você pro hospital. Ele pode ter te passado alguma doença, nem pensar que eu vou dormir no mesmo quarto que você depois que ele te mordeu.
― O quê? Tá com medo de eu sofrer mutação e virar o homem guaxinim? ― Ele perguntou rindo, me deixando mais irritada ainda.
― É, provavelmente, olha só... já está começando a nascer os pelos. ― Me aproximei dele e puxei os pelos que ele tinha embaixo do umbigo.
― Ai! ― Ele gemeu de dor de e se afastou de mim com um pulo. ― Doeu!
― É, foi para doer mesmo! Acha que eu estou brincando? ― Me abaixei apenas o suficiente para pegar a camiseta de Peter e a vestir, ela me serviu como um vestido, vindo até a metade das minhas cochas. ― Acorda o Mike e desce, enquanto isso eu vou pegar alguma coisa para colocar aí nessa... ― Olhei para o mamilo dele sem saber melhor forma de chamar. ― coisa.
Sai do quarto correndo e desci as escadas, passei pelo banheiro e peguei uma toalha de rosto linda, então continuei correndo até a cozinha. Molhei a toalha em água gelada e depois enrolei uns cubinhos de gelo com a mesma. Então voltei correndo para a escada, onde Pete ajudava Mike a descer, apoiando-o pelos ombros e Mike estava meio acordado.
― Oi Mike! ― Falei, forçando alegria e tranquilidade. ― Você acordou, que bom! Eu preciso que você fique acordado para nós levarmos Pete para o hospital.
― Hospital? Hã? ― Ele perguntou meio confuso, então olhou para Pete e em seguida baixou o olhos para o peito dele, vendo o sangue de novo. ― Oh, Deus!
E aconteceu de novo, só que dessa vez foi pior. Mike desabou do topo da escada e Peter ainda tentou segurá-lo, mais ele caiu da mesma rolando escada abaixo e aterrizando diante dos meus pés. Meu queixo caiu horrorizada e eu olhei para Peter.
― Oops?! ― Ele falou coçando a parte de trás da cabeça sem jeito.
― Ótimo, agora vamos ter que levar ele para o hospital também por fraturar no crânio. ― Revirei os olhos e apontei para o corpo desmaiado de Mike no chão.
― Malditos guaxinins! ― Pete disse descendo os degraus. ― E eu achando que nós éramos amigos.
― Peter! ― Disse seu nome irritada quando ele chegou no último degrau. ― É um guaxinim, vocês não podem ser amigos! ― Dei um tapa ardido no seu braço nu.
― Au! ― Ele falou quando o bati e esfregou o local onde eu bati com a mão.
Levantei a toalha com gelo e pressionei contra a mordida, Peter se encolheu com o frio do gelado, soltando um grunhido e me fez rir.
― Tá rindo do que? ― Ele perguntou, se segurando para não rir também.
― Você me mete em cada uma, Pete. ― Falei rindo sem acreditar que aquilo estava realmente acontecendo comigo.
― Essas são as histórias que nós vamos contar para os nossos netos. ― Peter disse sorrindo bem humorado.
Acho que era isso que mais me fazia gostar dele, o modo como ele era irresponsável e levava a vida como se fosse uma piada mas ainda assim dizia coisas desse tipo parecendo tão sincero e verdadeiro. Quando as coisas ficam loucas, eu começo a surtar e Peter não, ele simplesmente vai na onda e dança junto com a loucura.
― Cadê as chaves do seu carro? ― Perguntei apertando os lábios e soltando a toalha na mão dele, enquanto ele mesmo a segurou contra o machucado agora.
― Na mesinha. ― Ele fez um sinal com a cabeça para a mesinha alta no hall de entrada.
― Ok! ― Acenei positivamente e caminhei até a mesinha, pegando as chaves do carro de Pete.
Ajudei Pete a arrastar Mike comigo até o carro com ele apoiando com os braços em nossos ombros, o colocamos deitado no banco de trás. Pete então se sentou no banco do carona e eu assumi o volante, ainda meio relutante. Me sentei no banco e fechei a porta. Olhei para o volante a para Peter por um momento, ele já havia colocado o cinto e me esperava ligar o carro.
― Certo... certo... Primeiro, o cinto. ― Falei, tentando manter a calma e afivelando o cinto. ― Depois confira os retrovisores. ― Chequei os retrovisores e vi que Peter estava me olhando com um sorriso debochado no rosto. ― Agora a chave. ― Procurei no escuro o buraco da chave, até que o encontrei no tato.
― Charlie? ― Ele chamou meu nome primeiro, me obrigando a olhar para ele. ― Você sabe dirigir, né?
― Bom... ― Mordi meu lábio inferior. ― Eu tenho habilitação. ― Respondi da melhor forma que consegui.
― Bom, então isso é um bom sinal. ― Pete disse um pouco mais aliviado.
― É importante dizer que eu só consegui passar no exame prático na quarta tentativa? ― Acrescentei, com uma mão no volante e a outra na chave na ignição.
― Oh, Deus! ― Pete falou me olhando como se eu fosse a morte certa. ― Deixa que eu dirijo.
― Não, eu consigo! ― Falei o empurrando de volta para encostar as costas no banco. ― Eu consigo! ― Repeti confiante para mim mesma.
Sempre que alguém me diz que não posso fazer algo, eu tenho a tendência a levar para o lado pessoal e provar que ela está errada. Mas isso já parecia loucura. Tudo bem, eu só precisava manter a calma e fazer como pratiquei nas aulas, tudo numa boa. Não, nada numa boa, meu Deus, eu estou surtando.
― Eu consigo? ― Pensei alto demais e Peter continuou me olhando assustado, então se segurou no apoio de braço da porta quando fui dar a partida. Mas foi quando os meus olhos baixaram no cambio que eu surtei de vez. ― Peter, o que é isso?
Apontei para o cambio manual do carro.
― É o cambio, Charlie. Você usa ele para mudar as marchas. ― Peter me explicou como se eu não soubesse em si o que era. Revirei os olhos.
― Eu sei o que é, Peter. Eu estou falando do fato dele ser... ― Apontei com raiva para ele diversas vezes, como se isso fosse fazer mudar. ― assim!
― Manual? Charlie, você está dirigindo um Jeep e não um Porsche. ― Peter me explicou, arqueando as sobrancelhas.
― Odeio você! E o seu cambio manual idiota! ― Falei irritada e Peter riu.
Dei partida no carro tentando manter a calma, de primeira quando eu fui sair com o carro, ele deu um tranco para trás, fazendo Peter bater a cabeça no encosto do banco e o Mike rolar para o chão.
― Charlie! ― Peter gemeu de dor.
― Foi mal! ― Encolhi os ombros.
Bom, acho que vocês já podem imaginar como o resto do caminho ocorreu, né? Quando eu não estava muito acima da velocidade, eu estava muito abaixo, eu devo ter passado por todos os sinais vermelhos sem querer, sem contar as lixeiras que eu atropelei pelo caminho enquanto Peter gritava toda vez que eu atingia alguma coisa. Ele me explicou o caminho até o hospital, quando eu cheguei, freei bruscamente na entrada, deixando um rastro preto de pneu queimado no caminho. Peter abriu a porta do carro e pulou para a fora, se jogando no chão.
― Terra firme! Terra firme! ― Ele gritou fazendo drama.
― Exagerado. ― Gritei, tirando a chave da ignição. ― Eu não atropelei nada. ― Mais ou menos. ― Vivo. ― Completei.
Duas enfermeiras vieram nos atender e nos encaminharam para a emergência, junto com Mike ainda desacordado numa cadeira de rodas. Nós esperamos por uns cinco minutos com Peter sentado em uma maca e eu de pé ao seu lado, segurando a toalha contra o machucado e Mike desmaiado na cadeira. Peter descalço e sem camisa, eu também descalço e vestindo a camiseta dele, enquanto Mike estava usando apenas meias.
― Nós parecemos sem tetos que entram em uma briga. ― Falei envergonhada, olhando para os meus pés descalços e Peter riu.
― Se serve de consolo, você seria uma mendiga muito gata. ― Ele sorriu gentil e acenou positivamente, me fazendo rir também.
― Desculpe pela demora, Pete. Uma Kappa chegou aqui com um salto agulha enfiado na orelha. Vamos ver no que você se meteu dessa vez. ― O médico se aproximou da nossa maca, analisando uma prancheta com provavelmente o diagnóstico de Pete. ― Mordida de guaxinim? ― Ele parou na nossa frente e levantou os olhos da prancheta para olhar para nós.
Eu e Pete olhamos para ele sem saber explicar. Olhei para o médico e depois para Mike, eles eram realmente parecidos. Olhei de novo com mais atenção e ele se aproximou, estendendo a mão para mim.
― Eu sou o Chris Smith, primo do Mike. E você é...
― Charlie. ― Me apresentei, apertando a mão dele com a minha mão desocupada.
Ele me olhou meio confuso com o meu nome, é sempre a reação esperada e depois olhou para Pete, como se estivesse esperando ele responder.
― Charlie é uma Roar Omega Roar, Chris. ― Pete falou orgulho e acenando positivamente.
― Uma garota Roar Omega Roar? E eu achando que não fosse viver para ver isso. ― Ele acenou negativamente com descrença. ― Eu fui um Roar também. Como está lidando com a loucura desses garotos?
― Bom, acho que até o fim do ano vou enfiar um salto agulha na orelha também. ― Disse brincando e olhando para Peter que riu.
― Ah, não está sendo tão ruim assim. ― Ele disse tentando se defender e Chris riu.
― Posso imaginar, sendo um Roar, tenho uma boa ideia do que você está passando. ― Ele disse sorrindo e acenando positivamente. ― Vamos lá, deixa eu ver essa tetinha mordida. ― Chris disse brincalhão para Peter, tirando a toalha úmida dali de cima.
Eu e ele olhamos e fizemos uma careta. Peter ficou apavorado.
― Tá tão ruim assim? Vai precisar amputar? ― Ele perguntou.
― Não, acho que não. Só vamos precisar tirar os ovos que ele fecundou em você. ― Chris disse sério e eu o olhei confusa. Peter ficou apavorado e olhou para o machucado. ― To brincando! Guaxinim fecundou ovo no seu peitinho. ― Ele disse rindo e Peter o olhando bravo por ele o assustar desse jeito.
Olhei para ele e ri também da cara de emburrado que ele fez. Chris lavou o machucado, passou um anti bacteriano e fez um curativo. Depois deu uma injeção na bunda de Pete anti raiva (que fez o maior drama com medo de agulha e eu tive que segurar a sua mão), Mike ele nos deu analgésico para os tombos (ele ia precisar mesmo) e disse para esperarmos ele acordar. O fato é, ele acordou no hospital ainda e entrou um paciente ao nosso lado com fratura exposta no braço, então vocês já podem imaginar o que aconteceu de novo.
Peter voltou dirigindo para a nossa segurança. Nós chegamos em casa depois da uma da manhã, os meninos ainda não haviam voltado da festa. Mike acordou e parecia apavorado, Pete então decidiu ficar com ele pelo menos até ele dormir e me disse para ir para a cama e eu realmente precisava, os meus olhos já estavam pesando. Fechei a janela com medo de John Travolta voltar por vingança e me enrolei no edredom de Peter, me encolhi na sua cama como uma bolinha, pegando no sono mais rápido do que o normal.
Acordei novamente sentindo o colchão da cama ceder do meu lado esquerdo enquanto Pete se deitava ali, me virei na cama ainda sonolenta para o lado dele e abri os olhos, o quarto ainda estava escuro.
― Hei. ― Falei com a voz rouca por falta de uso. ― Que horas são?
― Quase cinco, volte a dormir. ― Peter respondeu também sonolento e se enfiando embaixo do edredom junto comigo. ― Os rapazes chegaram. Peguei no sono assistindo Grey's Anatomy com Mike, é uma ótima série, sabia? Bem emocionante também. ― Ele continuou falando e se ajeitando ao meu lado, então percebeu que eu estava o olhando fixamente e parou. ― Oh, desculpe. Eu devo ir para o chão, né?
Eu deveria dizer sim e mandá-lo para o colchão, não consegui evitar sorrir com a cara que ele fez ao dizer que tinha que ir para o chão. Eu quase quis apertar as suas bochechas com aquela fofura.
― É, bom, força do habito... ― Ele explicou, meio sem jeito. ― Mas tudo bem, eu vou para o chão.
― Não. ― Falei em tom baixo, fechando os olhos novamente. ― Pode ficar. É sua cama. ― Encolhi os ombros e podia jurar que ele estava sorrindo.
― Ok. ― Ele respondeu, se ajeitando até ficar confortável. Mas ele continuou se movendo não encontrando posição nenhuma.
― O que foi? ― Perguntei, ainda com os olhos fechados.
― Você está com os dois travesseiros. ― Ele falou, sem jeito.
Abri meus olhos, eu estava mesmo. Um na cabeça enquanto eu abraçava o outro. Soltei o travesseiro que eu estava abraçando e entreguei para ele. Peter o colocou atrás da cabeça finalmente ficando confortável.
― Bem melhor. ― Ele disse, finalmente fechando os olhos e se virando de costas para mim.
Ele ainda não havia vestido outra camiseta e eu fiquei encarando as suas costas por um momento, contando as pintinhas que ele tinha espalhada por todas elas. Era até charmoso. Subi meus olhos pela trilha das pintinhas dele que iam até a sua nuca e observei a linha do seu cabelo cortado bem rente ali. Me mexi devagar na cama, tentando não fazer barulho e esperando que ele já tivesse pegado no sono, meus braços encolhidos contra o meu peito.
― Pete? ― Falei baixinho, apenas para confirmar que se ele ainda estava acordado.
― Hum? ― Ele respondeu, sem se virar.
― Não consigo dormir sem dois travesseiros. ― E eu realmente não conseguia.
Ele se deitou de barriga para cima, virando o rosto para me olhar, encolhida com os braços contra o peito.
― Bom... ― Ele torceu os lábios para o lado me olhando. ― Eu não tenho outro travesseiro. ― Pete fez uma pausa, me levando a crer que era só ia que ele ia fazer, então ia se virar e voltar a dormir. ― Então acho que vamos ter que improvisar, né?
Pete pegou uma das minhas mãos encolhidas contra o meu peito e a puxou para ele, então se virou de costas para mim novamente, passando meu braço em torno dele. Me fazendo abraçar ele como eu estava com o travesseiro.
No primeiro momento eu fiquei sem reação, depois eu sorri, encostando a minha testa nas suas costas.
― Melhor? ― Ele perguntou, olhando para cima e segurando minha mão.
― Bem melhor. ― Respondi, sinceramente e tentando parar de sorrir.
Peter era incrivelmente doce e tinha a tendência a sempre tentar deixar as pessoas se sentirem confortáveis, eu admirava isso nele.
― Sabe de uma coisa, Charlie? ― Ele disse, me segurando mais forte enquanto eu me aconchegava mais nele. ― Acho que minhas roupas ficam melhor em você do que em mim. ― Falou se referindo ao fato de eu ainda estar com a sua camiseta.
Foi inevitável não cair na gargalhada ao ouvir ele dizer isso, Peter riu também.
― É sério! ― Ele disse tentando parar de rir. ― Boa noite.
― Já é de manhã. ― Falei, fechando os olhos novamente e encostado meu rosto nas suas costas quentinha.
― Então bom dia.
E nós pegamos no sono novamente. Quando eu acordei novamente foi com o barulho do meu celular tocando no chão do quarto, o sol já havia nascido e eu estava deitada toda torta na cama, assim como Pete. Minhas pernas estavam em cima dele e um dos seus braços estava sobre o meu peito.
― Charlie? ― Peter me chamou, sonolento. ― Charlie, o celular. ― Ele começou a tatear meu rosto com a mão, tentando me fazer acordar. ― O celular tá tocando.
― Quem tá nadando? ― Perguntei confusa, ainda meio dormindo.
― O celular tá tocando. ― Ele repetiu, puxando uma das minhas pálpebras para cima com os dedos, tentando abrir meu olho.
― Peter! ― Falei irritada, dando um tapa na sua mão para ele tirá-la do meu rosto.
― O celular! ― Ele repetiu.
― Ai que saco! ― Chutei o edredom para longe e pulei da cama, passando por cima de Peter e o esmagando, ele gemeu de dor mas nem se mexeu.
Cambaleei ainda meio dormindo até a minha jaqueta no chão do quarto e tirei meu celular do bolso.
― Alô? ― Falei, sem nem olhar e o levando a orelha.
Percebi que ele continuou tocando, foi então que o coloquei diante dos meus olhos e percebi que estava falando alô para o despertador.
― Bom dia para você também. ― Disse com cara feia para o celular, desligando o despertador.
Mesmo querendo voltar para a cama, eu precisava tomar um banho e me arrumar para ir para a aula. Antes disso ainda tinha planos para tomar da manhã com Amy e Cece. Comecei a andar em direção a porta, mas quando passei ao lado da cama, Peter puxou meu braço, me fazendo cair sentada na mesma ao seu lado.
― Onde você pensa que está indo? ― Ele perguntou com um sorriso malandro. ― Não consigo dormir sem Charlie na minha cama.
― Engraçadinho. ― Abri um sorriso irônico para ele e lhe dei uns tapinhas sobre o seu curativo. ― Vai ter que se acostumar, porque diferente de você, eu vou para a aula e pretendo ir limpa. Então, o chuveiro está chamando o meu nome.
― Bom, a cama também está. ― Pete entrelaçou seus dedos da mão nos meus, tentando de todas as formas me convencer a ficar.
― Nem pensar! Eu vou tomar um banho e você, vai para a aula hoje, entendeu? ― Falei séria para ele, levantando o meu indicador como uma ordem.
― Nossa! Nós nem começamos a nos pegar e você já quer mandar em mim? Acho que não vai funcionar, amor. ― Ele falou irônico.
― Estou falando sério, Peter! ― Disse tentando não rir. ― Vai para a aula, entendeu? Em que curso você está matriculado para começar a faltar no primeiro dia?
― Curso? ― Ele apertou os olhos, como se estivesse tentando se lembrar no que estava matriculado e eu acho que ele realmente estava. ― Estudos Filosóficos do Boto Cor de Rosa.
Ele acenou positivamente tentando confirmar.
― Você tá zoando, esse curso nem existe. ― Falei rindo.
― Não, eu to falando sério! ― Pete riu também. ― Eu não sabia no que me inscrever esse ano, aí peguei esse aí porque gostei do nome. ― Ele deu de ombros.
― Vou precisar colocar você na minha mesmo, cowboy. ― Dei um tapinha de leve no seu rosto. ― Agora, chuveiro.
― Tudo bem, se você gosta mais do chuveiro do que de mim, eu aceito. Mas me dá um beijinho de despedida aqui, vai! ― Ele tentou agarrar meu rosto com as duas mãos para me beijar, enquanto eu o empurrava para longe e ria.
― Sai! Sai daqui, Peter! Eu nem escovei os dentes! Sai! ― Disse entre risadinhas enquanto ele beijava o meu rosto todo.
― Só uma bitoquinha! ― Peter continuou rindo da minha cara.
Quando eu finalmente consegui me libertar das suas mãos, corri para a porta, abrindo-a.
― Vai para a aula! ― O ameacei pela última vez antes de sair do quarto e fechar a porta.
Os meninos ainda estavam dormindo graças a noitada de ontem e fiquei agradecida por não ter fila pelo chuveiro hoje. Tomei um longo banho quente, depois voltei para o quarto para pegar as minhas roupas. Peter continuava dormindo, todo esparramado pela cama. Me vesti no banheiro, colocando um short jeans curto, uma baby look branca solta, nos pés o meu suede wedge bootie. Me olhei na frente do espelho, alguma coisa estava faltando... Dei uma olhada ao redor do banheiro e encontrei um camisão jeans de um dos meninos pendurado ali. Peguei ele e o vesti, dobrando as mangas até a metade dos meus braços. Voltei para a frente do espelho e olhei novamente.
― Perfeito. ― Sorri orgulhosa.
Assim que liguei o secador de cabelo (ou como os meninos dizem, o despertador deles), eles começaram a dar sinal de vida.
― Droga, Charlie! ― Ouvi Jon gritar lá de cima e gargalhei, secando o cabelo.
Assim que terminei de secá-lo, apenas Jon e Bruce estavam de pé.
― Isso não é um secador, isso é uma turbina de avião que você usa para secar o cabelo. ― Bruce falou, aparecendo na porta do banheiro com duas canecas de café recém feito e me entregando uma.
― Obrigado, Bruce. ― Peguei a caneca e dei um gole, sorrindo com o seu comentário.
Coloquei a caneca sobre a pia do banheiro enquanto prendia o cabelo em um coque bagunçado no alto da cabeça.
― Então, não vi você na festa ontem. ― Bruce começou a falar, como quem não queria nada.
Mordi meu lábio inferior, será que ele sabia? Será que ele estava suspeitando? É claro que sim! Era só ligar os pontos, eu não estava na festa e nem Pete. Era como somar dois mais dois.
― É, eu não estava me sentindo muito bem. ― Menti, passando um batom salmão.
― Hum, entendi. ― Ele acenou positivamente e deu mais um gole na sua caneca. ― Mas você está melhor agora?
― Sim, ótima! Totalmente! ― Falei de forma muita exagerada, tentando convencê-lo.
― Ok. ― Ele disse e sorriu. ― Que bom!
― É, muito bom! ― Sorri de volta para ele e dei mais um gole no meu café. ― Bom, eu preciso ir. Já estou atrasada para me encontrar com Amy.
― Claro, vai lá.
Passei correndo por ele pela porta e ele me acompanhou com os olhos, quase trombei com Jon ao entrar na sala e ele me olhou dos pés a cabeça, então sorriu.
― Gostei da camisa. ― Jon piscou para mim, aprovando.
― Obrigado, Jon! Isso é muito gentil! ― Agradeci e lhe dei um beijo rápido na bochecha. ― Tchau pessoal!
Peguei minha bolsa que eu havia deixado no sofá e corri em direção a porta, antes que eles me perguntassem algumas coisa.
― Aposto vinte pratas que ela foi embora da festa ontem por medo da gangue do sêmen. ― Escutei Jon falar para Bruce na sala.
― Eu também, mano! ― Bruce concordou.
Sabem de nada, inocentes! Abri a porta e dei de cara com Joe na entrada. Ele sorriu ao me ver ali.
― Hei gatinha! Bom dia!
― Bom dia, Joe. Parece que você teve uma ótima noite, hum? ― Sorri o olhando dos pés a cabeça.
― Obrigado pela dica da camiseta, você é a melhor. ― Ele me deu um beijo na bochecha e então entrou.
Tá né! Fechei a porta e sai correndo para o alojamento, indo me encontrar com Amy.
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