Notas iniciais
O último capítulo!
Obrigada por juntarem-se a mim e por gostarem ;)

CAPÍTULO XV

Eram quase 3h00min da manhã quando Draco abriu a porta de sua suíte para Hermione, que entrou na sala com expressão desafiadora.

Estava deslumbrante, é claro, com os cabelos soltos cain­do pelas costas, usando um vestido verde que aderia em todas as suas lindas curvas, o material diáfano delineando claramente o contorno firme dos seios empinados.

Deslumbrante e muito autoconfiante — e bastante abor­recida, Draco admitiu tristemente, vendo o rubor de raiva no rosto e seus olhos brilhantes enquanto ela permanecia de pé ali, enfrentando-o do outro lado da sala.

— Gostaria de se sentar? — ele convidou.

— Não vou me demorar. — ela disse rispidamente. Estava muito aborrecida, Draco constatou tristemente.

Principalmente com ele, mas um pouco consigo mesma, achava, por ter vindo ali.

— Já tomou bastante champanhe ou aceitaria mais um pouco?

Hermione olhava Draco impacientemente e essa impaciência era consigo mesma, ao se perceber sensibilizada com a apa­rência deslumbrante dele.

Os cabelos loiros, compridos demais, estavam ligeira­mente despenteados, como se tivesse passado os dedos por eles antes da chegada dela, sem o paletó do smoking e a gravata borboleta. A camisa de seda branca se ajustava per­feitamente nos seus ombros largos, as calças pretas talhadas para os quadris fortes e pernas compridas.

— Não, obrigada. — ela recusou. — Como disse, não vou ficar. — Ela olhou atentamente para Draco. — Fez um co­mentário intrigante mais cedo, Draco... algo sobre redenção? E vim saber o que quis dizer com isso.

Ele fez uma careta.

— Importa-se de eu tomar um pouco? — indicou o cham­panhe.

— Beba à vontade.

Isto ia ser mais difícil do que ele imaginara, Draco pensou.

Aos 20 anos, Hermione era muito jovem e também muito in­gênua e confiante; agora, oito anos mais velha, parecia con­fiar muito pouco — especialmente nele.

— Está muito tarde, Draco — ela salientou, sentando-se numa poltrona. — E estou realmente muito cansada — sus­pirou, exausta, encostou a cabeça no espaldar da cadeira e fechou os olhos.

Draco viu que isso era verdade, agora que as faces dela já não estavam coradas, e ele não via seus olhos lampejando de raiva. E aquele ar vulnerável, que notara três semanas atrás em Hermione tinha voltado.

Uma impressão que se dissipou imediatamente quando ela abriu os olhos e se endireitou na cadeira pronta para atacar.

— Então, o que ia me dizer, Draco?

Tanto. E, no entanto, tão pouco. Tudo que Draco queria dizer a Hermione podia ser dito em três palavras. Apenas três palavrinhas. Mas estava se adiantando, avisou a si mesmo; Hermione provavelmente riria na cara dele se lhe dissesse essas palavras agora sem se dar ao trabalho de explicar...

Sentou-se numa cadeira de frente para a dela.

— Antes de tudo, temos de retroceder oito anos...

— E por quê? — ela ficou tensa. — Foi há tanto tempo e isso certamente não tem nada a ver com as nossas vidas agora.

— Tem tudo a ver com o aqui e o agora. — ele insistiu. — Hermione, quando a deixei há três semanas, em vez de voltar para Cannes voei para os Estados Unidos.

E daí? Em que poderia interessá-la o que Draco fizera três semanas atrás ou em qualquer outra ocasião?

A boca de Draco formava uma linha fina e inflexível.

— Hermione, voltei a Los Angeles para ver Pansy Parkinson...

— Draco, não quero saber quem você foi ver! — Hermione disse-lhe violentamente, levantando-se numa reação imediata àquele nome. — Você é inacreditável, sabe? — ela o olhava, enfu­recida. — Não satisfeito em interromper minhas férias com Lily, você agora quer arruinar minha primeira noite de volta ao teatro também com seus pedidos enigmáticos para con­versar comigo. Por que não vai destruir a vida de outra pessoa ficando fora da minha, Draco? Que inferno! — ela disse furiosa. — Como ousa falar comigo sobre Pansy Parkinson?

Ele se inclinou à frente com o rosto muito sério.

— Hermione, estou tentando lhe dizer que nunca tive um caso com Pansy Parkinson. Só dormi com ela uma vez no dia do seu casamento...

— Isso é mentira, Draco — ela o interrompeu zangada.

— Não. Não é.

— Você estava tendo um caso com ela enquanto ainda estava comigo, droga!

— Sei agora que você pensava que eu estava...

— Não pensava nada, Draco. Nem imaginei — Hermione ga­rantiu, sua voz soando gelada. — Acabei de filmar mais cedo naquela manhã e fui para a sua suíte no hotel. Ela... Pansy abriu a porta. Estava nua... A cama estava desfeita... As rou­pas dela, espalhadas pelo chão.

— Mas onde estavam as minhas roupas, Hermione? — ele perguntou baixinho.

— Eu... Bem... Onde quer que você estivesse, obviamente estaria vestido! — ela descartou esse detalhe com um gesto da mão. — O que importa onde estavam, Draco? O importan­te é que você obviamente não as vestiu um pouquinho antes de eu chegar, porque você e Pansy tinham estado... Deus, ainda me dá enjôo saber que... Você estava dormindo com as duas ao mesmo tempo!

Draco curvou os lábios numa paródia de sorriso.

— Agora provavelmente não é a hora certa para salientar que o que você achava que eu fazia com as duas não tinha nada a ver com dormir...

Hermione estreitou os olhos.

— Só se quiser que eu arrebente esta garrafa na sua ca­beça!

O sorriso de Draco tornou-se um pouco mais genuíno.

— Talvez você devesse ter feito isso quando achou que ti­nha me pegado com Pansy. Pelo menos assim poderíamos ter conversado sobre isso quando eu recobrasse a consciência.

— Eu não poderia ter me sentado com você e conversado sobre o seu caso com Pansy Parkinson nem naquela ocasião, nem agora...

Não houve nenhum caso, Hermione. — Draco repetiu firme­mente. — Não antes. E certamente nem agora.

— Você...

— Não agora. E certamente não ha oito anos atrás — Draco insistiu calmamente seu olhar prendendo o dela. — Pansy tinha deixado mais do que evidente que era isso que ela que­ria, mas eu não estava interessado.

Ele retorceu a boca zombando de si mesmo.

— Eu só estava interessado na feiticeira castanha que balan­çou as minhas bases no primeiro momento em que a vi... Você, Hermione. — ele acrescentou, para que não houvesse a me­nor dúvida na cabeça dela.

Hermione examinou-o intensamente por vários segundos demorados, vendo apenas sinceridade na expressão dele. Sinceridade e uma súplica para que ela acreditasse finalmente nele.

— Então, você não foi para a cama com Pansy naquela manhã?

— Não. — disse Draco pacientemente. — Na verdade, até você mencionar o assunto três semanas atrás, não tinha a menor ideia de que era nisso que você sempre acreditou.

— Mas sei o que vi, Draco — Hermione insistiu. — Então, como explicar isso?

Ele se levantou irrequieto.

— Foi só quando você insistiu que eu estava envolvido com Pansy por semanas. Eu sequer suspeitava... Não com­preende Hermione? O que viu no meu quarto foi uma armação de Pansy.

Hermione sacudiu a cabeça numa negação;

— Não pense que pode me fazer de tola novamente, Draco.

— Posso lhe garantir que não é isso que estou tentando fazer. — Draco suspirou. — Naquela manhã, no hotel, Pansy convenceu uma das camareiras a deixá-la entrar na minha suíte e depois tirou toda a roupa e ficou sentada ali, espe­rando que eu voltasse absolutamente convencida de que, assim que chegasse, eu não poderia resistir a ela. — Fez uma careta. — Infelizmente, você chegou lá antes de mim. Mas, para não perder a oportunidade, Pansy modificou o seu plano e deliberadamente aproveitou-se dessa situação, dando-lhe a impressão de que eu e ela tínhamos passado a manhã juntos na cama e de que eu a enganava, Hermione, há semanas.

Hermione fitou-o, certa de que o que Draco dizia era fantástico demais para ser verdade. E, no entanto, ao mesmo tempo, também era fantástico demais para ter sido inventado.

Ela engoliu em seco.

— Por que ela faria uma coisa dessas?

— Pansy é conhecida por sempre querer... E conseguir... Realizar suas vontades. Por ter qualquer homem que desejar. Quando ela deixou evidente que me queria, tentei demons­trar que não estava interessado. Mas eu devia ter sabido... Adivinhado... Que Pansy não aceitaria isso, que faria algu­ma coisa. Eu não tinha absolutamente nenhuma ideia do que aconteceu no hotel naquela manhã Hermione, e foi por isso que fiquei totalmente atônito quando nos encontramos para al­moçar e você me disse que estava tudo acabado entre nós. Se eu tivesse pensado com mais clareza teria percebido imediatamente que algo estava errado... Que você devia ter uma razão para fazer o que fez.

Era incrível.

Tão incrível que talvez até fosse verdade?

Hermione olhou para o homem que amava. Para o homem que ainda amava! Umedeceu os lábios com a ponta da língua.

— Isso tudo é realmente verdade, Draco?

— Juro que é. — ele sussurrou agitado. — A única vez em que, estupidamente, dormi com ela foi porque já tinha me embebedado até ficar quase insensível no dia de seu casamento.

— Que confusão... — ela gemeu.

— É... — Draco concordou. — Desperdiçamos oito anos, Hermione. Oito longos anos!

Tinham sido muito longos para Hermione também, quase todos casada com um marido em quem não confiava mais, muito menos amava.

— Onde vamos a partir daqui? — Draco perguntou, quan­do ela permaneceu calada.

Por que ela não dizia alguma coisa? Qualquer coisa!

Porque aquele silêncio, agora que ela sabia a verdade es­tava acabando com Draco... Ela sorriu tristemente.

— Não vejo para onde possamos ir, Draco.

Ele fechou a cara.

— Por que não?

Hermione deu de ombros.

— Obviamente, as mentiras de Pansy precipitaram o fim de nosso relacionamento, mas duvido muito que teria durado por muito mais tempo de qualquer jeito.

— Como pode dizer isso, Hermione? — Draco perguntou feroz­mente com as mãos apertadas ao longo do corpo. — Como você pode possivelmente saber isso?

— Bem, não sei, é claro — ela admitiu. — Mas acho que é seguro dizer que nossas vidas eram tão diferentes antes quanto são agora. Você é o famoso Draco Malfoy...

— Você é a igualmente famosa Hermione Granger!

Hermione fez uma careta.

— Levei anos me transformando nela. Quando nos co­nhecemos, eu estava apenas começando, era relativamente desconhecida. Foi só com muito trabalho duro que construí o meu nome!

Draco a examinou intensamente.

— Por que trabalhou tanto, Hermione? Por que fez um filme atrás do outro, quase sem um intervalo entre eles, e você sempre exposta, suas fotos constantemente nas revistas?

A expressão dela ficou cautelosa.

— Parece esquecer que fiz um intervalo de dez meses — ela o lembrou. — Além disso, não foi você quem me dis­se há três semanas que eu precisava voltar a trabalhar, para que o público não me esquecesse?

Sim, ele havia dito isso. Mas a coincidência de ela fazer um intervalo na carreira depois de sua separação de Weasley era óbvia demais para passar sem comentário...

— Seu casamento com Weasley foi tudo que você esperava que fosse? — Draco insistiu.

— É óbvio que não visto que nos divorciamos recente­mente — ela respondeu, de má vontade.

— Mas ficou casada com ele por mais de sete anos...

— Draco, estou... Feliz por saber o que realmente aconte­ceu oito anos atrás, mas isso não lhe dá o direito de saber qualquer coisa sobre o meu casamento com Ronald — disse Hermione, defensivamente. — Na verdade, acho que já é hora de me despedir...

— Hermione, naquela manhã eu tinha ido comprar um anel de noivado para você.

Hermione ficou imóvel.

Absolutamente imóvel.

Draco não podia ter dito isso assim — não podia...

— Está aqui, Hermione. — ele continuou, emocionado, pegan­do o paletó para tirar um estojinho do bolso. — Tenho até o recibo aqui para lhe mostrar a data em que o comprei.

Hermione endireitou-se abruptamente para fitá-lo em estado de choque absoluto. Draco tinha comprado um anel de noiva­do oito anos atrás para ela?

— Aquele dia... — ele se interrompeu fechando os olhos brevemente antes de reabri-los para olhá-la. — Pre­tendia pedi-la em casamento quando saíssemos para al­moçar e guardava o anel no meu bolso para lhe dar, caso você dissesse sim. Mas, antes de poder fazer isso você medisse que estava tudo acabado entre nós! — Ele sacudiu a cabeça. — Fiquei tão atônito... Tão magoado... Que nem perguntei por que estava fazendo aquilo. Quando recobrei o juízo o bastante para buscar respostas, você já estava saindo com Weasley. E, quando anunciou seu noivado com ele achei que isso tornava desnecessária qualquer expli­cação entre nós.

Hermione o fitava imóvel, quase sem respirar.

Draco retorceu a boca.

— Não se preocupe, não carreguei este anel comigo todos esses anos como um garotinho apaixonado... Na verdade, se estivéssemos no Caribe na ocasião, provavelmente teria atirado esta droga no meio do mar! Mas eu o conservei, Hermione. — ele disse, comovido. — Pelo menos para me lem­brar como o amor pode ser volúvel.

Hermione engoliu em seco o sangue martelando tão alto em suas veias que quase a ensurdecia.

— Amor, Draco...? — Ela finalmente conseguiu perguntar baixinho.

A expressão dele se suavizou.

— Eu estava completamente, profundamente apaixonado por você, Hermione. Sabia que desejava passar o resto da vida com você.

E, em vez disso, apenas semanas mais tarde, Hermione tinha se casado com outro homem.

Porque acreditou nas mentiras de Pansy Parkinson.

— Isso... Isso é simplesmente inacreditável, Draco.

— É A VERDADE DROGA! — Draco bradou violentamente com um brilho feroz nos olhos. — Olhe o anel se não acredita em mim — abriu o estojo, revelando uma esmeralda enorme cercada de brilhantes. — Uma vez me disse que a esmeralda era a sua pedra predileta. — ele acrescentou asperamente.

— É lindo. — ela sussurrou, emocionada.

— Também achei. — ele concordou fechando o estojo e atirando-o na mesa. — Pelo menos agora você pode compre­ender as minhas acusações amargas sobre o seu casamento com Weasley.

Hermione entendia bem demais. Mas o que fazer a seguir? Não tinha a menor ideia do que Draco sentia por ela agora.

— Para responder à sua pergunta de antes, Draco, não, meu casamento não foi nada do que esperava.

Draco olhou-a cautelosamente sem deduzir nada daquela afirmação. O problema era que ele não tinha a menor ideia do que Hermione pretendia.

Hermione sacudiu a cabeça.

— Como seria possível o casamento ser feliz, quando me casei com ele ainda apaixonada por você?

Draco sentiu o coração mais leve.

— Hermione...?

— Não. Deixe-me terminar, Draco. Disse-lhe há três se­manas que não podia lhe contar nada, mas, depois do que acaba de me dizer, acho que devo uma explicação também. Casei com Ronald porque ele me pediu e eu estava com­pletamente arrasada com o que pensava ser a sua traição. No princípio, nos demos bem até eu descobrir o vício dele pelo jogo. Nem desconfiava quando nos casamos, porém, meses depois, descobri que ele jogava cada dólar de que dispunha e até o que não dispunha. Eu tinha começado a ganhar muito dinheiro e, trabalhando quase exclusivamen­te para a produtora dele, acumulava muito dinheiro na sua conta corrente.

— Foi por isso que trabalhou tanto todos esses anos? — Draco percebeu, furioso.

Ela concordou.

— Eu me culpava, porque simplesmente não conseguia amá-lo. — evitou o olhar penetrante de Draco determinada a dar aquela explicação até o fim. — Quando Ronald percebeu o quanto estava viciado, confessou-me tudo e prometeu que ia parar.

— Mas não parou — Draco disse lentamente.

— Não. — ela suspirou. — Apenas escondia melhor. E eu não o vigiei o bastante. Para mostrar minha confiança nele, tínhamos uma conta conjunta e... há cerca de um ano... Descobri que ele estava tirando dinheiro escondido da conta, para jogar... E perdeu... Tudo.

— Deixando você sem dinheiro, também? — ela sorriu tristemente.

— Não. Não fiz a estupidez de botar tudo que ganhava na conta conjunta e trabalhei muito nos últimos anos Draco. Depois do incidente com a conta conjunta percebi que nada do que eu dissesse ou fizesse ia fazer Ronald parar e eu ti­nha a esperança de que, ao finalizar o nosso casamento, esse choque o faria parar.

— E fez?

— Parece que não. — Hermione disse inexpressivamente. — Aquele dia ele foi à vila para me pedir dinheiro...

— Foi isso que quis dizer quando disse que não era você que Weasley queria de volta?

— Foi.

— Você não lhe deu mais dinheiro, deu? — ele pergun­tou, irritado.

Todos esses anos ele pensara que Hermione pelo menos era feliz com a escolha que fez. Agora parecia que, assim como Draco, ela havia sido muito infeliz.

— Não, não dei — Hermione confirmou. — Foi difícil dizer não porque sempre senti que foi por eu não poder amá-lo que o seu vício se intensificou.

— Isso é ridículo, Hermione — Draco disse asperamente.

— Será? Tornei-me uma viciada em trabalhopara preencher as falhas do meu casamento, então por que isso não poderia ter aumentado a obsessão de Ronald pelo jogo?

— Porque somos todos responsáveis por nossas ações. — Draco raciocinou. — Perdi a mulher que amava e isso me fez muito infeliz, mas certamente não me tornei um jogador obsessivo.

Ela sorriu com tristeza.

— Mas você é mais forte que Ronald.

— Acha? — ele perguntou.

Sei que é, Draco.

— O que mais sabe sobre mim, Hermione? — ele indagou, emocionado. — Sabe que ainda a amo? Que nesses anos to­dos nunca deixei de amá-la? Nem mesmo por um instante?

— Ainda me ama...? — Hermione o fitou chocada.

Draco assentiu com a cabeça.

— Sempre a amei. Desde o primeiro instante em que a vi.

— Mas você nunca me disse!

— Fui um idiota. — Draco disse asperamente. — Você era perfeita e durante três meses tudo parecia ser bom demais para ser verdade. Havia uma química especial entre nós, mas não pensei que você sentisse nada mais além disso por mim. Porém, depois resolvi me arriscar e pedi-la em casamento; o pior que poderia acontecer era você recusar.

— Eu teria dito sim!

Ele fechou os olhos com força.

— Não me diga isso, Hermione. Só piora tudo!

— Mas eu também o amava, Draco — ela confessou roucamente. — Eu o amava tanto!

— Amava, Hermione? — ele disse dolorosamente. — No passado?

Engasgada pelas lágrimas, emocionada demais, Hermione nem conseguia falar.

— Hermione, por favor, me responda.

Ela respirou trêmula, vendo, pela expressão de Draco, que ele temia a resposta.

— Ainda o amo também, Draco — ela admitiu. — Nunca deixei de amá-lo. — disse, atirando-se em seus braços, as mãos espalmadas em seu rosto enquanto o beijava repetida­mente. — Eu o amo, Draco! Eu amo você! Eu te amo!

Aquelas mesmas três palavrinhas que Draco devia ter dito há muitos anos a Hermione, mas não dissera. As mesmas três palavrinhas que agora os uniria o resto da vida. Porque ele não pretendia mais deixar nada, nem ninguém, ficar entre eles.

— Ainda a amo também, Hermione! — ele gemeu, abraçando-a com toda força. — Também nunca deixei de amá-la.

— Nunca?

— Nunca. — Draco repetiu ferozmente. — Quando via fo­tos suas com Weasley em festas e estreias era como uma facada no peito.

Hermione sacudiu a cabeça.

— Essa era a vida que Ronald queria levar, não eu. Sem­pre odiei aquilo. Meu único consolo era que nunca tive de encontrar você em nenhum desses eventos. — confessou.

— Eu ficava longe de propósito, Hermione. — Draco explicou. — Não podia suportar a ideia de ver vocês dois juntos.

— Oh, Draco, como fomos tolos! — Hermione gemeu dolo­rosamente.

— Mas isso acabou. — ele jurou. — Eu a amo, Hermione, e sei, sem sombra de dúvida, que sempre amarei. — Draco pro­meteu. — Quer se casar comigo?

— Oh, sim — Hermione sussurrou, emocionada. — Sim, sim, sim!

Draco deu uma risada triunfante ao abraçá-la ainda mais forte, e depois sua boca apossou-se dos lábios dela.

Hermione, a mulher que ele amou, amava, e amaria sempre...

(...)

— Vamos nos casar o mais depressa possível. — Draco disse convicto, muito tempo depois. Estavam deitados juntos na cama, abraçados e acariciando-se, saciados depois de faze­rem um amor lindo.

Hermione sorriu sonhadora.

— Não tenho absolutamente nenhuma objeção a isso. — ela murmurou.

— Sra. Malfoy. — Draco murmurou sorridente.

— Sra. Hermione Malfoy.

— Mudaria o seu nome artístico por mim? — ele perguntou sorridente.

— Faria qualquer coisa para ver esse sorriso sempre em seu rosto. — ela respondeu convicta.

Maravilhoso!

Ela e Draco já tinham sofrido muito e Hermione não tinha dú­vida de que se amariam pelo resto de suas vidas.

Ergueu a cabeça para fitá-lo com os olhos castanhos límpidos.

— Eu o amo muito, Draco.

— Jamais duvide que eu te amo. — Draco respondeu fervo­rosamente. — Jamais, Hermione!

E ela jamais duvidaria, pois sabia agora que o amor que ela e Draco sentiam um pelo outro era um amor que superava tudo, tempo, distancia, rancores e mágoas, porque era acima de qualquer coisa, um amor de verdade.

Notas finais
Beijos!