Cause He's The Only One That I Have Ever Loved
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O tema da one é bem “clichê” na minha opinião, é algo entre rotina misturado ao amor, e tem bastante cortes e sobre como a rotina de duas pessoas apaixonadas mudam, algo assim.
Tenham uma boa leitura!
/e perdoem qualquer erro, mesmo eu corrigindo, sou muito desatenta
Todas as manhãs Yuuri Katsuki saía de casa, seu destino era breve; trabalho, uma passada rápida em um mercado pequeno próximo e às vezes na lavanderia ao lado de seu prédio. Estava com vinte e sete anos já, mais de duas décadas de vida, seus sonhos infantis há anos já tinham sumido, mortos pelo tempo e suas novas expectativas. Tudo se acaba rápido demais, foi assim com Yuuri também, logo sua faculdade perdeu a graça, e ele apenas focou em seu trabalho, após dar duro atrás de seu diploma, e agora o tinha nas mãos finalmente.
Passava o dia dando aulas, ensinando adolescentes como um dia ele fôra, sonhadores, correndo atrás de um sonho que parece tão inalcançável – mas estava apenas há alguns passos de distância –, a vida, enfim, era daquele jeito, um momento estamos presos em um livro demasiado interessante e outra, presos em uma sala, apenas encarando o teto ou a parede, esperando achar respostas para tudo em nossas vidas, e nunca podendo achá-las de verdade.
Como todas as manhãs, ele seguia pacientemente uma rotina. Sua xícara de café solúvel entre os dedos das mãos, ajeitando a camisa clara e de botões, a gola sempre estava desajeitada, não importava quantas vezes ele a arrumasse, suas calças tinham a bainha larga demais, ele a dobrava uma ou duas vezes para que não se arrastasse junto ao tênis escuro. Seus cabelos curtos – que agora se arrepiavam para baixo, gritando por um corte urgente que era negligenciado –, sua pele era amorenada naturalmente, afinal mal pegava sol, os olhos bem castanhos, que algumas pessoas diziam refletir um bonito tom de vermelho, mas ele apenas enxergava a cor chocolate. Ajeitava a armação fina e azul entre suas bochechas e a testa, soprou o ar para cima, como uma criança, para ajeitar sua franja indesejada e repicada, mas logo ela caía novamente. E ele riu baixo de sua estupidez.
— Bom dia para mim. – disse baixo, tomando os últimos goles da bebida quente na xícara, sentindo-se despertar por completo. Tinha muitos planos para o dia, como por exemplo, tinha algumas provas para aplicar para seus alunos, e de certa forma, era engraçado, não o desespero dos jovens, apenas, a nostalgia que isso lhe trazia, assim como a sensação de familiaridade de todos os seus anos ensinando.
Deixou a xícara na pia da cozinha, que misturava-se a sala de estar, lavou-a apenas com água corrente com pressa, deixando-a no seca-louças e secando as mãos em um pano de prato com um rasgão no meio. Apressou-se para sair de casa, conferindo todas as suas pastas e livros, material e outros objetos de muita importância, suspirou ao constatar que tudo estava ali. Olhando seu relógio de pulso, pulou ao ver que estava atrasado, saiu correndo para fora, se atrapalhando todo para fechar a porta de seu apartamento. E desceu as escadas, já que o elevador estava fora de uso pela terceira vez do mês, sorte que morava no segundo andar (mas o prédio só tinha três andares), e saiu pelo hall de entrada, sorrindo para o porteiro, que lia o jornal, de vez enquando olhando para fora, onde várias pessoas andavam para começar sua rotina do dia.
Com o início do inverno, tudo se resumia em pessoas muito bem encasacadas, com suas mantas coloridas para camuflar as roupas escuras e grossas, dando um tom de “alegria” para aquele vento gelado, que fazia bater queixo. Yuuri sorria um pouco, gostava de frio, mesmo que mal conseguisse se esquentar com seus dois casacos grossos. Puxou um pouco de seu cachecol para cima, para que pudesse cobrir seu nariz, que já estava com a pontinha gelada. Segurou com a outra mão firme sua bolsa de materiais, levou a mão livre (que usara para ajeitar o cachecol) até o aro de seu óculos e o levou para trás, olhou para frente, e nem percebeu quando alguém o deu um esbarrão nele, travou no lugar, era um homem alguns centímetros mais alto, com os cabelos claríssimos, um tom prateado de aspecto raro, os olhos azuis cheios de vida, um rosto bonito, usando roupas que lhe destacavam ainda mais – era o tipo de homem que encantava à todos que pusessem os olhos nele.
— Perdoe-me! – disse Yuuri, com o rosto já vermelho de frio, vendo se nenhum dos dois derrubara nada. — Eu.. eu não estava olhando para frente! – disse, com medo que o outro desse um escândalo por um simples acidente.
O homem sorriu, se divertindo com o desespero do mais baixo, e o calou pondo um dedo em sua bochecha, bem próximo de seus lábios que tremiam um pouco, enquanto seu cachecol caía para o pescoço de novo. Yuuri o olhou com os olhos castanhos arregalados de surpresa, o dedo enluvado do homem de cabelos prateados passou por sua bochecha, fazendo um discreto toque em seus lábios, e a mão foi levada para longe do mais baixo. E o homem soltou um risinho, com os olhos fechados, em uma expressão muito feliz.
— Não foi nada! – ele disse, Yuuri achou sua voz muito bonita de se ouvir, encantou-se por aquele homem tão rapidamente. — Acidentes como esse acontecem bastante. – completou. — Mas temo que eu esteja atrasando seu dia. – constatou.
— Oh! – Yuuri desesperou-se. — Você está certo, tenho que chegar em menos de cinco minutos em meu trabalho! Adeus, seja lá quem você for!
O prateado suspirou, iria respondê-lo, mas o jovem moreno já estava correndo desesperado quase no fim da rua, virando para a outra rua, muito atrasado. Olhou para seus pés, e murmurou só para si:
— Meu nome é Viktor.
···
Naquele dia, Yuuri lembrou-se algumas vezes daquele encontro com aquele homem. Pensou se deveria ter dito mais algumas palavras, tentado ser seu amigo, mas, foi algo tão comum: esbarramos em alguém, pedidos desculpas e seguimos nosso rumo. Nunca mais veremos aquela pessoa que você riu constrangido e pediu desculpas, era algo comum na vida de todos.
Ele terminou de guardar seus livros na pasta, tinha findado sua última aula do dia. Uma de suas alunas tinha lhe perguntando sobre algumas páginas do livro que usavam e foi embora junto as suas amigas, nada fora do normal. Ele pegou sua pasta e seguiu pelos corredores até a sala dos professores, ia ver algumas coisas importantes ainda e iria embora, já sonhava com seu apartamento pequeno e quente, uma boa xícara de café quente e poderia se jogar em uma de suas pilhas de provas para corrigir, preparar direitinho suas aulas e horários. Em menos tempo que ele percebesse, iria esquecer de seu encontrão com aquele homem que ele sequer sabia o nome.
Chegou no prédio junto de uma forte chuva. Por muita sorte quase não se molhara, se não pegaria uma gripe forte. Subira as escadas e ao entrar em sua casa, suspirou, largando sua pasta no sofá, indo até seu quarto e tirando cada um de seus casacos e roupas grossas, foi tomar banho, bem rápido, ainda tinha muito a ser feito. Pegou seu material, pondo na sua mesa de trabalho, abriu seu estojo pegando uma lapiseira e pegou uma borracha velha, ao lado de algumas canetas que ficavam na mesinha, abrindo o plástico das primeiras provas, saiu algumas vezes dali para pegar café e jantar, e até mesmo ligar seu som portátil, onde tocava algumas de suas músicas clássicas favoritas.
Ele só saiu de perto daquelas provas bem tarde, era quase duas da manhã, quando Yuuri caiu em sua cama de solteiro, puxando o máximo de seus cobertores para cima. Dormindo instantaneamente.
···
No dia seguinte, assim que acordou, Yuuri seguiu sua rotina, saindo de casa mais cedo que no dia anterior. Seguindo pelas ruas de sempre, já pensando no que faria nesse dia, sem evitar de bocejar, seu corpo protestava, ir dormir tão tarde e acordar tão cedo. Mas ele ignorava, afinal, não poderia deixar seu material incompleto. Ainda tinha uma lista modesta em um dos bolsos de sua pasta – para depois fazer suas compras da semana (que seriam duas semanas, se ele pudesse viver apenas de café), e ainda tinha que lembrar de pegar algumas roupas na lavanderia, já tinha quase dois dias de atraso para buscá-las.
De longe, Yuuri avistou o mesmo homem do dia anterior. Por puro costume, ele desviou o olhar rapidamente, fingindo nem conhecê-lo. O homem, o viu, abriu um sorriso discreto, e Yuuri quis cavar um buraco no concreto da calçada e sumir! Principalmente quando o mesmo veio em sua direção – por que não poderiam seguir aquela regra de nunca mais se verem?
— Ei – o prateado o chamou. — Nem pudemos nos apresentar ontem, sou Viktor.
— Yuuri Katsuki. – ele respondeu. — Prazer em conhecê-lo. E desculpe mesmo por ontem!
— Calma, também foi minha culpa. – Viktor disse, dando tapinhas no ombro do mais baixo. Por que ele parecia não ter nenhum problema com intimidade com desconhecidos? — E você tem um belo nome, Yuuri.
— Bem, – Yuuri se enrolou um pouco, não estava acostumado com elogios, principalmente de homens tão bonitos como Viktor, ele respirou fundo, pigarreando um pouco. — muito obrigado. O seu também é belíssimo.
— Obrigado, Yuuri! – o sorriso de Viktor se alargou um pouco mais, quase parecia que seus lábios finos se curvavam em um formato de coração. — Está atrasado que nem ontem?
— Ainda não – o mais baixo riu sem graça. — Eu sou professor, então não posso perder o horário. Seria uma lástima deixar meus alunos esperando!
— Você está certo. – disse Viktor. — Admiro pessoas responsáveis, eu mesmo sou quase uma cabeça de vento. – Yuuri pensou se era uma piada para aliviar a tensão entre os dois ou se ele não ligava para isso, acreditava mais na segunda opção.
— Eu tenho que ir agora, Viktor. – disse Yuuri, olhando as horas em seu relógio.
— Você passa por aqui amanhã? – perguntou o mais alto direto, seu sorriso murchara.
— Passo por aqui todos os dias.
— Esperarei para vê-lo nos próximos dias, Yuuri!
···
E Viktor não mentiu, todos os dias, eles se viram, não importava se fosse dois ou dez minutos, conversavam as pressas, o máximo que podiam – por insistência também de Viktor –, ele aprendeu de cara que Yuuri era tímido, um pouco inseguro, e bastante “certinho”. Ele adorava isso no amigo, adorava vê-lo vermelhinho de vergonha! Era tão fofo, pensava só para si, sorrindo de toda a vergonha do amigo com seus toques inocentes.
Talvez, até gostasse de Yuuri. Mais que amigo, achava-o muito bonito, gentil e amava sua companhia, com todo o ênfase que ele poderia pensar e usar. Sabia de sua sexualidade, mas não se importava, não sabia a de Yuuri, não poderia forçá-lo a nada, talvez observasse todos os gestos dele, mas.. até conseguir algo, ele poderia facilmente enlouquecer.
Como acabou apaixonado pelo amigo que apenas via em pouquíssimo tempo e no meio da rua?! Eles sabiam bastante um do outro, diziam uma ou duas coisas sérias e iam por caminhos inversos, era assim mesmo. A amizade deles não era tão forçada – mesmo que tenha sido iniciada por culpa de Viktor que foi atrás –, a verdade era que Viktor não precisava passar ali todos os dias, absurdamente cedo. Era fora de sua rota, mas em um dia frio, por pura curiosidade passou ali, esbarrou em um moreno, que mais tarde descobrira ser professor e cheio de sonhos incompletos, se apaixonou e ia atrás dele todos os dias. Que clichê tolo, chegava à ser estupidez.
Ele pensava todos os dias como ser realista ao seu adorável amigo, como dizer que talvez gostava dele? Que queria ao menos tentar à sorte em um relacionamento não fixo, mas e se tudo desse errado? Viktor não era do tipo inseguro, mas perder a amizade com Yuuri, assustava-o. Se a amizade deles chegasse ao fim, era fácil eles nunca mais se verem, afinal, o quão difícil era simplesmente mudar uma rota? Virar de rua, sair de casa mais cedo ou tarde?
···
Demorou quase cinco meses de amizade até que Viktor pedisse para saírem juntos – como um encontro, já que ele tinha ido algumas vezes na casa de Yuuri, e almoçaram juntos com muito esforço de seus horários de trabalho –, Yuuri tinha aceitado. Iriam jantar fora, e sem lugares muito “chiques”, o moreno tinha sido claro em dizer preferir coisas mais simples, até mesmo comer em sua casa, pedirem uma pizza, era tão mais fácil para si.
Viktor chegou pontualmente, eram quase sete e meia e ele estava um pouco nervoso, muito nervoso! Suas mãos suavam frio – e ele pensava se suas roupas estavam boas ou seu cabelo não tinha pensado em bagunçar justo naquele dia –, mas, assim que ele avistou Yuuri próximo a entrada do restaurante, chutando alguma pedrinha para perto de uma lata de lixo, suspirou, gritando um “Yuuri” e acenando. O moreno sorriu, e foi em sua direção com passos largos.
— Viktor! – ele respondera o cumprimento, e logo depois entraram no restaurante, se eles não se enganassem, era de comida italiana, fôra divertido o jantar, falar de coisas que não fossem habituais nos encontros no meio da calçada.
Naquela noite, Viktor confessara sua “paixão” no amigo. Yuuri ficara vermelho, óbvio, e aceitou tentarem algo. Mas, tudo ao seu tempo, era difícil vê-lo como namorado e não amigo, ele tinha vergonha. O mais alto não se opôs, estava feliz pelo início, enfim.
···
— Ei, Yuuri, já acabou estes papéis? – Viktor perguntou, enquanto mexia em seu celular, estava deitado no único sofá da sala, já estava tarde, mas o moreno continuava analisando uma pilha de papéis sem nenhuma pressa.
— Quase. – ele respondeu, virando-se. — Mas nada muito urgente, já podemos ir dormir se quiser. É só me dar cinco minutos para eu guardar tudo.
— Ok – Viktor pulou do sofá, deixando seu celular na estante, desligando o som, e bagunçou os cabelos do namorado. — Vou arrumar a cama, venha quando acabar.
Yuuri assentiu, sem virar para ver o namorado mais velho seguir para o quarto. Eles namoravam há algum tempo, quase dois anos que tinham se conhecido, e viviam mais juntos que seus encontros no meio da calçada. Agora criaram uma rotina juntos, às vezes Yuuri ficava em sua casa, outras Viktor ficava na sua, iam juntos até a escola onde Yuuri trabalhava, ou outras paravam tudo para um simples beijo de bom dia, e um “eu te amo” tímido, como se ainda não precisassem dizer a verdade um ao outro, ainda se surpreendiam com as pequenas coisas – uma vida à dois era complicada.
Ele terminou ali, e foi até o interruptor da sala, desligando a luz e respirando fundo. Seu corpo já pedia por férias, ele estava muito dependente de Viktor, e queria largar tudo apenas para ter mais tempo com ele. Era assim amar alguém? Pois se era, já o assustava demais imaginar uma vida toda ao lado de Viktor, talvez adotassem uma criança mais a frente, uma casa só deles, será que eles iriam brigar por coisas banais? Ou seriam felizes a cima de tudo? Isso lhe dava um nó na cabeça, sentia-se um adolescente de novo, sonhando um sonho grande demais para si. Tudo de novo.
“Está tarde, é melhor eu ir logo!”, pensou Yuuri abrindo a porta encostada do quarto, Viktor estava deitado, olhando para seus dedos, um singelo anel dourado cintilava em sua mão. E Yuuri involuntariamente olhou para a própria mão. Ele lembrava-se do dia que eles trocaram aqueles anéis, eram como um voto de confiança, que eles sempre estariam um do lado do outro. Fôra belo, aquele dia, quase como um casamento de votos silenciosos, que foi realizado pelos dois, com tanto carinho envolvido.
Ele deitou ao lado de Viktor e o mesmo o abraçou, dando um longo beijo no namorado, sorrindo largamente. “Eu te amo, Yuuri!”, ele riu baixo, beijando o namorado de novo. Depois deu dois beijos em cada bochecha, enquanto Yuuri corava de baixo dos cobertores. Viktor o puxou para baixo de si, dando beijos mais sugestivos, tocando-o. Não tardou para que o cômodo se enchesse dos gemidos baixos dos dois, o barulho ritmo dos dois corpos, as juras de amor do momento, elogios, apenas o amor presente, deixando o momento perfeito.
···
Yuuri parou naquele mesmo lugar que cruzara com Viktor tantas e tantas vezes, o platinado estava ao seu lado, segurando sua mão forte. Se abraçaram, selando os lábios rapidamente para que ninguém visse.
— Eu te amo. – disseram juntos, rindo em seguida, e separam-se.
— Tenha um bom dia, Viktor!
— Eu terei, Yuuri – ele sorriu. — E você também, volto para buscá-lo mais tarde, certo?
— Estarei esperando.
Notas finais
Obrigada pela atenção! ♥
ps. Essa fic já tinha sido postada à algum tempo em outro site, decidi postá-la aqui também c:
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