Chaos

4 IV - Família


— Boa noite para vocês também.— Dionísio resmungou girando o copo de vinho entre os dedos. — Eu não chamei esses fedelhos aqui.

— Eu os chamei. — Quíron tentou sorrir. Ele olhou para a porta. — Onde está Nico?

— Aqui. — O garoto surgiu da sombra do sofá. Todos se assustaram, com exceção do próprio Dionísio.

— Você tem que parar com isso. — Jason falou com tom bravo, porém protetor. — Reyna me disse que você quase morreu nessas viagens. — Ele fazia um olhar de reprovação para o garoto.

Nico deu de ombros e foi até Noah. A garota era filha da personificação da morte. Eles basicamente tinha poderes parecidos.

— Eu cheguei a achar que você era algum tipo de irmão quando vi a grama morrer aos seus pés mas... — Nico estava falando. — Chega a ser ainda mais assustador ser filha de Tâna... Digo, Leto.

Ela arqueou a sobrancelha, então algo fez ela ficar paralisada. Joshua, que estava próximo engoliu em seco. Ambos suavam frio. Com muito custo, Noah olhou para trás e viu Maxwell com os olhos sombrios. Ela sentia uma incrível vontade de chorar ou correr. Estava entrando em pânico e morria de medo. Ele sibilava e murmurava enquanto olhava para Nico. Pareciam maldições.

O garoto notou a aura que irradiava de Max e se afastou, assustado.

— O clima não está dos melhores... — Joshua conseguiu dizer algo. Maxwell relaxou e foi se encostar em um canto do outro lado da sala, ainda murmurando algumas maldições. Noah jurava ter ouvido algo como ser comido por águias gigantes, e desejou que isso não acontecesse com ninguém na sala. — O que você queria dizer Quíron?

— Então... — Ele direcionou a mão ao sofá, como se dissesse para eles se sentarem. Noah, Piper e Nico se sentaram, enquanto Jason apoiou os cotovelos no sofá, Joshua ficou em pé perto deles e Max ainda estava no canto afastado ouvindo. — Bem, como perceberam, vocês três foram "assumidos" por seus respectivos pais e mãe. Não são deuses de fácil convívio. Raramente surgem filhos deles e, no caso de vocês três, nenhum semideus nunca foi visto com mesmo parentesco. — O centauro suspirou. — Já difícil deuses romanos declararem parentesco nesse acampamento, quanto mais um deus menor. — O fogo da lareira mudou de cor para um azul claro, como se Leto tivesse ouvido. — Não quis ofender, senhor. Enfim, há algum motivo pelo qual seus pais resolveram declará-los ao mesmo tempo e essa é um...

— Na verdade... — Dionísio interrompeu. — Isso acontece algumas vezes, quando precisam dos semideuses. Algum mal está para despertar, ou os deuses menores... — O fogo tremeluziu. — Os deuses precisam de vocês. — Ele fez uma pausa. Noah engoliu em seco. — Olhem para as representações de seus pais. Éris é a própria discórdia, Deimos é o pânico e Leto é a morte. Discórdia causa medo, pânico e pode gerar a morte. A morte pode trazer discórdia e pânico. Enquanto o pânico pode trazer discórdia e até morte. — Sr. D olhou para eles. Max, que estava no canto, havia se aproximado. — Vocês três estão ligados de alguma forma e com alguma finalidade. Deuses não fazem coisas por acaso crianças.

Noah apertou as calças, que eram largas devido a sua magreza. Seus dedos finos e as unhas curtas apertavam com força o pano perto de seu joelho.

— É... — Noah começou a falar mas ficou com vergonha assim que todos olharam para ela. — É que... Minha mãe... Eu preciso avisar para ela onde eu estou. — Ela olhou apreensiva para Quíron. — Eu poderia usar o telefone?

— Pode. — Quíron olhou para um telefone novo que tiveram de instalar. — Não é indicado para semideuses usarem telefone ou celular, já que atrai monstros mas... — Ele olhou para Dionísio. — Por algum motivo, mensagens de Íris não andam funcionando.

Noah assentiu e foi até o telefone. Enquanto ela discava o número, jurou que a flor que estava no vaso ao lado estava encarando ela. Não era a primeira vez que sentia isso. Ela colocou o telefone na orelha. Tocou. Tocou. Tocou. Sem sinal. Ela ligou de novo. Tocou. Tocou. Tocou. Não estava sem sinal dessa vez. A garota começou a ficar preocupada. Sua mãe sempre atendia no primeiro ou segundo toque, não importando as horas. Discou o número mais uma vez. Ele tocou as três vezes. Quando iria desligar, alguém atendeu.

— ... — Ela ouviu apenas uma respiração vindo do outro lado.

— Mãe? — Noah disse esperançosa. — Sou eu, Noah!

— ... — As respiração parecia mais abafada. — Eu não sei quem é você. — A voz era igual a de sua mãe. O telefone desligou. A garota, abalada, colocou o telefone no gancho e apoiou-se na mesinha onde estava o telefone. A flor, que antes parecia rir, começou a murchar.

— Ahn... — Nico disse olhando a cena. — Se afastem dela. — Ele recuou. — Agora!

— Por que? — Lágrimas começaram a escorrer do seu rosto para o chão. — Por que?? — Ela começou a falar e chorar alto. Uma onda forte passou por toda sala, derrubando a todos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.