Cena do crime
2 Iniciando a investigação

Quem era o assassino? Eu não fazia a menor ideia. Por enquanto. Qual era o motivo? Eu também não sabia. A única coisa da qual eu tinha certeza era que Mônica estava morta, por que alguém, por algum motivo, resolveu mata-la. E essa pessoa vai pagar caro. Muito, muito caro.
. . .
Duas semanas antes...
Cebola: Mônica? Está tudo bem?
Ela estava tensa e vermelha demais para um encontro. Parecia que uma bomba ia explodir á qualquer momento.
Mônica: Eu... Esta tudo bem. Só preciso descansar. Acho que vou embora.
Se eu tinha ficado chateado? Claro! Mas não deixaria que ela percebesse, parecia já estar com problemas demais. Não precisava de mais um.
Cebola: Tudo bem, então eu vou com você até a sua casa.
Mônica: Sério, Cebola! Não precisa se preocupar! Eu prefiro ir sozinha.
Ela não estava bem. Eu tinha certeza. E ela não iria descansar. Precisava resolver algo. Algo que eu não podia saber.
. . .
Comecei a busca. Eu iria vingar a Mônica. Eu precisava voltar até a hora e o local do acontecimento, o que não era difícil, pois a casa cena não parava de martelar em minha cabeça, á todo momento.
As pessoas que estavam lá. Magali, Cascão, Angelo, Aninha. Claro que não era nenhum deles, mas precisavam ser interrogados. Eles estavam presentes na cena do crime.
Peguei o telefone. Liguei para a Magali. Ela ainda estava com uma voz de choro.
Cebola: Maga... Preciso que faça algo.
. . .
Algumas horas antes, pela manhã...
Eu estava me arrumando para ir ao enterro. Seria muito, muito difícil, mas eu tinha que ir.
Meus pais também foram. Estavam muito chocados e tristes também. Não tanto quanto eu, mas não poderiam deixar de estar.
Falei algumas palavras no velório. Simples, porém, verdadeiras. Levei o Sansão, e coloquei-o junto ao caixão. O que não deixei de reparar foi que o Tony não estava presente. Era, para mim, o nº 1 da lista de suspeitos.
. . .
Cebola: Sei que não foi você, Magali...
Magali: Tudo bem, você tem que investigar mesmo. Acho bem legal da sua parte. Daqui 10 minutos estou em sua casa.
Ela chegou com 3 minutos de atraso. Eu abri a porta, e percebi que Magali ainda estava com a roupa que usara no velório.
Cebola: Não foi para casa, Magali?
Magali: Não... Fui andar um pouco. Estava mal demais para ir para casa.
Convidei-a para entrar e sentar. Peguei um caderno e uma caneta, para anotar as respostas.
Magali parecia tranquila demais para um interrogatório.
Cebola: Então, Magali, quando você chegou na cena do crime, quem exatamente estava lá?
Magali: Bom, pelo que eu me lembre... Apenas o Angelo e a Aninha. O Cascão chegou um pouco depois.
Cebola: Hm... O que, exatamente, você estava fazendo na hora que ouviu o barulho?
Ela pareceu se sentir ofendida com essa pergunta.
Magali: Eu estava colocando leite para o Mingau e para sua família. Inclusive melequei toda a cozinha de leite, com o susto que levei.
Eu anotava tudo o mais rápido que podia.
Cebola: Magali, eu estava notando a Mônica meio estranha nos últimos meses. Você sabe algo sobre isso?
Magali: Bom, a única coisa que eu sei, é que ela estava chateada pois os pais dela iriam se divorciar.
Isso era uma informação que poderia ser importante.
Cebola: E você sabe o que causou isso? Digo, o divórcio.
Magali bebeu um gole do copo d’água que eu havia colocado na mesa.
Magali: Não. Não sei o motivo.
. . .
Dois meses antes...
Acordei atrasado para ir para a escola. Decidi não ir.
Minha mãe, geralmente, quando saio para ir para a escola, está sempre dormindo.
Mas eu conseguia ouvir sua voz vindo da sala.
Dona Cebola: Calma Luiza, as coisas vão se acertar...
Eu entrei na sala, e minha mãe desligou o telefone, assustada.
Dona Cebola: Filho? Não foi para a escola? Faz quanto tempo que está ouvindo?
Cebola: Não o suficiente... Aconteceu alguma coisa com a dona Luiza?
Ela deu de ombros.
Dona Cebola: Não filho... São problemas pessoais dela.
Cebola: Se são pessoais, por que ela compartilhou com você?
Dona Cebola: Ás vezes, a gente precisa compartilhar as coisas com alguém... Se não, acaba explodindo.
. . .
Cebola: Magali, me ajude, por favor. Você viu alguma coisa que possa me ajudar?
Magali: Não que eu me lembre. Mas se eu lembrar, eu te aviso!
Cebola: Tudo bem Magali, pode ir então.
Ela levantou e saiu. Não consegui nada de importante com a Magali. Apenas uma informação, sem nenhum tipo de detalhe. Comecei a acreditar na hipótese de que Mônica havia se matado, mas isso não fazia sentido, pois ela morreu com um tiro, e não havia nenhuma arma de fogo perto dela. Acreditei nisso durante 30 segundos, até perceber o quão tosca era a minha ideia.
. . .
Uma semana antes...
Estávamos no último horário. Eu contava os segundos para o sinal tocar. A aula era com o Licurgo.
Mônica e Magali tocavam cartinhas, e pareciam um tanto preocupadas.
Elas estavam escondendo algo. Isso é fato. Estavam tão estranhas ultimamente. Preocupadas, tristes, tensas...
O sinal tocou. Normalmente, quando o sinal toca, antes de irmos embora, ficamos conversando um pouco na entrada da escola. O que não aconteceu dessa vez.
Magali e Mônica foram embora, sem se despedir, sem dar tchau.
As coisas ficaram cada vez mais estranhas. E elas, juntamente. Elas principalmente.
. . .
Enquanto eu procurava o assassino, ele fugia, e ficava cada vez mais distante. Eu tinha que acelerar essa investigação. Tinha que andar mais rápido.
Fui até o quintal de casa, e fingi me machucar feio. Então, comecei a gritar alto. Não demorou muito para que o Angelo aparecesse.
Angelo: Cebola? Está tudo bem?
Cebola: Tudo. Só precisava que você viesse aqui. Angelo, sobre a morte da Mônica... Você sabe de algo que possa me ajudar? A encontrar esse assassino?
O Angelo me lançou um olhar estranho.
Angelo: Sim, Cebola. Eu sei de coisas que possam ajudar á encontrar ele.
Eu levantei uma das sombrancelhas. Convidei-o para entrar e sentar, o que ele fez.
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