Chance
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Naquele dia ensolarado, um carro preto parou em frente ao jardim de infância da escola Aoi Hana. Do veículo desceram uma mulher morena e duas crianças muito parecidas. Um casal de gêmeos com cinco anos recém completos.
A menininha tinha os cabelos negros e levemente encaracolados presos em marias-chiquinhas. Usava um short de verão vermelho florido de rosa-Pink e uma blusa da mesma cor da estampa. Na mão levava uma Barbie e no pulso uma correntinha dourada com seu nome gravado.
Kana
O menininho trajava uma bermuda preta e uma camisa branca com mangas azuis. Os cabelos negros e extremamente lisos chegavam ao ombro. No pulso também tinha uma correntinha, mas a sua era prateada e tinha seu próprio nome gravado no metal.
Seichiro
- Vamos crianças! — Incentivou a mãe das crianças, com um sorriso — A sala de vocês é aquela ali — Apontou uma porta colorida e próxima — Vão! Eu busco vocês mais tarde. Prometo não me atrasar Agora, me dêem um beijo. — Pediu, e se abaixo na altura dos pequenos.
A menina deu um beijo estalado na bochecha da mãe e se adiantou para a porta, sem olhar para trás. Seichiro beijou a mãe, e olhou pra ela inseguro, mas ela lhe sorriu e indicou sua irmã com a cabeça, mostrando que devia ir atrás dela.
O pequeno no correu na direção da irmã, que já estava quase passando pela porta, e se virou uma última vez para acenar para mãe e acabou por tropeçar e cair. Sentiu os olhos lacrimejarem e estava prestes a chorar quando percebeu uma mãozinha estendida na sua direção.
Olhou pra cima , e, mesmo com a visão embaçada pelas lágrimas, o pequeno Seichiro sabia que estava vendo a pessoa mais bonita do mundo — pelo menos, pra ele. Cabelos castanhos cor de avelã e olhos verdes, os mais brilhantes que o moreninho já tinha visto.
- Tudo bem? — Perguntou o outro menino.
Seichiro aceitou mão, e apenas assentiu enquanto corava. O outro menino sorriu como se tivesse ganhado na loteria.
- Meu nome é Kairi! E o seu? — Perguntou alegre, começando a andar em direção à sala.
- Meu... Meu nome é Seichiro. — Apertou a mão que lhe puxava — Viu minha nee-chan? Ela é muito igual a mim. — Explicou infantilmente
- Não sei. Vem! — Kairi sorriu para o moreninho que assentiu e o seguiu, pensando que faria qualquer coisa que o outro pedisse.
***
Bip... Bip! BIP! BIP! BIP!
Seichiro, agora com dezesseis anos, quase dezessete, apertou um dos botões de seu despertador, desativando-o. Levantou-se e esfregou os olhos, suspirando ao perceber que estivera sonhando com o tempo do jardim de infância de novo.
Arrumou-se rapidamente, sem realmente olhar o que estava vestindo. Tomou seu café e jogou a mochila num dos ombros antes de sair pela porta de casa.Sua mãe saía para trabalhar bem cedo e Kana estava num campeonato de líderes de torcida. Então a casa era só sua durante o dia, pelo menos, até quinta, sendo que era segunda.
Colocou os fones de ouvido e ligou o MP3 que tinha sido da irmã, mas Kana tinha lhe dado para poder pedir um IPhone pra mãe. Sua irmã mais velha era tão fútil às vezes, pensou enquanto caminhava em direção ao colégio.
Tomou um susto quando sentiu uma mão em seu ombro. Virou rapidamente e se deparou com ele.
- Seichiro! — Cumprimentou Kairi, sorrindo.
Por um momento, o moreno perdeu o fôlego. Como sempre, Kairi parecia deslumbrante na bermuda preta e a camisa verde, que ressaltava seus olhos.
- Kairi. — Seichiro cumprimentou em voz baixa, repondo a postura séria que lhe era costume — Você não costuma ir de carro pra escola? — Perguntou, voltando a andar.
- O carro tá com o pneu furado. — Explicou, acompanhando o moreno. — Cadê a Kana-chan? — Perguntou.
- No campeonato de líderes de torcida, junto com a — Seichiro se forçou a engolir o bolo em sua garganta. — Sua namorada.
- Ah, é verdade. Yume-chan está viajando. — Kairi franziu o cenho, tentando lembrar quando a namorada voltaria do campeonato. — Mas, me diz o que vai fazer o hoje? — Perguntou, mudando de assunto.
- Tenho o clube de jornalismo e muitas aulas. Na verdade, eu estou atrasado e nem devia estar aqui batendo papo com você. — Seichiro apertou o passo, sendo seguido pelo amigo — Tenho que passar no clube de jornalismo antes do primeiro sinal. Cuidado pra não se atrasar. — O moreno avisou, antes de desviar em direção dos fundos da escola.
Kairi parou e ficou olhando a figura do amigo se afastar. Ele usava jeans negros, camisa cinza e por cima um casaco azul marinho com listras brancas. Os cabelos longos caíam e se escondiam dentro do casaco, como de costume. Kairi às vezes se pegava imaginando onde os cabelos do moreno terminavam.
- Kairi! Oe, Kairi! — Ouviu seu nome ser chamado, e olhou pra trás.
Shun vinha em sua direção. Tinha cabelos loiros e olhos castanhos, herdados do pai estrangeiro, uma personalidade ativa e explosiva, além de ser atleta e seu colega do time de basquete.
- Shun! — Cumprimentou o amigo com um “hi-five”.
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Atrás de uma árvore, Seichiro observava os dois meninos. Sentia ciúmes de Shun, o “melhor amigo” de Kairi. Pelo menos, era desse jeito que o colégio via os dois.
Kairi era o capitão do time de basquete da escola, e Shun era seu vice-capitão. Andavam muito juntos e eram os caras mais populares do segundo ano. Apesar disso, Seichiro sabia que o loiro não conhecia o castanho tão bem quanto ele.
Mas, na verdade, Kairi andava mais com Shun e seu novo grupinho. Desde que tinha se dado bem no basquete e se tornara popular no primeiro ano, ele e o amigo tinham se afastado. O castanho estava sempre ocupado com o basquete, a namorada líder de torcida, os estudos e as idas a festas que apenas os populares eram convidados.
Sobrava muito pouco tempo para o pequeno Seichiro, que também era ocupado com seu cargo no jornal da escola. Apesar de se verem na sala, era raro conversarem. Fazia mais de uma semana que o moreno não falava com Kairi, o que já se tornara hábito.
Seichiro se sobressaltou pela segunda vez naquele dia ao ser retirado de seus devaneios por ter a vista tampada de repente.
- Adivinha quem é, Sei-chan! — Reconheceu imediatamente a voz animada.
- Bom dia, Yukito-senpai. — Desejou enquanto pegava a mão dele e a tirava de seu rosto.
Yukito era um veterano do terceiro ano que fazia qualquer pessoa do sexo feminino, fosse mais nova ou mais velha, suspirar. Tinha cabelos claros quase prateados, curtos e repicados com uma franja moderna que lhe caía sobre os olhos. Olhos azuis gelo, pele cor de pêssego. Possuía um corpo esguio, por causa dos treinos da equipe de atletismo — da qual era capitão -, e alto. Era uns bons dez centímetros mais alto que Seichiro.
- Uau, de primeira! — Ele riu, antes de franzir as sobrancelhas, fingindo seriedade — Já te disse pra não me chamar de senpai! — Apertou a ponta do nariz do menor
- Desculpe. — O moreno começou a andar para a sala do clube de jornalismo — Trouxe o pen drive com as fotos? — Perguntou, abrindo a porta e acendendo as luzes.
- Trouxe. — Respondeu enquanto remexia na mochila e dava o dispositivo para o mais baixo.
- Certo, agora é só incluir as fotos e imprimir a edição de hoje.
Os dois ficaram em silêncio enquanto o moreno finalizava o jornal. Salvou o arquivo e clicou em ’imprimir’. Logo a impressora do clube começou a zumbir, fazendo as cópias da edição daquele dia.
- Sei-chan, vem cá. — Chamou o mais alto, abrindo os braços.
O moreno levantou suspirando e andou até o maior. Yukito se inclinou e encostou a testa na do outro.
- Eu vi você olhando para o Kairi-kun hoje. O modo como você o olhou... — Murmurou, passando o braço direito pela cintura do outro e o trazendo mais pra perto. O menor colocou as mãos espalmadas no peito definido, mas sem resistência, apenas procurando apoio — Eu te disse que ia te ajudar a esquecê-lo... — Colou os narizes e as pálpebras de Seichiro deslizaram lentamente, fechando os olhos — Acho que não estou indo muito bem. Talvez, eu devesse me empenhar mais. — E encostou seus lábios nos alheios.
Esperou Seichiro entreabrir os lábios, antes de se mover. Lambeu o lábio inferior do moreno, antes de deslizar a língua dentro da boca do outro. Sentiu o menor corresponder timidamente, e apertou as mão esquerda nas costas dele, enquanto o braço direito estreitava-se em volta da cintura delgada do moreno.
Continuaram com o contato até a impressora apitar. Avisando que terminara de fazer as cópias.
Se separaram, e Seichiro apoio a testa do peito do mais velho, um pouco ofegante e intensamente corado.
- Como foi? — Ouviu o mais velho sussurrar depois de respirar fundo
- Intenso. — Murmurou tímido
- De um jeito bom, ou de um jeito ruim?
O moreno balançou a cabeça e se desencostou do senpai, indo em direção a impressora.
- Bom. — Disse baixo, corando fortemente
- Você é mesmo uma gracinha. — Riu Yukito, imediatamente descontraindo ambiente
- Que seja. — Resmungou o moreno, enquanto pegava as cópias — Toma. Você entrega nas turmas 3001, 3002 e 1001, que eu entrego o resto. — Passou parte das cópias para o mais alto
- Certo. — Inclinou-se e roubou um selinho do outro — Cuide-se e tenha uma boa aula. — Falou sinceramente e saiu da sala.
Seichiro suspirou. Por mais que fosse apaixonado por Kairi, Yukito lhe fazia muito bem. Se lembrava bem como fora parar naquela relação. Ele tinha conhecido Yukito no jornal, já que o mais velho era o fotógrafo. E tinham se dado bem logo de cara. Mas foi num dos jogos de Kairi que realmente ficara íntimo dele. Tinha ido assistir o jogo a pedido de Kairi, e ficara feliz pelo convite, mas no final do jogo, quando o time venceu, vira Kairi beijando Yume apaixonadamente pela primeira vez. Apesar de já ter ouvido boatos, ver aquilo doeu. Ainda doía lembrar. Saíra rapidamente das arquibancadas e se esgueirara até o parquinho do jardim de infância. Tinha se sentado num dos balanços, e estava chorando quando Yukito aparecera ao seu lado.
Ele tinha dito que percebera seus sentimentos por Kairi e conversara com ele, perguntando porque não lutava pelo o que queria.
“É fácil falar. Você não sabe o quanto eu gosto dele” Gritara, saltando do balanço “Você acha que eu não peço todo as noites pra esse sentimento ser apagado do meu peito? Porque eu peço... Mas não adianta!” Dissera, apertando o próprio peito, acima do coração, tentando engolir o choro.
Então Yukito lhe propusera aquela relação, dizendo que se sentia atraído por ele, e que seria mais fácil esquecer Kairi namorando outra pessoa. Rejeitara a idéia sem pestanejar, mas Yukito lhe agarrara pela cintura e lhe beijara firmemente, mas sem ser violento. Até tentara resistir, mas quando viu estava correspondendo e acabou por aceitar a proposta.
Fora seu primeiro beijo de verdade, e agora se via naquela relação diferente com o senpai. Eles continuavam amigos, conversavam muito, não era só agarração. Seichiro até achava que podia vir a gostar mesmo do mais velho, mas sabia que nunca realmente esqueceria seus sentimentos por Kairi. Eram muito profundos e estavam muito enraizados em seu peito para simplesmente sumir de um dia para o outro.
Balançou a cabeça. Não era hora de ficar envolvido em pensamentos, ainda tinha que entregar o jornal nas turmas que ficaram pra ele. Se adiantou até a porta, desligou as luzes, e fechou a porta.
***
Aula de física. A aula mais terrível. Pelo menos, essa era a opinião de Kairi. A matéria parecia Grego pra ele, e o professor ainda não ia muito com a sua cara. Estava no seu lugar de sempre, sentado numa das últimas carteiras, perto da janela que dava pro pátio da escola. Olhava pra fora, completamente alheio ao que o professor estava dizendo. Já estavam no fim da aula, e ele já tinha mandado fecharem os cadernos.
- Cara. — Ouviu Shun chamando e se virou na carteira — Posso fazer esse trabalho com a Hana-san? Eu realmente preciso dessa nota. — Pediu Shun, puxando seu ombro da carteira de trás.
- Que trabalho? — Perguntou, tirando os olhos das árvores do pátio que já começavam a perder as flores, estavam prestes a entrar no inverno.
- O trabalho em dupla que o professor acabou de passar pra próxima aula, que vale um quinto da nota final. Você tá dormindo acordado mesmo, né? — Riu do amigo — Posso ou não? — Voltou a perguntar
- Hã... Claro. Eu me viro. — Disse, vendo o amigo agradecer, antes de levantar e ir falar com Hana, que era uma das melhores alunas da turma.
Olhou pra frente, pensando com quem iria fazer dupla. Sem Yume e Kana ali, ele não sabia a quem pedir ajuda. Olhou pra frente e viu Seichiro sentado alguma cadeiras de distância. Ele estava em pé, arrumando a mochila. Ele era bom em física, não era?
Kairi franziu as sobrancelhas, notando que não conseguia lembrar se o amigo tinha facilidade na matéria ou não. Sentiu um pouco de culpa ao notar que não vinha prestando atenção no amigo, enquanto ele sempre lhe perguntava como estavam nas notas e sempre ajudava, lhe dando resumos ou pedindo pra alguém ajudá-lo.
Andou até a mesa dele, e se sentou na mesa do lado, sem ser notado.
- Seichiro. — Chamou, e viu ele se sobressaltar, antes de virar pra lhe ver — Posso fazer esse trabalho com você? — Pediu
- Achei que você ia fazer com o Shun. — Murmurou Seichiro, terminando de fechar a mochila, sem olhar nos olhos de Kairi, e tentando soar o menos ciumento possível.
- Ele precisa dessa nota, e eu também. — Explicou, seguindo o moreno para o corredor. — Então, faz comigo?
- Eu estava pensando em fazer sozinho, mas já que você precisa da nota. — Abriu um dos armários do corredor — Agora eu tenho química avançada, depois a gente conversa sobre isso. — Trocou os livros e fechou o armário.
- Pode deixar. Mas, ei, quando você passou pra química avançada? Que demais. — Perguntou franzindo as sobrancelhas, mas feliz pelo amigo, as turmas avançadas eram muito difíceis. Como não tinha notado a falta de Seichiro na aulas de química básica?
- Mês retrasado. Tenho que ir, o professor não tolera atrasos e eu gosto dessa aula. — Respondeu, colocando a mochila preta no ombro esquerdo.
- Ah, ok. Agora eu tenho...
- Cálculo dois, do outro lado da escola, é melhor você correr. — Seichiro completou por ele, indicando o relógio em cima dos armários, com um leve sorriso divertido no rosto.
- Ah! Certo! A gente conversa no intervalo. — Virou e saiu apressado.
O moreno suspirou. Algumas coisas nunca mudavam.
Kairi pegou os livros em seu armário e se adiantou até a sala. Sentou-se na cadeira ofegante. Tinha corrido do armário de Seichiro até ali pra não se atrasar. Acalmou a respiração, e começou a arrumar o material na mesa, enquanto pensava.
A culpa que tinha sentido na sala, voltou e aumentou ao perceber que não sabia da mudança no horário do amigo, enquanto ele obviamente lembrava das suas aulas e onde eram. Suspirou enquanto balançava de leve a cabeça. Seichiro sempre fora assim, preocupado e dedicado. Não era surpresa que ele estivesse numa turma avançada. Lembrava que, quando ele escolhera entrar no time de basquete, tinha sido o moreno que tinha ajudado-o, apesar de não saber nada de basquete, nem ser muito bom em qualquer atividade física. Diferente da irmã.
Apesar de gêmeos, Kana era um pouco mais alta e tinha uma estrutura óssea mais angulada, e o corpo magro e musculoso. Seichiro era uns cinco centímetros mais baixo que Kairi, era esguio, com pernas e braços longos, e corpo curvilíneo.
Riu baixinho. Seichiro lhe parecia tão pequeno e frágil que se tentasse fazer qualquer tipo de esporte, ia acabar se machucando. Kairi saiu de seus pensamentos ao ver o professor entrar em sala e a turma ficar silenciosa.
***
- Cara, graças a Deus que a Hana-san topou fazer aquele trabalho comigo. Agora a nota tá garantida, do jeito que ela é inteligente. — Suspirou Shun, enquanto se sentava numa das mesas do pátio, durante o intervalo. — Vai fazer o trabalho com quem? — Perguntou para Kairi, que comia seu sanduíche concentrado.
- Com o Seichiro, otouto da Kana-chan.
- Ah, sei quem é. Mas ele é inteligente? Kana não é de falar muito sobre ele. — Perguntou enquanto desembrulhava seu próprio lanche
- É. — Respondeu rapidamente, ao ver Seichiro do outro lado do pátio, caminhando com um garoto da equipe de atletismo, que não lembrava o nome. — Já volto.
Andou rapidamente até o moreno, antes que ele saísse de seu campo de visão. Alcançou-o rapidamente.
- Seichiro! — Chamou, vendo o moreno olhar pra trás, junto com o outro e pararem. Se adiantou até eles.
- Ah, Kairi. Já ia mesmo atrás de você pra falar do trabalho. Me dá só um minutinho? — Virou-se para o cara da equipe de atletismo sem esperar a resposta. — Sobre as fotos pra edição de depois de amanhã, podemos tirá-las hoje mesmo, mais tarde. Depois a gente combina uma hora. — Informou, voltando a virar-se para Kairi, mas antes que pudesse falar, foi interrompido por pigarro do mais velho — Que é? — Kairi viu o moreno erguer as sobrancelhas, pra depois bufar irritado enquanto revirava os olhos e virava de novo para o castanho. — Kairi, esse é Yukito-senpai, do terceiro ano, capitão da equipe de atletismo e fotógrafo principal do jornal. — Apresentou parecendo mau humorado. — Yukito, esse é Kairi, capitão do time de basquete e um amigo.
- É um prazer, Kairi-kun. — Cumprimentou Yukito
- Yukito-senpai. — Fez uma reverência curta.
- Pronto. Já apresentei vocês. Agora, vai andando. — Seichiro disse secamente, e abanou as mãos, indicando que Yukito deveria ir.
- Seu desejo é uma ordem, Sei-chan. Nos vemos mais tarde. — Piscou o olho para o moreno, fazendo uma mesura brincalhona e virou-se, andando até um grupo de meninos que também faziam parte da equipe de atletismo.
Kairi deu uma risada curta, apesar de não de gostado do tom íntimo do outro, nem do modo que Seichiro se referira a ele. ’Um amigo’, como se fosse apenas um colega qualquer.
- Diferente esse senpai, hein? — Perguntou, tentando fazer o moreno tirar a expressão mau-humorada da cara. E conseguiu.
- Você nem imagina. — Suspirou, e colocou uma mão na cintura ainda mirando a figura do mais alto. — Sobre o trabalho, pode ser depois de amanhã, na minha casa, depois da escola. Eu tenho essas fotos hoje e eu sei que você tem treino pro jogo de semana que vem. — Comentou, finalmente mudando de expressão.
- É melhor assim, mesmo. Vamos direto pra sua casa depois daqui, então? — Perguntou, pra logo depois ouvir o sinal bater. Viu Seichiro assentir, antes de acenar e se dirigir para a próxima aula. Kairi voltou a correr para seu próprio armário, atrás dos livros que tinha esquecido.
***
Quarta-feira, Kairi estava terminando de arrumar seus livros no armário quando ouviu seu nome. Olhou pra trás e viu Seichiro andando na sua direção.
- Pronto pra ir? — O moreno perguntou parando ao seu lado, com a mão na alça da mochila, que estava jogada pelo ombro esquerdo.
- Só deixa eu terminar aqui... — Murmurou, terminando de trancar o armário — Pronto, podemos ir! — Colocou a mochila nos ombros, e ambos se dirigiram para a saída.
Pelo caminho várias meninas davam risinhos para Kairi, que sorria e acenava pra elas, meio sem-graça.
- Uau, você é mesmo uma celebridade, né? — Perguntou Seichiro, brincando com uma mecha do próprio cabelo.
- Ah, é só porque estamos perto de um campeonato. Fora da temporada o pessoal até esquece. — Respondeu Kairi, enquanto saiam da escola e começavam a caminhar sob a calçada.
- Sei. — O moreno deu um risinho, mas não disse mais nada.
Kairi aproveitou o silêncio pra observar Seichiro. Sentia como se fizesse semanas sem ver o moreno, apesar de vê-lo todo dia.Quando tinha parado de ir pra casa com ele ? Não conseguia lembrar.
O moreno parecia mais alto também, apesar de ainda não tê-lo alcançado. E, principalmente, não lembrava quando o moreno tinha começado a agir daquele jeito mais fechado. Seichiro nunca fora exagerado ou barulhento, mas Kairi se lembrava que ele conversava e sorria mais.
Agora ele parecia mais sério. Tinha um tom mais escuro e mais profundo nos olhos acinzentados do moreno. Usando uma calça jeans azul escura, uma camisa preta e o casaco azul marinho listrado por cima, com a mochila jogada num dos ombros, Seichiro passava uma aura desleixada, confortável, mas, ao mesmo tempo, séria e um pouco reservada. E até misteriosa, com os cabelos jogados pra dentro do casaco, parcialmente escondidos.
- Espera só um pouquinho pra eu achar a chave... — Murmurou Seichiro, quando pararam em frente da porta, e ele remexia a mochila atrás do objeto. — Ah! Achei.
Abriu a porta, jogou a mochila dentro do armário ao lado da porta e tirou os all star de jeans, sendo imitado por Kairi.
- Você lembra onde é meu quarto; pode ir subindo. Vou na cozinha e já subo. — Avisou Seichiro, virando para esquerda, e entrando na cozinha, enquanto Kairi se adiantava pela escada para o andar de cima, até o quarto do menor. Entrou e se encostou na porta.
“Para com isso, Kairi. Como se fosse a primeira vez que estivesse aqui. Relaxa.” Pensou, respirando fundo. Olhou em volta pela primeira vez e arregalou os olhos. O quarto de Seichiro estava muito diferente!
Quer dizer, continuava com a mesma cor e as mesmas coisas, mas estava recheado de fotos e recortes. Andou até a escrivaninha e se inclinou para o mural preso na parece em cima o móvel. Ali estava algumas fotos antigas, de Seichiro com Kana e ele, dos gêmeos sozinhos, dele e do Kairi quando pequenos e, a que parecia mais nova era a de Seichiro com Yukito.
Estavam os dois no que parecia um parque de diversões. Seichiro estava com uma careta engraçada no rosto, Yukito tinha as mãos nos ombros dele e o queixo encostado no topo da cabeça do moreno, com um sorriso aberto no rosto. O céu escuro servia de fundo, com estrelas espalhadas, e entre eles e o céu estava o parque todo iluminado. A foto era bonita, mas Kairi franziu o cenho. Aquela foto lhe lembrava outra. Uma que tinha em seu próprio quarto. Dele com Yume, a única diferente era que ele abraçava a namorada por trás pela cintura.
- Kairi, se quiser almoçar mais tarde tem comida pra gente e... O que você ta fazendo aí? — Perguntou, ao ver Kairi inclinado contra sua escrivaninha.
- Só ‘tô vendo. Não lembrava que tinha tanta coisa nessas paredes. — Apontou as fotos e os recortes com o polegar
- Ah, é que desde que eu virei editor-chefe do jornal eu recorto as matérias que eu mais gosto, ou as mais populares e coloco aqui pra nunca esquecer. E essas fotos são de matérias e outras coisas que o Yukito-senpai tirou. — Respondeu com descaso, indo até o armário — Vamos começar a fazer o trabalho logo? Quero fazer antes do almoço. — Colocou os livros de física em cima da mesa.
- Claro. — Kairi assentiu se sentando na cadeira.
~xx~
- Vai ficar pronto em cinco minutos! — Kairi ouviu Seichiro gritar do andar de baixo. Eles tinham acabado o trabalho fazia uns quinze minutos, e o moreno descera na frente, dizendo que ia cozinhar alguma coisa rápida pra eles almoçarem.
Kairi olhou para o relógio preso na parede do banheiro e riu sozinho. Três horas da tarde. Belo horário pra almoçar.
- Já vou descer! — Gritou de volta.
Secou as mãos e saiu do banheiro. Desceu as escadas de dois em dois degraus, cantarolando uma música qualquer. Passou pela porta e se jogou numa das cadeiras da sala.
- Que cheiro bom, o que você... — Kairi perdeu a fala por um instante ao ver Seichiro tirar a cabeça de dentro da geladeira e fechar porta do eletrodoméstico.
Seichiro estava usando um avental amarelo, e tinha tirado o casaco. Os cabelos lisos e negros escorriam até um pouco abaixo do quadril, e estavam presos por um elástico no alto da cabeça do moreno, e a franja meio longa caia um pouco sobre os olhos. Mesmo quando Seichiro arqueou as sobrancelhas bem desenhadas, Kairi continuou em silêncio, meio engasgado, olhando estupefato para o mais baixo.
- Espero que ainda goste de suco de melancia porque é a única coisa que tem na geladeira. — Apoiou a jarra em cima da mesa, para depois desamarrar o avental — Fiz yakissoba e piquei um pouco de couve. Não tem muita coisa aqui em casa, então vai ter que ser isso mesmo. — Continuou, enquanto se sentava de frente para o maior.
Enquanto abria as travessas, notou que Kairi ainda lhe olhava com a boca entreaberta, piscando lentamente. Remexeu os ombros, incomodado com aquele olhar.
- Que foi? — Perguntou e viu Kairi balançar a cabeça, como que querendo se livrar de pensamentos
- Nada. — Respondeu, e continuou antes que pudesse se conter:- Seu cabelo cresceu bastante. — Murmurou, meio constrangido
Isso fez Seichiro ruborizar, o que fez Kairi encará-lo ainda mais. Como alguém podia ser tão bonito?
- Ah, isso. — Seichiro falou baixinho, pegou uma mecha e enrolou no dedo — Acha que ’tá estranho? ’Tava pensando em cortar... — Disse, ainda corado
- Não! — Exclamou Kairi, fazendo o moreno se sobressaltar. — Desculpe. Quero dizer, tá muito bonito. Não precisa cortar. — Se explicou, corando de leve também.
“Que droga, Kairi, pare de corar como se fosse um adolescente de 10 anos! Esse aí o Seichiro, seu melhor amigo desde... Desde sempre, oras!” Kairi pensou, enquanto se servia, querendo mudar de assunto.
- Será que o professor vai gostar do trabalho? — Perguntou, se forçando a parar de corar, enquanto Seichiro já parecia mais recomposto.
- Acho que sim. Pelo menos, fizemos o nosso melhor. É pra amanhã, então, logo a gente descobre. — Respondeu Seichiro, com uma segurança que Kairi gostaria de ter. Ah, ser bom aluno deveria muito bom. — Você tem um jogo no sábado, não é? — Perguntou o moreno
E Kairi agradeceu por passarem pra um assunto que fosse fácil pra ele discutir. O basquete nunca lhe deixava na mão.
- Tenho. É a semi-final, e o treinador ‘tá virando um carrasco, pegando pesado, mesmo. Mas acho que a gente consegue. — Respondeu, orgulhoso do time que era capitão. — Foi por isso que você ’tava conversando com o Sensei na semana passada, né? Foi perguntar por causa do jornal.
Seichiro engoliu o suco, e limpou os lábios, antes de responder
- Foi. Como editor-chefe, tenho que fazer as entrevistas mais importantes e organizar todo o resto. — Disse, também orgulhoso de seu cargo.
- Verdade. Você foi promovido, não foi? — Seichiro assentiu feliz — Deve ser difícil. Quero dizer, toda a responsabilidade que você tem agora. — Comentou.
- Conciliar o estudos e o jornal é meio difícil, mas eu me viro bem. E eu tenho muita ajuda do Yukito-senpai. — Acrescentou pensativamente. — Sem ele, acho que não teria passado pra química avançada. — Terminou, e arqueou as sobrancelhas ao notar a careta que Kairi fez.
- Esse Yukito-senpai te ajuda bastante. E se ele tiver segundas intenções? — Perguntou brincalhão, querendo descontrair. Mas estranhou ao ver Seichiro corar fortemente e levantar da mesa, levando os pratos pra pia.
- Como assim? — Perguntou o moreno meio engasgado.
Será que Kairi sabia de alguma coisa? Agora Seichiro estava começando a se sentir desesperado.
- Ele pode querer te usar pra ficar mais popular, ou conseguir notas melhores, sei lá. — Respondeu Kairi, dando de ombros.
Seichiro respirou fundo e se forçou a voltar ao normal, antes que o mais alto realmente descobrisse alguma coisa.
- Ah, não. Acho que não. Eu confio no Yukito-senpai. Até porque, como eu poderia deixá-lo mais popular? Eu sou só... Bem, eu. — Respondeu Seichiro, enquanto lavava os pratos. — A popular e bonita por aqui é a Kana. Se ele quisesse isso, namorava com ela. — Comentou, sem maldade.
Kairi discordava. Quer dizer, claro, Kana era das líderes de torcida, e era popular, mas Seichiro era bonito. Ao ver Seichiro inclinando a cabeça para o lado pra soltar o cabelo, o castanho se corrigiu. Seichiro era lindo demais.
- Vai ter uma festa quando ganharmos esse jogo de sábado. Quer ir? — Perguntou. De repente, Kairi sentiu que tinha que recompensar o tempo perdido. Tinha ficado bastante tempo distanciado do amigo, e era hora disso mudar.
- Acho que não. Tenho umas coisas pra fazer aqui em casa, e eu não gosto de festas. São barulhentas e cheias de gente. — O moreno balançou a cabeça — Não vou, mesmo. — Disse convicto, ao se lembrar que Yume iria, muito provavelmente, estar lá.
- Ah, que pena. Depois eu te conto como foi. E ao jogo, você vai?
- Vou, mas só por causa do jornal. Quem deveria cobrir esse jogo era a Aiko-san. Mas ela ficou doente de última hora, pegou pneumonia. — Respondeu Seichiro, se sentando ao lado de Kairi.
- Que bom. Não me lembro qual foi a última vez que eu você foi assistir um jogo meu. — O mais alto amuou, cruzando os braços.
Isso fez o moreno franzir o cenho, se sentindo irritado.
- Eu fui no seu último jogo, mas você estava ocupado demais com Shun, seu melhor amigo, pra notar. — Respondeu ríspido. Se levantou, entrou no banheiro social, bateu a porta com violência e trancou-a.
- Seichiro, do que você está falando? — Kairi se levantou, surpreso com o rompante do menor — Você é meu melhor amigo! Você! — Repetiu, querendo demonstrar que não estava mentindo. — Não te vi no jogo, senão eu tinha falado com você. Porque não foi falar comigo? Você sabe que eu sempre tenho tempo pra você. Você é meu melhor amigo, Seichiro. — Afirmou novamente, encostando a mãos na porta trancada do banheiro.
Seichiro, que estava se encarando no espelho, colou a testa e os punhos na porta, antes de responder através da mesma.
- Mas não é isso que você mostra! Qual foi a última vez que você saiu do lado do Shun, da Yume-san e da Kana-nee-chan pra vir falar comigo nos intervalos, Kairi? — Perguntou, a voz se mostrando claramente magoada, mesmo o castanho a ouvindo meio abafada. — Porque você ainda é meu melhor amigo, mas não sei se você ainda me considera assim. Você pode não lembrar quando eu parei de ir a todos os seus jogos, mas eu lembro quando você parou de vir comigo depois do colégio. Foi depois daquele jogo em que você pediu a Yume-san em namoro. Eu lembro! Nunca mais me ligou nos fins de semana porque está sempre ocupado, e não sou que vou incomodar. Nem mesmo a Kana fala comigo direito depois que virou líder. — Agora a voz estava embargada, e Kairi conseguia imaginar a cara de choro de Seichiro. — Parece que você se mudaram pra outro planeta e me deixaram pra trás, sozinho. — Soluçou baixinho, e as lágrimas finalmente escaparam e escorreram pela face alva.
E pensar que tinha sido um comentário seu que tinha desencadeado tudo aquilo.
Se sentia culpado. Sabia que Seichiro não era do tipo que fazia amigos facilmente. Na verdade ele só conversava mesmo com Kairi, Kana e a mãe, ter perdido dois desses apoios deve ter sido difícil, pensou o mais alto. Porque Kana, apesar de morar na mesma casa, não dava mais atenção a Seichiro. O tratava como um primo distante, e não um irmão gêmeo, com quem tinha partilhado a maior parte da vida.
- Desculpe, Seichiro. — Pediu Kairi, encostando a testa na porta. Se encolheu ao ouvir outro soluço. Parecia que tinha agulhas no seu estômago. — Abre a porta, Seisei. — Chamou-o pelo apelido de quando eram pequenos.
Seichiro do lado de dentro, encarava seu próprio reflexo novamente, com os olhos úmidos e a respiração falha. Abriu a porta com a cabeça baixa, sem querer olhar nos olhos do mais alto.
- Olha pra mim. — Pediu o mais alto. Mas suspirou ao ver o moreno negar com a cabeça. — Seichiro, você é o meu melhor amigo. A pessoa mais importante depois dos meus pais. — Kairi viu o outro soluçar mais uma vez, e suspirou novamente. Se ajoelhou devagar e pegou as mãos de Seichiro. — Você me perdoa, Seisei? Me perdoa por não ter sido um bom amigo, por ter esquecido de você? Me desculpa? — Perguntou, tentando ver os olhos do outro, que estavam em baixo da franja negra.
Seichiro se surpreendeu e se emocionou com o pedido. Ainda mais ao ver Kairi se ajoelhar. Fungou e recompôs a respiração.
- Claro que perdôo, Kai-chan. — Disse, com a voz ainda meio falha. Acabou por se ajoelhar de frente para o amigo, ainda meio cabisbaixo. — Você não um amigo ruim. Só... Aconteceu. — Seichiro deu de ombros.
Kairi ficou infinitamente aliviado ao ouvir Seichiro. Em um impulso, envolveu-o num abraço de urso. O moreno arregalou os olhos com o contato, mas foi relaxando aos poucos. Retribuiu o abraço e apoiou a cabeça no ombro do maior.
- Agora, — começou Kairi, se afastando do moreno. — eu nunca mais quero te ver chorar. Ainda mais por minha causa, ok? — Kairi falou, passando os dedos pelo rosto dele, secando as lágrimas que tinha rolado. — Eu prometo, Seisei, que nunca mais vou fazer você chorar. E, se eu, por acaso, voltar a agir como um amigo ruim, pode acabar comigo. — Passou a mão na franja repicada do outro.
- Promete? — Seichiro se sentou no chão, se afastando e ofereceu o mindinho.
- Prometo. — Imitou o amigo, e uniram os dedos.
Se olharam nos olhos, e sorriram um pro outro. O moreno se esforçou pra não corar. Não queria dar nenhuma bandeira. Não agora, que as coisas estavam se ajeitando. Pior do que se apaixonar pelo melhor amigo, era não conviver mais com ele.
E Kairi sentia uma sensação boa. Um calor que envolvia seu coração. Nunca tinha sentido um sentimento tão suave, satisfatório e morno.
- Bem, vamos nos levantar. Daqui a pouco começa a ficar tarde e eu ainda tenho que fazer outros deveres. — Seichiro levantou, e bateu o pó imaginário da calça.
- Eu tenho que ir, mesmo. Hoje é meu dia de fazer o jantar lá em casa. Mas amanhã nós vamos juntos pro colégio. Vou passar aqui de manhã, me espera. — Avisou Kairi, já pegando a mochila.
- Se você insiste. — Seichirou soltou um sorriso feliz. Abriu a porta para o castanho, e quando ele chegou mais perto, se inclinou e o beijou na bochecha sem pensar. — Tchau, Kai-chan. — Despediu-se rapidamente ao notar o que tinha feito. Empurrou-o pra fora e fechou a porta, corando intensamente. — Idiota. — Resmungou pra si mesmo.
***
Do lado de fora da porta, Kairi tocou a bochecha com a ponta dos dedos, um sorriso se espalhando pelo rosto. Não sabia porque estava sorrindo, mas não conseguia tirá-lo do rosto.
Virou-se e começou a caminhar de volta pra sua casa, assoviando uma música dessas que toca no rádio, ainda com o sorriso no rosto.
Notas finais
Eu sei, eu sei...
Afe, vou tentar melhorar, mas por enquanto vai ser isso aí mesmo. Beijoooooos
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