Cem Mil Anos-Luz

9 3.1 Smile and Fade


Leif estava em uma situação péssima.

Ele gostaria de poder dizer que era a pior que já viveu, mas seria mentira.

Tiggy Verannel, uma assassina de aluguel, estava com uma de suas duas escopetas apontadas para Yangden, que, com uma faca em seu pescoço, o usava de escudo vivo. Leif precisou de toda a força de vontade para resistir ao impulso de usar as asas, mas era um instinto perigoso, o movimento inesperado com a arma tão próxima em uma mão nada hesitante.

Apesar de ter erguido a pistola para Tiggy em um aviso não verbal, Viltri avançou alguns passos na direção dos dois até Yangden tocar a pele de Leif com o fio da lâmina. Leif já tinha visto situações semelhantes acontecerem com outras pessoas em filmagens de segurança em conflitos com criminosos. Na maioria das vezes, os captores encostam o corpo da lâmina em vez do fio, temendo prejudicar a única vantagem que tinham.

Yangden não mostrou o mesmo comedimento. Apesar da conversa que tiveram, apesar da fama que ela tinha, Leif sabia: se houvesse um confronto, ele morreria antes dela.

— O que você está fazendo? — Viltri perguntou baixo e lento, em contraste com a discussão explosiva que estava tendo com Tiggy há poucos minutos.

Yangden não o respondeu. Em vez disso, lamentou ao ouvido de Leif:

— Você até que parecia bem decente… Que pena.

— Não sei o que está pensando, mas a gente não conhece ela — ele se defendeu. — Nos encontramos por acaso.

— Então não leve isso aqui para o lado pessoal.

Tiggy afastou a arma apenas um pouco e inclinou a cabeça, com um olhar descrente.

— Cê entendeu que eu acabei de conhecer esse cara, né? Péssimo refém, tsc, tsc, tsc. Sei nem o nome dele. Aliás, qual é o seu nome, meu bem?

Leif não teve o menor impulso de responder, mas, ainda assim, sentiu uma pressão maior da faca na sua pele e o deslizar de algo que não teve certeza se era uma gota de suor ou o sangue de um corte superficial.

— Eu também sei que você odeia matar de graça, Tiggy. Como é que você diz? “Eu não distribuo brindes”? E você pode não ligar para esse rapaz, mas acho que o colega dele liga.

Era visível que Viltri também não entendia o que estava acontecendo. Ele estava com a pistola erguida para Tiggy desde que ela apontara a escopeta para os dois, mas a tensão em seu rosto mostrava que ele queria mesmo era esvaziar o pente no peito de Yangden.

— Ei, Viltri, me faça um favor. Atira.

— Eu não vou fazer isso — ele respondeu, entredentes.

— Mesmo? Essa sua nova amiga é uma assassina de aluguel, sabia?

— Ei, é uma atividade legítima!

— Que você só tem permissão de exercer nos mundos raithuanos. Aqui? É uma crise diplomática em potencial. Viltri, você tem que fazer isso.

— Eu não vou matar ninguém até entender o que está acontecendo aqui! Verannel, abaixa a arma! Yangden… É melhor você soltar ele agora, ou você vai ter que se preocupar com mais do que uma assassina de aluguel.

Tiggy cedeu à pressão de Viltri e relaxou o braço, levantando o cano da arma para o céu. Yangden não foi tão complacente e permaneceu firme, porém, mais como uma intuição do que um sinal concreto, Leif percebeu um ligeiro reflexo de luz no topo de um prédio distante. Quase tinha esquecido que estavam sendo observados.

Ele ficou tenso. Apesar de não gostar do papel de refém, a faca estava tão próxima que mesmo um disparo certeiro em Yangden era um risco para ele.

— Atirador! Atirador! — avisou, ousando mover apenas o mínimo necessário para apontar para o prédio. Yangden confiou no aviso e recuou para fora da viela, sem soltá-lo.

Aproveitando a distração, Tiggy deu um chute no joelho de Viltri e mirou novamente neles, mas Viltri se jogou contra ela e o disparo arrancou apenas um punhado generoso do asfalto aos pés de Leif antes de ambos caírem no chão.

Yangden grunhiu nada feliz com o encontro, mas, fora da tensão da mira de Tiggy e seu atirador oculto, ela se descuidou, afastando a lâmina apenas uma fração de centímetro. Leif aproveitou a brecha e pôs o braço entre o de Yangden e seu pescoço e afastou a faca, usando as asas por baixo da capa para ganhar espaço. Usou o impulso para subir e fez um arco no ar, aterrissando no telhado ao lado de onde estavam.

Yangden o seguiu com o olhar, ligando os pontos e percebendo como tinha sido enganada.

— Ah. Interessante.

— O que está fazendo? Não precisava ser assim!

Os sons da continuação de um confronto físico na viela chamaram a atenção dos dois. Yangden hesitou por um instante. Olhou para Leif, para a entrada da rua e para ele outra vez. Então xingou algo em sua língua natal e abaixou a máscara de tecido. Mesmo em Morai Nora, ela não tinha o costume de descobrir o rosto. Os mercenários inventavam histórias de cicatrizes e queimaduras, mas Leif viu apenas um rosto liso e um semblante orgulhoso, distante dos olhares irônicos e zombeteiros de antes.

— Vocês têm uma chance de sair do meu planeta. Não desperdicem.

Yangden lhe deu as costas e correu, sumindo pelas vielas da sangri. Leif pensou brevemente em segui-la, mas não adiantaria de nada sozinho.

Os sons de um confronto ainda vinham da viela, então voou de volta para Viltri e Tiggy, que estavam competindo em uma troca de socos e chutes imprecisos na disputa de alcançar uma das escopetas caídas no chão antes do outro, a mira vermelha do franco-atirador caindo sobre um ou outro, sem que houvesse uma chance segura de interferência.

Um efeito curioso que ocorre quando dois combatentes igualmente preparados disputam entre si é que um costuma prever instintivamente o movimento do outro, que por sua vez também prevê os seus, e a maioria dos golpes é bloqueado ou atinge o vento, forçando ambos a tentar surpreender com técnicas mais simplórias ou instintivas.

Em outras palavras, eles pareciam crianças arengando na terra.

No chão, Tiggy agarrou Viltri pelo tornozelo, derrubando-o a poucos palmos da arma, e ficou sobre ele em uma manobra de imobilização, interrompendo um soco no ar quando viu Leif descer do céu sem a capa, suas asas desiguais — uma delicada membrana de libélula e uma carapaça de besouro — deslocando o ar suavemente ao redor dos três.

Tiggy riu, surpresa. Em vez do golpe que planejava, ela deu uma batidinha no braço de Viltri e apontou para Leif como se dissesse: “Você está vendo isso?!”

A única resposta foi um soco certeiro no rosto que derrubou a suposta assassina de cima dele, e Viltri finalmente alcançou as armas dela.

— Trapaceiro filho da puta! — Tiggy xingou entre gemidos de dor. A máscara tinha protegido seu delicado nariz, mas provavelmente toda a força do golpe tinha sido distribuída para as maçãs do rosto e a base do pescoço. — Isso foi bem desproporcional!

— Desproporcional?! —Viltri puxou Leif pelo braço para a sombra do muro que fechava a rua, também tendo calculado a posição do franco-atirador. Estava com as duas escopetas nas mãos, sua arma silenciada novamente no coldre, sangrando pelo nariz e com um hematoma impressionante sob o olho direito que começava a inchar. Além disso, o cabelo desalinhado no confronto exibiu uma cicatriz antiga na têmpora esquerda que Leif nunca tinha percebido. Os olhos do Executor eram fogo puro. — Vadia maluca! Ia atirar neles com a porra de uma escopeta?! Você só não está morta agora porque eu quero saber o que acabou de acontecer aqui!

Leif achava que todas as pessoas tinham o instinto de xingar em sua língua mãe, então se surpreendeu ao entender a frase completa. Viltri falava raithuano com a vulgaridade de um idioma íntimo.

Tiggy continuou sentada, com os braços apoiados nos joelhos, e deu de ombros com um ar ofendido.

— Eu não ia atirar neles, eu mirei no chão… Só não queria que ela se sentisse com a vantagem. — Nenhum dos dois se convenceu. Voltando a atenção para Leif, ela continuou: — Ela deixou você ir? Você perdeu ela? Espero que sim, já estava achando que ia ser um trabalho fácil.

Viltri ergueu a mão no ar como se quisesse estrangulá-la à distância, mas acabou pressionando a ponte do nariz, tão frustrado que ignorou o próprio gemido de dor com o gesto. Limpou o sangue na manga da camisa e fez outro gesto vago na direção dela.

— Doutor, tem algo de errado com essa mulher? Mentalmente, eu quero dizer.

Leif não poderia se importar menos.

— Não sou esse tipo de médico.

— Ei, que coisa indelicada de se dizer! Eu não sou louca. Mas vocês devem ser, para me impedir. Eu conheço esse equipamento. — Ela olhou ao redor antes de se inclinar e cochichar com uma mão em concha ao lado da boca, o que ficava meio estranho quando feito sobre uma máscara. — Vocês são da Esquadra, não são? Eu já fui também, sabiam?

— Chame o seu atirador aqui. Agora.

— Eu não vou fazer isso. Ele gosta de lugares altos.

— Eu não estou nem aí para o que ele gosta!

Viltri deu um passo a frente, fazendo menção de agarrar Tiggy pelo braço, mas um disparo explodiu o asfalto entre os dois, fazendo-o recuar para a segurança do muro. Ela, por outro lado, não pareceu se assustar com o tiro.

— É melhor você ficar aí onde meu irmão não pode ver, e eu ficar bem aqui, onde ele pode. Mas por que está gritando comigo? Foi o seu colega aí que deixou a mulher mais odiada da galáxia ir embora! Vocês, otários da Esquadra, impediram uma missão que a própria Esquadra me passou.

— A mulher mais odiada… Yangden? — Leif perguntou, ainda sem compreender. Dos mercenários, ela era certamente a que tinha os métodos mais dignos sem comprometer sua eficácia. Ela nunca derramava sangue por ser mais fácil, embora o ardor no seu pescoço e um traço de sangue verde que ele não percebera antes em seu antebraço desafiassem essa lógica.

Yangden é o nome íntimo dela. Publicamente, ela é a Senhora da Guerra Wyrrna R’Dahi. Meus parabéns! Simplesmente me impediram de acabar com uma guerra.

.

Se Tiggy Verannel não era louca, estava se esforçando muito para parecer ser.

Leif e Viltri permaneceram parados, esperando ela rir da cara deles e dizer que era óbvio que tinha inventado isso. Yangden era uma mercenária há anos. Já havia trabalhado com Viltri em pelo menos outras duas missões. Mas Tiggy não desmentiu a afirmação. Ainda sentada no chão, ela cruzou as pernas estiradas e se apoiou nas mãos como se estivesse pegando sol na praia, esperando deles alguma reação. Algo como “Oh, desculpe por impedirmos você de matar a líder do exército inimigo” seria um bom começo, em sua opinião.

Em vez disso, Viltri deixou escapar um resmungo de escárnio e falou:

— Não.

— Perdão?

Não. Eu cansei disso, não tenho paciência pra doido. Vamos, Leif.

— Vão para onde? Para a armadilha que ela deve ter montado para vocês? Vocês tiveram sorte de me encontrar.

— Você não faz ideia do que está falando, só quer fingir que tem razão. Yangden não é Wyrrna R’Dahi, e Wyrrna R’Dahi é uma guerrilheira, não uma Senhora da Guerra. Não existem Senhoras da Guerra.

— Está bem longe de casa, kodrase…

— Não longe o bastante para isso, tenho certeza! Leif?

O médico cruzou os braços, pensativo, mas não se moveu.

— Eu estava esperando um momento a sós para dizer isso. Enquanto conversávamos, Yangden deu alguns sinais de… identificação com os Ashes, como se quisesse me recrutar. Achei que fosse uma apoiadora, mas daí a ser a própria…

— Ah, pelos malditos espíritos…! Quer ouvir essa maluca agora? Nós temos que ir. E se o que ela disse é verdade, temos que ir ainda mais rápido! R’Dahi não é uma Senhora da Guerra, mas se ela for… então tudo que você está vendo pertence a ela. Não falo só da cidade, falo de Dahi inteira, tudo, até onde a vista alcança. Então… Vamos, Doutor. Nos preocupamos com quem Yangden é ou deixa de ser depois.

— Para onde vamos? — Tiggy perguntou, se levantando e espanando a poeira vermelha das roupas.

Você…! — Viltri apontou para ela, frustrado. — Você fica!

Viltri puxou Leif pelo braço e ambos começaram a se afastar. Leif realmente não queria perder Tiggy de vista ainda, mas enquanto pensava em algo para fazer Viltri reconsiderar, ela mesma se pronunciou:

— Vou dizer uma palavra e, se eu estiver certa, vou com vocês.

— Isso não é um jogo, sua perturbada!

— Goshaaviej!

Viltri ainda insistiu por mais três passos antes de parar, sua mão ainda como ferro em volta do braço de Leif.

— Acertei? Eu acho que acertei… Eu já estive lá, se precisarem de uma guia. Não sei o objetivo de vocês, mas o meu com certeza estará lá agora.

Leif forçou suavemente Viltri a soltá-lo.

— Eu sou só médico. Mas me parece que sem Yangden do nosso lado, nós dois não vamos conseguir. Não sabemos como entrar, não sabemos o que procurar, e eles estarão nos esperando.

Viltri xingou em raithuano novamente, mas se virou para Tiggy, que conversava com o irmão por um dispositivo no pulso.

— …então você encontra a gente em Goshaaviej.

Só para registrar, eu não concordo com essa ideia.

— Registrado! — disse, desligando o comunicador em seguida. — Então, meninos, podemos ir? Eu tenho prazos para cumprir.

Viltri não parecia capaz de verbalizar o convite, então apenas fez um gesto com a cabeça para Tiggy segui-los, com uma cara de quem agradeceria se Yangden enterrasse a adaga em seu coração.

Tiggy correu atrás deles, animada. A única dos três. Estendeu a mão para os dois e abriu um sorriso largo quando colocaram a escopeta de volta na sua mão.

Então Leif percebeu o que nela lhe deixava tão desconfortável, além da memória daquele rosto no pior dia de sua vida. Ela parecia errática como uma corrente de alta voltagem em um fino arame de cobre, barulhenta e perigosa. Mas o ruído elétrico se calou no momento que ela recuperou a arma, e o sorriso quase apaixonado mostrou que ela era sim perigosa, porém em mais do que apenas uma maneira.

*

O veículo era pequeno, mas era capaz de suportar até quatro pessoas. Leif entrou atrás, deixando Viltri e Tiggy lado a lado. Viltri teria que perdoá-lo, mas nenhum dos dois confiaria em Tiggy a suas costas.

— Então… — ela começou.

— Não precisamos conversar.

— É uma viagem de 8 horas!

Em resposta, Viltri iniciou as oito horas de silêncio ali mesmo. Tiggy bufou e reclinou o encosto do assento, deitando-se de bruços para conversar com Leif.

— Então, rapaz-inseto, o que vocês estão fazendo nesse planeta? Imaginei que estavam indo para Goshaaviej porque R’Dahi estava com vocês, mas o que tem em Goshaaviej?

Viltri lhe encarou através do espelho retrovisor. Em locais mais mapeados, o veículo poderia levá-los sem a necessidade de um motorista, mas em Yetoni, Viltri tinha assumido a função.

— Se precisar saber, talvez Viltri lhe conte em oito horas… — Leif forçou um sorriso. — Sabe como é a Esquadra.

— Se sei… — Ela revirou os olhos. — Nunca foram os melhores em uma conversa.

— Algumas coisas são confidenciais, naturalmente. Vamos tentar outro rumo, então. Você sempre foi uma assassina?

Apesar da leve acusação, a pergunta não causou estranhamento. Era verdade que a profissão era regulamentada nos mundos raithuanos, sendo necessário apenas seguir alguns procedimentos: modus operandi aprovados pela lei — ou seja, nada que pudesse vitimar mais pessoas do que o alvo determinado, nada de bombas ou incêndios criminosos —, aviso prévio à vítima para que tivesse o direito de se defender, e, mais importante, o absoluto sigilo profissional. Os assassinos eram permitidos; os mandantes, se incorressem no grave erro de deixar uma trilha ou contratar um profissional incompetente, sofreriam as devidas retaliações. Não por tirar uma vida, mas sim pelo maior dos pecados que um raithuano pode cometer: tirar uma vida e ser descoberto.

— Nem sempre. Como eu disse antes, já fui da Esquadra. Mas eles me aposentaram uns meses atrás.

— Por quê?

— Tive uma experiência ruim com o início da guerra. Todo o meu grupo precisou de uma “avaliação”. E um doutorzinho como você me reprovou. O negócio todo foi ridículo. — Ela brincou com a pele ao redor de uma das unhas, que parece ser o que alguém faz quando uma máscara lhe impede de mordê-la fora. — Mas você parece um doutor bem melhor do que ele!

— Obrigado. Então… quiseram lhe dar um tempo para processar um evento traumático e você decidiu começar a matar por dinheiro?

— Não teve evento traumático, ok, meu bem? Eu podia ter voltado à ação no mesmo dia, se preciso. Mas eles não me quiseram, então vida que segue. Para alguns.

— E o atirador, é mesmo seu irmão?

— O Evry? Sim. Ele não é ex-Esquadra. Ele só se preocupa.

— E ele já matava antes, ou começou com você?

— Ele não é assassino. Ele só me acompanha para me proteger. Não que seja preciso. Eu fiz todo meu treinamento aqui. Antes, quando os yeranoa não odiavam todos os extrayetoni.

— E para recuperar a confiança deles nos outros povos, você veio aqui matar a revolucionária deles.

Tiggy cruzou os braços e apoiou o queixo sobre eles, praticamente deitada no assento do carona.

— Notei que você gosta muito de repetir a palavra “matar”.

— É… uma palavra sensível?

— De forma alguma. Mas é curioso, a maioria dos extraraithuanos prefere usar eufemismos quando discute sobre o assunto. Principalmente anisopteras. É um tabu para vocês, não é?

É um tabu para todos, pensou em dizer. Em vez disso, aproveitou o gancho:

— Ah, então você já conheceu outros?

— Alguns…

Alguns.

Leif pensou que conseguiria. Não tinha superado e nunca superaria, mas achou que podia falar com os demônios sem invocar os fantasmas. Ele ainda olhava para Tiggy, via que ela estava falando, mas ele não registrou as palavras, e, mesmo assim, compreendeu o sentido delas. Como se houvessem dois dele, um ali presente no momento, e outro distante.

— …Enfim, é um planeta bonito!

— Muito — respondeu, sorrindo.

— Você vive lá?

— Infelizmente não mais. Meu trabalho me levou para Morai Nora.

— É bem diferente. Deve sentir falta.

— Não imagina o quanto.

— Se a gente não morrer em Goshaaviej, vamos comemorar te levando para uma visita a Imago!

Tiggy estendeu a mão para selar o combinado. Leif a apertou sem hesitar, sentindo a pele formigar em contato com o veneno e a sujeira, como se o que quer que corresse nas veias dela pudesse passar para as dele. Não recuou a mão, deixando-se contaminar. Quem trabalha com o lixo não pode esperar não se sujar.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.