Notas iniciais
É meio difícil escrever ação, então desculpe se houver uma confusão...

“....Captei a mensagem....”

“........”

“...Estou aguardando....”

“...Obrigada...”

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A primeira resposta que recebi após a chamada de rádio foi o completo silencio. “Talvez”, conclui, “não devo ter sido muito educada”. Portanto, repeti de novo a mensagem no alto-falante. O rádio reserva sofria com uma terrível interferência, e minha voz mal passava pelo equipamento. Frederick me deu um sinal através da vidraça da cabine; O bote estava pronto. Fitei novamente os nossos amigos à esquerda e eles fizeram o mesmo. O outro navio estava no centro da rota entre o navio de caça e o de fábrica, impedindo-os que transferissem a baleia caçada, que já alçaram para dentro de um alçapão. A água ainda estava suja de sangue e as aves marinhas se foram de estomago cheio.

De repente, o rádio começou a chiar e eu aumentei o volume. Finalmente, receberíamos uma resposta antes de uma ação evasiva. Aumento mais um pouco a área de freqüência e repito a advertência inicial. Uma voz masculina apareceu entre as interferências e chiados. Ele dizia tudo em japonês, como esperado, já que eu era fluente na língua.

“... Infelizmente não podemos parar nossas operações...”, ele falava de forma calma, talvez porque soubessem que não tínhamos um rádio bom. “...Saiam da frente ou se verão com o governo japonês...” “

– Mas a caça de baleias é ilegal! – grito, para que ele ouça melhor. – Várias espécies desapareceram por causa desse governo!

“... Nós respeitamos as leis internacionais de proteção...”

– Todo mundo sabe que isso é só na teoria! Vocês só não fazem na costa!

“... Não vamos parar as atividades...”

Obviamente, as ameaças de nenhum lado faziam sentido. O Japão sabia muito bem a regra e a oposição que havia, mas eles faziam, por “cultura” e “pesquisa”, mas nós sabemos que não. Eu não vivo rodando duas Rússias feitas de água para receber uma resposta mal feita. Se pelo menos o governo nos ajudasse...

O mar fica agitado e a neblina começa a baixar. Fred entra na cabine e pergunta o resultado. Jogo o receptor do alto-falante no chão, com raiva.

– Eles são teimosos! – grito – Não vão sair da bendita rota! Vamos ter que atacar!

– Por essa eu já esperava... – Fred torna ao bote e começa a desamarrar as duas cordas que o amarravam a lateral do navio. Ele tenta por o barquinho acima da água, mas a correnteza estava muito forte e ele teve alguns problemas. Olho em volta e percebo que as baleias sobreviventes já se foram para bem longe. Desejo boa sorte. Pego novamente o rádio reserva e transfiro o sinal para o nosso navio à esquerda, onde estava Garcia, um colega brasileiro. O sinal estava realmente ruim, portanto gritei o mais alto que podia:

– Garcia! Eles não vão dar no pé! Prepara o seu bote!

“... Entendido...”, ele responde com a voz fragmentada pelo sinal, “... O navio fábrica está muito perto da gente! Tome cuidado!...”

Desligo a máquina e a ponho em uma maleta. Preparo-me para sair da cabine e num impulso impensado acabo levando-a. Desviei novamente das tralhas no convés e cheguei a lateral direita da embarcação, onde Fred me interrompe de prosseguir:

– Eu vou, Sidney! O mas está muito perigoso e você não tem boa mira!

– Nem pensar! – respondo, enquanto pouso sobre o bote encima d’água. – Vou levar o rádio, qualquer coisa me mande um sinal...

Ele assente com a cabeça e me joga um colete salva-vidas. Na verdade, sinto-me mal sobre ter citado o rádio, pois ele estava danificado. O navio de Garcia fez o mesmo e Dylan acenou para mim do outro bote. Apontou o navio de caça e depois seus armamentos. Assenti com as mãos e liguei o motor atrás do barquinho, seguindo em direção ao navio-fábrica. O que mais estranhei, foi o fato de que nenhum dos dois ter se manifestado além de responder a advertência que eu fiz, mas não pensei mais sobre isso. O navio-fábrica era o triplo maior que o nosso, porém mal passava de dois terços do tamanho de um cruzeiro ou um carregador. A sua estrutura externa estava cheia de listras negras disformes e corais. Senti meu estomago revirar após perceber o que era aquela coisa escura.

Sobre seu convés comprido, pilhas e pilhas de massas cinzentas e brancas estavam mutiladas, de várias formas. Nunca vira tanta quantidade de baleias encima de um navio na vida. Refleti um pouco: como era setembro, a temporada estaria acabando e seria até normal ele estar entupido assim; mas nunca dessa maneira, talvez... Eles começaram ANTES?

– Bastardos... – murmuro, enquanto preparo as bombas de ataque ao meu lado. Era em muito usado, porém não menos efetivo, que Fred me ensinara a usar quando entrei nos Sea Soldiers: bombas caseiras, feitas de manteiga podre, na qual impregnava a carne das baleias e tinha um cheiro terrível, tornando-as inúteis para o comércio e ainda incomodava os tripulantes. Preparo a mira do objeto que parece uma bazuca rudimentar á esquerda do convés, onde havia maior quantidade. Garcia já deveria ter atirado aquela coisa que escorrega no navio-caça. Eu fixo a mira e...

– Sidney! Saia daí, agora!!!

Fred me chama a atenção de nossa embarcação e vejo a premonição de um acidente. Era algo inesperado, simples assim. O navio-caça fora atingido por duas bombas, mas nada o impediria de praticar aquela manobra arriscada. Se eles o fizessem, no mínimo, atingiria Fred, e em seguida, a mim; mas era o que eles queriam, e nem nosso amigo que está na rota poderia fazer algo.

Fred avança o navio para frente, o que era suicídio, pois estava tentando bloquear os criminosos. Eles acabaram colidindo, e o casco de nosso navio furou. Mas aquele navio de arpoador era muito mais forte, e o que eu pressenti antes aconteceu.

O navio-fábrica aumentou sua velocidade, e não avistei mais os outros. Eu não vejo mais nada.

A última coisa que eu ouvi foi um grito fino, em japonês: “Ela não é uma baleia.”