Notas iniciais
Desculpem a demora pra postar...
Não sei quanto tempo se passa antes de perceber que Robert já estava terminando o que quer que ele estivesse fazendo. Eu não podia ver, de qualquer forma, já que estava tão debruçado sobre sua mesa que era impossível tentar deduzir o que ele estava criando. Porém, quando ele se levanta sorrindo, vejo que segura seu mais novo trabalho agora concluído. Esse tempo todo fiquei sentada em uma cadeira razoavelmente limpa à sua mesa, bebendo aos poucos um café com creme que havia comprado no centro por alguns poucos trocados, no entanto, sua reação exagerada pelo trabalho feito conseguiu me assustar pela forma brusca que se levantou fazendo barulho e me tirando de meus próprios devaneios que vagavam entre assuntos e de tempos em tempos me focava no relógio de parede do outro lado da sala. Eu não conseguia parar de me perguntar se já haviam notado minha falta no casarão.
Robert não devia ter sequer notado o tempo passar absorto em seu trabalho, mas eu pude perceber a rua ficando silenciosa e escura, conforme ficava cada vez mais tarde.
Bem, eu só esperava conseguir chegar à mansão de Romckpay tão tarde da noite sem entrar em confusão, o que, segundo meu histórico, seria quase um milagre.
— Consegui!-grita me fazendo tirar os olhos da janela pelo susto.- Eu não sei se será a mesma coisa tendo feito tudo agora, mas mesmo assim, está concluído!
Ele me estende algo que se assemelhava a uma espécie de colar, com um pingente de vidro cheio de alguma substância furta cor em tons de branco, roxo, azul e prateado. Eu nunca havia visto algo assim e sinceramente, tinha medo de descobrir do que se tratava. No entanto, não devia ser assim tão perigoso, visto que ele o segurava com tanto orgulho com um sorriso estampado no rosto.
Olhando melhor o cordão vermelho que segurava o pingente, me lembrei vagamente de Robert o confeccionando com a ajuda de uma pequena máquina de metal que extraia o conteúdo do frasco em uma pequena cavidade na borda. O cordão era vermelho como o sangue de lobisomem que eu o entreguei, e tinha inclusive o cheiro forte de ferro que eu podia sentir mesmo com certa distância, do outro lado da mesa em que Robert trabalhava.
Poderia dizer que isso era culpa dos meus sentidos apurados depois de anos treinando com os Caçadores da Meia-Noite, mas a verdade é que sempre fui mais perceptiva do que os outros, exatamente como eram as criaturas que eu devia caçar.
Minha habilidade em notar e sentir o que os outros não podiam era mais que útil na maioria dos casos.
— Pode pegar, é totalmente inofensivo.-diz Robert ao notar minha hesitação em tocar naquele colar de aparência estranha. Parecia
errado, como algo que não deveria existir.- Pelo menos, para humanos é.
Tomando coragem, tiro o colar da mão de Robert pegando-o pelo pingente de vidro.
Quase instantaneamente, me arrependo de segura-lo com tanta confiança. Tão rápido quanto eu tirei o objeto das mãos do homem, sinto uma forte pontada de dor assim que minha mão cobre o vidro. Seguro um grunhido de dor e solto o colar por um instinto que há muito esqueci que tinha. Deixo o colar jogado sobre a madeira e vidro da mesa que há pouco me apoiara para beber café enquanto observava o cientista trabalhar.
Por sorte, eu não o joguei com força o suficiente para quebrar.
— Estranho, isso não era para ter acontecido.-murmura um confuso Robert enquanto massageio o lugar ainda dolorido em que tinha sentido aquela pontada forte. Disfarço o movimento das minhas mãos o olhando franzir o cenho.- A senhorita está bem?
— Estou.-minto.- O vidro estava gelado, provavelmente levei um choque térmico. Nada demais.
— Certo.-diz ainda desconfiado, porém não insiste mais no assunto. Por conter sua curiosidade, agradeço mentalmente pela gentileza, mas, de novo, me mantenho calada.- Bem, como eu ia dizendo...
Ele voltar a me explicar em detalhes o funcionamento da nova criação como se nada que o fez expressar aquela desconfiança ao me olhar realmente houvesse acontecido.
— Esse colar foi algo um tanto improvisado, mas tenho certeza de que irá funcionar. Fiz o cordão usando uma resina mais resistente que eu mesmo criei, acrescentando o sangue que você me deu como parte do protótipo. Eu esperava que fazendo o sangue entrar em contato direto com a pele, permitiria que os feromônios da licantropia se espalhassem melhor no corpo, o que daria mais acessibilidade para esconder da forma certa o cheiro típico que nós humanos temos. Espero estar certo quanto a isso. Talvez isso seja o suficiente para se misturar sem ser notada, pelo menos é o que espero que aconteça. Eu só não posso ter certeza porque não é algo que eu tenha lido a respeito algum dia. Eu mesmo nunca tinha tentado. Apenas tive a ideia depois que você me pediu.
— Pelo lado científico, creio que você esteja certo.-explico já sem dor nas minhas mãos.- Os feromônios das criaturas do submundo tendem a sobrepor à dos humanos. O sangue demoníaco costuma ser mais forte mesmo nos mestiços. Os filhos de humanos e criaturas do submundo, imagino que você saiba ao que me refiro. Então, imagino que nessa parte você acertou.
Deduzo que um cientista que vive tão perto do centro da cidade já tenha visto aqueles jovens andando de cabeça baixa para tentar esconder os olhos amarelos em fenda típicos dos lobos ou os com dentes caninos bem maiores do que o normal tentando evitar sorrir ou levantar a cabeça mais do que o necessário. Nos últimos anos eles não têm sido tão raros, apesar de até conseguir ver algumas orelhas pontudas por entre a multidão.
Sei por experiência própria o quanto eles precisam se esconder se quiserem viver aqui. Humanos não podem lutar contra eles em uma luta pela vida, mas por serem minoria, sofrem a discriminação dos humanos que os odeiam e não entendem que esses jovens dariam tudo para serem tão humanos quanto foram criados para ser.
— Sei dos mestiços a que se refere, senhorita. Meus conhecimentos de biologia submundana não são tão vastos quanto imagino que a Caçada saiba, mas imaginei que fosse um tanto semelhante ao pouco que sei sobre os animais, então estava realmente tentando algo mais prático, porém eficiente.-responde animado. Será que ele é sempre assim quando decide falar sobre suas experiências e invenções? Será que
todos os cientistas e inventores são assim como ele?- Bem, quando ao pingente, o preenchi com uma nova substância que vinha trabalhando há algum tempo. Eu ainda não havia achado uma oportunidade para um teste, então imaginei que sua missão pudesse ser essa oportunidade ideal que eu estava procurando. Tem por objetivo servir como uma arma na luta contra o submundo para os Caçadores. Não irá matar aquelas criaturas, mas é forte o bastante para atordoa-los por tempo suficiente e talvez até feri-los gravemente se mirarem no lugar certo. Tinha uma encomenda de algo assim há alguns meses, mas você sabe que não posso vender nada sem testar primeiro. Se sobreviver, gostaria que me dissesse se funcionou de verdade, mas imagino que o fato de você ter sobrevivido seja o suficiente. Então isso é até que dispensável no momento. A idéia desse projeto seria fazer possível conseguir deixa-los mais lentos, e então mais vulneráveis, para alcança-los mais rápido, sem necessitar maiores esforços dos Caçadores. Para vampiros, no entanto, imagino que apenas consigam diminuir sua força e velocidade o suficiente para saírem de onde estiverem com o mínimo de machucados caso a prioridade seja um dos resgates que sei que fazem com frequência. Basta jogar este vidro sobre a pele deles. Assim que o conteúdo se espalhar pelo corpo, eles vão sentir muita dor, e isso pode dar uma vantagem merecida aos humanos nessa guerra eterna entre nossas espécies. Contanto que o portador dessa substância seja humano, segurar ou tocar neste vidro é perfeitamente seguro.
— Muito obrigada, Robert.-agradeço com sinceridade. Eu provavelmente não vou usá-lo, mas há alguém que precisa disso mais do que eu.- É exatamente o que eu estava procurando. A Caçada agradece por seu apoio à nossa causa.
Os agradecimento formais eram obrigatórios, mas não significava que eu gostava de dize-los em qualquer situação. Eram ultrapassados e lembravam demais a alta burguesia para os Caçadores, que, como eu, haviam crescido longe dos luxos da classe alta londrina à qual nos haviam trazido desde muito pequenos. Isso nos lembrava que havíamos sido levados de nossas casas sem chance de nos despedir de nossa antiga vida, só para chegar em um mundo de riqueza e luta que nunca teríamos caso não fossemos escolhidos.
Por muito tempo, tudo que eu quis era voltar para casa, para a época antes de ter sido escolhida por Romckpay para treinar com os Caçadores, mas eu já não queria me lembrar do passado. Poucos de nós gostariam de se lembrar do nosso passado difícil em um lugar tão diferente de Londres. Agora éramos soldados de elite da Rainha Vitória, e faríamos valer a pena.
Robert agradece meus cumprimentos com um aceno respeitoso de cabeça. Outra formalidade. Para ele era fácil, estava mais do que acostumado a esse tipo de situação.
— Precisa que eu te pague agora?-pergunto assim que me levanto da cadeira.
— Não será necessário, senhorita. Trabalho para o senhor Romckpay de bom grado.-diz-me seguro de si.- Isso fica por conta da casa. É um presente. Já tinha passado um tempo trabalhando nessa substância, o resto foi extremamente fácil. Use-a e se aprovarem, peçam para que eu produza um lote especial para a Caçada. Ainda não encontrei um nome bom o suficiente para ela, mas até lá já saberei o que fazer.
— Muito obrigada mais uma vez então, Robert.-digo voltando a vestir meu casaco com capuz e em seguida guardando o colar de volta na moedeira em que eu havia trazido o espólio de lobisomem roubado, colocando-a discretamente no meu bolso.
Não me daria o trabalho de levar o frasco de sangue agora vazio, não era mais necessário e poderia ser facilmente substituído por outro vidro na sala de
troféus. Além disso, o cientista poderia jogá-lo fora com seu lixo da semana ou reaproveita-lo como desejar. Eu não iria interferir na decisão.- Tenha uma boa noite, Robert Fletcher.
Me dirijo até a porta e ele a abre prontamente, me dando espaço para passar logo em seguida.
Assim que saio de sua casa em direção à rua escura, ele volta a fechar a porta assim que eu a atravesso. Levo minhas mãos até o capuz, jogando-o sobre a minha cabeça antes de começar a caminhar. Mais uma vez, precisava chegar à casa sem que ninguém me visse no caminho.
Como eu esperava, Londres agora estava silenciosa e escura, de uma forma que só tarde da noite ficava. Estávamos lidando com um toque de recolher já faziam algumas semanas, desde que um lorde foi assassinado na porta de sua casa quando voltava de um espetáculo na Piccadilly Circus. O vampiro o havia assassinado é pouco havia dado atenção ao sangue que ainda escorria na calçada quando eu e mais alguns Caçadores respondemos ao chamado da esposa em prantos. Nós não só éramos assassinos, mas também investigadores de crimes em potencial. Só respondíamos o chamado de casos como aquele, mas o ataque causou pânico pelo fato da vítima ter sido um homem muito rica. Até agora o vampiro que o matou não havia sido capturado, e o medo de sua volta fez a Rainha ordenar toque de recolher até uma das patrulhas da Caçada da Meia-Noite decretar a morte do responsável.
Justamente por toda essa confusão, eu precisava parecer o mais discreta possível para não ser mais do que uma sombra na noite. Não podia ser vista nem por uma das patrulhas, nem por humanos em suas casas ou por qualquer criatura que observava à espreita na escuridão.
Escondo meus cabelos castanhos embaixo do capuz e tento cobrir a pele clara do meu rosto com o máximo de tecido possível. Estava tudo tão escuro e minha pele era de um tom tão claro, que seria como um farol agora. Qualquer um que olhasse nessa direção, poderia me ver com facilidade. Por sorte, eu não passaria de um garoto magrelo vagando pelas ruas sem seguir as ordens da Rainha. Ninguém viria me alertar de nada, o medo era mais forte. No entanto, eu estava escondida o bastante para ser difícil dizer até mesmo o meu gênero. Mesmo para as Caçadoras, ser mulher não implicava grandes vantagens sendo Londres ou uma vila de interior. Os homens adoravam nos tratar como se não valêssemos nada, e nem mesmo um broche da Caçada da Meia-Noite os convencia que não éramos jovens em perigo.
Meu uniforme estava bem escondido por baixo do casaco largo que usava, assim como as facas gêmeas presas em minha cintura guardadas em suas bainhas bem cuidadas.
Eu sabia me cuidar, por isso não sentia medo. Mas me perguntava à que se agarravam as mulheres que não tinham armas brancas e anos de treinamento de luta em sua defesa quando tinham medo de ser atacadas enquanto tentavam seguir sua vida.
Preciso caminhar várias quadras até chegar à rua da mansão de Romckpay, e estava ocupada demais olhando para as sombras ao meu redor para perceber a aproximação de alguém. Meu cérebro não consegue manter a atenção em mais de uma única coisa por tanto tempo.
Quase não noto que estava mesmo sendo seguida até que sinto uma mão puxar com força meu capuz, fazendo meu cabelo se soltar um pouco da trança improvisada que havia feito mais cedo no espelho da oficina de Robert.
Assim como tinha aprendido em meu treinamento para aprender a caçar, lanço meu braço focada em mirar no rosto do infeliz que havia destruído minha trança tão bonita. Sinto meu cotovelo tocar algo macio antes de ouvir um grunhido de dor. Viro-me a tempo de ver um homem cuspir sangue no chão ao seu lado. Com certeza eu tinha quebrado o nariz dele.
Não me arrependo.
— Olha só, parece que temos uma pequena lutadora aqui, hein?-debocha assim que consegue se recuperar o bastante do meu golpe.
Pequena. Eu tinha mais de 1,70m. É quase a mesma altura dele, diga-se de passagem.
Levo minha mão lentamente até a minha cintura, tateando até encontrar o cabo da faca, a tirando da bainha em seguida.
— Saia de perto de mim.-digo tentando manter a calma. Mantenho a faca ao lado do meu corpo, segurando-a com tanta força que dói.
— Quem você pensa que é?-pergunta o homem. Na verdade, analisando-o agora, ele não devia ser muito mais velho do que eu.
— Por que não pede ao seu amigo escondido atrás daquela parede ali atrás para vir até aqui se juntar a nós nessa conversa?-rebato olhando com as sobrancelhas levantadas como se o desafiasse.
Ele olha na direção que acenei antes de se virar com uma expressão de assombro. Não devia ser comum que suas vítimas notassem sua presença. Eu errei uma vez em não olhar em volta, mas isso não se repetiria.
— Como você poderia saber que eu não estava sozinho?-questiona surpreso.
— Palpite.-dou de ombros. Poucos segundos depois, vejo o outro garoto sair do exato lugar onde pensei que estaria. Lentamente, ele começa a caminhar até nós.- Ah, não se acanhe. Estamos entre amigos aqui.
Sorrio com sua surpresa pela minha reação. Acho que suas vítimas não costumavam ser tão corajosas, mas elas também não tinham o treinamento dos Caçadores da Meia-Noite, imagino.
Assim que o homem se aproxima o bastante, dou um ataque rápido com a minha faca em direção à sua barriga. A arma perfura suas roupas de camponês puídas e vejo sua camiseta se encharcar de sangue quando a lâmina chega até seu estômago. Tiro-a rapidamente de seu corpo e o vejo cair de joelhos no chão, os olhos arregalados de medo e confusão. Uso o cabo da faca para dar uma coronhada em sua cabeça e ele cai grunhindo de dor e incapacitado em seguida. São só dois humanos idiotas, se fossem alguma espécie de demônio já teriam agido mais rápido. No entanto, continuam sendo ladrões desprezíveis.
Em um movimento rápido, o primeiro garoto puxa moedeira de veludo do meu bolso e levo minha faca ensanguentada até seu rosto com a mesma habilidade.
— Calma lá!-exclama assustado e quase derruba a moedeira no chão. Quase.- Eu só quero saber o que você tem aqui dentro, lutadora. É grana?
— Largue essa bolsa agora.
— Por que?-pergunta abaixando suas mãos levantadas tentando abri-lá com uma faca apontada para o seu rosto.- Você é da realeza para se achar tanto assim? Você não parece ser da realeza.
— Não, eu não sou da realeza.-digo e o vejo rir em tom debochado. Ataco com a faca e em um movimento rápido ele desvia. Ao se desviar do golpe a bolsinha caí no chão e rola para longe com a quase imperceptível inclinação da rua em direção à lomba que havia acabado de subir. A vejo se afastar do alcance de ambos e não posso fazer nada. Espero apenas que o vidro não tenha quebrado.
Ele saca um punhal de sua cintura e tenta revidar, porém consigo parar o golpe com facilidade. Iniciamos uma luta, com ele mais ocupado em tentar se defender do que revidando. Ele podia saber lutar, mas nunca seria tão bom quanto eu. Ele não tinha meu treinamento e nem mesmo minha experiência.
O faço recuar vários passos em investidas repetitivas para tentar cansa-lo e fazê-lo baixar a guarda. Concentrado em bloquear meus ataques, ele tropeça em um pedra solta na rua e aproveito a oportunidade para chutar seu estômago. Ele perde o equilíbrio e caí desajeitado. O chuto novamente e prendo-o no chão com o meu pé em seu peito, minha faca apontada em seu rosto.
Eu não tinha pressa em matá-los. Eram humanos, é meu objetivo maior é só sair daqui, não tirar-lhes a vida.
— Como eu dizia, não sou da realeza.-digo.- Sou algo bem pior. Eu sou caçadora.
Ele arregala os olhos e chuto suas costelas. Ele se encolhe de dor e vou até onde a moedeira tinha caído. Recolho-a do chão e caminho de volta até o garoto enquanto abro-a para me certificar de que não havia quebrado.
Continuava inteira. Bom. Muito bom.
— Isso não é dinheiro.-digo me abaixando diante dele com a bolsa estendida e a faca na outra mão.- Mas se o conteúdo dessa bolsa estivesse quebrado, eu te mataria sem pensar duas vezes.
Seguro-o contra o chão e coloco o colar em meu bolso enquanto pressiono a faca em sua garganta, no ponto sensível abaixo do queixo.
— Que isso sirva de aviso para não se repetir.-falo e pressiono a faca mais forte em sua garganta, fazendo um fiapo de sangue esconder pela lâmina. Ele solta um gemido de dor. Eu não ligo.- E se você falar alguma coisa do que aconteceu aqui esta noite para alguém, volto aqui só para te caçar. E eu não vou te matar com uma faca pequena como essa, entendeu?
Ele assente com olhos arregalados de medo, porém não fala nada.
Ótimo.
Não preciso de mais nada por enquanto.
Dou outro chute nele antes de voltar a me afastar e caminhar até a mansão. Limpo o sangue na minha faca na manga de meu casaco e os deixo se preocuparem eles mesmos com seus problemas.
Não levantaria um dedo para ajudar o imbecil bancando o esperto ou seu parceiro desmaiado.
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