Sidney é um daqueles arqueólogos que sempre gosta do seu trabalho com uma dose de aventura. O seu visual não era o comum para um arqueólogo: olhos castanhos, cabelo curto e preto. Na vestimenta prevalecia a calça jeans, uma camiseta e uma jaqueta, a qual não fazia questão de usar, por isso sempre a deixava amarrada em sua cintura, assim como seu chicote que nunca ficava mais do que um metro longe dele. Dos objetos que usava em seu trabalho, com certeza o chicote era o seu apetrecho favorito. Aventura e perigo para Sidney eram sinônimos, pois havia aprendido com os pais desde pequeno as artes de escapar de armadilhas, entrar em pirâmides e o pacote básico de sobrevivência: comer insetos ou outros animais selvagens, construir fogueiras e casas a partir de folhas de bananeira, etc., ou seja, Sidney era aquele tipo de pessoa que sabia se virar com o que tinha. Mas nem todos são perfeitos e isso não é exceção para nosso amigo, pois ele era tão bom com seu físico que a parte da mente se manteve apagada. Para deixar mais claro, posso dizer que Sidney sempre foi péssimo em decifrar enigmas e letras de outras línguas e povos, e foi por isso que ele escolheu um ajudante, o qual se tornaria seu grande parceiro de viagens: Alberto, mas conhecido pelos amigos mais próximos como Beto. Formado em arqueologia e línguas antigas nas melhores universidades do mundo, Beto era a pessoa perfeita para completar o que Sidney não tinha. O seu visual era o de um arqueólogo um pouco mais tradicional: cabelos lisos e compridos até o pescoço e os olhos onde prevalecia a cor azul. Calça marrom com alguns bolsos mais do que o comum onde levava uma lupa e um pequeno livro de línguas secretas dos antigos povos, uma camiseta cinza e uma jaqueta por cima, a qual também tinha muitos bolsos onde também levava muitas coisas necessárias para o seu trabalho. Posso dizer que esse era o par perfeito já que Beto também tinha muito de mente, mas pouco de físico. Logo que esses dois se juntaram, recuperaram muitas relíquias perdidas e deixaram seus nomes espalhados em todo lugar, os deixando com o titulo de “os melhores caçadores de relíquias do mundo”.

Logo após alguns dias de sua última aventura, Sidney recebe um telefonema os informando de sua missão que nada mais era do que buscar a Pedra de Xaiera, com sua localização no Egito. Do Brasil até o Egito era muito longe, talvez levasse no mínimo dez dias de viagem, e era por esse motivo que eles teriam que partir imediatamente. Então partiram os dois com um mapa criado por Beto mostrando o caminho que teriam que tomar até a pedra. Vou poupar você desses dez dias de viagem dentro de um avião e dizer que nossos amigos chegaram sãos e salvos.

– E agora? – disse Sidney olhando ao redor – Por onde começar?

Beto pegou o mapa que levava em um sua bolsa de viagem.

– Temos que ir até o monte Celina. — disse Beto apontando para as montanhas — De acordo com meus estudos, lá nós vamos encontrar uma pista de onde a pedra está.

– Então o que estamos esperando? Vamos logo!

Enquanto eles conversavam, um homem se escondia atrás de uma árvore e ouvia toda a conversa. Pela roupa suja que vestia e o olhar de segundas intenções para com os nossos amigos estava claro que ele não queria apenas um autógrafo. Assim que nossos aventureiros começaram a se mexer o homem misterioso começou a segui-los. Sidney e Beto tiveram que passar por uma mata fechada antes de chegar no topo das montanhas. Beto tinha uma capacidade de localização sem igual e Sidney abria a mata com uma foice com uma facilidade tão grande, que não faria diferença se fosse fazer o mesmo com uma faca de cozinha. Depois de mais uma prova das habilidades desses dois eles conseguem chegar ao topo da montanha. A vista de toda a cidade do alto era realmente impressionante. Um deslize significaria uma queda rumo a morte, mas fiquem tranquilos. Estamos no começo dessa aventura e prometo que nada acontecerá aos nossos aventureiros. Outra vista impressionante também era um rio de água fervente logo a frente deles, que segundo Beto, era causado pelo fato de ficar logo acima de uma rachadura de um vulcão adormecido há muito tempo, resultado da temperatura da montanha que tinha se alterado desde o nascimento do vulcão. Enfim, histórias a parte, logo a frente desse cenário estava uma pirâmide.

– Eu acho que para nós é o fim da linha – disse Beto.

– Acho que não – disse Sidney apontando para a água.

Quando Beto olhou na direção da água, viu de uma forma muito estranha como uma tábua de pedra flutuando em sua direção a qual continha um enigma que escrito mais ou menos desta forma:

“Eu estou no fim do começo. Também estou no fim do tempo e do espaço. Vocês também podem me encontrar no fim do infinito. Quem sou eu?”.

– Agora sim acho que é o fim. Vamos morrer aqui tentando decifrar esse enigma.

Essa frase vinha de ninguém mais, ninguém menos do que Beto. Não pensem em mim agora como um mentiroso por ter dito que Beto era uma pessoa realmente inteligente, pois ele realmente é. Logo seria necessário alguém para colocá-lo em seu devido lugar.

– Será que eu estou falando com o verdadeiro Beto? Pois se você não souber a resposta, eu serei obrigado a saber, e isso afetará todo o mecanismo da nossa dupla. Você nunca foi de desistir tão fácil assim. Por acaso você está ficando louco ou doente? Não acredito que isso esta acontecendo. Eu vou ter que arranjar um outro parceiro. Onde eu vou arranjar outra pessoa como o Beto? Acabou. Não tem jeito. A minha carreira esta acabada. O que eu vou fa...

Os pensamentos exagerados de Sidney foram interrompidos quando ele percebeu que seu amigo estava com uma cara de sério, e ele sabia muito bem o que isso significava: que ele não precisaria arranjar outro parceiro porque o de agora estava pensando. A resposta veio mais rápida do que Sidney imaginava:

– Achei!

– Achou o que? Onde? – disse Sidney olhando assustado em volta.

– Estou falando do enigma. O fim do começo, do tempo, do espaço e do infinito é a letra “O”.

Logo após a brilhante resposta de Beto, começaram a aparecer outras tabuas de pedra flutuando na água, revelando um caminho seguro até a pirâmide. O tempo de comemoração dos dois durou muito menos tempo do que esperavam, pois aquele homem estranho de olhares maléficos, imundo, nojento e... Enfim... Se revelou para os dois parceiros armado com uma espada. Agora estava claro que ele era um ladrão e suas intenções eram de roubar a relíquia cujo nossos amigos estavam tentando recuperar.

– Obrigado por fazerem o trabalho sujo para mim! – disse dando uma risada maléfica.

– Trabalho sujo? – disse Sidney olhando para si mesmo procurando algo de errado – Eu não estou cheirando mal e o Beto... Bem, o Beto não está tão cheiroso, mas não é pra tanto.

– Sidney, isso é um modo de dizer! – corrigiu Beto – E eu não estou cheirando mal. Se estivesse, ninguém sentiria já que o seu cheiro é muito pior.

– O meu cheiro é pior?

– Como o de um gambá que não toma banho.

– Ora seu...

Quando se deram por conta, o ladrão já estava pulando pelas pedras que desapareceram logo após a sua chegada ao outro lado. Na opinião de nosso amigo Beto, agora sim não havia mais nada que podiam fazer. Para ele isso era óbvio já que o responsável em momentos como esse não seria ele, mas sim seu parceiro de aventura Sidney. Foi por esse mesmo motivo que ele teve a ideia de amarrar uma corda em um arpão e atirar em um dos lados da pirâmide, assim, pegou a outra ponta e amarrou no tronco de uma árvore. Então saíram os dois se pendurando na corda tomando muito cuidado para não caírem na água fervente, caso o contrario seria o fim dos caçadores mais famosos de todo o mundo. Mais uma vez não se preocupem. Beto tomava um pouco mais de cuidado, visto que o seu cabelo era um pouco mais comprido e o cheiro de cabelo queimado não era nada agradável ao olfato.

Assim que chegaram do outro lado, novamente se depararam com o ladrão. Beto era uma pessoa certa demais e por isso sempre ajudava as pessoas independentemente de como ela era, e isso não era exceção para esse ladrão. Os dois amigos disseram para ele tomar cuidado com as armadilhas que a pirâmide guardava, mas ele os ignorava completamente o que eles diziam. Dentro da pirâmide passaram por um alçapão cheio de leões e tigres selvagens, flechas que saiam das paredes e um teto que caia sobre eles aos poucos. Por mais incrível que possa parecer, tanto o ladrão como Beto e Sidney saíram apenas com alguns arranhões. Para os dois aventureiros realmente era de se esperar, mas o ladrão com certeza era uma surpresa visto que a sua ganância pela relíquia era tão grande que passava correndo pelos corredores cheios de armadilha sem se preocupar nem um pouco com o que podia acontecer. Chegando no tão esperado destino tanto de um lado quanto de outro, mais uma tentativa de avisar o ladrão sobre uma última armadilha que protegia a pedra foi em vão, visto que ele dizia que eles apenas faziam isso para ele não pegar a pedra.

Quando tocou na pedra, sem querer acabou pisando em uma pedra falsa, a qual foi uma alavanca para disparar várias flechas da parede deixando o ladrão sem chances de sobreviver.

– Depois não diga que nós não avisamos – disse Sidney.

– Esse é um triste fim para quem pensa em ter uma vida dessas – falou Beto com certa tristeza pelo ladrão.

Assim que pegaram a pedra (agora sem nenhum perigo) a levaram de volta para o museu no Brasil onde estaria em total segurança. Era mais uma relíquia recuperada.

Notas finais