Capítulo 2:

Fortaleza

Quando Chapeuzinho estava passando debaixo do lugar onde deveria estar a ponte ligando o castelo á aldeia ela se segurou em uma pedra, como a ponte estava levantada, ela teria que entrar no castelo pelo bueiro, é uma passagem que ela conheceu depois que o pai dela lhe mostrou para que ela a usa-se em uma situação como essa , já que se qualquer cidadão invadir o castelo é levado para as masmorras, hoje é uma noite onde todos preferem ser presos do que mortos. A entrada é um buraco que está a meio metro acima de sua cabeça e deve ter mais ou menos um metro e meio de altura e 80cm de largura, Chapeuzinho começa a tentar chegar até o buraco mas como ela está encharcada por causa do rio ela escorrega várias vezes até conseguir alcançar a borda e se esquivar para dentro do túnel fedorento. Quando ela consegue ela fica deitada um pouco para conseguir retomar o fôlego, a faca ainda está em sua mão, então ela começa a ficar enjoada com o fedor e levanta abruptamente quando vê um rato enorme passando ao seu lado, não que ela tenha medo de ratos já que enquanto o seu pai trabalhava ela pegava um arco e flecha que ele fizera para ela e ela passava o dia matando ratos a flechadas, mas com tantas coisas que ocorreram de uma hora para outra o simples barulho da leve correnteza do rio já à deixa em alerta.

Ela começa a correr em busca de uma saída já que ela está andando a uns 15 minutos e ainda não encontrou nada, e com o cheiro ela já parou 2 vezes para vomitar, então ela literalmente enxerga a sua luz no fim do túnel, a luz da lua está entrando através de alguns buraquinhos de grades, é a saída!

-Finalmente! — ela arqueja quase sem voz.

Ela levanta as grades e empurra para o lado para que ela possa sair, ela teve que ficar na ponta dos pés, com a grade fora do caminho ela da um pulo e agarra as bordas da saída com firmeza mas mesmo assim ela escorrega e cai sentada no chão do bueiro que está com uma água cinzenta no chão, molhando chapeuzinho como líquido fedorento, ela olha para as próprias mãos que estão sangrando, provavelmente por conta das tentativas de sair do rio e agora ela tem novas feridas por causa desta escorregada, ela coloca a faca presa na fita que contorna a cintura do seu vestido, que antigamente costumava ser azul claro mas agora se encontra em um tom cinza de tanta sujeira, Chapeuzinho começa a bater os dentes de tanto frio, com tanto desespero para encontrar a saída ela não tinha dado conta disso até então, ela pensa em desistir, mas ela não suportaria passar nem mais um minuto ali e até encontrar a saída que leva até o rio demoraria muito, ela se levanta novamente, decidida a conseguir sair dali, ela pula novamente agarrando as beiradas, puxa o seu corpo para cima, solta um grito de dor porque suas mãos nunca doeram tanto na vida, ela apóia a barriga na beirada e se joga para frente se arrasta pelo chão sujo e frio de pedra que formam pequenas galerias dentro do castelo, o castelo é como uma aldeia cercada por altos muros mas os aldeões chamam de cidade, existem casas, metade só moram pessoas ricas e de alto escalão e a outra metade é a parte “suja” da cidade que contem de prostituas a golpistas, de Ladrões a assassinos por encomenda, a cidade é praticamente o dobro da aldeia, as pessoas da aldeia alimentam a cidade, mas é aqui também que existe o lugar onde Chapeuzinho passou a maior parte de sua infância com seu pai, o corvo, é um tipo de mercado negro onde muitas pessoas mas poucas se compararmos com o total de habitantes vem adquirir algumas coisas que não se encontra por aí, o lugar ganhou esse nome pois o mercado negro ocorre em um antigo galpão onde se guardava a colheita do milho mas devido a uma estranha invasão de vários corvos, que acabaram com a colheita daquela época, o lugar foi abandonado e as pessoas usam como a única forma de conseguir dinheiro, já que ter um trabalho honesto não serve para colocar comida na mesa exatamente todos os dias, não quando se tem uma filha e uma esposa para cuidar, a entrada de aldeões no castelo (cidade) só é permitida aos domingos.

Chapeuzinho gira o seu corpo para olhar para o céu e grata por poder respirar um ar puro outra vez, ela se senta, olha ao redor para tentar se localizar, ela nunca esteve na cidade sozinha, e com certeza essa era a parte suja da cidade, no momento está tudo quieto pois todos sabem que é a noite dos lobos. Ela se levanta, coloca de volta a tampa do bueiro olha para os lados tentando descobrir qual caminho seguir, ela pode seguir o caminho para a direita o que significa refazer o caminho que ela fez pelo bueiro, ela pode ir para a esquerda mas parece que a levaria para um lugar um pouco mais perigoso de onde ela se encontra, o caminho da esquerda desce um pouco e leva para rua onde ficam os bares e outras coisas do tipo; e tem o caminho a sua frente que provavelmente a levará para a praça central da cidade. Ela respira fundo e começa a caminhar pelo caminho a sua frente, ela começa a bater os dentes novamente, o vento da noite está cortante, pelo menos as ruas de pedras estão limpas da neve pois se não seria pior ainda.

Ela avista o chafariz que indica que ela chegou na praça central, ela se senta, pega um pouco de água com as mãos

-Ainda bem que o inverno está acabando –ela cochicha para si mesma. Se o inverno não estivesse acabando o chafariz estaria congelado, ela está com cede e cansada por ter feito todo esse percurso. Ela se senta na neve e se encosta na parede que cerca o chafariz, pela primeira vez desde quando o lobo apareceu diante dela e de sua mãe ela pára para pensar em tudo o que aconteceu, sua mãe e provavelmente o seu pai também está morto, ela começa a chorar silenciosamente em pensar que ela virou órfã, depois de uns 30 minutos ela consegue parar de chorar, ela lava o seu rosto com a água do chafariz o que foi uma péssima ideia agora o seu rosto está congelando. Ela se lembra da faca, ela retira de onde tinha prendido, e olha para ela pela primeira vez, o sangue do lobo tem um tom muito escuro e está seco na faca, formou uma camada a mais, ela passa o dedo em cima do sangue, está quente, isso não é possível, por todo caminho que ela fez, não é possível, ela aproxima a faca do nariz, o sangue libera um cheiro doce e muito enjoativo, sua visão começa escurecer aos poucos e mundo começa a girar á sua volta, Chapeuzinho cai de lado desmaiada.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.