Central Park Christmas
1 A night in Central Park
Notas iniciais
Bianca’s POV
– Alô?
– Bianca?
– Leo! Oi! Tudo bem?
– Tudo, claro. Olha só, eu liguei pra falar pra você se arrumar pra sair.
– Sair? Aonde a gente vai?
– Vamos patinar no Central Park, então use roupas quentes. Não quero você resfriada no natal.
– Tudo bem, senhor-estou-preocupado-que-minha-namorada-fique-resfri- AH!
– Bianca?! Você tá bem?
– Tô, eu só me enrosquei com as luzinhas e caí.
– Luzinhas? Você tá enfeitando a casa? Já usamos todos os enfeites que tínhamos para decorar.
– Eu sei, mas nossa árvore de natal não tinha luzinhas, então eu saí e comprei.
– Hum, tudo bem... Bom, só liguei pra avisar que vamos sair.
– Okay, te vejo mais tarde então.
– Até mais tarde amor, beijos.
– Beijos.
–---------x----------x----------x----------
Após a ligação de Leo, terminei de colocar as luzinhas coloridas na árvore, caindo apenas quatro vezes – um novo record! Yeah! – e fui em direção ao quarto para tomar um banho.
Após meia hora de banho quentinho, abri meu armário e procurei por alguma coisa para vestir. Acabei usando casaco de lã, UGG’s, cachecol e tapa orelha porque nessa época do ano fazia muito frio em Nova York. Para completar, um gloss bem clarinho só para meus lábios não ressecarem.
Quando já estava pronta, me joguei no sofá da sala para esperar o Leo. Estava assistindo The Big Bang Theory quando ele chegou.
– Oi amor – ele veio até mim e me deu um selinho.
– Oi. Como foi no trabalho hoje?
Leo era mecânico, e mesmo estando a duas semanas do natal, ainda trabalhava. Como eu era professora, estava de férias.
– Bem. Espera um pouco, vou só trocar de roupa e aí nós saímos.
– Tudo bem.
Cinco minutos depois, ele saiu do quarto vestindo outra roupa. Desligou a TV, se aproximou de mim e me estendeu a mão.
– Pronta para sair, Milady? – perguntou com um sorriso nos lábios.
Eu ri e peguei sua mão.
– Pronta – sorri também.
Levantei-me do sofá e saímos do apartamento.
Fomos caminhando de mãos dadas em silêncio, só aproveitando a companhia um do outro, até chegarmos.
Eu sempre achei o Central Park lindo. Mas agora ele estava magnífico.
Todas as árvores do parque estavam enfeitadas com luzinhas coloridas: azuis, verdes, vermelhas, brancas, amarelas, roxas. Pessoas passeavam alegres pelo local: crianças brincavam umas com as outras, casais andavam abraçados, idosos conversavam uns com os outros. A aura natalina que cada um possuía era incrível, visível nos sorrisos de todos. Neve residia em todo lugar: cheia de pegadas, que iam para todos os lados, no chão, e caindo das árvores. Para completar, uma maravilhosa árvore de natal podia ser vista no meio do parque, com grandes enfeites vermelhos, dourados e pratas, com alguns anjos pendurados aqui, e alguns sinos pendurados ali.
– Bonito, não? – Leo sussurrou em meu ouvido, depois de eu ficar um tempo apenas olhando para o parque.
– Estupendo – sussurrei de volta.
Nos olhamos e sorrimos.
– Vem, vamos patinar.
Ele me puxou pela mão até chegarmos na pista de gelo e me deu meus patins – sim, ele trouxe nossos patins (e sim, nós temos patins. Qual é, moramos em Nova York! Precisamos ter patins) – enquanto começava a colocar os seus próprios.
Já prontos, entramos na pista e começamos a patinar.
– Aposto que você não consegue me pegar! – Leo disse, e saiu “correndo”.
Sim, aos 23 anos, Leo ainda é imaturo assim. O que, para ser honesta, não me incomodava nem um pouco.
Eu apenas ri e fui atrás dele.
Depois de aproximadamente dez minutos – pois é, Leo patina bem -, finalmente consegui pegá-lo.
– Já estava pensando que você nunca me alcançaria.
– Querido, eu vou sempre conseguir pegar você.
– Ah é? – evidentemente ele entendeu minha frase do jeito errado, pois seu sorriso transbordava malícia. Ele ficou frente a frente comigo, patinando de costas, e me puxou pela cintura, colando seu corpo ao meu.
Estávamos prestes a nos beijar quando meu namorado atrapalhado tropeçou (aparentemente no nada) e caiu, me puxando junto.
– Seu idiota!
–Você diz isso mas ri.
– Cala boca.
– Por que você não vem calar?
Seu famoso sorriso malicioso preencheu seu rosto. E logo, um igual preencheu o meu.
– Com prazer.
Só tive que me inclinar um pouco para que a minha boca tocasse a sua.
Leo sempre me beijava com o fogo que só ele tem, mas dessa vez, ele me beijava suave e carinhosamente. Nossas línguas se entrelaçavam calmamente, como se tivéssemos todo o tempo do mundo. Ele segurava minha cintura com delicadeza enquanto eu enrolava lentamente seus cachos castanhos em meus dedos. Eu me sentia nas nuvens, e podia afirmar, com toda a certeza, que esse foi o beijo mais romântico que já demos.
Quando nos separamos, ele me olhou. Simplesmente me olhou. Seus lindos olhos chocolate brilhavam, e eu podia sentir o amor com que eles me observavam. Sorri e lhe dei um selinho. Foi então a sua vez de sorrir. E eu vi tanta felicidade em seu sorriso que alarguei o meu.
– O que foi? Por que tá me olhando assim?
– Nada. É que você é a mulher mais maravilhosa que eu já conheci em toda minha vida.
Corei.
– Obrigada.
– Ei, levantem daí e arrumem um quarto!
Quando viramos nossas cabeças, vimos um menino de aproximadamente 12 anos nos olhando. Rimos.
– Pode deixar, garoto.
– Leo! – exclamei e bati em seu ombro. Ele só riu.
Levantamo-nos e voltamos a patinar. Ficamos na pista de gelo por um bom tempo até nos cansarmos.
– Leo, eu tô com fome.
– Quer que eu te compre um cachorro-quente?
– Quero.
– Então vamos.
Depois de comprados os cachorros-quentes, procuramos por um banco e nos sentamos para comer.
– E então, já sabe quando vai entrar de férias? — puxei assunto.
– Sim, fiquei sabendo hoje. Dia 20 eu já estarei oficialmente de férias.
– O que significa que ainda terei 7 dias de festa com as garotas – eu brinquei.
– Ha ha — ele debochou. Eu ri brevemente.
– Você sabe que eu te amo – segurei sua mão.
– Sei disso, é difícil não me amar.
Revirei os olhos.
– Convencido.
– O seu convencido.
– O meu convencido.
Leo me deu um selinho.
– Você e as meninas já decidiram na casa de quem vamos passar o natal?
– Já – eu disse com comida na boca. Nojento, eu sei, mas era o Leo, e, além de não se importar, ele gostava de mim do jeito que eu era – palavras dele. Engoli, e continuei — Concordamos em passar o natal na casa do Percy e da Annabeth.
Leo assentiu.
– Percy e Annabeth... Dá pra acreditar que esses dois vão se casar agora em janeiro? – olhei para ele.
Leo murmurou uma coisa que não consegui ouvir.
– O quê?
– Nada — ele respondeu rapidamente. — De qualquer jeito, você já viu amor maior que o daqueles dois? Se gostam desde os 12 anos.
– Pois é. Awn, isso é tão fofo!
– Assim como você.
Olhei para ele, pega de surpresa.
– Como?
– Eu te elogiei. Não posso mais elogiar a minha fofa, linda, gostosa e perfeita namorada?
– Pode — eu disse corada novamente.
– Ótimo — ele disse e me deu outro selinho.
A partir daí, comemos em silêncio, apenas apreciando a paisagem. Rapidamente terminamos o lanche e jogamos fora nossos guardanapos, voltando em seguida a nos sentar.
– Você acha que- comecei, mas fui interrompida pela risada do Leo.
– O que foi? — perguntei.
– Sua... Hahahaha... boca tá suja de ketchup.
– Ah!
Já estava levantando a mão para limpar minha boca quando Leo segurou meu braço.
– Deixa que eu limpo.
E então o cara de pau se inclinou e lambeu o canto da minha boca. Nos olhamos brevemente, e obviamente ele não perdeu a chance de me beijar.
Esse beijo, diferente do outro, foi intenso. O pequeno frio que eu estava sentindo antes não existia mais, substituído pelo calor que o corpo de Leo me passava. Estávamos colados, ele com as mãos passeando pelas minhas costas, e eu com as mãos passeando por seus cabelos. Deuses, como eu amo esses cabelos. Sem ar, nos separamos.
– Quer caminhar? — ele perguntou ainda ofegante.
– Claro — respondi.
Depois de entrelaçar nossos dedos começamos a andar. Demos a volta no parque, apenas jogando conversa fora.
– Sabe, eu não entendi uma coisa — Leo disse.
– O quê? — perguntei.
– Ontem, quando a gente foi ao cinema com a galera, a Piper comentou que "estava gorda" — Leo fez aspas no ar, porque, sinceramente, a Piper, gorda? É mais fácil ver o Percy sem comer comida azul. — E então a Annabeth disse que, se a Piper estava gorda, ela estava uma baleia. E aí chegou a Rachel e disse que se a Annabeth estava uma baleia, ela estava uma baleia orca.
– E...?
– E que, por que baleia orca?
Franzi as sobrancelhas.
– Eu não entendi.
– Baleias orcas não são as baleias mais gordas que existem. São as baleias azuis.
– Aonde você quer chegar, Leo?
– Estou querendo dizer que as baleias orcas sofrem bullying.
Eu ri.
– E o que você vai fazer a respeito? — perguntei divertida.
– Vou criar uma ONG contra o bullying às orcas — ele disse sério.
– Jura? – olá sarcasmo.
– Juro. O nome vai ser "ONG Contra o Bullying ás Baleias Orcas". E o slogan vai ser "Não pratique bullying com as orcas. Porque você pesa mais que uma delas".
Eu não aguentei mais e ri. Mas ri tanto, que cheguei a chorar.
– O que é tão engraçado? — Leo tentou manter a pose séria, mas um pequeno sorriso no canto de seus lábios estragava tudo.
– Nada. Nadinha de nada.
– Acho bom mesmo — ele tentou parecer intimidador.
– Ui, que medo — o deboche era claro em minha voz.
– Você devia ficar mesmo com medo, di Angelo.
– Por quê? O que você vai fazer, Valdez? — perguntei provocativa enquanto cruzava os braços.
– Isso — Leo pegou rapidamente um punhado de neve no chão e jogou em mim.
Minha boca se abriu em surpresa, mas logo em seguida já estava aberta em um sorriso travesso.
– Você vai ver só Valdez!
Foi aí que a guerra de neve se iniciou.
Após quinze minutos de muitas bolinhas de neve, cócegas, risadas e gritos, estávamos tirando fotos do boneco de neve e dos anjos de neve que fizemos.
– Sabe, seu anjo ficou muito bom — Leo comentou.
– O seu também não ficou nada mal.
– Mas o melhor é o nosso boneco de neve.
– Sr. Zach Sem Nariz de Cenoura, por favor. É assim que ele gosta de ser chamado.
– Tudo bem, Sr. Zach Sem Nariz de Cenoura — Leo se virou para o boneco -, eu sinto muito.
– Ele até que tá muito bom – comentei.
– Só faltou a cenoura.
– É.
Ambos olhamos para Zach Sem Nariz de Cenoura, apreciando nossa obra de arte. Ele até que não estava feio para quem não tinha recursos: achamos algumas pedras por aí, fazendo com elas os botões de sua “camisa” e seu rosto, e colocamos o cachecol do Leo em seu “pescoço”. Ele sorria, mas não tinha um nariz. Coitado.
– Nossa, já são onze horas — Leo disse olhando em seu iPhone.
– Melhor irmos para casa então – puxei levemente sua mão, mas ele não saiu do lugar.
– Não. Antes eu tenho que te levar em um lugar – ele disse pegando seu cachecol de volta.
– Ah. Tudo bem.
Dessa vez ele me puxou pela mão, e me conduziu até a árvore de natal. Chegando lá, ele cutucou o ombro de uma mulher que conversava com – aparentemente – seu marido enquanto segurava um menininho no colo.
– Com licença, madame? Será que você poderia tirar uma foto nossa? – ele perguntou educadamente.
– Claro – ela disse, sorrindo.
Leo lhe deu seu iPhone e me puxou até a frente da árvore, segurando minha cintura. A mulher colocou a criança no colo do marido e se virou em nossa direção, com o celular pronto em mãos. Nós sorrimos e olhamos para a câmera, esperando a senhora tirar a foto.
– Pronto – ela falou um segundo depois.
Leo se aproximou dela.
– Será que você poderia me fazer outro favor?
Ela concordou com a cabeça e então ele falou algo em voz baixa para ela. Ela assentiu e Leo voltou para o meu lado. Olhei para ele confusa.
– O que foi?
– Bianca, eu preciso te dizer uma coisa muito séria.
– O que aconteceu? – perguntei preocupada.
– Primeiro de tudo: você me ama?
Apesar da preocupação, revirei os olhos.
– Mas que pergunta idiota. É óbvio!
– Mas me ama mesmo?
A essa altura, já estava começando a imaginar as piores situações do mundo. E se ele tivesse que mudar de país? E se ele estivesse doente? E se fosse morrer?!
– Mas é claro que sim.
– Ótimo, porque...
Ele colocou a mão no bolso do casaco. Já ia perguntar o que havia de errado, achando que ele tiraria do bolso um exame médico comprovando que ele tinha câncer ou algo parecido, quando ele tirou de lá uma caixinha preta e se ajoelhou. Arregalei os olhos.
– Leo, o que você... – “o que você está fazendo?” queria perguntar, já imaginando o que estava prestes a acontecer.
Foi quando ele abriu a caixinha que eu vi a aliança. Minha boca se escancarou e imediatamente levei minhas mãos à mesma.
– Bianca, quando eu penso no meu futuro, não consigo me ver sem você nele. Você se tornou meu mundo, e eu te amo mais do que tudo na minha vida. Acredite quando eu digo que você fez de mim um homem melhor. E acredite que você vai fazer de mim o homem mais feliz do universo se aceitar ser minha esposa. Então, Bianca, você quer casar comigo?
Eu chorava quando sussurrei:
– Sim.
Não acho que Leo tenha me ouvido, mas leu meus lábios. Seu rosto se iluminou, e eu respondi mais alto:
– Sim!
Pulei nos braços do meu namorado ao mesmo tempo em que ele se levantava. Ele me girou no ar enquanto eu ria e tentava parar de chorar. Quando ele me colocou no chão o beijei, ouvindo no fundo as palmas e “awn’s!” das pessoas ao nosso redor. Quando nos separamos, continuei com meus braços em seu pescoço e colei nossas testas.
– Tem certeza de que você não vai enjoar de mim? – minha voz estava trêmula, tamanha era a minha surpresa e comoção.
– Eu bebo água todos os dias e não enjoei ainda – ele respondeu.
– Besta – revirei os olhos. – Água é essencial pra vida.
Ele olhou bem fundo nos meus olhos.
– E você é essencial pra mim.
Uma lágrima caiu antes que eu o beijasse de novo.
– Gostou da surpresa? – Leo sussurrou sorrindo.
– Não.
Ele se afastou um pouco de mim e pude ver a tristeza em seus olhos por alguns segundos antes de eu dizer:
– Eu amei.
Leo sorriu abertamente para a minha nova resposta e me beijou rapidamente.
– Eu te amo – ele disse me dando um beijinho de esquimó.
– Eu também te amo.
Um “que fofo!” vindo da multidão me trouxe de volta á vida, e quando olhei em volta, vi uma multidão aglomerada ao nosso redor. Leo e eu rimos ainda abraçados.
– Me dá a honra? – ele perguntou com a aliança na mão, acenando com a cabeça na direção da minha mão esquerda.
– Mas é claro que sim – repeti pela segunda vez na noite, sorrindo.
Ele, delicadamente, pegou minha mão e colocou a aliança no meu dedo anelar. Depois me deu um selinho. O não-sei-que-número daquela noite.
– Obrigado por filmar, madame – Leo disse pegando seu celular com a senhora que tinha nos fotografado.
– Foi um prazer, meu jovem – ela sorriu para ele quando devolveu seu celular.
Leo então veio até mim e me estendeu seu braço.
– Podemos ir para casa agora se você quiser, minha-agora-noiva – ele deu ênfase nas últimas palavras. Eu sorri.
– Tudo bem, meu-agora-noivo.
E fomos para casa.
Não tirei o sorriso do rosto por um segundo sequer. Eu estava noiva! Do homem mais lindo, gostoso, engraçado e perfeito do mundo. Mal podia esperar para contar para os nossos amigos.
Mais tarde, quando Leo e eu nos deitamos para dormir, ele sussurrou em meu ouvido:
– Obrigado por fazer de mim o homem mais feliz do universo.
– E obrigada a você por fazer de mim a mulher mais feliz do mundo.
Beijamo-nos pela enésima vez naquele dia, e mesmo estando no típico inverno de dezembro de Nova York, tivemos uma noite bem quente.
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