Notas iniciais
Olá peixinhos dourados! Essa é uma fanfic que passei um tempo escrevendo, é sobre um dos Shipp's que eu gosto muito, cujo Otabek Altin e Yuri Plisetsky (Otayuri), espero que gostem e boa leitura! ✿

Os dias eram monótonos, imutáveis e sem grandes surpresas. Olhava-me no espelho assim que me dirigia ao banheiro e fazia a barba, em algumas situações forçando um sorriso, já que muitas pessoas me perguntavam o motivo de minha feição séria. Ás vezes tão cansado que por um desleixo machucava minha pele, o que me fazia querer voltar para cama imediatamente.

Fazia uma semana em que eu trabalhava em um posto policial após ser transferido, e o que pensei sobre os casos estonteantes que iria pegar não passavam de miragens, afinal, pegar café e organizar documentos não era exatamente o que fazia.

Mesmo minha vida sendo uma mesmice, tinha dias que era tudo muito agitado, telefones tocando, ladrões algemados, e muitas das ligações que recebíamos eram sobre bêbados que faziam algazarras na rua, mas nenhum caso que realmente incluía meu desejo de resolver — Não que eu fosse realmente ser chamado para tal coisa — talvez isso seja bom, uma cidade sem nada de alarmante, mas, café?

Suspirei inclinando um pouco minha cadeira para trás.

— Otabek, está tudo bem? — Um colega de trabalho perguntou.

— Sim. — voltei ao meu lugar. — É que hoje está muito quieto. — coloquei as mãos em minha nuca.

— Isso é bom, não é? — sorriu. — Não ter nenhum cas...

E em um instante o chefe do local apareceu com dois homens algemados que pelas suas expressões além de raivosas, sabiam que haviam se metido em problemas dos grandes. Ao passarem por mim sendo impedidos por guardas em direção as celas sussurraram algo como “Aquele loiro vai me pagar”.

Levantei a sobrancelha em óbvia curiosidade sobre o assunto, então voltei meus olhos ao chefe do departamento.

— Otabek — Me chamou autoritário. Levantei-me. — Hoje é seu dia de sorte — Estranhei olhando de soslaio para um colega anônimo que levantara os ombros em um gesto que não sabia o motivo do pronunciamento.

— Senhor? — Indaguei levemente confuso e curioso.

— Você pega o caso de Plisetsky, arranje uma equipe e comece a trabalhar — Ordenou, eu poderia ter chegado ao departamento tarde, mas sabia de quem ele estava falando.

Ouvi sussurros alheios de como era impossível uma pessoa como eu pegar um caso depois do que ocorrera, mas talvez fosse um empurrão, era raro sentir medo de algo.

Olhei para trás esperando voluntários, mas imediatamente voltaram seus rostos para o computador. Revirei os olhos.

Grandes policiais — assentei-me em minha cadeira novamente, e passei por lá horas pesquisando sobre tal criminoso. Era estranho, ninguém conseguia pega-lo mesmo tudo estando tão aparente sobre suas ações, nem sequer quis se esconder das câmeras... — Furtos em grande quantia... Pessoas de classe alta... Políticos... — balbuciei.

— Ei! Vai ficar ai até quando? — Um sobressalto tirou-me de minha concentração.

— Não chegue à surdina assim — Disse sério voltando meus olhos a tela.

— Bem, se resolver esse caso te fizer sorrir pelo menos uma vez, eu ajudo — Grunhi. Ele colocou uma mão em meu ombro e aproximou seu rosto da tela. — Ele parece tão novo, nem parece que já passou dos dezoito...

— As aparências enganam, Katsuki — Citei, observando-o ajeitar seus óculos redondos.

— Pode ter certeza disso — Confirmou.

Eu estava deixando algo passar em branco e eu sabia disso, quando voltei para casa o tempo em que fiquei deitado em minha cama foram os momentos em que minha mente trabalhava, enquanto pensativo, eu observava o teto do meu apartamento.

Em um surto de idéias levantei da cama as presas abrindo meu notebook, ele aparecia a noite, era uma fonte de fuga eficaz já que a madrugada em Moscou era a metamorfose da manhã transformando as ruas.

— Tchertanovo. — Era obvio o bairro mais perigoso da Rússia, não era novidade ninguém se pronunciar para checar aquele lugar. Respirei fundo. — Amanhã vai ser um dia agitado...

Passei a noite em claro, pensando nas possibilidades que o dia me traria junto com os perigos. Passei a mão pela minha cicatriz no abdômen, tinha de fazer isso.

Entrei no chuveiro deixando a água quente percorrer meu corpo. Logo acabei o banho com os últimos pingos de água formando uma linha que serpenteava em minhas costas.

Mais uma vez me encontrava no departamento, agora com a mente clara e talvez um plano.

— Parece inspirado — Yuri deduziu estudando meu rosto enquanto bebericava uma xícara de café.

— Vamos a Tchertanovo — Cuspiu o café imediatamente assim que me ouviu proferir o nome do local.

— Olha, eu não sei se isso tudo é falta de sono, mas você enlouqueceu! — Apontou para a própria cabeça fazendo um gesto.

— Eu não me importo de ir sozinho — Disse indiferente enquanto organizava os documentos.

— Com a cara de mafioso que tem entraria fácil — o olhei de relance fazendo-o se calar, mas não demorou muito a começar novamente. — Eu vou com você — suspirou dramaticamente, obviamente não queria ir.

— Precisamos arrumar roupas, Katsudon — proferi com a mão no queixo enquanto riscava o mapa de Tchertanovo. — Achei. — declarei. — Vamos. — levantei-me pegando meu casaco de couro pendurado na cadeira.

— Ok... — me seguiu. — Espera, Katsudon?! — o ouvi reclamar enquanto nos vestíamos, e até no caminho para a missão.

Esperávamos anoitecer a espreita, em silêncio, as armas em nossas cinturas indicavam que não teria volta, pois as ruas se transformavam continuamente. Yuri Katsuki parecia nervoso.

— Vá embora — Comandei sério, o japonês hesitou, espreitei olhando em volta detrás de um pequeno beco inóspito. — Agora.

— Não posso deixar você sozinho aqui, somos parceiros! — Destacou fitando-me perplexo.

— Eu comando aqui, saia — Não podia arriscar a vida dele, pela minha expressão, mesmo hesitante Yuri dera leves tapas em meu ombro em sinal de boa sorte e fizera o que eu mandara.

Respirei fundo colocando o boné escuro que havia pegado. Em meio a uma pequena multidão os cabelos dourados se destacavam, era Yuri Plisetsky, não tinha duvidas quanto aos olhos azuis e jeito arrogante.

Mas por um momento, em meio a tantas pessoas ele olhara para mim, mas desviei os olhos parecendo indiferente e quando voltei a mirá-lo, havia sumido. O procurei ligeiro e vi fios dourados a adentrar um beco não muito longe.

A passos rápidos adentrei o lugar mal iluminado e estreito, pensei ter visto seu paradeiro ao entrar em uma das casas abandonadas, entretanto neste momento ouvi o som do destravar de um revolver por trás de meu ouvido.

— Fazia tempo que não via um policial por aqui — proclamou monótono. — O que veio fazer aqui? — Perguntou encostando o cano da arma por um segundo em minha nuca.

— A situação é meio óbvia não acha? Um policial, um criminoso... — Disse em sarcasmo.

— Os policiais de hoje são tão idiotas assim? — Proferiu e em um movimento rápido apliquei um golpe que tirou a arma de sua mão. Coloquei suas mãos por cima de sua cabeça impedindo-o de se soltar.

Olhou para mim surpreso. Mas mais uma vez senti a sensação gélida em minha nuca, presumi ser um de seus seguidores.

— Não atire — ordenou e rapidamente quem estava ali retirou o cano ainda frio de minha pele. — Interessante — me rodeou e por um momento senti sua mão apertar minha bunda. Levantei uma sobrancelha. — Vá embora, isso não é um parque de diversões, senhor policial.

— Eu não brinco — Me virei fitando-o. O observei franzir as sobrancelhas.

— Você é corajoso — Sorriu endiabrado. — Gosto de você.

— Otabek! — ouvi meu nome e imediatamente reconheci a voz de Katsuki. — Merda...

Distrai-me por um momento, e simplesmente o paradeiro de Yuri Plisetsky havia novamente se perdido na parte escura da cidade, atiçando-me o desejo de encontrá-lo novamente, caçá-lo.

Era manhã de domingo, o prazer de pegar minha moto e dirigi-la sem um rumo especifico era a melhor forma que minha mente encontrava para se por em juízo.

Passar pelas paisagens da Rússia apenas como se fosse um turista qualquer em uma viagem acomodava meu corpo dos dias em que passei a procura de Yuri Plisetsky.

“Aquele garoto” pensei.

Estacione minha moto ao lado da ponte de ferro que ligava uma parte dos bairros, estava deserta como de costume. Parei-me no parapeito da ponte observando a água driblar as pedras, águas cristalinas possibilitando ver as pequenas pedras coloridas em seu fundo.

Suspirei.

— Faz tanto tempo... — Comentei vendo o local onde a cicatriz no meu abdômen teve sua causa.

Meu celular tocou desviando minha atenção das memórias melancólicas, o peguei do bolso da jaqueta atendendo.

— Sim?

Achamos o esconderijo dele — senti uma vertigem da qual não entendi o motivo. — Graças a você, Otabek, bom trabalho.

— Sim... sim senhor — Respondi ouvindo-o desligar, mas por quê não me sentia realizado?

Posicionei minha mão por cima de minha jaqueta preta sobre a cicatriz, estava fazendo a coisa certa, não é? Mas novamente sentia algo passar, algo importante, como se eu não soubesse de alguma coisa.

Escutei passos e pelo canto do olho observei a figura que se aproximava, e para minha surpresa, a pessoa da qual todos estavam perseguindo se aproximava. Deslizei minha mão até minha cintura sentindo o cabo do revolver.

— Eu não estou aqui procurando problemas — ergueu as mãos para cima e retirou a arma escondida atrás de si a jogando no chão empurrando-a com os pés. — Quero conversar. — levantou seus óculos escuros por cima de sua cabeça.

— É uma situação contraditória — Comentei abrindo um maço de cigarros retirando um. Coloquei-o na boca enquanto examinava sua aproximação. Ele então retirou o cigarro de minha boca o jogando no rio.

Levantei uma sobrancelha.

— O que acha que está fazendo? — Perguntei em reprimenda.

— Salvando sua vida — Os olhos azuis fitavam-se em mim, mas logo se voltaram à água em baixo da ponte.

— Irônico — Proferi afastando-me do parapeito, do qual o loiro subira enquanto caminhava se equilibrando.

— Sabe o que é mais irônico ainda? — indagou em um rodopio, o que me deixara atônito. — Você que caça bandidos as ordens dos mesmos — parou repentinamente.

— Do que está falando? — Franzi o cenho, do que exatamente ele estava falando?

— A verdade sobre tudo isso, ninguém contou, certo? — começara seu caminho novamente enquanto o parapeito de ferro que flexionava com seus passos. — Que o dinheiro que ‘roubo’ são os sujos, desviados... — parecia com raiva.

— Como quer que eu acredite em você? — seu corpo parou em minha frente e seus joelhos se abaixaram, o rosto pálido se aproximou de minha feição séria.

— Eu posso mostrá-lo — sorriu. — Me encontre nessa mesma ponte amanhã às oito horas da noite, e não precisa se acanhar, se eu quisesse matar você, já o teria feito.

Então ao se levantar vi um de seus pés escorregarem, por impulso agarrei sua cintura puxando-a para meu lado, fazendo cair por cima de meu corpo, que pelo baque sentiu a dor.

— Idiota — Resmunguei.

— Não iria cair — Assegurou mesmo sabendo que estava errado.

Era fim de tarde, o céu tornava-se uma pintura da qual emitia as cores alaranjadas e rosadas prestes a desaparecer por causa da noite que se aproximava.

Revirei meus olhos por sua teimosia, mas senti as mãos gélidas do mais baixo em meu rosto.

— Não havia reparado desse jeito — proferiu. — Você é bastante atraente. — novamente mostrou-me seu sorriso, seus olhos surpresos cismaram em não desviarem de mim. Mesmo sendo mascarado por sua ferocidade era diferente agora que o via em minha frente.

Seu corpo inclinou-se mais próximo do meu que ainda caído no chão ainda continuava ali. Uma de suas mãos se apoiara em meu peito e sem ao menos eu perceber desferiu um beijo do qual cai em tentação.

Infiltrei meus dedos pelo cabelo dourado e macio da pessoa da qual toda Moscou perseguia, meu braço rodeou sua cintura o puxando para mais perto, ouvi seu gemido abafado pelo beijo repentino.

Fora nesse instante em que ouvi nitidamente pelo local que pensei estar deserto o destravar de um revolver, então regressei aos meus sentidos, e quando por fim voltei a ver de onde vinha tal som, Yuri Katsuki mirava na direção de Plisetsky.

— Otabek se afaste agora! — Vi o loiro apertar o canto dos lábios, e assustar-se.

— Merda... — Proferiu tentando achar uma escapatória.

Se era minha única chance de saber a verdade, não por sentimentos, mas por dever, me posicionei encobrindo o loiro por trás de minhas costas.

— Seu policial imbecil, por quê está me protegendo?! — Indagava aborrecido, recebi socos furiosos do mais baixo.

— Fique quieto, está bem? — Disse por cima de meu ombro.

— O que você está fazendo Otabek? Saia daí agora! — Gritou Yuri invocado.

— Não posso — Atentei-me sério aos olhos escuros por trás da mira da arma. — Me dê mais um dia, não conte a ninguém sobre isso, por favor... — Mordi meu lábio inferior.

— Se o chefe descobrir você irá para a cadeia! — advertiu.

— Conte a ele se quiser, mas eu vou achar a verdade nisso tudo — Estava determinado, o japonês demorou a abaixar sua arma, mas cedeu. Voltei a respirar regularmente.

— Droga Otabek... — Esfregou os olhos por baixo de seus óculos redondos.

— Você é um idiota, nunca conheci um policial tão determinado assim — senti sua cabeça encostar em minhas costas. — Podia ser uma armadilha...

— Estou confiando em você — Observei sua cabeça novamente por cima de meus ombros. — Yuri Plisetsky.

— Realmente um idiota...

No dia seguinte Katsuki ainda se perguntava o que passava em minha cabeça, as horas passavam e minhas pesquisas não cessavam.

— Mas o que é isso?... — Esfreguei meu queixo enquanto lia alguns documentos dos quais confirmavam o desvio de dinheiro de institutos educacionais e orfanatos para propinas e principalmente para pessoas relacionadas a policia para voto de silêncio. Estava perplexo, e com raiva.

— Otabek — Ouvi a voz autoritária, sabia que era meu chefe e em um movimento rápido com o mouse desloguei rapidamente dos documentos escondidos já que era contra a lei e eu não tinha total permissão, bem, principalmente após eu clonar a senha.

— Sim senhor? — Foquei-me na expressão séria do mais velho que logo se tornou um sorriso camarada.

— Você anda estranho ultimamente, aconteceu algo?

— Não senhor, apenas estou trabalhando — Confirmei tentando retirar essa impressão.

— Não se esforce demais se não está bem — proferiu olhando de mim para o computador, e dele para mim. — Continue esse bom policial que é.

— Sim senhor — O esperei sair do local e assentei-me novamente em minha cadeira.

— Acha que ele desconfiou? — Katsudon perguntou colocando a mão em forma de concha ao lado de sua boca enquanto sussurrava.

— Eu não sei... — olhei para o relógio. — Esta na hora. — levantei-me pegando meu casaco pendurado na cadeira. — Conto com você, Katsudon — ele assentiu com a cabeça e então apressei meu passo pegando minha moto, logo partindo em direção a ponte.

Após um tempo que estive dirigindo, os faróis que vinham me perseguindo me deixara desconfiado, cortei o caminho o despistando ao entrar em uma rua oposta pegando um atalho até a antiga ponte.

Lá estava ele, debruçado no parapeito de ferro deixando a brisa brincar com as madeixas douradas, seu semblante era diferente, pensativo de triste, como se não fosse o garoto arrogante do qual todos tinham receio. Uma estranha fascinação me instigava.

Aproximei-me com a moto atrás do mesmo.

— Deixe-a em algum lugar, não pode entrar com ela — Advertiu colocando sua mão na cintura. Assenti.

Não podia deixá-la parada ali mesmo sendo o lugar sendo deserto, então a estacionei em um lugar coberto pela grama alta. Assim que acheguei ao mais baixo ele colocou seu braço no meu.

— Não pergunte nada ainda — Proferiu olhando para o lado.

— Onde estamos indo? — Indaguei ignorando sua ordem, ele franziu o cenho, mas logo sorriu de canto.

— Para onde nasci. — Seu semblante sério me deixara com o desejo de saber mais sobre ele.

Assim nos aproximamos de um lugar escondido aos olhos da cidade, o portão verde e enferrujado denunciava um local que a primeira impressão parecia abandonado.

— Como mudou de idéia de mostrar isso para um policial? — Sua mão deslizou de meu braço entrelaçando os dedos em minha mão.

— Disse que confiava em mim, estou fazendo o mesmo — explicou. — Mas não vou evitar te matar se tentar algo — avisou enquanto perto dos portões uma pequena janela acoplada fora aberta, olhos medonhos me examinaram.

— Quem é esse? — Perguntou o homem enquanto rolava seus olhos para minha pessoa.

— Não preciso explicar nada para você — Disse com rudeza puxando-me pelo braço assim que os portões se abriram.

Fora ai que me surpreendi, o burburinho quase inaudível de crianças, pessoas que pareciam morar naquele local, muitas cumprimentaram Yuri que de bom grado sorrira.

— Isso é...

— Um orfanato — seus olhos focaram-se apenas a visar à frente. — Eu pego o dinheiro que fora desviado que pertencia a esse lugar, e ajudo as pessoas por aqui, afinal, já fui assim também... — o olhar cabisbaixo, mas o sorriso forçado ainda estampado me dera agonia de vê-lo assim. — Às vezes a pessoa não tem muitas escolhas, sabe? Quando já se tenta de tudo, não posso fazer muita coisa, muitas das vezes somos censurados se tentamos...

Entramos em uma sala pequena da qual o loiro botara seus pés calçados com botas pretas em cima da mesa observando o lado de fora um tanto movimentado.

— Eu descobri algumas coisas — virou-se fitando a mim. — Passei a noite pesquisando, e realmente os documentos são verídicos — proferi sério.

— Davai, Otabek! — disse irônico. — Finalmente percebeu que tipo de pessoa te rodeia — retirou seus pés da mesa. — O que vai fazer agora já que sabe de tudo isso?

— Preciso pensar em uma solução, tem algo a mais acontecendo — justifiquei. Observei o relógio de pulso, pois havia desligado o celular para caso alguém me rastreasse. — Preciso ir.

— Vou vê-lo de novo? — A pergunta me surpreendeu.

— Meu óbvio charme tem tanto efeito assim? — Brinquei abrindo um sorriso egocêntrico. Ele riu mesmo parecendo evitá-lo.

— Não sabia que tinha senso de humor — Cruzou os braços ainda com um leve sorriso no rosto.

— Isso foi... um bom elogio da sua parte — acentuei me direcionando a porta e deixando sua pergunta pairando pelo ar.

Não havia chegado tarde em minha casa, o relógio ainda não marca a meia-noite do dia, novamente minha mente se comportava de modo importuno perguntando-se o que faria, obviamente havia alguém que desconfiava de mim e se realmente fosse o chefe, teria que agir rápido.

As horas passavam e a madrugada se passava lenta, não conseguia dormir, novamente me peguei olhando para o teto, antes de ouvir um barulho em meu quarto, imediatamente peguei a pistola da qual deixava em baixo do travesseiro apontando para quem estivesse ali.

— É um quarto bonito — imediatamente reconheci a voz de Yuri Plisetsky. — Pode abaixar essa coisa por enquanto? — pediu, minha respiração acalmara. Coloquei a mão em minha testa enquanto talvez o amaldiçoasse por ter feito aquilo.

— Não te ensinaram boas maneiras? — indaguei enrugando a fronte. — O que faz aqui e como subiu até esse andar?

— Tenho meus métodos — olhou de soslaio para a janela. — E claro que eu tenho bons modos, pensei que estivesse dormindo então o poupei da campainha — sorriu endiabrado. Revirei os olhos.

— Ainda não me respondeu o motivo de estar aqui — Repeti.

Vi sua mão agarrar-se ao lado de sua regata, seu rosto procurar uma resposta adequada já que não teria como simplesmente estar aqui sem um motivo aparente.

— Eu quero mais — Enrubesceu, talvez eu soubesse, mas o provoquei.

— O que? — Seu rosto tornou-se furioso ainda sim avermelhado.

— Você é tão... — tentara achar a palavra certa. — Deixa isso pra lá, vou embora.

Por um momento enquanto se direcionava a janela meu corpo por impulso aproximou-se. Segurei seu braço e seu rosto evitava a olhar para mim. Em um surto de desejo por tê-lo o pressionei na parede cinza segurando suas mãos por cima de sua cabeça.

A testa franzida, as bochechas ainda coradas, o mais baixo aparentemente orgulhoso demais para estar em uma posição como essa.

Em um golpe rápido me suas mão se retiraram de meu comando e me vi sendo empurrado para a cama.

“Realmente muito orgulhoso” Pensei.

Seu rosto aproximou-se iniciando um beijo vigoroso sem o mínimo sentimento de regressar, senti suas pernas se posicionarem aos lados de minhas pernas, afastou-se retirando minha camiseta preta exibindo a cicatriz que escondida, desviei os olhos, mas senti seus lábios a beijarem.

“Se eu me apaixonar, estarei em problemas”, foi o que pensei enquanto observava seus olhos azuis se aproximarem e sentir os beijos em meu pescoço.

— Ah... — Soltei um gemido grave, o corpo de Yuri estremeceu.

— Sua voz... — comentou, observei seu rosto ficar mais avermelhado. — Quero ouvi-la de novo — Esse garoto...

Seu corpo movimentou-se mais abaixo, senti suas mãos abaixarem minha boxe, não podia esconder o prazer que sentia, principalmente, quando notei que sua língua passava por minha glande, sentei-me na cama observando o cabelo loiro se remexer em movimentos lentos, mordi meu lábio inferior.

— Droga... — sussurrei, esse cara estava me deixando maluco. Levantei seu rosto com uma de minhas mãos, seus olhos estavam entreabertos. — Se levante — Estava estranhamente obediente.

Ficara de pé logo a minha frente, adentrei minhas mãos pela sua regata preta, senti seu corpo estremecer com o toque e simplesmente não me agüentei. Retirei sua roupa observando o corpo esguio e pálido, era delicado.

— Não é justo apenas você se sentir bem — O puxei pela cintura o aproximando de meu colo, beijei seu tórax até encostar minha língua em seu mamilo fazendo movimentos circulares.

— Ota... bek — Um gemido seguido do suspirar havia sido dito com meu nome, era uma sensação boa.

Troquei minha posição o deitando em minha cama já mais bagunçada que o começo. Submeti-me a me abaixar segurando sua coxa a levantando levemente.

Seu membro já estava ereto e pulsante, sem pensar muito o lambi em movimentos circulares, senti o corpo de Yuri em espasmos e gemidos altos.

— Otabek, eu... — o abocanhei fazendo movimentos lentos o que fazia o loiro segurar o lençol com força enquanto sua outra mão simplesmente se agarrava em meu cabelo. — Ah! — tampou sua boca, por um momento fiquei indignado, retirei minha boca lambendo seu canto, logo me acresci por cima do mais baixo.

— Isso é injusto, eu não ouvir você chamar meu nome — ele franziu o cenho desviando o olhar, lambi seu pescoço o fazendo gemer ainda abafado pela sua mão. — Você é muito orgulhoso.

— E você não passa de um... policial idiota — Sorri de canto com sua recente fúria.

O virei de costas o que o surpreendeu, inclinei meu corpo para frente levantando um pouco seu quadril para cima, assim começando a masturbá-lo.

— Ah... — Ele segurou a cabeceira da cama com força.

— Pode dizer que sou um idiota de novo... — Comentei beijando seu pescoço. Ele estava próximo a gozar. Acelerei os movimentos com minha mão e seu corpo entrara em êxtase.

— O... Otabek eu... Ah! — senti o liquido quente em minhas mãos, desacelerei os movimentos, seu corpo novamente estremecera. — Idiota... — proferiu sentando-se de costas para mim.

Então o vi resmungar alguma coisa.

— Você está... — Tentei descobrir algo, logo se virou para mim com raiva.

— Por que... — Desviou o olhar novamente. — Por que você não continuou? Seu policial idiota!

— Decepcionado? — completei a pergunta, achei sua reação adorável. — Desculpe. — proferi desferindo um beijo, ele franziu o cenho corado.

E em poucos segundos senti minha mão presa por uma algema na cabeceira da cama. Levantei a sobrancelha, olhei para o loiro que bufou se levantando e vestindo suas roupas.

— Sério?... — Questionei mais para mim mesmo.

— Eu vou me entregar a policia — proferiu ajeitando o cabelo. — Eles vão acabar me prendendo de qualquer maneira.

— O que? — Examinei sua expressão.

— Eles estão atrapalhando tudo, deixarei outro em meu lugar — respirou fundo. — Apenas queria ter uma boa lembrança, acho que consegui... — sorriu leve.

Tentei me soltar e assim que me virei novamente, sua silhueta partira pela janela, apertei o canto de meus lábios.

Impulsionei meu pulso ainda preso para frente.

— Que... droga!

Quando amanheceu naquele mesmo dia fiquei pensativo, receoso em receber o aviso que Yuri Plisetsky havia sido preso. Meu pulso avermelhado ainda latejava após tentar usar uma técnica que aprendi para soltar-me.

— Você está bem? — Perguntou Katsuki estranhando minha expressão pensativa para o wallpaper do computador. Assenti, mesmo não estando.

Ouvi sua cadeira de escritório deslizar até próximo da minha.

— Você pode ter essa cara séria, mas quando fica minutos olhando para o wallpaper de inicio quer dizer que não está nada bem — Deduziu e incrivelmente estava certo.

— Yuri disse que ira se entregar — falei o olhando de relance. Katsuki pareceu perplexo. Imprimi os documentos com conversas e áudios enviados. — Tome — o entreguei. — Sinto que vai acontecer algo ruim — presumi enquanto fechava também um e-mail.

Então as portas da delegacia se abriram, fiquei estarrecido ao ver que quem os policiais seguravam era Plisetsky que cabisbaixo mordera seu lábio inferior, por um segundo seus olhos encontraram os meus e voltaram ao chão. O acompanhei com meus olhos até passarem de outra porta da qual detinham os presos.

— Otabek Altin, você está sendo afastado do cargo de detetive policial por ser acusado de ajudar Yuri Plisetsky. Terá que estar presente na audiência amanhã de amanhã.

Suspirei pegando meu casaco de couro, olhei de canto para Katsuki rapidamente do qual entendera o que tinha de ser feito, mas ao virar-me o sorriso escondido do chefe me deixara enjoado fazendo-me ignorar tal fato, afinal, não poderia fazer nada até a audiência.

Caminhei sobre os olhos de pessoas dentro do departamento, e conseqüentemente passei ao lado do chefe que disse algo:

— Parece que está com problemas — Riu falsamente.

— Vamos ver — Falei deixando a delegacia enquanto eu sentia os olhos me seguirem, sérios, prontos para talvez iniciar um atentado.

Sentei-me a beirada da cama em meu apartamento do qual sentia um vazio incomum enquanto olhava para fora da janela, a luz pálida da lua invadiam a fina camada de tecido da cortina iluminando o quarto.

Não podia sair de lá, era óbvio ao me esgueirar ao lado da janela chegando a cortina para o lado e observando cautelosamente um dos carros da policia estacionado.

Qualquer ação que eu fizesse online poderia ser checada. Eu era um pássaro engaiolado, talvez lutando pela justiça enquanto provocada dois lados diferentes, nem tanto, em alguns casos.

Quando dei por mim acordei ao lado da janela, onde agora a claridade do dia alertava a audiência. Respirei fundo como se fosse o primeiro dia. Tomei meu banho imaginando possibilidades de algo acontecer, apenas não sabia se era bom ou ruim.

Enquanto olhava para o terno, meu uniforme logo ao lado foi o escolhido de minha mão, o vesti e desci, não deixando de ser seguido tornei meu caminho direto a audiência.

As portas grandes de madeira bruta, o piso lustrado, alguns segundos do lado de fora e finalmente as abri. Vi muitas pessoas assentadas, porém, não vi Katsuki, franzi o cenho perguntando-me o que acontecera.

Mais a frente, deparei-me com os cabelos dourados de Yuri acompanhado por guardas, caminhei até o balcão da direita recebendo olhares de todos no salão, inclusive os azuis cintilantes.

Sério, em silêncio assentei-me, estava prestes a começar e meu olhar incessante para o relógio acima do juiz alertava minha ansiedade.

Ouvi o ranger das portas nos últimos minutos, aliviei-me ao ver Katsuki com o envelope em mãos sorrindo amarelo, logo o chefe de policia do balcão a esquerda assustado levantou-se.

O japonês assentou-se ao meu lado.

— Desculpe o atraso — Disse.

— Obrigado por estar aqui — agradeci enquanto o juiz ajeitava sua roupa e o martelo de madeira fora pego por uma de suas mãos. E foi ai que eu soube que o futuro estava sendo debatido. Logo após o juramento, o direito foi dado ao chefe de policia que com o ego inflado sorriu.

— Otabek foi enviado a uma missão para prender o criminoso mais procurado de Moscou, então soubemos que tal policial associou-se a ele, quando vimos Yuri Plisetsky entrar em seu apartamento — ouvi Yuri suspirar, raivoso atrás de minha pessoa enquanto burburinhos indescritíveis começaram a ser ouvidos.

— Eles me seguiram... — Sussurrou estarrecido.

— Silêncio! — ordenou o juiz. O júri negava com a cabeça. — Isso é verdade? — direcionou seu olhar para mim.

— Sim, excelência. — Respondi diretamente, e mais uma vez o barulho de falas excedeu o silêncio.

— Ordem! — batera o martelo repetidas vezes. — Qual o motivo que levou a presença dele em sua residência, senhor Altin?

— Pode ter certeza que não foi para boicotar a ação da policia, que por sinal, sempre falhou em tentar me encontrar, pelo menos esse policial conseguiu — Debochou Yuri. Esse garoto realmente não tinha papas na língua.

— Senhor Plisetsky, eu não vou tolerar interrupções — Advertiu o juiz.

— Para avisar que o dinheiro que os orfanatos e instituições de caridade da região estavam sendo desviado para políticos, inclusive, comandantes da policia — Proferi certo do que dizia.

— Isso é difamação! — Gritou o chefe ao lado.

— Não irei pedir mais uma vez por silêncio no tribunal! — exclamou recebendo o devido silêncio. — E você tem provas disso?

— Tenho — Quando abri o envelope, o que vi me surpreendeu, as folhas estavam em branco. Fitei Katsuki que perplexo tentou explicar.

— Eu havia deixado por um momento em cima do balcão, alguém deve ter trocado os documentos — Proferiu com raiva. Mordi meu lábio inferior.

— Ele sabia... — Disse.

— Acho que temos um caso encerrado, não é? — O chefe de policia levantou-se do balcão. — Eu tenho as provas logo aqui, meritíssimo — apontou indicando as folhas e fotos em cima da mesa de madeira.

O juiz estava prestes a bater o martelo e encerrar a audiência. Novamente olhei o relógio.

— Espere! — Pedi.

— O que mais você quer? Meritíssimo, faça-me o favor — revirou os olhos.

— Direito concedido — O metralhou com os olhos por seu ato.

Eu esperei, o silêncio induziu o local novamente, o pé do chefe batia no chão continuamente, e então o som de uma mensagem de celular chegara ao juiz.

— Desculpem-me, meu celular...

— Não há problema excelência, veja a mensagem — ele levantou uma sobrancelha e em seguida arregalou os olhos.

— O que é isso? — Perguntou olhando-me atônito.

— Eu sabia que nossas provas imprimidas iam ser confiscadas por alguém, esses são os únicos documentos oficiais do departamento de policia que nos impediram de ter, assumo total envolvimento em consegui-los — virei meu rosto para o chefe de policia que com ódio e perplexidade me fitava. — O dinheiro retirado por Yuri Plisetsky é exatamente a quantia do qual os orfanatos estavam para receber, sem tirar nem uma moeda a mais — caminhei novamente a meu assento. — Ah, quase me esqueci, os áudios dos telefones grampeados estão ai.

— Isso é invasão de arquivos confidenciais e privacidade! — Proclamou.

“Apenas faça isso, eu sou o chefe da policia, quem vai desconfiar de mim quanto a isso? É dinheiro vivo, mandar para um lugar já caindo aos pedaços, para crianças que nem os pais quiseram é um desperdício de dinheiro.”

— Essa parece sua voz — Falou o juiz.

— E quem disse que não pode ser algum efeito para mudar as vozes? Já vi muito disso! — Tentou explicar-se.

— O rastreamento funcionou e indicou sua casa, não acho que seja coincidência — Proferi olhando-o com o semblante sério.

— E se foi você que armou tudo isso?! Dês do começo foi você, eu sei, se não fosse você ninguém teria descoberto! — Arregalei os olhos, e então pela face de quem acabara de perceber as suas palavras ditas apenas ouvi o som do martelo.

— O senhor está preso... em nome da lei — O juiz parecia desacreditado pela sua pausa. Observei as algemas serem colocadas nas mãos do antigo chefe de policia. — Yuri Plisetsky está livre, porém a prestar serviços comunitários, Sr.Otabek Altin, você será afastado por uma semana por invadir o sistema, irei enviar um mandato para que restabeleçam as normas para o dinheiro ser reenviado para os locais prejudicados. Caso encerrado! — Ouvi o martelo ecoar e me virei para observar os dois assentados ali.

— Você é incrível! — Pronunciou Katsuki que colocara sua mão em meu ombro, neguei com um sorriso, e então meus olhos se focaram em Yuri que olhava para suas mãos vazias algo que somente ele conseguia ver. — Vai lá — Sussurrou o moreno enquanto se afastava, não antes de piscar o olho e eu revirar os olhos.

Assentei-me no banco de madeira ao lado do loiro. O local estava vazio, e por um momento vi as lágrimas de Yuri deixar seus olhos e pousarem em suas mãos.

— Yuri, você está... — permiti-me tentar perguntar seu estado, então senti seus braços entrelaçarem meu pescoço inibindo minhas palavras. — Pensei que era contra demonstrações de afeto — aconcheguei meu rosto perto de seu pescoço.

— Cala a boca... — a voz tremula envolvia o local com seu som. — Spasibo²... Obrigado... — Disse mais baixo, ri abafado como se eu não pudesse segurar o sorriso.

Ficamos um tempo até Yuri me afastar como se nada tivesse acontecido e fazer um gesto com a cabeça para irmos. Coloquei a mão em minha nuca e descemos as escadas de entrada do local deparando-me com minha moto próxima.

— Já que está livre, o que pensa em fazer agora?

— Eu não sei... — A brisa brincava com seu cabelo e seu pensamento perdido advertiu-me a fazer algo.

— Vem comigo — Comandei andando até a moto botando meu capacete. Observei seu semblante de quem não gostava de receber ordens. — Vou deixá-lo para trás — estendi um outro capacete e ele cedera assentando atrás da moto colocando o capacete.

Senti o entrelaçar de seus braços por minha cintura e o recostar de seu corpo em minhas costas, assim que acelerei seus braços me apertaram com força.

Estava entardecendo e pelo tempo que ficamos naquele lugar não percebi o tempo passar, cheguei aquela ponte inóspita, não havia construções próximas era apenas um rio e vegetação baixa, mas não deixava de ser bonito quando o entardecer pintava o local de laranja.

Yuri desceu inspirando o ar puro e expirando aliviado como se não tivesse mais nada que o prendesse.

— Como fez aquilo? — Tomou a liberdade de perguntar.

— Meu pai gostava de informática, muito, para falar a verdade, acabei aprendendo algumas coisas e aprimorando elas, nunca as usei, até ontem é claro — Aproximei-me do parapeito onde o loiro se apoiava.

— Você parece gostar bastante desse lugar — deduziu observando a água remexer-se. Posicionei minhas mãos em meu abdômen. Yuri desviou o olhar para minhas mãos. — Da última vez também fez isso, o que aconteceu?

— Meu pai morreu ali em baixo, ao lado do rio — suspirei olhando para cima, senti o fitar dos olhos azuis em minha pessoa. — Um homem havia chegado e iniciando um assalto enquanto meu pai me mostrava as pedras coloridas. Eu tinha onze anos naquela tarde — Aproximei-me da moto me recostando. — O homem simplesmente o esfaqueou e eu tentei ajudar meu pai e acabei entrando na frente — ajeitei-me na moto. — É claro que ele não sobreviveu... O cara fugiu e a policia não fizera muita coisa, então cresci querendo fazer o que eles não conseguiram.

— Mas que droga... — proferiu cabisbaixo. — Desculpe por ter perguntado...

— Você foi a primeira pessoa que eu contei isso, sinto que deixei o peso mais leve — sorri entristecido. Senti os dedos frios em meu rosto e levantei meu olhar a observar o olhar indecifrável de Yuri Plisetsky.

Minhas mãos se fecharam em seu cabelo claro aproximando seu rosto do meu e iniciei um beijo que após afastar-nos iniciou-se outro mais rápido em sincronia.

Yuri aproximou-se mais em meio as minhas pernas, meus beijos desceram ao seu pescoço do qual a marca da ultima vez que estivemos juntos ainda não havia deixado sua pele pálida. Sua pele eriçava e estremecia com meus toques o que me dera mais prazer de toca-lo.

Suas mãos aconchegavam-se em meu cabelo enquanto as minhas adentravam sua regata tocando seu corpo magro. Logo a retirei exibindo o corpo febril e o volume se destacava em sua calça preta, seu rosto enrubeceu.

O segurei em meu colo fazendo-o assentar em minhas pernas, abri o botão de sua calça abaixando-a junto com sua boxe, ele segurou-se em meu pescoço e minha mão começara a masturbá-lo, vi morder sua boca inibindo novamente seus gemidos.

— Ei — lambi seu pescoço. — Nem pense em fazer isso — não conseguindo segurar soltou seu suspiro profundo, senti seu corpo remexer em meu colo.

— Ah... — Abaixou sua cabeça apertando meu ombro com sua mão que logo deslizou sobre meu corpo e senti sua mão desabotoar minha calça fazendo o mesmo gesto. Assim que tocou meu pênis ele lambeu os lábios.

Esse cara realmente ainda vai me deixar louco, pensei e estava certo, senti meu membro pulsar em suas mãos lisas e não queria perder para ele, aumentei a velocidade de minha mão o fazendo gemer perto de meu ouvido.

— Yuri... — o chamei e senti seus beijos em meu pescoço. — Ah... — puxei seu quadril mais próximo de mim sentindo seu membro em meu abdômen e ele suspirar por sentir o meu mais em baixo de si.

— Eu quero fazer isso... — proferiu. — Se parar agora nunca vou te perdoar — Senti os olhos azuis vibrantes sobre mim, seu rosto avermelhado e olhar entreaberto me fizeram querer tê-lo apenas para mim.

O posicionei na moto de modo que consegui olhar a linha de suas costas descerem até me mostrar pequenas covinhas acima de onde a parte de sua calça começava. Aproveitei retirando minha jaqueta e minha camisa.

— Ponha as mãos no guidão — pedi, suas costas fizeram um movimento como se fosse um felino enquanto as mãos se apoiavam no local. — Isso... — sussurrei. Acresci-me por trás do loiro fazendo a moto se mexer um pouco.

Meus beijos marcavam suas costas enquanto minhas mãos passavam por sua cintura segurando-as e logo abaixo descendo seu jeans escuro. O levantei um pouco em meu colo e o ouvi gemer ainda segurando-se.

O ergui com cuidado para não se machucar e posicionei meu membro adentrando devagar seu orifício, senti o choque que passou pelo seu corpo e o apertar do guidôn.

Enquanto eu tomava cuidado Yuri pressionou um pouco mais fazendo-o adentrar por completo, segurei uma mão na parte de trás da moto sentindo o prazer que seu corpo proporcionava, me apressei a me mover iniciando lentamente o movimento de ida e volta.

Seu corpo se remexia e seu quadril movimentava-se de forma incrivelmente sensual. Inclinei-me para frente segurando sua mão por sua do guidôn acelerando os movimentos.

— Ah! Ah! — seus gemidos ficavam mais altos pela velocidade o que desencadearam os meus próximo a seu ouvido, o suor em suas costas brilhava e a moto se remexia com o ato que acelerava. — O... Odabek... hm... — sua voz estava me deixando em êxtase.

Ele virou-se para mim sentando-se em meu colo facilitando eu masturbá-lo enquanto eu continuava o movimento.

— Ah! —Suas mãos seguravam-se em meu ombro o arranhando com as unhas. — Eu vou... — Antes de terminar sua frase senti o liquido em minha mão, e aproveitei para liberar o meu. Meu corpo estremeceu ofegante.

Seu rosto estava rubro, seus beijos invadiram meus lábios enquanto suas mãos acariciavam meu cabelo negro. Ele afastou-se proferindo enquano normalizava a respiração.

— Você me perguntou... o que queria fazer agora que estou livre... — fitou-me respirando fundo. — Talvez gostar de você não seja algo ruim — desviou o olhar. — e tentar fazê-lo um policial menos idiota...

— Mesmo sendo o único policial que conseguiu te encontrar — Disse brincalhão relembrando sua frase. Ele franziu as sobrancelhas e emburrou-se. — E por alegria tê-lo — desferi um beijo ligeiro.

— Idiota... — Proferiu envergonhado e enrubescido. Abri um sorriso.

— Encrenqueiro.

Notas finais
Hello again honeys! ✿ Espero que tenham gostado da fanfic! ✿✿ Beijos rosados com glitter dourados! ✿✿✿
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!