Change

3 Capítulo 3


Notas iniciais
Gostaria primeiramente de agradecer o carinho de todos os que comentaram, favoritaram ou simplesmente leram. Espero que vocês gostem. Teremos um salto temporal aqui Boa leitura. ♥

— Você está bem? — Rick perguntou ofegante, prensando suas costas contra a porta recém fechada.

Beth acenou com a cabeça, pressionando suas têmporas. A dor de cabeça nunca parecia ir embora, deixando-a irritada e impaciente. Assoprou uma mecha de cabelo que caía sobre sua testa, amaldiçoando-se por não tê-lo prendido.

Afastou-se de Rick e olhou pela janela, dezenas de errantes cruzando pelo condomínio fechado. Viu Maggie e Glenn correrem para uma das casas próximas.

Noah havia os convencido a procurar por seus familiares, mas Beth sabia que eles não estariam lá. Não queria perder as esperanças, mas o estado da comunidade denunciava que um massacre havia ocorrido.

Ela sentou-se no chão, abraçando os joelhos. Sabia que demoraria até que todos os caminhantes passassem. Aquela situação havia se tornado corriqueira em sua vida.

— O seu remédio — Rick chamou sua atenção, sentando-se ao seu lado. — Você já tomou?

Beth riu compulsivamente, e então encarou-o. Suas bochechas estavam vermelhas de constrangimento pelo ataque.

— Eu não sou a Judith, Rick — ela bufou, olhando para o teto. — Eu não preciso que fique a todo momento perguntando se já me alimentei, se já dormi, ou se já tomei a porcaria do remédio.

Ela estava extremamente irritada com o rumo que as coisas estavam tomando. Apesar de todas as vezes que tentara demonstrar interesse romântico para com o xerife, ele ainda continuava tratando-a como uma criança estúpida.

Beth já havia provado de muitas formas que já não era mais uma menina. Ela já havia matado pessoas, já havia passado por uma experiência de quase morte, e mesmo assim continuava sendo uma criança pra Rick.

— Aliás, desde que saímos do hospital eu não tomo o maldito remédio — xingou baixinho, percebendo que sua histeria havia atraído alguns errantes para perto da janela.

Rick virou seu rosto para ela e Beth pode ver o tamanho da ira que havia provocado no xerife. Sua sobrancelha estava arqueada e duas linhas profundas marcavam sua testa.

— Pare de agir como uma adolescente idiota e aja como uma adulta, Beth! — a voz dele estava baixa, mas aquilo a atingiu com um soco no estômago.

Adolescente idiota? A cada maldito minuto desde que saíram do Grady Beth havia feito de tudo para ser útil. Daryl havia lhe ensinado a atirar, Glenn havia lhe ensinado algumas manobras furtivas e Maggie havia lhe dado conselhos amorosos, apesar de achar que a parte da irmã não havia contado muito para suas habilidades de sobrevivente.

Ela sentia tanta raiva que queria chorar, e se sentiu ainda mais idiota por perceber que de fato estava chorando.

Rick pareceu se remexer ao seu lado, talvez sentindo-se culpado pelo que havia lhe dito, mas ela não quis saber.

Semanas e mais semanas haviam se passado desde que saíram do Grady e ela percebera os sentimentos que nutria por ele, e as coisas continuavam na estaca zero. Em nenhum momento o xerife havia demonstrado algo além de uma preocupação sufocante em relação a ela, e Beth já estava cansada disso. Cansada de esperar o dia de amanhã. Ela nem sequer sabia se viveria para o dia seguinte.

Tomando coragem, Beth virou-se bruscamente em direção a Rick, prendendo o rosto dele com suas mãos. Antes que ele pudesse afastá-la, empurrou seu corpo contra o dele, selando seus lábios.

Com um suspiro sôfrego da parte dele, Beth soube que ele a desejava tanto quanto ela. Em nenhum momento ele pareceu resistir, e isso foi um alívio para Beth.

Hesitou por um momento, tentando provocar os lábios do xerife com sua língua, e ficou confiante ao receber um gemido rouco em resposta.
Beth já havia tido alguns namorados, antes e depois do fim do mundo, mas sempre garotos da sua idade, inexperientes e cheios de hormônios, que seu pai havia mantido afastados de sua “pureza” com muito afinco. Rick era diferente; tendo pelo menos o dobro de sua idade, o xerife já havia sido casado, pai de dois filhos, e sabia muito bem que ele era, de fato, galáxias mais experiente que ela.

Sentiu seu próprio corpo relaxar quando Rick separou os lábios e empurrou sua própria língua contra a dela. Era violento e urgente, e Beth se sentiu tonta e desesperada para ir mais longe do que aquilo.

As mãos dele eram fogo em sua pele, correndo por debaixo da regata azul-bebê que ela usava. Ela não quis abrir os olhos quando ele encontrou seu objetivo; as mãos ásperas tocando seus seios sobre seu sutiã de renda fina.
Ela soltou um gritinho surpreso quando sentiu seu corpo ser levantado do chão para ser depositado sobre o sofá empoeirado da casa. Testou abrir os olhos e viu uma fome lasciva nos olhos do xerife. Nunca havia chegado tão longe, e estava admirada por não estar tremendo como uma garotinha. Beth nunca quis nada quanto aquilo. Estava adorando ver o desejo nos olhos de Rick, saber que ao menos ali ele não a via como criança, e sim, como mulher.

Por Deus, seu pai havia lhe falado tanto sobre sexo antes do casamento, e aquilo havia lhe rendido horas de constrangimento e bochechas coradas. Oras, é claro que ela não desobedeceria um mandamento tão importante naquela época, mas agora tudo era diferente. Poderia estar morta agora. Aquela bala poderia ter atingido algo importante. Céus, ela havia levado um tiro na cabeça! Se estava viva no momento era porque alguém, em algum lugar, quis lhe dar outra chance, e ela não desperdiçaria, não de novo.

— Rick! — Daryl gritou, colocando a porta abaixo.

Como se tivessem recebido um banho de água fria, Beth e Rick levantaram-se em um pulo do sofá, se recompondo.

— O Tyreese. Ele foi mordido — Daryl continuou, passando seu olhar rapidamente sobre os dois, levantando uma sobrancelha e apertando os lábios como reprimenda.

Apesar disso, nada mais foi dito. A prioridade agora era outra.
Os três correram em direção ao tumulto do outro lado da rua. Noah, Glenn e Michonne levavam Tyreese em direção ao carro. Muito sangue jorrava do que um dia foi seu braço.

Apesar da cena terrível a sua frente, Beth só conseguia lembrar do dia em que Daryl havia dito que ela estava se comportando como uma vadia adolescente. E ela realmente estava.

Pessoas estavam morrendo a sua volta enquanto Beth só pensava em si mesma, e a realidade caiu como uma pedra sobre ela.

— Você está bem? — Maggie praticamente se materializou ao seu lado, abraçando-a com força. — Eu não consegui encontrar você em nenhum lugar depois que os errantes passaram.

— Eu estava com Rick — Beth respondeu dando de ombros, percebendo que sua voz soou um tanto cortante.

Ela percebeu que Daryl a encarava ao longe. Ele parecia preocupado, e aquilo a deixou ainda mais irritada.

Maggie, Daryl, Rick... todos eles estavam especialmente protetores depois de sua “quase morte”, e aquilo a sufocava como nunca. Eles a cercavam por todos os lados, como se de repente ela pudesse surtar e cortar os próprios pulsos novamente.

Agora ela podia enxergar perfeitamente bem como fora estúpida sua reação de acertar Dawn com aquela maldita tesoura. Fora praticamente uma carta de suicídio, mas ela já havia superado essa besteira toda. Por que eles simplesmente não podiam seguir em frente como se ela fosse uma pessoa normal?

Movendo-se automaticamente ela entrou em um dos carros, sentando-se no canto. Carl levou Judith até ela, e Beth a apertou em seu colo.

O clima de desespero ao seu redor era evidente, mas Beth não conseguia mais fazer parte daquilo. Estava sentindo-se um pouco entorpecida em seu próprio mundo, como se aquilo já não a afetasse tanto, e perceber isso foi desesperador.

Era uma verdade inconveniente, mas Beth estava começando a perceber que já não era mais uma garotinha que temia a morte. Ela já havia estado “morta” duas vezes, e agora parecia ser tão comum quanto o nascer do sol.

Ela não queria mudar, não desse jeito, mas não sabia como encontrar o caminho de volta para a antiga Beth, e na verdade, simplesmente não sabia se queria mesmo encontrar.

Notas finais
Mereço comentários? Xoxo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.