Notas iniciais
Escrevi isso à tempos ._. a leitura deve estar meio chata e cansativa.
¢ Narração ¢ M: — Mad Hatter [Chapeleiro Louco] A: -Alice L: — March Hare [Lebre de Março] ¢Alice olhava em volta, correndo seus olhos pelo lugar. A mesa à sua frente estava posta para uma verdadeira festa no chá. Alice ajeitava seus longos cabelos dourados, o qual a franja lhe atrapalhava a visão, aproveitava e endireitava o vestido azul que estava usando. Sentada numa cadeira feita de madeira, não muito confortável mas bem alta, seus pés mau tocavam o chão, mas graças a isso ela podia ter uma visão melhor do local, daquela mesa – que não era muito grande – e dos amigos Mad Hatter e March Hare. ¢ ¢Mad Hatter trajava seu estilo básico, um smoking num tom avermelhado, confundido-se com o tom escarlate do próprio sangue. Sua cartola, que tinha a mesma coloração, carregava algumas cartas de baralho, talvez como “enfeite”. Ele segurava nas mãos uma xícara, a qual o seu amigo March Hare enchia com um saboroso chá de ervas. O cheiro adocicado daquele chá era uma tentação a todos os mortais, isso fez com que Mad Hatter se entregasse ao seu sabor maravilhoso, trazendo a este uma sensação mais agradável do que um orgasmo. Para ele, degustar de uma bela xícara de chá era mais prazeroso do que as mulheres. ¢ M: -Querida Alice, gostaria de mais uma xícara de chá? A: -Sim, obrigada. ¢Como era difícil para Alice descer daquela enorme cadeira, Mad Hatter encheu uma xícara com o mesmo chá que estava tomando, e entregou para Alice, que se debruçou um pouco para baixo para conseguir alcançar a mão do amigo. Esta, bebeu um gole daquele líquido doce e constatou que estava no ponto. ¢ A: -Está ótimo.! M: -Huhu, que bom que está gostando.! ¢A lebre não estava participando da conversa dos dois. Não era do seu feitio conversar muito. Ficava apenas com a sua xícara nas mãos, deglutindo do seu chá aos poucos, com goles rápidos em intervalos demorados, enquanto observava a fumaça subindo da sua xícara, constatando que o chá estava quente, então que acabara de ser preparado. ¢ ¢Depois daquele primeiro gole, Alice esperou alguns minutos para que o chá em sua xícara esfriasse pelo menos um pouco, a ponto dela não queimar a sua língua como já acontecera em outras ocasiões. Enquanto esperava, ficava olhando para Mad Hatter. Apesar da sua roupa escarlate e da maquiagem pesada que sempre usava, ele era um rapaz jovem, até que bonito. Sua idade não era precisa, mas aparentava ser jovem, devia ter entre vinte e vinte e cinco anos. Tinha os cabelos lisos na altura do ombro, numa cor que se aproximava do negro, mas era basicamente um castanho escuro. Seus olhos eram de uma cor esverdeada, que chamavam muito a atenção por contrastar com o seu rosto pálido e maquiado. ¢ ¢O jovem Chapeleiro Louco notava que já fazia alguns dias, Alice o fitava de forma diferente como sempre o fez. Ele não sentia nenhuma atração, nenhuma admiração pela jovem Alice, ao contrario, ele a achava muito mimada, uma garota metida à mulher que não sabia “não meter o nariz onde não deve”. ¢ L: -Diga-me, cara Alice... ¢Disse finalmente, o March Hare, que ainda esperava seu chá esfriar para só depois começar a beber dele. ¢ — Você ainda tem aqueles pesadelos em que lhe cortam a cabeça fora? ¢Alice levou a sua atenção para a lebre branca que estava do outro lado da mesa, e então abaixou a cabeça, respondendo a pergunta da mesma. ¢ A: -Sim, ainda os tenho. M: -Cuidado, querida Alice. ¢Dizia o Chapeleiro Louco, que já sabia dos sonhos de Alice e sabia também do que se tratava.¢ São íncubos que desejam roubar o coração de belas donzelas. Eles adoram almas de puras, virgens. ¢Alice levou sua atenção novamente para o cavalheiro Mad Hatter. Ela não sabia o que responder, já que o amigo estava certo no que dissera. Apenas começava a se deliciar com a sua xícara de chá, o qual já se esfriara o suficiente.¢ ¢Então, ela viu um pote de biscoitos sobre a mesa. “Biscoitos com chá. Que delícia!” Ela pensou. Como estavam do outro lado da mesa, e ela teria que descer daquela gigantesca cadeira de madeira, e depois ter todo o trabalho pra subi-la novamente, decidiu pedir ajuda.¢ A: -Oh, Mad querido, poderia me passar aquele pote de biscoitos? Não consigo descer dessa cadeira! M: -Ora, Alice querida, se quer o pote de biscoitos, desça dessa cadeira e pegue, sua preguiçosa! Mas por favor, não me faça parar de tomar do meu delicioso chá. ¢Alice então se virou para a Lebre de Março, e fez mesmo pedido, obtendo a mesma resposta, mas de forma diferente. ¢ L: -Menina, que preguiça toda é essa? A cadeira nem é tão alta assim para se tornar uma escalada subi-la! Deixe de ser sedentária. Vai acabar com os ossos trancafiados. ¢Alice não via alternativa. Deixou a sua xícara de chá no braço da cadeira, se apoiou no assento dela e desceu lentamente, de costas para que ficasse se segurando o quanto podia. A cadeira não era tão grande assim, mas para ela, que tinha estatura média, ela era alta sim. ¢ ¢Ao sentir os pés tocarem a terra gélida daquele lugar, Alice se virou e caminhou ate o outro lado da mesa com pressa e raiva pelos amigos não a terem ajudado. Na volta, ela passou por trás do Mad Hatter, este que a segurou pela mão. Este então se levantou e passou a sua mão por trás da cintura de Alice, que desnorteada e confusa, não soube como reagir. O Chapeleiro Louco se debruçou pois era mais alto que a Alice e tocou seus lábios no dela. A Lebre de Março nem se preocupava em olhar para os dois, estava preocupada com o seu chá que já esfriara.¢ ¢Mad Hatter então descolava seus lábios do de Alice, que estava com as maças do rosto rubras, rosadas de tanta vergonha e timidez. Mad aproximava seu rosto mais uma vez do de Alice, mas não mirava mais seus lábios. Ao contrário, levava a sua boca ate o ouvido dela, e sussurrava com delicadeza.¢ M: -Um amuleto contra os íncubos... ¢Ele então soltava a cintura dela e largava a sua mão, voltando a se distrair com a maravilhosa xícara, a qual ele já estava enchendo pela terceira vez de chá.¢ ¢Alice se agarrava ao pote de biscoitos como se este fosse cair e se quebrar, tornando os biscoitos não-comestíveis. Subia com rapidez a cadeira que antigamente ela demorava a escalar. Estava com vergonha pela ação que o “amigo” havia feito a poucos segundos atrás. Já sentada novamente na sua alta cadeira de madeira, ela tornara a pegar a xícara de chá que deixou no braço da cadeira e abria o pote de biscoitos, sem se preocupar em oferecer para os demais. ¢ ¢Ao final do dia, Alice já se despedia da Lebre de Março e do Chapeleiro maluco.¢ L: -Espero que esta noite você não sonhe com os íncubos novamente, Alice. ¢Ela então parava na frente do Chapeleiro Maluco, e sentia seu rosto corar novamente. Ela não tinha mais coragem de lhe olhar nos olhos, nem se quer no rosto, então mantinha a cabeça abaixada quando se dirigia a ele. Ela queria pronunciar-lhe algo, dizer alguma coisa, mas todas as palavras entalaram na sua garganta. Mad Hatter percebeu isso e tentou ajudar.¢ M: -Alice, quer me dizer algo? A: -Será que... bem... nós não... ¢Mad Hatter então finalmente entendeu o que queria a jovem Alice. Pobre donzela.¢ M: -Escute Alice, tem uma coisa que você deve saber sobre os íncubos. Depois de se alimentar da alma da donzela, eles perdem todo o interesse nela. ¢As palavras, ao serem tocadas nos ouvidos de Alice, esta se virou e caminhou rapidamente para casa. Ela quase corria. Queria apenas chegar na sua confortável casa e se trancar lá dentro. Nada de festa do chá, nem Lebre de Março, nem Chapeleiro Louco. Queria ficar apenas com seus medos, seus monstros, seus íncubos. ¢ ¢E para trás, ficaram apenas um coelho branco, com o seu relógio que só marcava o dia e o mês ao invés das horas, e um chapeleiro muito louco, que segurava a sua cartola com enfeites de cartas de baralho nas mãos.¢ L: -Pobre garota... É só uma mulher gentil e burra... M: -Huhu, concordo senhor Lebre... concordo...
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