Cena Um

3 Ela me deu.


Notas iniciais
Hey, milhares de anos e edições na fic depois eu voltei, com capítulo novo!!! Enjoy ^-^

Duncan

Meu despertador toca, mas já estou acordado. As You're Falling Down – Escape The Fate grita, no que considero o "melhor jeito de acordar". Penso no que meu pai diria sobre isso, e sorrio, lembrando de como sinto falta dele.

Levanto-me, e vou até a cozinha. Preparo um super café da manhã, já que sou um ninja da culinária: pão francês com queijo e suco de uva.

Faço minhas higienes, e passo gel no cabelo, por motivos evidentes. Pego qualquer roupa, e meto um headphone no pescoço. Ponho ração para o Oli, meu gato, puxo minha mochila da poltrona e chamo o elevador. Quando ele abre, Victori aparece, logo gritando meu nome animadamente e me puxando para um abraço; ambos numa falsidade tão grande quanto seu cabelo cor de fogo.

— Nem tente. – digo, a afastando um pouco.

— Você só pode ser viado. – revira os olhos e se ajeita.

Ela vê que a porta está prestes a abrir, aperta minha boca, vulgo: bochecha, e me encara.

— Eu não vou desistir, querido.

Concordo com a cabeça, dou um passo para fora do lugar, e digo:

— Te desejo muita sorte, – a porta começa a fechar – querida. – e pisco, em uma provocação.

. . .

Chego na fraternidade onde Sam habita desde que veio da Inglaterra, toco a campainha e uns 3 minutos de berros depois, o cara bêbado de sempre faz um gesto irritado para que eu entre, e diz que "o branquelo está na sala principal".

Quando chego lá, ele está deitado com um livro aberto sobre seus olhos, impedindo a luz de passar. Dou-lhe uma cutucada e ele geme, se levantando.

Ele já está pronto, então andamos um pouco até meu carro.

Desligo-o e vamos rumo à faculdade, finalmente.

— Eu vou explodir de tanta dor de cabeça.

— Ressaca, amiguinho?

— Minha não. – começa, segurando um livro em frente à sua face – A festa ontem foi animadíssima, sabia?

Solto uma risada, sabendo onde quer chegar.

— Você deveria aceitar morar comigo de uma vez. – e entramos pela porta de vidro.

Ouço-o sussurrar algo, que pouco me importo, pois já consigo enxergar Audrey, desajeitada, tentando pôr um livro em seu armário que, por uma ironia do destino, fica no alto. James chega então, puxando o tal de sua mão e o botando onde ela queria. Depois a chama de anã, bagunça seu cabelo e a avisa algo sobre um projeto.

O sinal toca e resolvo entrar para aula, Sam também. Então seguimos caminhos opostos.

A aula é de filosofia, e Chloe logo se senta a meu lado, puxando uma conversa qualquer.

O professor começa a aula, e ela fala algo volta e meia.

— Uhm, o que disse? – pergunto, lendo um verso de um poema do Pablo Neruda qualquer.

— Ingresso extra. Tenho um para o show do Sleeping With Sirens. Perguntei se queria ir.

— O QUE DISSE?

Me levanto, assim que o sinal bate, apoiando de forma bruta na mesa.

— Jesus, eu te amo. – a puxo para um abraço forte, e ela dá de ombros.

— Eu sei – sorri cínica – Mas tem uma condição.

Droga, só podia ser.

Vamos saindo da sala enquanto ela me explica que devo ser seu motorista particular algum tempo. Me parece aceitável, então concordo.

— Fechado.

Fazemos um aperto de mão, e ela diz que o show é próximo ao Natal, consequentemente daqui a uns sete meses.

. . .

Aulas e mais aulas se passaram.

Esbarrei em Audrey vez ou outra, almocei com Sam – que não parava de reclamar sobre dor de cabeça e dizer que sentia falta de Mel (que era a única que conseguia melhorá-la).

Ok, eu sentia falta de minha melhor amiga também; mas ao menos, sem ela, eu não ficava de vela por tanto tempo.

Mais algumas aulas e me encontro no presente momento, no banco de motorista de um carro, esperando Chloe chegar para levá-la à Deus sabe onde, como havia prometido.

Alguns generosos minutos depois, a morena chega, se "desculpando" pela demora

— Ficar assim gasta tempo, meu amor. – ela dá uma giradela, rindo e batendo de leve na janela do carro. Está com um vestido colorido, colado, curto e de mangas compridas.

Mas antes que eu possa fazer qualquer comentário malicioso sobre minha ex ficante, porém atual amiga – se é que posso a chamar assim; uma menina chega.

Ela tem seus cabelos verdes ondulados nas pontas. Usa um vestido preto até a metade das coxas, com alguns detalhes em renda, sem mangas e com um decote bastante considerável.

Mas o que me tira mais a concentração é o que, digo, quem vem logo atrás dela.

— É esse o nosso "motorista de primeira linha"? – Audrey ironiza, dando ênfase nas aspas.

— Entra logo no carro e não reclama. – a morena diz, se controlando para não rir com ela.

Audrey o faz e James a segue, relutante.

— Aposto que ele é do tipo que dirige como se não houvesse amanhã. – murmura Chlo, sorrindo divertida

— Aposto que ele vai devagar só porque você disse isso. – continua Aud.

— E eu, que ele está ouvindo tudo. – digo, entrando na brincadeira.

No resto do caminho, James fica quieto, até o citarem. Audrey e eu surtamos quando começa a tocar Teenagers do My Chemical Romance na rádio; sendo basicamente um caminho maravilhoso até Chloe dizer que chegamos.

Chegamos em uma espécie de bar lotado e, assim que entramos, Chloe e Audrey somem e eu e James subimos para pegar um ar no terraço. Com cigarros (meus) e uma bela dose de bebida (dele).

Ah, como eu amo terraços.

— Quer um? – pergunto, estendendo um maço de cigarros em sua direção, quebrando o gelo, e botando um em minha própria boca.

— Não, obrigada. – diz, e então ri, pela primeira vez na noite – Ou a Audrey dará uma cabeçada no meu joelho.

. . .

A memória de James começa com uma menina de cabelos loiríssimos subindo uma grande escada nada graciosa, degrau por degrau. Para suas pernas pequenas e aspecto sedentário, aquilo era um inferno.

Mas, basicamente, seu amado namorado do colégio queria dizê-la algo, então obviamente iria subir sem pestanejar.

Não reclamava de nada quando se tratava dele.

Ao chegar lá em cima, na boca do loiro jazia um cigarro recentemente aceso. Que ele nem se preocupou em retirar de lá, mesmo sabendo que ela não gostava.

Audrey chegou perto dele, tirando o cigarro e dando-lhe um beijo, soltando fumaça logo em seguida .

— Sabe que odeio quando você fuma. – ela começou, com um sorriso, aprofundando a carícia.

— Escuta... – disse, a afastando pelo ombro, e completou, sem pensar duas vezes – Eu fiquei com a Sky.

A loira riu, se aproximando para dar um selinho nele, e dizendo, logo em seguida:

— Eu sei disso. Mas passado é passado. – botou uma mecha de sua franja atrás da orelha – Não o culpo por ter cedido aos encantos obscenos daquela puta. O que importa é que agora você está comigo, certo?

— Não, Audrey, falo de algo recente. Ontem, mais precisamente.

"Eu só pensei melhor, e talvez não consiga abandonar minha natureza apenas por você. Espero que algum dia consiga entender."

Enquanto ela o encarava em choque, uma inspetora entrou no lugar. repreendendo-a pela fumaça. Quando ele foi rebater, ela assumiu toda a culpa e a mulher pegou o cigarro, saindo do recinto.

— Ér, obrigada. Sabe, meu pai me mataria. – ele falou, sorrindo doce, quase a puxando e desistindo da proposta.

Ele não queria terminar.

Ele não queria.

Ele não queria mesmo.

Mas ele precisava.

— Apenas pare com essa merda. – disse, enxugando os olhos com as mãos – E eu espero que você entenda, que eu nunca vou conseguir entender isso.

Falou e logo foi descendo as escadas, deixando as lágrimas descerem. Só não sabia se de ódio, ou tristeza.

Talvez os dois.

James jogou o maço na lixeira mais próxima e tentou mentalizar sua vida nos meses seguintes.

Ele não conseguia; cabelos loiros, futuramente verdes, o assombravam.

E ele bem sabia que aquilo seria sua ruína.

. . .

— E você, quer um pouco? – pergunta, estendendo uma garrafa em minha direção, como se nada houvesse acontecido.

A esta altura, estamos em um bar e a voz de James já falha. Se encontra nas últimas.

— Não, valeu. – digo, omitindo uma grande explicação a um bêbado que não entenderia muita coisa.

Ninguém merece ouvir uma enorme história de um pobre menino que perdeu o pai, um tremendo alcoólatra viciado.

Muito menos alguém tão viciado quanto ele.

Logo depois, começo a ouvir uma voz extremamente aguda avisando algo não de tão longe. Percebo que o Jiraya aqui também ouve, e então ele segura meu pulso e me puxa, correndo em disparada.

— O que te deu? Que droga, James!

Ele só me responde quando chegamos em frente à um enorme palco, onde uma Audrey desajeitada entra com um violão, dando um boa noite doce, porém rouco.

— Ela me deu.

E, céus, como queria poder dizer o mesmo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.