Certas coisas nunca mudam.
1 Teria sido um dia como outro qualquer...
Teria sido um dia como outro qualquer se não fosse pelo simples fato de que, naquele dia, ela o tinha ao seu lado e aquilo mudava tudo completamente. Haviam andado e feito coisas o dia inteiro, dia que ele tirou para ficar com aquela garota implicante que tanto gostava dele. A noite logo caiu e o céu parecia incrivelmente mais bonito, uma lua cheia e algumas estrelas estavam ali, quase como em um quadro perfeitamente desenhado. Não estavam se importando muito com a hora, a brisa agradável que vinha do mar tocando a pele da garota a lembrava de que aquilo era real. Permaneceram ali na areia, sentados, por um longo tempo. Alguns momentos conversavam mais do que duas matracas e em outros, o silêncio dominava o ambiente. Um silêncio gostoso, que volta e meia era cortado por um abraço que ele dava nela, envolvendo-a em seus braços e dando um beijo no topo de sua cabeça. Ele se levantou, tirou a areia da roupa e logo a puxou para si, roubando uma gargalhada da guria. Ela se limpou e ele entrelaçou sua mão a mão da garota, talvez apenas para guia-la já que ela era um tanto desastrada e não conhecia a cidade. Chegaram na casa dele, ela estreitando os olhos para ver tudo e ele observando sua curiosidade, mas a deixando sozinha por um tempo enquanto ia tomar um banho. Ele não demorou muito, e ela logo percebeu que o banho havia terminado, pois o cheiro dele tomou conta da casa. Ele ainda um pouco molhado a abraçou por trás, ela fez uma careta espontânea e, rindo, saiu dos braços dele, mesmo que fosse ali que quisesse ficar. Ela prometeu a ele que não daria trabalho e que não o atrapalharia e estava tentando fazer isso. Tomou um banho bem mais demorado que o dele e quando saiu apenas o que perfumava sua pele era um creme de baunilha que tinha um cheiro suavemente doce, mas agradável. Ele não perdeu a oportunidade de abraça-la e sentir o cheiro de sua pele com o creme, se beijaram, era inevitável que isso acontecesse. Ela riu com as bochechas avermelhadas, como aconteceu algumas vezes naquele dia. Depois de mais algum tempo de conversa, enquanto ela arrumava algumas coisas na bolsa ele se deitou. Não sem antes ficar apenas com sua cueca box branca, claro. Ela balançou negativamente a cabeça enquanto ria e desviava o olhar, em um tom leve e um sorriso de canto disse – Eu preciso de uma camisa sua, lembra? – Ele riu, uma risada gostosa e envolvente. Logo mostrou onde ela poderia pegar uma camisa dele e ela assim o fez, se virando de costas, tirou a roupa que usava e vestiu a camisa. Terminou de arrumar tudo e arriscou olhar pra cama, ele estava ali, com os olhos fixos nela. A voz dele soou pelo quarto quando ele a chamou para se deitar. Anjo. Ela amava quando ele a chamava assim, de fato. Um tanto tímida ela subiu na cama e foi engatinhando até achar os braços do seu guri. Encaixou-se perfeitamente ali, o cheiro da pele dele tomava conta dela, as pontas dos dedos dela caminhavam pelo peitoral dele, indo até o pescoço e voltando. Ela dava alguns beijos no pescoço dele e ele entendia o que ela queria, logo abaixava o rosto e se beijavam. Foi assim por boa parte da noite até que ela pegou no sono e ele adormeceu em seguida. Ele era muito mais que um amigo, ela era muito mais que uma companhia. De alguma forma se entendiam, desde o princípio. E certas coisas nunca mudam.
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