Change

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Gostaria de agradecer a todos que comentaram e favoritaram a minha história! Espero que gostem desse capítulo, e não se preocupem, ele está meio parado, mas algumas coisas são importantes de serem percebidas aqui. O próximo será um salto temporal, então prometo coisas mais agitadas! Boa leitura ♥

Maggie trançava vagarosamente os cabelos da irmã. Já havia se passado mais de uma semana desde aquele dia trágico, e apesar de ter apresentado sinais de melhora, segundo o Dr. Edwards, Beth ainda não havia acordado.

O clima naquele hospital era assustador. Noah tinha contado tudo a eles, todas as coisas nojentas e desprezíveis que fizeram com as mulheres... Que fizeram com Beth. Sentia um ódio tão grande que precisou de dias inteiros para que ela se convencesse de que aquele lugar era realmente real.

Maggie sabia do que as pessoas do novo mundo eram capazes, havia topado com todo o tipo de gente, mas simplesmente não conseguia aceitar que haviam tentado tocar com mãos imundas em sua irmãzinha.

A única coisa que aquietava seu coração foi saber que Beth havia dado um fim ao maldito abusador, e Daryl e Rick lidaram com prazer dos desgraçados que ainda importunavam aquele lugar.

A Greene mais velha não conseguia sentir o mínimo de compaixão pelos homens que foram espancados e jogados com mãos e pernas amarradas aos errantes. Era merecido. Mais do que merecido, e é engraçado como o novo mundo é capaz de mexer com a mente das pessoas, trazendo a tona tudo o que existe de mais podre no ser humano. E era exatamente isso que fazia Beth ser tão diferente.

Manter a pureza em meio àquele mundo podre e cruel era um grande sinal de coragem, e não de fraqueza, como Maggie sempre pensou. Agora ela era capaz de entender.

Ela sentia tanta falta da irmã mais nova... Sentia falta das imaturidades, da fé, e do jeito doce que só ela possuía. Ainda não era capaz de acreditar em tudo o que havia acontecido.

No fundo ela apenas não queria acreditar que Beth teria sequelas graves, ou pior, que nem sequer viesse a acordar.

Fechou os olhos com força. Não, ela iria acordar. Era sua vez de ter um pouco de fé na vida.

— Água... — a voz rouca e baixa chamou sua atenção de volta ao presente.

­­— Ei, meu amor ­— Maggie sussurrou devagar.

Sua vontade era de se jogar sobre a menor, apertá-la com tanta força que seu corpo magrelo reclamaria, mas ela sabia que não deveria pressioná-la ou assustá-la, então apenas acariciou sua face enquanto algumas lágrimas escapavam por seus olhos.

­­— Maggie? — Beth chamou, parecendo totalmente desnorteada. — Você me achou ­— concluiu após um tempo.

Uma pontada enorme de culpa apunhalou Maggie. Não, ela não a encontrou. Ela sequer havia cogitado a possibilidade de Beth ter sobrevivido até Michonne lhe dizer que ela estava bem. Sentiu raiva de si mesma. Deveria ter procurado por ela, e não por Glenn. Seu marido sabia como cuidar de si mesmo, mas Beth não. Beth nunca esteve pronta para encarar o mundo lá fora.

— Sim, nós achamos. Como você se sente?

­— Com sede ­— Beth adicionou com um risinho, fazendo uma careta ao perceber a tremenda dor de cabeça que aquilo lhe causava.

Maggie lhe deu um suave beijo na testa, sobre a enorme bandagem que jazia ali e então se levantou sem dizer mais nada. O sentimento de culpa era quase sufocante naquele pequeno quarto quando ela virou as costas para a irmã, saindo em busca do doutor.

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Beth olhou para o teto e então para as paredes, demorando a constatar que estava ainda no hospital.

Sua cabeça doía como o inferno, e sua boca estava seca como se não bebesse água há dias.

Sentiu um enorme frio na barriga ao perceber que sua mente parecia simplesmente ter apagado algumas partes de sua memória.

Lembrava-se da troca, de Dawn exigindo Noah de volta, dela mesma sentindo um ódio tão cru ao perceber o que aconteceria com ele, e então um vazio enorme.

Como um buraco negro. Um lugar simplesmente impossível de se acessar.

Ela lembrava-se do abraço carinhoso de Rick, e da expressão de alívio de Daryl. Sentia-se ansiosa para ver Judith e sentir seu cheirinho de novo. Mal podia esperar para sair daquele lugar horrível.

Não teve muito tempo para dar atenção aos seus pensamentos, já que logo em seguida Dr. Edwards apareceu em seu quarto, acompanhado por Maggie. A expressão da irmã era triste, e ela simplesmente não conseguia entender o porquê. Ela só esperava que todos estivessem bem.

— Olá, Beth — Dr. Edwards a cumprimentou ligeiramente. — Como você se sente?

­— Ela está com sede — Maggie interrompeu irritada.

— Eu sei, mas não posso deixar que ela beba nada antes de fazer alguns exames — ele respondeu aproximando-se de Beth.

Beth permaneceu imóvel quando ele pediu que ela se sentasse. Sua cabeça latejava irritantemente, como se alguém estivesse batendo panelas bem no centro de seu cérebro. Dr. Edwards realizou alguns exames irritantes, como aqueles que havia feito quando ela chegou ao hospital pela primeira vez.

Um calafrio percorreu sua espinha quando os pontos foram se ligando um a um.

— Onde está Dawn? — arrepiou-se apenas por pensar nas coisas que Dawn faria com ela por ter passado tanto tempo ali. Mas agora o grupo estava ali, não estava? Ela não poderia feri-la.

— No inferno — uma voz rouca e familiar chamou a sua atenção, fazendo Beth remexer-se impaciente em sua maca.

— Daryl — ela chamou com a voz embargada, seus olhos enchendo-se de lágrimas.

Ele estava lá, de novo. Sempre esteve.

— Oi, loira — ele respondeu sem jeito, reprimindo um pequeno sorriso. Beth havia criado um laço tão profundo com ele. Sabia que havia o mudado, mesmo que um pouco. Estava orgulhosa de si mesma. — Acho que alguém aqui merece o prêmio de cabeça dura do ano — Daryl continuou, em uma tentativa de fazer piada.

— Não entendi a referência — ela riu sem jeito, mexendo na trança que Maggie havia feito em seus cabelos.

— É normal que ela não se lembre — Dr. Edwards disse, tirando-os de sua bolha.

— Não me lembre do que? — Beth indagou curiosa.

— Do incidente... — o doutor adicionou cauteloso.

— Quase perdemos você, Greene. Também quis fazer parte do clube dos xerifes?¹ — Beth viu Rick aparecer com Judy em seu campo de visão.

Ela riu nervosa, sentindo seu coração acelerar inconvenientemente. A máquina irritante que Beth ainda não havia se dado conta que estava ligada ao seu dedo bipou irritantemente.

— Mas você está aqui agora, e estamos muito felizes — Maggie entrelaçou sua mão a de Beth, entendendo que seu nervosismo se referia ao que ele havia dito.

Ela estava enganada, mas como poderiam pensar diferente? Ninguém seria capaz de descobrir as coisas bobas que se passavam por sua mente.

Nos tempos da prisão ela havia nutrido uma pequena paixonite pelo xerife, mas logo havia se convencido de que era uma grande bobagem adolescente. Ela era apenas uma menina. A menina que cuidava de sua filha e de Lori.

Ainda assim não podia deixar de sentir aquela sensação de paz e de... calor, quando ele estava por perto.

Judy se esticou nos braços do pai, lançando seus bracinhos em direção à Beth, enquanto soltava um gritinho agudo.

Beth riu quase que instantaneamente, e sua cabeça doeu. Doeu muito para falar a verdade, mas ela não fez questão de demonstrar, ansiosa por Rick trazer Judith para perto.

Ele caminhou lentamente em sua direção, Judy impaciente, remexendo-se no seu colo. Quando estava próxima o suficiente, a pequena agarrou as bochechas de Beth com suas mãozinhas gordas, e Beth chorou. Chorou até soluçar, apesar de prometer a si mesma que jamais faria isso de novo.

Era impossível controlar a felicidade que sentia ao se ver cercada por aquelas pessoas. Rick acariciou seus cabelos levemente enquanto Beth envolvia Judith em seus braços, apertando-a com força, fazendo com que a menina protestasse, mas ela não se importou.

Maggie sentou-se ao seu lado, e Daryl aproximou-se relutante, como sempre. Beth sorriu e agarrou sua mão como havia feito naquele dia no cemitério, e ele não soltou.

Apesar de todo o mal que haviam lhe feito naquele hospital, Beth se sentiu completa, feliz, e diferente. Sabia que estava mais preparada para viver do lado de fora. Ao menos era o que ela pensava.

Notas finais
¹Clube dos xerifes - Rick faz essa referência quando Carl é baleado, dizendo ao filho que agora os dois estavam iguais. Espero que tenham gostado. Xoxo