Notas iniciais
Mais uma vez espero que gostem!

CAPÍTULO XII

— Eles são absolutamente deslumbrantes, Gina! Tão idênticos. — Hermione disse à irmã calorosamente, devolvendo o pequeno Alvo aos braços da mãe.

Tinham deixado a vila no sul da França, retornando à tardinha à Inglaterra, onde um carro os esperava. Draco tinha levado todos à clínica para visitar Gina. O pai orgulhoso também estava lá, parecendo bem mais relaxado segurando James, agora que a mãe e os bebês estavam fora de perigo.

Certamente não era a hora de Hermione reclamar com eles por não terem lhe avisado que Draco era o dono da vila e nem da chegada imprevista dele.

Draco trouxera a malinha de Lily para que ela pudesse voltar para casa com o pai e Hermione teve um pressentimento desagradável de que Draco insistiria em levá-la em casa. Isso se confirmou um pouco mais tarde quando se despediu de Gina e Harry ao mesmo tempo em que se grudou em Hermione, segurando firmemente seu cotovelo enquanto desciam pelo corredor atapetado.

— Tenho certeza que você tem outro lugar para ir, Draco, então...

— Nem pense em tentar se livrar de mim. — Draco avisou baixinho, abrindo a porta para ela. — Na verdade, por que não saímos para jantar? Você não pretendia voltar já para a Inglaterra, então não terá nada em seu apartamento para comermos. — ele racionalizou.

Hermione fechou a cara enquanto ele destrancava as portas do carro esporte preto.

— Apesar do que você parece estar presumindo, nunca foi minha intenção jantar com você esta noite, nem no meu apartamento nem em nenhum outro lugar.

Ele sorriu, zombeteiro, abrindo a porta para ela.

— Isso não é nada simpático, Hermione, depois de eu ter o trabalho de transportar você de volta à Inglaterra tão rápida e eficientemente.

— Não fui só eu, Draco, você também transportou Lily e você mesmo de volta...

— Ah, mas como você salientou mais cedo hoje, eu re­almente precisava ficar em Cannes. Ainda nem tenho uma reserva num hotel para hoje à noite... — Ergueu as sobran­celhas para ela.

Hermione o olhava furiosa.

— Isso é problema seu, Draco, não meu.

— Tenho certeza de que poderia fazê-lo seu também se realmente quisesse...

Ela o encarou, incrédula. Será que Draco estava flertando com ela?

— Mas eu realmente não quero. — respondeu Hermione seca­mente. — Então você pode me dar a minha mala; eu posso ir para casa de táxi, ou então me leva lá pessoalmente.

— Vou levá-la pessoalmente, é claro — Draco declarou. Hermione continuou a olhá-lo, desconfiada, sentando no lugar do carona.

Mas o que ele poderia fazer, realmente? Ela nem precisa­va convidá-lo para entrar se...

Não havia se... Ela absolutamente não convidaria Draco para entrar em seu apartamento.

(...)

— Muito agradável — murmurou Draco com aprovação de pé no corredor, olhando a simplicidade da sala de estar de Hermione.

Hermione ficou firme à porta, impedindo-o de entrar na sala.

— Está bem, Draco, já entregou a minha mala, conforme insistiu — ela disse brevemente. — Agora está na hora de você ir.

Ele deixou a mala no chão.

— Você podia demonstrar sua gratidão oferecendo-me um copo de vinho...

Ela deu batidinhas impacientes com o pé.

— Sou perfeitamente capaz de carregar a minha mala.

— Tenho certeza de que você é perfeitamente capaz de fazer a maioria das coisas, Hermione, mas meu pai me educou para ser um cavalheiro. E carregar as malas de uma dama é uma das gentilezas que um cavalheiro faz.

Essa explicação não enganou Hermione nem um pouco. Draco estava determinado desde o princípio a cavar um convite para subir ao apartamento dela. Ela só não sabia por quê...

— Muito bem — ela suspirou, desanimada. — Aceita um copo de vinho, Draco?

— Que gentileza sua oferecer, Hermione — Draco aceitou sarcasticamente, antes de passar por ela entrando na sala.

— Tinto ou branco? — ela ofereceu bastante a contra­gosto.

—Tinto seria ótimo, obrigado. Mora aqui há muito tem­po? — ele perguntou, refestelando-se numa poltrona.

— Cerca de seis meses — Hermione disse distraidamente, despejando vinho tinto em dois copos. — Tome. — empur­rou um dos copos embaixo do nariz de Draco.

Ele a olhou com olhos azuis zombeteiros antes de pegar o copo roçando os dedos levemente nos dela.

Em vez de se sentar, Hermione foi olhar pela janela sentin­do o tempo todo, aquele olhar azul intenso observando suas costas rígidas.

— Pelo amor de Deus, Hermione, relaxe. — Draco finalmente suspirou no silêncio tenso.

Como poderia fazer isso com Draco em seu apartamento?

Este era o seu espaço, o primeiro lugar que ela podia considerar completamente seu, depois de mais de oito anos. E a presença de Draco definitivamente violava aquela solidão.

— Bonita vista.

Hermione quase soltou a taça de vinho com a proximidade da voz de Draco. Virou-se para olhar Draco furiosamente ao vê-lo ao seu lado, seus passos tão leves que não percebera que ele se aproximara.

— Eu gosto. — ela disse, irritada.

— Não sei se é uma boa ideia você beber de estômago vazio. — comentou Draco. Hermione não tinha tomado o café da manhã e comera apenas um sanduíche no almoço.

— O vinho foi ideia sua...

— Que você me oferecesse um copo. — ele a corrigiu. — Sabe o que acontece se você bebe vinho de estômago vazio. — ele a lembrou roucamente.

— Sei o que aconteceu uma vez, Draco. Apenas uma vez — ela reiterou firmemente, com as faces coradas denuncian­do que se lembrava do incidente.

— Hmm.

— E o que isso quer dizer? — ela desafiou.

Draco tinha esquecido como era divertido provocar Hermione. Como seus olhos se acendiam, exaltados. O rubor da raiva estampado em seu rosto. A boca presa numa linha teimosa.

Ele tirou a taça das mãos de Hermione e a colocou numa pra­teleira perto da taça dele.

— Venha jantar comigo esta noite, Hermione — ele convidou asperamente.

Ela pestanejou incerta.

— Por que diabos eu iria querer fazer isso? — ela sussurrou roucamente, mas com pouca convicção na voz.

Draco prendeu o olhar dela no seu com um sorriso zombeteiro.

— Porque sou um estranho na cidade...

— Você é Draco Malfoy... Poderia convidar qualquer mu­lher para jantar e ela abandonaria qualquer outro plano só para estar com você.

— A mulher que estou convidando agora mesmo não tem nada planejado... E, no entanto, está recusando.

— Draco...

— Hermione?

— Você realmente é... — interrompeu-se frustrada. — Por que quer que eu jante com você?

Ele deu de ombros.

— Porque ambos temos de comer esta noite e então po­demos fazer isso juntos.

Ela sacudiu a cabeça.

— Se acha que por causa do que aconteceu ontem, vou dormir com você mais tarde, então...

— Hermione, o convite foi para jantar, não para a cama — ele a interrompeu firmemente.

— É... — ela o olhou, desconfiada.

— Embora eu duvide que me opusesse à ideia mais tarde, se você por acaso...

— Não!

— Então me satisfaço apenas com o jantar. — ela suspirou.

— Está bem, Draco. Vou sair para jantar com você. Mas só... — continuou, antes que ele sorrisse — Se você me prometer nunca, nunca mais mencionar aquele incidente embaraçoso com o vinho.

— Quer dizer aquele incidente em que você arrancou sua roupa toda e...

— É... Aquele incidente! — ela confirmou o olhar furioso.

— Ótimo. — era difícil para Draco reprimir o sorriso dessa vez. — Prometo que nunca — nunca — mencionarei aquela noite, oito anos atrás, em que jantamos em meu quarto no hotel e você ficou nua e derramou creme em sua... Bem, em você toda... E se ofereceu para mim como sobremesa — ele se inter­rompeu, rindo agora, quando Hermione começou a socar-lhe o peito com os punhos e continuava sorrindo enquanto pren­dia as mãos dela nas suas. — Foi a melhor sobremesa que comi na vida. — ele disse roucamente.

Era muito difícil se aborrecer com ele diante daquele sor­riso de derreter qualquer coração, Hermione pensou, desesperada. Especialmente quando ela também se lembrava daquela noite. Como poderia esquecer? Foi a noite mais loucamente erótica...

O que significava que também não era uma boa ideia dei­xar Draco continuar segurando suas mãos. Ou fitar aqueles olhos azuis cinzentos que a seduziam com apenas uma olhada. Ou deixá-lo atrai-la, lentamente, intencionalmente, para per­to dele...

— Não, Draco. — ela rompeu o encantamento sedutor, afastando-se e livrando as mãos das dele. — Disse jantar e só jantar!

— Que pena. — ele murmurou preguiçosamente. Ela o fuzilou com um olhar reprovador.

— Se quiser ficar sentada aqui e terminar o seu vinho, só preciso ir ao meu quarto me arrumar um pouco antes de sairmos.

Embora tivesse concordado com o menor dos dois males. Sair para um restaurante com Draco em vez de continuar ali, ainda assim, não era boa ideia, Hermione disse a si mesma batendo firmemente a porta do quarto e encostando-se nela.

Qual seria o jogo de Draco agora?

Fosse qual fosse, ela não podia permitir que continuasse.

(...)

— Como você conseguiu uma mesa aqui assim, à última hora? Não, não me diga — Hermione sorriu pesarosa. — Você é Draco Malfoy.

Draco a observava do outro lado da mesa de um restaurante exclusivo de Londres.

— Realmente gostaria que você não dissesse o meu nome como se fosse um palavrão. — disse tristemente. — Além disso, — continuou ligeiramente —, tem de haver alguma compensação pela perda de qualquer vestígio de privacidade só por ter escolhido ser ator.

Hermione o olhou pensativamente.

— Nunca percebi que isso o incomodava.

Ele deu de ombros.

— Não era um problema quando estávamos no Caribe. Desde que o estúdio se estabeleceu ali eu não era tão famoso e os moradores se acostumaram a ver cele­bridades andando por lá e encaram normal­mente. Na maioria dos outros lugares, porém, isso pode ser um problema. É por isso que restaurantes exclusivos como este são tão populares para pessoas como você e eu. Todo mundo é uma celebridade, então ninguém fica nos bisbilhotando.

É, Hermione reconheceu, ninguém os fitava. Agora. Mas os dois tinham provocado um tumulto quando chegaram juntos meia hora antes, provavelmente devido à publicidade sobre eles nos jornais ingleses nessa manhã.

Draco deu-lhe um olhar zombeteiro.

— Alguma vez lamentou ficar tão conhecida?

Lamentar? Ela poderia ter passado muito bem sem toda a publicidade que cercou sua separação e seu divórcio nos úl­timos dez meses. Mas, fora isso... Não, provavelmente não.

— Faz parte do trabalho, suponho. — ela disse, antes de tomar um golinho da champanhe rosada que Draco pedi­ra. Uma bebida que ele primeiro lhe apresentou no Caribe...

— E você gosta do trabalho tanto quanto imaginava que gostaria?

— Como? — era impossível para Hermione não perceber o tom ligeiramente irritado dele.

Draco deu de ombros.

— Quando você tinha 20 anos, estava bastante determi­nada a ser famosa. A qualquer preço, aparentemente. — ele acrescentou, com amargura.

Ela colocou a taça de champanhe cuidadosamente na mesa.

— Draco, se vai começar a me ofender novamente, terei de ir.

— Sempre presumi que foi por ambição que se casou com Weasley tão depressa e se mudou para os Estados Unidos com ele. — Draco recostou-se na cadeira, fitando-a do outro lado da mesa com um olhar velado. — Embora eu ainda não tenha a menor ideia do motivo que a levou a conversar com ele quando ele foi à vila... — Draco acrescentou especulativamente.

Hermione contraiu os lábios.

— Draco, ou você desiste de falar nesse assunto, ou vou mesmo embora!

— Só estou interessado, Hermione. — ele disse. — Afinal, temos de conversar sobre algo enquanto jantamos.

Hermione esperou até o garçom se afastar antes de responder.

— Não quero falar sobre Ronald. Nem sobre a visita dele à vila ontem, ou sobre temas referentes ao meu casamento e divórcio. Por que não discutimos o motivo de nunca ter se casado? — ela acrescentou desafiadora, pegando o garfo e começando a apreciar os seus camarões.

Draco sorriu.

— Já lhe disse, isso é muito menos interessante.

— Porque nunca conheceu a mulher certa. — Hermione zombou — Você realmente acredita que existe uma mulher certa ou um homem certo para todos?

— E você, não? — Draco acreditou um dia ter encontrado mulher certa. Mas ele, obviamente, não era o homem certo para ela.

Hermione sacudiu a cabeça.

— Acho mais sábio... E mais seguro... Optar por ficar com alguém de origem, carreiras e interesses semelhantes.

— Como você e Weasley, quer dizer?

Ela corou.

— Draco...

— Ou você e eu. — ele acrescentou baixinho.

Não, não como Draco e ela! Como Hermione tinha aprendido à sua custa, ela e Draco, afinal de contas não tinham absolutamente nada em comum. A não ser uma atração física que Hermione conti­nuava sentindo...

Porque, por mais que tentasse negar — ou ignorar — a noite da véspera só tinha aumentado sua atração por tudo relacionado a Draco.

Descansou o garfo no prato, pois perdera o apetite.

— Não, não como você e eu. — ela negou roucamente. — Acho que é hora de me retirar, Draco...

— Fugir, quer dizer? — ele disse, em tom cáustico. Os olhos dela lampejaram sombriamente.

Não estou fugindo.

— Claro que está. É o que você faz... O que sempre fez — ele disse severamente.

Ela sentiu um aperto doloroso na garganta.

— Eu devia saber que você não continuaria sendo agra­dável.

— Porque você obviamente prefere um homem sem...

— Como ousa? — Hermione ofegou.

— Como ouso? — Draco repetiu asperamente. — Oh, acho que você vai descobrir que quando se trata de você, eu ouso fazer muita coisa... Não, Hermione! — ele colocou a mão firmemente sobre a dela quando ameaçou pegar a bolsa para ir embora. — Se você for embora agora as manchetes nos jornais de amanhã vão dizer: "Hermione e Draco se separam após apenas dois dias".

— Nunca estivemos juntos...

— Eu me lembro de um tempo em que estivemos muito juntos — ele rosnou.

— Eu...

— Não tente negar o que tivemos no passado, Hermione — ele avisou.

— O que pensei que tínhamos — ela corrigiu tensamente.

— Eu também pensei que sim. — ele disse em voz rascante. — Você deve ter percebido nesses últimos dois dias que ainda a quero...

— Draco, por favor, não...

— E você ainda me quer. — ele acrescentou baixinho.

— Eu certamente não! — o rosto ruborizado revelava que ela mentia. Draco poderia duvidar que ela ainda o desejava, depois de terem feito amor na véspera?

Ele retorceu a boca num sorriso pesaroso.

— Não me obrigue a provar isso, Hermione.

O ardor apaixonado daqueles olhos azuis a mantinha cati­va, a tensão entre o casal era insuportável. Ela mal respirava. Não conseguia pensar. Nem falar. Estava presa por aquele olhar azul cintilante, como uma corça hipnotizada pelos faróis de um carro que se aproximava.

Porque, incrivelmente Draco estava se aproximando dela. Sem a menor preocupação com o que os cercava, as outras pessoas presentes, se levantou. Ele esticou o braço e curvou mão sob o seu queixo, levantando-lhe o rosto até ele e co­locando a boca violentamente sobre a sua.

Para se apossar.

Para possuir.

Para deixar Hermione completamente sem ar, ao sentir que correspondia à avidez da boca de Draco sobre a dela.

Os olhos de Draco cintilavam de emoção quando ele final­mente levantou a cabeça para fitá-la.

— Quero derrubar tudo que está nesta mesa antes de deitá-la nela e... — de repente parou ao ouvir os aplausos discretos dos outros clientes. Fechou os olhos brevemente, antes de se endireitar e fazer uma mesura irônica aos circunstantes, sorridentes ao ver o casal. — Esqueça a manche­te anterior. — ele resmungou, voltando ao seu lugar.

"Hermione e Draco não conseguem tirar as mãos um do outro", provavelmente seria mais apropriado.

Hermione estava muda, completamente atônita com o beijo inesperado de Draco.

E com a sua própria reação voraz...

Porque, enquanto a boca de Draco possuía a sua, ela se esqueceu completamente de onde estava e provavelmente o teria ajudado a derrubar os pratos e copos antes de puxá-lo na mesa e fazerem amor.

— Como pôde? — ela arquejou finalmente, dando uma olhada rápida em volta e verificando que as outras pessoas, tendo obviamente adorado o show, voltaram a jantar e a conversar normalmente.

— Aquilo foi absolutamente... Draco, como pôde? — ela repetiu.

Era mais uma questão de como não pôde, Draco admitiu pegando a taça e tomando um gole de champanhe. Diante do desafio, simplesmente não conseguiu se controlar.

O problema era Hermione fazê-lo esquecer tudo, menos dela.

Estar com ela.

Fazerem amor.

E Draco ainda queria fazer amor com ela — desesperadamente. Seu corpo estava endurecido e ansioso de desejo naquele instante. Mas uma olhada para o rosto pálido e acusatório de Hermione o fez perceber que a probabilidade disso acontecer depois daquela exibição pública era como chover no deserto.

A boca se retorceu num sorriso murcho.

— Talvez devamos atribuir tudo ao seu charme fatal.

Hermione, furiosa, olhava para ele.

— Ou talvez à sua necessidade de me humilhar!

Draco estremeceu.

— Hermione...!

— Nem se dê ao trabalho de negar, Draco, porque sabe que foi exatamente isso que fez. — pegou a bolsa, o rosto corado de raiva agora e os olhos faiscando sombriamente. — Acho que vamos ficar com a manchete original, hmm? Com um último olhar severo e feroz, ela se levantou e dei­xou a mesa, percorrendo de cabeça erguida o restaurante até onde o maitre segurava a porta aberta para ela sair.

Agora, de fato, as chances de Hermione deixá-lo se aproximar novo, quanto mais fazer amor com ela, voltaram a ser tão improváveis quanto ver neve no verão.

Essas probabilidades não eram boas o bastante, Draco decidiu, atirando dinheiro na mesa para pagar a refeição, antes de seguir Hermione de cara fechada.

Notas finais
Beijos!