Chamas de Dezembro
1 Capítulo 1 - Faíscas
Notas iniciais
Eu sempre penso muito sobre a vida, oque acaba me fazendo ter algumas dúvidas sobre o universo, isso me deixa um pouco pra baixo, eu também nunca consigo me imaginar vivendo em uma fase adulta ou sendo mais velho, as vezes me assusta...mas a final de contas, o que não é assustador nesse mundo em que vivemos?
Uma das minhas únicas razões de ainda aguentar as surras da vida e continuar lutando, meus amigos, estão vindo para minha casa hoje, estudamos juntos desde a quinta série, normalmente eu não convido muito eles para minha casa, pois sendo um adolescente de dezesseis anos eu não esperaria que ninguém além de mim entrasse nesse quarto. Sou afastado de ficar mais tempo pensando sobre minha vida pelas batidas na porta da frente de minha casa, desci para atendê-los mas no meio do caminho eu vejo que minha mãe já esta atendendo eles com o maior sorriso no rosto, apesar de parecer surpresa pela visita inesperada, ela sempre diz que fica feliz de saber que eu tenho amigos para passar o tempo mas sempre parece que ela espera que eu traga pessoas diferentes pelo menos uma vez, mesmo sabendo que eles são os únicos com quem eu consigo me relacionar.
—Entrem meninos — Ela diz, se movendo para o lado da porta para eles entrarem.
—Valeu dona Ana — Um de meus amigos, Matheus, disse enquanto entrava para dentro da casa.
Outro de meus amigos, Miguel, entrou logo atrás de Matheus, apenas murmurando um oi para minha mãe e já indo em direção a meu quarto, não que ele não gostasse de minha mãe mas ele não é muito de falar com ninguém que não fosse eu, Matheus ou Gabriel, minha mãe não se importa mais porque acostumou já que ele vem aqui desde pequeno.
—Obrigado, Sra.Silva — Gabriel disse após entrar para dentro também, foi o último de meus amigos a entrar, também indo direto para meu quarto.
Todos haviam subido, eu estava indo também mas notei a expressão série de minha mãe que estava voltada para mim.
—Tenho que terminar um trabalho de um convite de uma missa de sétimo dia de uma garota e não quero vocês fazendo bagunça — Ela disse e me abraçou, logo após foi para sua área de trabalho mais conhecida como nossa sala e eu voltei para o meu quarto para me encontrar com meus amigos.
Abri a porta de meu quarto só para encontrar meus amigos mexendo nas coisas espalhadas pelo quarto, eu havia mudado muita coisa desde a última vez que eles estiveram aqui.
—Então, alguém tem planos pra hoje? — Eu perguntei a meus amigos enquanto me sentava em minha cama.
—Que tal a gente ir naquela floresta perto da escola?- Matheus sugeriu, botando um de meus funko pops de volta de onde tinha pegado.
Nós ficamos alguns segundos em silêncio, todos nós sabiam do que falavam sobre aquele lugar, os outros alunos diziam que lá era assombrado, amaldiçoado e que gente já morreu lá, é óbvio que sabíamos que isso era conversa de adolescente mas não queríamos admitir que la no fundo nós temos um pouco de medo daquela floresta já que ela era gigante e nunca se sabe.
—As pessoas não descartam coisas velhas lá? — Miguel perguntou.
—Sim, vai saber oque tem lá, a gente pode acabar se perdendo, é uma ideia estúpida — Gabriel disse, sendo a nossa voz da razão como sempre.
—Podemos achar algo legal lá — Matheus insistiu na ideia, apesar de não gostar da floresta, sua curiosidade estava maior que seu medo.
Os três se viraram para mim, que estava calado esse tempo todo enquanto eles discutiam entre si, pareciam estar esperando eu dar uma opinião sobre.
—Bom, não temos nada melhor pra fazer — Eu disse enquanto me levantava da cama.
Matheus ficou alegre de eu estar a favor dele, Gabriel nem tanto mas mesmo assim sabia que ele iria junto com a gente. Nos preparamos e fomos todos descer as escadas, Miguel que estava calado ainda, veio logo atrás de nós.
Começamos a ir em direção a floresta assim que saímos de minha casa, não era muito longe mas ainda teríamos que andar por um tempo. sempre que caminho até a algum lugar ou estou em algum transporte gosto de observar o movimento em volta, nossa vizinhança é bem pacata apesar de tudo, nunca houve nenhum crime grave por ali perto, quer dizer, pelo menos eu nunca vi ninguém comentar se houve algum crime ali por perto.
—Nossa, esse lugar fede — Miguel disse, sendo o primeiro a começar a entrar na floresta.
Me desliguei do mundo enquanto pensava de novo e nem havia percebido que já havíamos chegado, todos já estavam entrando na floresta então eu fui logo atrás.
—Você acha que a gente vai achar um corpo? — Matheus tentava deixar os amigos mais assustados do que já estavam, apenas para brincar com eles.
—Que horror Matheus — Miguel andava ao lado de Gabriel enquanto eu e Matheus andávamos um pouco atrás dos dois.
Matheus parou de andar aos poucos enquanto os outros dois iam na frente, ele parecia querer me falar algo então eu também parei.
— Obrigado por ter apoiado a minha ideia — Ele disse.
—Nós íamos vir aqui uma hora ou outra, só não sei porque você quis tanto vir hoje.
Eu e Matheus sempre fomos mais próximos um do outro do que Miguel e Gabriel, o maior motivo é devido a nós termos sido criados juntos, nós nascemos no mesmo dia e nossas mães são muito amigas desde aquele tempo.
Após oque eu disse Matheus apenas deu de ombros — Também não sei — ele continuou a andar logo após, antes de eu conseguir acompanhar o ritmo do andar dele, nós ouvimos Miguel gritar.
—Gente, olha oque achamos!
Eu e Matheus corremos até a direção dos dois, na nossa frente havia um pequeno rio e um monte de eletrodomésticos quebrados, coisas velhas e tralhas em volta. Eu me abaixei para botar a mão na água do rio que aparentava estar muito suja, eu mal havia botado a mão na água e já senti que havia muito lixo em baixo dela.
—Quem vocês acham que taca tanto lixo aqui? — Matheus perguntou.
— Não sei mas não deveriam fazer isso — Gabriel comentou enquanto olhava as tralhas no chão com uma expressão de nojo.
— Aquilo é material escolar? — Miguel perguntou olhando em direção a um monte de cadernos, apostilas e lápis.
Matheus pegou um dos cadernos que parecia estar sujo mais pela parte de fora, o folheou o caderno até parar em uma folha no meio do caderno. — Acho que são as coisas da sala do 3 ano. — Ele parecia ler as coisas escritas no caderno.
— Da sala inteira? — Gabriel perguntou, chegando perto do amigo com Miguel para olhar o caderno também, Matheus apenas confirmou com a cabeça um sim.
Eu estava prestes a me levantar para matar a curiosidade também mas antes decidi dar uma última olhada naquele rio, notei que havia alguma coisa dourada ali perto no fundo, eu instintivamente botei minha mão na água de novo e peguei o tal item.
— Que nojo Alexandre — Gabriel disse ao ver que eu havia pegado algo que estava na água ali — Vai saber oque tem nessa água.
Após o comentário de Gabriel, Matheus e Miguel viraram seu foco para mim também.
— O que é isso? — Miguel chegou perto de mim.
— Acho que é um... — Eu dei uma longa olhada novamente no que parecia ser um caderno, tirando o barro de cima da parte da frente, vendo que havia um grande ''diário'' escrito na capa. — diário ?
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