Chance

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Não está betado. Não está revisado. Provavelmente, está cheio de erros e a formatação está errada. Desculpem-me.

Seichiro acordou cedo, ouvindo a barulheira que vinha da cozinha. Bocejou enquanto tentava achar o motivo de tanto barulho.

Ah, sim.

Sua irmã devia ter chegado do tal campeonato. Bufou irritado. Já não bastava ela ficar se exibindo toda e ser a melhor amiga da Yume, não. Tinha que vir atrapalhar o precioso sono do moreno.

Levantou e tirou o pijama, trocando por uma bermuda jeans justa nas coxas e uma blusa roxa bem escura, quase negra. Penteou os cabelos rapidamente e prendeu-os no topo da cabeça com um elástico qualquer que ficava jogado pelo quarto, bem pra essas ocasiões.

Desceu as escadas devagar, ouvindo a irmã contar animada como fora o tal campeonato pra mãe, a voz aguda, que por vezes irritava Seichiro, elevando-se de excitação.

- Bom dia. — Saudou ao pisar na cozinha. Imediatamente Kana se calou e virou para o irmão, franzindo o cenho.

- Seichiro-chan. — Cumprimentou sem sorrir. — Acordou cedo. — Comentou, sentando-se numa das cadeiras da cozinha.

- Verdade. Dormiu bem, querido? — Perguntou a mãe dos dois, com uma xícara de café nas mãos pálidas de unhas bem feitas.

- Dormi sim, okaa-san. Só acordei cedo por causa do barulho que vocês estavam fazendo, mas não tem problema. É melhor acordar de uma vez. — Disse, dando de ombros. Abriu a geladeira e inclinou-se para pegar a garrafa de suco de melancia. — Como foi o campeonato, Kana? Conseguiram uma boa colocação? — Perguntou, sem realmente ter interesse e sentou-se a mesa, começando a se servir.

- Sim, como eu estava falando, nós conseguimos nos classificar pras semi-finais. Eu e Yu-chan estamos confiantes de que vai ser fácil, mas a final... Não sei, acho que somos boas, mas não as melhores. — Afirmou, balando os ombros. — E você, fez alguma coisa boa enquanto estive fora? — Perguntou, também passando a se servir.

- Nada de diferente. A escola está em polvorosa por causa do jogo de amanhã e pela volta das líderes, mas nada fora do comum. O jornal também está dentro dos prazos. — Respondeu calmamente, terminando de tomar o suco. — Bem, vou arrumar minhas coisas, se quiser ajuda com alguma matéria que você tenha perdido, nee-chan, pode me pedir. — Avisou enquanto saía da cozinha.

Kana encarou a porta da cozinha por onde Seichiro tinha passado. Ela e Seichiro nunca tinham sido muito grudados, pelo menos, não como gêmeos deveriam ser. Personalidades diferentes demais. Não conseguia entender o jeito do mais novo.

- Ai, okaa-san, eu não entendo ele. — Lamentou-se Kana, quando teve certeza de que o mais novo já tinha subido e não podia escutar. — Às vezes ele é distante comigo e depois me chama de nee-chan. Não se decide. — Reclamou, escorregando na cadeira.

- Bem, Kana, foi você que afastou ele em primeiro lugar. — A mãe dela respondeu, erguendo os olhos negros para a filha mais velha.

- Eu? — Perguntou, apontando para o próprio eito com o polegar.

- Sim, Kana, você. — Respondeu suspirando. Já era hora de colocar alguma coisa na cabeça dela e ver se ela entendia. — Quem parou de almoçar com ele, parou de ir e vir da escola com ele foi você, Kana. Não o Seichiro. Foi você, e só você, que impôs essa distancia que existe entre vocês agora. — Ao ver Kana franzindo as sobrancelha, o olhar se tornando sério, suspirou mais uma vez — Kana, vocês dividiam o mesmo quarto sem nenhum problema, mas depois que você virou líder e começou a andar com essa Yume, você pediu pra trocar de quarto, lembra? Devia ter visto o quanto seu irmão ficou chateado de você ter decidido isso de uma hora pra outra. — Explicou, se servindo de mais café.

- Mas já estávamos grandes pra dividir o mesmo quarto. Afinal, não somos duas meninas, nem dois meninos, okaa-san. — Tentou se justificar.

- Sim, Kana, mas você simplesmente me pediu isso, sem falar com seu irmão. Ele ficou magoado de você tomar essa decisão sem nem menos falar com ele. — Respondeu séria

- Mas ele não falou nada...

- Ora, claro que não falou, Kana! Estamos falando de Seichiro. Você acha que ele ia te contradizer? Seichiro contradiz qualquer coisa que você peça pra ele? Mesmo que você viva fazendo pouco ele? — Perguntou, começando a ficar impaciente.

- Eu não faço pou-

- Claro que faz, Kana. Eu ouvi da última vez que aquela sua amiga, Yume, veio aqui. Ela ridicularizou seu irmão, por causa do cargo dele no jornal, e você nem o defendeu. No aniversário de vocês, você deu seu MP3 usado pro seu irmão, mas só porque queria pedir um Ipod novo pra mim, e ele fez um artigo especial no jornal da escola só pra você. Isso não é fazer pouco, Kana? — Perguntou, mudando o tom sério para um tom de bronca.

Kana piscou, meio estupefata. Era verdade, pensou. Qual fora a última vez que perguntara qualquer coisa ou fizera qualquer coisa para Seichiro sem ter segundas intenções? E mesmo quando Yume falava mal dele, sobre a pouca popularidade do irmão e do jeito estranho dele, ela nem sequer pensava em defende-lo.

- Mas... Mas eu- Eu não sabia, okaa-san. Não quis... — Murmurou, de repente se sentindo a pior irmã do mundo. Céus, quando começara a agir que nem aquelas patricinha de filmes infantis?

- Sei que não, Kana. — Suspirou, se erguendo da mesa. — Depois você pensa em algum jeito de recompensar seu irmão. Agora, eu tenho que ir trabalhar. — Pegou a pasta preta e beijou o topo da cabeça da filha — Seu irmão não te culpa de nada. Apenas vá com calma. — Aconselhou, indo para a porta da frente e saindo pra trabalhar

Kana apenas continuou olhando para o tampo da mesa, sem saber exatamente o que fazer.

- Okaa-san já saiu? — Seichiro perguntou, os cabelos agora presos num rabo de cavalo baixo e um casaco azul cinzento com listra brancas na mão. — O que você ta fazendo parada aí? Não tem ensaio da torcida hoje, antes do jogo? Se você não quer chegar atrasada, é melhor se arrumar. — O moreno passou por ela, indo encher um copo com água no filtro.

Kana encarou as costas do irmão, ainda meio perdida na conversa que tivera com a mãe dos dois. Balançou a cabeça, tentando mudar a direção de seus pensamentos, sem querer demonstrar o que se passava na sua cabeça.

- A okaa-san já saiu, sim. — Respondeu ao mais novo — Já estou indo me arrumar. Deixe de ser impertinente. A mais velha aqui sou eu, baixinho. — Bronqueou antes de se levantar e bagunçar os longos cabelos do mais novo.

Seichiro franziu o cenho, enquanto colocava o cabelo no lugar e via a irmã sair. Qual o problema daquela garota? Teve os pensamentos interrompidos pela campainha, congelou por um instante de nervosismo, antes de balançar os ombros, se achando ridículo por ficar nervoso. Não era como se fosse à um encontro, só estavam indo pra escola juntos. O pensamento mais o entristeceu que aliviou, mas fazer o que.

- Já vai! — Gritou, vestindo o casaco que ainda segurava, antes de correr pra pegar a mochila e abrir a porta.

- Ohayo, Seichiro! — Kairi cumprimentou, vestindo uma calça jeans clara e uma camisa de manga curta branca com desenhos abstratos em cinza.

- Ohayo, Kairi. Dormiu bem? — Perguntou, saindo de casa e fechando a porta atrás de si.

Aproveitou que ele virou de costas pra andar até a calçada pra analisar a figura toda. Como sempre, Kairi lhe deixava deslumbrado sempre que sorria. E aquela calça se ajustava perfeitamente à ele. O que eram aqueles ombros largos, as costas musculosas, a bunda-

Seichiro interrompeu seus próprios pensamentos, sentindo as bochechas esquentarem.

- Porque você está vermelho? — Kaige perguntou, franzindo as sobrancelhas. Droga, Seichiro pensou, tentando procurar alguma resposta que não fosse completamente ridícula. — Ah, deve ser esse casaco. Você nunca fica sem isso, não? — Ele questionou brincalhão, puxando de leve o tecido do casaco.

- Não gosto de ir pra escola sem casaco. — Respondeu na tom de voz baixo que lhe era característico, sentindo que o rubor em seu rosto abrandava. — As pessoas ficam olhando pra mim.

- Você não gosta? — Kairi perguntou — Que olhem para você, quero dizer.

- Não. Sei que sou magro demais e que meu cabelo é longo demais. Não preciso que fiquem me encarando para me lembrar disso. — Seichiro reclamou

Kairi fez uma careta. Seichiro devia estar enganado. Ninguém que o visse sem casaco podia pensar isso dele. Podia no máximo pensar que ele parecia uma menina, mas magro demais? Onde?

- Kana-chan já está em casa? — Kairi perguntou, querendo mudar de assunto

- Sim, chegou agora pouco. Pelo visto, ela e as outras conseguiram uma boa colocação. Estava toda feliz contando. Até me acordou de tanto barulho que fez. — Seichiro resmungou, mas tinha um sorriso leve nos lábios

- Posso imaginar. Às vezes ela e a Yume falam tão que me dá vontade de arrancar a língua das duas. — Kairi riu — Mas, sobre o trabalho, você trouxe, né?

- Tá na mochila, não se preocupe. Vamos tirar uma nota para sua mãe se orgulhar e emoldurar na parede. — Seichiro brincou, sabendo que a mãe do castanho era rígida com as notas

- Ela diz que, sendo eu, qualquer nota acima de C já é uma vitória. — Kairi resmungou

- Qual as matérias que você tem sentido mais dificuldade?

- Fisíca, Química e Literatura — Kairi fez uma careta — Não entendo na da de física, acho química muito complicada e literatura... Sei lá, não consigo entender esse negócio de poema, Shakespeare e etc.

- Hmmm... Em física, você pode pedir ajuda pra Yume-san, não? Sei que ela é boa nessa matéria... Química eu posso te dar uma mãozinha. Literatura... Minhas notas são boas, mas o Yukito-senpai que é bom nisso. Acho que ele topa te ajudar se eu pedir com jeitinho. — Seichiro comentou, feliz por poder ajudar o amigo

- Com jeitinho? — Kairi repetiu, franzindo o cenho

- É. Tenho os meus truques. — Seichiro riu, querendo disfarçar a cora que surgiu em rosto mais uma vez, pensando no “jeitinho” que ele usava pra convencer Yukito a fazer o que ele queria.

Kairi encarou o amigo, sem entender muito, mas resolveu deixar pra lá.

- O que você vai fazer hoje na hora do intervalo? — Kairi perguntou, andando no mesmo ritmo que o moreno

- Tenho que discutir com o senpai umas coisas do jornal e depois vou ficar na sala de jornalismo, porque tenho um período livre. — Seichiro respondeu, virando para encará-lo.

- Meu período depois do intervalo também é livre. — Kairi sorriu, feliz pela coincidência — Tem problema se eu ficar com você no jornal? Nunca entrei lá. — comentou, esperando que ele deixasse.

Queria passar mais tempo com o menor, convencê-lo de que realmente pretendia retomar a amizade dos dois, voltar ao que era antes.

- Acho que não tem problema... — Seichiro passou o dedos indicador pelo lábios inferior, pensando — É melhor do que ficar sozinho, de qualquer maneira.

Kairi sorriu, notando o quão confortável era andar assim com o menor. Era familiar, e, mesmo sem notar, tinha sentido falta daquela proximidade dos dois.

- Ah... — Kairi virou para Seichiro, que tinha uma expressão um pouco fechada no rosto — Acho melhor você ir. — ele suspirou, parando de andar e virando para o maior

- Hã? — Kairi, surpreso, notou que já tinham chegado na escola.

- Estão te chamando. — Seichirou moveu a cabeça, indicando para Kairi a entrada do colégio.

O maior olhou na direção que o moreno indicava e viu Shun o chamando com grandes acenos e ao lado dele estava sua namorada. Yume, sorriu e acenou, mas de modo menos espalhafatoso que o amigo.

- Vai lá com eles. — Seichiro disse calmo

- A gente se vê depois do intervalo? — Kairi perguntou, antes de começar a andar para os amigos

- Vou estar te esperando. — Seichiro respondeu.

Por um lado, estava chateado por Kairi ir com os outros dois, mas sabia que seria pedir demais que o outro simplesmente passasse a dar atenção só pra ele.

Observou Yume passar o braço pelo de Kairi, e beijá-lo na bochechas. Admitia, com desgosto, que a menina era bonita. Tinha cabelo castanhos claro cor de mel, com luzes douradas, que iam até o meio das costas. Olhos verdes claros, boca cor-de-rosa e de nariz pequeno. Era magra, alta e tinha um busto avantajado. Como Seichiro poderia competir com aquilo?

Suspirou e virou-se, indo para a sala do jornal, que tinha uma entrada pela lateral do colégio. Bem melhor do que se meter naquela multidão de alunos nos corredores.

***

Finalmente, Kairi pensou ao ouvir o sinal que anunciava o fim do primeiro tempo e o começo do segundo. Agora era a aula de física. A hora da verdade. Será que finalmente o professor ia dar uma nota alta para Kairi?

Tacou os cadernos da primeira aula na mochila e correu até a sala de física, se adiantou até seu lugar, a terceira cadeira na fileira da janela e se sentou, respirando fundo, tentando se acalmar. Aquele trabalho valia 20% da nota. Se tirasse um A, sua nota ficaria consideravelmente mais alta, se tirasse um F, ia ter que correr muito atrás.

Levantou a cabeça ao notar uma silhueta conhecida passar pela porta, e viu sua namorada, logo seguida de Shun passar pela porta. Ela se sentou na sua diagonal, segunda carteira da fileira ao lado da fila da janela. Shun sentou atrás dele, como já era costume.

Yume se virou e lhe dedicou um sorriso, antes de voltar-se para uma amiga das líderes de torcidas que sentava ao lado dela, e voltar a fofocar algum assunto banal. Shun apenas jogou-se na mesa, como era de costume, e aproveitou para cochilar antes que o professor entrasse na sala.

Kairi estava quase voltando sua atenção para o lado de fora na janela quando outra silhueta chamou sua atenção. Seichiro entrou, silencioso como sempre e sentou na segunda cadeira da segunda fileira ao lado da porta. Do outro lado da sala. Kairi franziu o cenho, desde quando Seichiro sentava naquela cadeira. Lembrava bem que no começo do ano ele sentava na primeira cadeira da fileira dele.

Se levantou e andou até a mesa dele, vendo-o mexer na mochila, sem olhar para cima.

- Seichiro. — Kairi chamou, fazendo o menor virar para ele e algo que parecia a sugestão de um sorriso apareceu nos lábios do moreno

- Oi, Kairi. — respondeu, feliz por ele ter vindo lhe cumprimentar. Já era uma mudança. Uma mudança muito bem-vinda para Seichiro, diga-se de passagem

Kairi viu que não tinha o que falar com Seichiro, por isso apenas encarou-o de volta, escaneando a própria mente atrás de algo que não fosse idiota para dizer. Deu graças a Deus quando o professor passou pela porta.

- Tchau, Seichiro. — despediu-se, correndo até sua carteira

Seichiro suspirou, dando de ombros para si mesmo. De volta a estaca zero. Bem, fazer o que?

- Bom dia. — O professor saldou, sendo respondido pela classe toda em coro — Podem vir me entregar os trabalhos que eu passei no início da semana. E, sim, Yume, eu sei que você estava fora, mas você vai ter que entragar o trabalho de qualquer maneira na semana que vem, ok? — perguntou, e viu a loira assentir.

Kairi viu Seichiro levantar e entregar ao professor, antes de voltar a se sentar. Encarou ansioso o professor ir recolhendo os trabalhos das duplas, querendo que ele simplesmente corrigisse o seu logo de uma vez.

- Enquanto eu corrijo os trabalho, façam a página 94 da apostila. Vou chamar as duplas aos poucos para falar das notas. — O professor informou, puxando o primeiro trabalho da pilha. O trabalho de Kaige e Seichiro.

Kairi se forçou a pegar a apostila e começar a fazer os exercícios. Olhou para frente e notou que Seichiro parecia completamente calmo, com a cabeça apoiada numa das mãos e fazendo o trabalho com a outra. Queria poder ter essa calma toda.

- Seichiro-kun, Kairi, venham até aqui, por favor? — chamou o professor, depois de uns quinze minutos.

Kairi se adiantou até a mesa do professor, e esperou Seichiro ficar ao seu lado.

- Essa dissertação sobre os princípios da física aplicados no mundo atual ficou muito boa. — Ele disse, e Kairi deixou sair um suspiro aliviado — Mas, Seichiro-kun, você não fez isso sozinho, fez? — O professor virou para o moreno, com uma sobrancelha levantada

- Não, senhor. Kairi me ajudou bastante. Foi ele que sugeriu o tema, na verdade. Fizemos em conjunto. — Seichiro respondeu, calmo e indiferente.

- Bem, vou acreditar na sua palavra. Kairi, parabéns, esse é seu primeiro A+ no semestre. — O professor sorriu para o castanho, que arregalou os olhos. Um A+ !? Uau. — Mas, agradeça muito ao Seichiro-kun porque sei muito bem que essa nota é mais dele que sua. Agora, vá para sua cadeira, tenho que falar algo com o Seichiro-kun. — Abanou a mão, dispensando o mais alto.

- Sim, obrigado sensei. — Virou-se e andou até sua cadeira, se segurando para não dar pulinhos, como uma criança.

- Seichiro-kun, posso lhe pedir um enorme favor? — O professor perguntou quando Kaige se afastou da mesa. Viu o moreno assentir, silencioso. — Você pode ajudar o Kairi com as provas finais que vão ter no próximo mês? Ele está mal na matéria e não quero ter que reprová-lo.

- Mas, professor, a namorada dele também é boa em física... — Seichiro tentou contrariar. Queria ajudar o amigo, mas tinha muita coisa para fazer e não tinha tempo para ficar pensando em outras coisas que não fossem as próprias provas e o jornal

- Eu sei, mas, Seichiro-kun, estudar com namorada nunca dá certo. Confio em você para fazer isso. É meu melhor aluno. — O professor insistiu, vendo o moreno suspirar.

- Certo, professor, eu ajudo, sim. — Seichiro concordou, balançando a cabeça.

- Ótimo. No fim da aula eu falo com o Kairi. Pode ir se sentar e, parabéns pela nota. — acrescentou sorrindo para o moreno, que retribuiu timidamente, agradecendo em voz baixa

***

Kairi ficou feliz em ouvir o sinal que avisava o começo do intervalo. Correu para a mesa de sempre, a que ficava com Shun, Yume, Kana, e mais alguns amigos do basquete e das líderes. Mas estava ansioso mesmo para o período que tinha livre depois do intervalo.

Ouviu paciente Kana e Yume contarem como fora o campeonato. Falarem sobre as roupas, as coreografias e todas aquelas coisas femininas que Kairi não entendia e não gostava.

Na realidade, Kaige e Yume namoravam, sim. Mas não eram melhores amigos. Se viam na escola, e iam juntos nas festas, ficavam se beijavam e tudo mais. A loira até mesmo ia na casa dele às vezes para estudar. Mas eles não conversavam muito.

Talvez fosse porque eles nunca ficavam sozinhos, sempre tinham Kana, Shun ou qualquer outra pessoa com eles. Mas quando ficavam sozinhos, não tinham muito assunto. Ficavam em silêncio, ou simplesmente ficavam, mas Kairi estava começando a ficar cansado daquela rotina.

- Ouviu, Kairi? — Yume perguntou, jogando o cabelo por cima do ombro e olhando para ele.

Salvo pelo gongo, Kairi pensou ao ouvir o sinal bater. Se despediu rapidamente, dizendo que tinha uma coisa importante para fazer e decolou do pátio, antes que eles tivessem tempo de que perguntar que coisa era essa.

Chegou na porta onde achava que era a sala de jornalismo, levando em conta a placa na porta. “AOI NEWS” dizia a placa feita de cartolina e canetinhas coloridas.

Empurrou a porta e ficou aliviado ao notar que estava destrancada, entrou rapidamente, sem chamar atenção de ninguém no corredor. A sala estava silenciosa, com exceção do zumbido das máquinas.

Manteve-se em silêncio, querendo pregar uma peça em Seichiro, e se esgueiro para dentro do estúdio do jornal. Estava escuro, as únicas luzes presentes eram as emitidas pelo monitores dos computadores, mas Kairi conseguiu enxergar muito bem o que estava a sua frente.

De costas para ele estava Yukito — Kairi o reconheceu pelo cabelo característico — e o castanho podia perceber que o mais velho estava abraçado a alguém. Resolveu se retirar, surpreso pela cena, mas uma voz lhe chamou atenção quando estava para sair pela porta.

- Yukito-senpai, o sinal já tocou... — Kairi se virou, reconhecendo a voz de imediato.

Yukito se moveu, dando vista completa de Seichiro, que estava corado e passava as mãos pelos cabelos, colocando-os no lugar. Kairi notou que eles estava sem o casaco, e olhando melhor, viu-o caído no chão, aos pés do moreno.

O senpai abaixou-se e pegou o casaco, devolvendo-o para o menor, logo em seguida. Kairi tentava assimilar a cena a sua frente quando Yukito se inclinou para Seichiro, aproximando os rostos. Perto demais.

Kairi congelou onde estava, sentindo o sangue gelar na veias ao ver Seichiro bufar e colar os lábios com os do mais alto, beijando-o de leve. Yukito o beijou na bochecha, bem de leve e riu quando Seichiro bufou novamente.

Devagar Kairi andou para trás, saindo silencioso da sala, agradecendo a Deus que não tivesse sido notado pelos dois. Agradeceu mais um vez aos céus ao notar que o corredor já estava vazio.

Soltou o fôlego que nem sabia que estava prendendo e tempo colocar os pensamentos no lugar. Certo, vamos passo a passo.

Kairi tinha entrado na sala de jornalismo. Tinha visto Yukito com alguém. Esse alguém era Seichiro. E eles estavam se beijando. Certo, até aí tudo bem. Kairi não tinha problema com os fatos.

Mas ele tinha sérios problemas com a perguntas que estavam borbulhando em sua cabeça. O que era aquilo? Seichiro namorava o senpai? Eles eram namorados? Estavam juntos? Desde quando? Como Kairi não sabia disso? E a mais importante: Porque Seichiro não tinha lhe contado?

Notas finais
Desculpem, mas meu PC tá dando pau e a formatação deve estar toda ruim. Quando concertarem o pc eu concerto a formatação desse capítulo. beijos, tchau tchau.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.