Cereal Killer-A Vingança de Deméter
1 Vingança Frustrada
Em seu templo no Olimpo, a deusa da agricultura preparava mais uma de suas receitas mirabolantes.
Ela cantarolava enquanto misturava ingredientes no preparo de um bolo. Era a vez dela de oferecer o café da manhã aos deuses, por isso, estava se empenhando no preparo. Todos os deuses estariam presentes, inclusive Hades que ela fez questão da presença.
Vocês devem está se perguntando: desde quando Deméter convida Hades para alguma coisa se ela tem muita raiva dele? Será que quer fazer as pazes com o irmão? não, nada disso. O objetivo de ela tê-lo convidado era para pôr em prática sua vingança. Aquele bolo era sua arma. Ela sabia que Hades gostava daquele bolo, pois era a única coisa que ela fazia que ele comia.
Depois de pronto ela tira do forno.
— Ah, perfeito! – disse ela satisfeita cheirando o ar. – O cheiro está ótimo.
Ela já havia preparado um bolo semelhante para cada um dos deuses. O de Hades era especial, pois havia um ingrediente a mais na mistura, um laxante poderoso que deixa qualquer um virando ao avesso.
— Você não perde por esperar Hades. Você vai pagar por ter raptado minha filha – disse ela com um sorriso maligno.
—-----------------------------//----------------------//------------------------------
Enquanto isso no submundo Hades andava de um lado para outro pensativo.
— Isso é muito estranho – falou para si mesmo -, Deméter me odeia, por que ela me convidaria para o café da manhã? – se perguntou.
Ele então tem uma ideia. Manda uma MI para o acampamento, precisamente para o seu chalé. Um garoto atende.
— Nico – ele chama.
— Pai, aconteceu alguma coisa?
— Ainda não, mas preciso falar com você. Venha até o meu palácio, agora.
— Tô indo – diz o garoto viajando pelas sombras até o palácio do pai. – Aqui estou.
— Tenho uma missão pra você.
— Que tipo de missão?
— Espionagem.
O garoto o olha surpreso.
— E quem eu vou espionar?
— Sua tia Deméter.
— Por quê?
— Ela me convidou para o café da manhã e você sabe que ela me odeia. Por isso, desconfio que ela está armando pra mim – disse num só fôlego. – Eu quero que você descubra o que ela está tramando.
— Tudo bem, eu vou tentar.
— Tome cuidado pra não ser visto.
— Ok – ele diz se teletransportando para o templo de Deméter no Olimpo. Chegando lá ele procura pela tia, ouve a voz dela que vinha da cozinha. Então, ele se esconde na sombra de uma coluna e fica observando a deusa misturando ingredientes numa tigela. Ela cantarolava enquanto fazia isso.
Ele notou que ela derramou um frasco inteiro de um líquido que ele não conseguiu identificar. Depois que misturou tudo colocou numa pequena forma e pôs no forno. Enquanto esperava o bolo assar ela arrumou os outros numa bandeja. Havia exatamente treze bolinhos, só faltando um, provavelmente o do seu pai.
Nico observou que Deméter não parava de sorrir. Seu pai tinha razão, ela estava armando pra ele. Depois que o bolo ficou pronto ela disse as palavras já mencionadas.
Quando Deméter saiu da cozinha, Nico aproveitou para dar uma olhada nos bolos. Eles estavam arrumados na numeração de cada deus, provavelmente para não confundir na hora de distribuir. O do seu pai estava exatamente no número treze. Nico deu um sorriso maligno, trocou o bolo de seu pai pelo o de Deméter e então voltou para o mundo inferior.
Chegando lá encontrou seu pai ansioso por notícias.
— Então filho, o que descobriu?
— O senhor estava certo, ela armou para o senhor – disse ele. – Ela fez um bolo para cada deus, o seu estava batizado.
— Eu sabia! Ela não perde a oportunidade pra se vingar de mim – disse o deus cansado.
— Não se preocupe pai, eu já dei um jeito – disse Nico sorrindo de lado. – Eu troquei os bolos. Você não vai sofrer nada.
— Oh, obrigado filho – disse o deus aliviado. – Você fez um bom trabalho. Agora é só aguardar – pai e filho dão um sorriso maligno.
—---------------------//--------------------//------------------------------
Finalmente chegou a hora. Todos os deuses tomaram seus lugares. Deméter começou a distribuir os bolos para cada deus. Ao chegar em Hades ela deu um sorriso disfarçado.
— Este é um novo ingrediente que eu criei, espero que gostem. Bom apetite – ela disse sorrindo.
— Obrigado – disseram todos em uníssono.
Ela toma seu lugar entre Hera e Atena e observa todos devorarem os bolos com gosto – ela sorri ao ver Hades comer o dele. Satisfeita ela começa a comer o seu não deixando uma migalha.
Terminado o café, os deuses não pouparam elogios à deusa.
— Deméter, esse bolo estava uma delícia, parabéns – disse Hera elogiando a irmã.
— Obrigada, estou inventando novos ingredientes para as minhas receitas, essa foi uma delas – disse a deusa contente por terem gostado.
— Você está de parabéns – disse Hades.
— Obrigada – disse a deusa sorrindo, mas com o pensamento no efeito colateral que ia causar no irmão.
Todos se dispersaram. Hades se juntou a Zeus e Hera conversando amenidades enquanto Deméter estava com Atena e Ártemis conversando sobre receitas. Ela estava sorrindo e vez em quando olhava de esguelha para onde o irmão estava esperando que a qualquer momento ele começasse a passar mal. No entanto, ele parecia muito bem para alguém que tinha ingerido um frasco inteiro de laxante.
De repente ela sentiu uma contração que lhe deixou pálida e suando frio. Atena notando o silêncio da tia olhou para ela e franziu o cenho.
— Deméter, está tudo bem, você está pálida – ela diz preocupada.
— E... estou bem, não é nada – diz com a voz estrangulada. – Se me dão licença, preciso voltar ao meu templo – disse ela se retirando rapidamente. As duas deusas se entreolharam e deram de ombros continuando com a conversa.
Deméter passou feito um furacão pelos outros em direção ao seu templo. A cada passo uma contração dessa vez mais violenta, o que fez a deusa esquecer que podia teletransportar-se encurtando o caminho. Ao chegar quase não dá tempo de alcançar o banheiro. Mal sentou no vaso e soltou o barro com um odor fétido terrível que nem ela estava aguentando.
Enquanto Deméter gemia de agonia no banheiro, Hades dava gargalhadas de um comentário de Zeus, ele viu quando a irmã passou apressadamente em direção ao seu templo pálida como um cadáver. Sorriu internamente, seja o que for que tenha colocado no bolo já estava fazendo efeito.
No banheiro Deméter amaldiçoava Hades pelo o que estava passando. Não entendia como o irmão se safou dessa. Tinha certeza que deu o bolo certo pra ele, como isso pôde acontecer?
— Ahhhh! – ela gemeu com outra contração. – MALDITO HADES! – ela gritou.
Fale com o autor