Após deixar a curiosa e perdida Bloom no corredor, Amália seguiu até o dormitório dos professores, onde encontrou o quarto com seu nome na placa. Além do seu, também havia o das outras que ela tinha certeza de que pertenciam à mesma espécie que a sua.

A loira empurrou a porta e viu as cinco camas postas pelo quarto. Três de um lado e duas na parede oposta. Ao lado de cada uma havia uma mesa de cabeceira e, na parede de frente à porta de entrada, havia duas portas: uma dava para o banheiro e a outra para o closet, onde havia a separação ideal para cada uma delas.

Amália havia sido a primeira a chegar, por isso caminhou até a cama que continha seu nome gravado com pontinhos brilhantes, entalhado na madeira. Sua cama era colorida, como um verdadeiro arco-íris; seu travesseiro havia sido encantado para parecer com nuvens e seu lençol, da mesma forma, era um mesclado de azul e branco.

— Ela soube ser atenciosa — a voz soou da porta e Amália se virou para ver uma castanha adentrar o quarto e sorrir para ela. — Eu sou Alice, e você deve ser Amália.

Ela apenas assentiu com um sorriso terno e as duas logo se abraçaram. Não se conheciam, mas era bom saber que havia encontrado alguém da mesma espécie. Alice, diferente de Amália, tinha cabelos pretos azulados, olhos roxos e um lindo sorriso gengival.

— Esperei tanto por isso — Alice se separou e pegou a mão da loira, vendo a tatuagem dela. — Sonhei minha vida inteira em conhecê-las finalmente.

— Eu sei bem, desejo isso há mil anos, e finalmente temos a oportunidade perfeita de honrar os nossos antepassados — Amália tinha lágrimas nos olhos. Havia esperado por aquilo por tanto tempo que mal acreditava que era realmente verdade.

As duas se abraçaram novamente, compartilhando o mesmo sentimento de esperança.

— Ei, eu também quero — uma baixinha adentrou o quarto, de mãos dadas com uma mulher de cabelos verdes e olhos verdes. — Eu sou Kimmie, e essa é Sasha.

Kimmie tinha longos cabelos pretos como a noite, seus olhos vermelhos rosados não eram assustadores, mas sim confortáveis de admirar. Ela tinha um sorriso bonito nos lábios e transmitia alegria.

— Vocês já se conheciam? — Alice perguntou, confusa.

As duas se olharam e pronunciaram um "não" bem engraçado, fazendo as outras rirem. Finalmente, as quatro se abraçaram firmemente, tratando de se reconhecerem. Elas sabiam que ainda não estavam completas, mas esperavam que logo estivessem.

O dia passou com lentidão, e a espera parecia uma tortura. Já haviam arrumado seus pertences, feito seus rituais individuais, mas a quinta delas, ou melhor, a terceira, não apareceu.

— O que será que aconteceu com ela? — Kimmie perguntou preocupada, encarando a decoração da cama feita de pedrinhas, com os lençóis e travesseiros brancos, cheios de manchas avermelhadas.

A batida na porta foi ouvida e logo foi aberta por ninguém menos que Faragonda. Aquilo fez as quatro se desanimarem, afinal, esperavam que fosse aquela que faltava.

— Eu sei... estão esperando a terceira do ciclo. Me desculpem, mas ela não virá — Faragonda informou, deixando-as confusas. Como assim ela não viria? O combinado era que todas se reuniriam em Alfea quando completassem mil anos. — A carta dela nunca foi entregue, ela está desaparecida.

Aquela notícia as frustrou. Onde estaria a terceira criança da profecia? Aquilo era um problema maior do que poderiam resolver, afinal, já teriam que lidar aquele ano com os aliados do destino. Como poderiam deixar aquilo e procurar a mulher?

Elas estavam sentadas à mesa dos professores, aproveitando o jantar, enquanto se mantinham em silêncio. Tudo parecia barulhento demais, e não estou me referindo à algazarra das fadas, mas sim às suas mentes deturpadas.

— Então, quer dizer que são mesmo sereias da antiga Atlantis? — Griffin perguntou curiosa, chamando a atenção de pelo menos uma delas. — Achei que estivessem todos trancados no abismo da dimensão ômega.

— Os nossos ancestrais, sim. Nós, no entanto, não nascemos lá — Sasha explicou.

— Desculpe a inconveniência, mas, de que são protetoras mesmo? — Codatorta perguntou.

Sim, aquela pergunta era muito inconveniente, mas responder não faria mal a ninguém.

— Eu sou Sasha, sou a fada da harmonia, sereia guardiã da dimensão ômega, clarividente — a mulher fechou os olhos e suspirou. Havia se concentrado o dia todo em seus poderes para tentar enxergar a terceira delas, mas tudo que havia conseguido ver foram abóboras e coelhos. — Sou a quinta criança da profecia.

— Uau, você consegue ver o futuro? — WizGiz parecia impressionado.

— Sim, às vezes — ela apenas deu de ombros. Aquela pergunta era ridícula, afinal, todo mundo sabia o que significava clarividente, certo? Errado.

— E quanto a vocês? — Palladium perguntou às outras que pareciam caladas demais.

— Eu sou Alice, fada do tempo e sereia guardiã dos portais, a segunda criança da profecia — a morena sorriu fraco e Palladium assentiu.

— Você deve ser a que se teletransporta, é claro — Codatorta disse com um tom de desconfiança. Alguém havia roubado sua tortinha de mirtilo, e é claro que era um dom bem conveniente.

Alice apenas sorriu e deu de ombros, fazendo as outras negarem. Era fato, aquela mulher era doida.

— Eu sou Kimmie, a quarta criança da profecia — a baixinha disse animada. Geralmente, ela era alegre, atrapalhada e falante, e todos a amavam imediatamente. Kimmie era uma das mais gentis entre elas. — Posso manipular mentes com o meu dom, sou a fada da noite e a sereia guardiã do Legendarium.

— Achei que esse livro estivesse com as bruxas de Torre Nebulosa — Griselda falou confusa, e Kimmie apenas deu de ombros, voltando a comer seu pudim.

Griffin apenas negou. Sempre soube que o tal “Legendarium” de Torre Nebulosa nunca fora de fato o original.

— Espera aí, telepatas não manipulam mentes? — WizGiz parecia confuso.

— Telepatas se comunicam mentalmente, e no meu caso, posso manipular pensamentos. Mas pessoas que manipulam mentes podem manipular muito mais do que apenas pensamentos; podem manipular um ser inteiro — Amália explicou, enquanto apontava para o braço de WizGiz que desenhava a diretora Faragonda em um papel. É claro que ele se assustou com aquilo e Kimmie riu, mas ele ficou bem. — Eu sou a fada do arco-íris e a sereia guardiã dos sonhos, a primeira criança da profecia.

Eles apenas assentiram. Ter dons transformava alguém em uma pessoa imprevisível e perigosa. Agora eles finalmente entendiam por que os habitantes de Atlantis haviam sido banidos: por medo. Saber que havia pessoas por aí, que poderiam ser boas ou más, manipulando pessoas, coisas e realidades, era assustador.