Caught in a lie

1 Capítulo único


Notas iniciais
Olá, coconuts! Esta é minha terceira one-shot e a primeira sobre bandas/cantores. Decidi produzi-la após ouvir, pela milhonésima vez, a paródia de Blood Sweat & Tears do WTF Bangtan?: FQTDC Boa leitura!

Se um dia lhe perguntassem qual era seu sonho, Jungkook responderia que era ser cantor. Um idol, na verdade. Cantar, dançar, performar, talvez até atuar dependendo de onde os caminhos o levassem. Desejava transmitir sua paixão através de sua voz e de suas expressões corporais; trazer alegria àqueles que chamaria de fãs algum dia. Entretanto, naquele momento, seu sonho era tornar uma pessoa específica feliz.

Quando se tornou trainee era infinitamente mais tímido e quieto. Chegava a esperar que seus companheiros de grupo fossem dormir para tomar seu banho e realizar suas refeições. O que o fazia tomar tais atitudes? Talvez medo de dizer ou fazer algo errado. Naquele mundo se ele desperdiçasse uma chance esta poderia ser a última. Aos poucos foi cumprindo o que lhe era proposto: aulas de etiqueta, de dança, canto, línguas e até algumas de moda, maquiagem e cuidados pessoais. Um idol não era um idol se não fosse bonito.

O grupo se formou. Bangtan Boys da Big Hit Etertainment. Como todo o grupo que debuta, o começo de carreira foi instável, inseguro. Não havia nada que confirmasse que o grupo recém formado ganharia espaço naquele universo tão concorrido que era a esfera musical pop na Coreia do Sul. Entretanto, isto aconteceu. Aos poucos os garotos se firmaram; conquistaram seu espaço, fandom, e etc. Sua fama crescia gradativamente e o sonho de Jeong era realizado aos poucos. Com as coisas mais certas, foi fácil de se abrir.

Seus hyungs o acolheram. Seis homens mais velhos dos quais tentava se desvencilhar anteriormente e que, no presente momento, eram seus companheiros inseparáveis. A cada sucesso de Bangtan Boys os meninos ficavam ainda mais unidos. Eram uma verdadeira família. Como tal o mais novo era o “queridinho”. Sempre recebia conselhos, era levemente bullyinado e aos poucos começava a soltar seu verdadeiro eu. Alegre, um tanto abestado. Um tanto Jeong Jung-Kook.

Como maknae e profundo admirador de seus hyungs, tentava sempre aprender o máximo possível. Em tempos disponíveis na agenda apertada, quando finalmente arranjava um espaço para si, ia para perto de seus companheiros e acompanhava o que eles faziam, tentando sempre evoluir em algo. Cada um lhe ensinava algo precioso e compartilhava momentos únicos com o mesmo mas, aquele com quem mais apreciava passar o tempo era Jimin.

O idol atualmente platinado se destacava dos outros por alguma razão. Todos ali eram multi-talentosos mas todas as habilidades de Jimin o tocavam de maneira especial. A voz melodiosa, a dança sensual, as expressões marcantes... Não apenas isso mas seus sorrisos, a risada espontânea, seu senso de humor. Apreciava até mesmo a admiração que mantinha pelo famoso Taeyang. Só de ver os olhos de Jimin cegos com fascínio Jungkook se sentia bem. Ela achava interessante que seu hyung mantesse uma fonte de inspiração latente assim como ele mantia (no caso, G-Dragon). Impulsionava Jimin a ir para frente, cada vez mais determinado. Jeong gostava disso.

Aos poucos, Jimin-hyung tomava seus pensamentos. Ele desejava fazê-lo feliz e estar a seu lado, fosse como companheiro de grupo, amigo, irmão ou o que quer que Jimin precisasse. O carinho que ele nutria pelo mesmo era imenso e Jungkook não se preocupava com o tipo de afeto que Jimin fosse precisar. Jeong seria o abraço que ele precisasse quando estivesse triste. Seria o sorriso de aprovação nas horas mais felizes. Seria a opinião sincera na hora da auto-construção e seria os beijos quentes nas noites frias em que se sentisse sozinho. Sabia, entretanto, que o mais provável fosse que Jimin necessitasse de uma ajuda para encobrir seus encontros com alguma garota, não que Jeong fosse o próprio refúgio. Isso, no entanto, não o abalava muito. Era um amor quase platônico. Ele nãos e impostava contanto que o mesmo estivesse feliz.

Assim, Jeong levava a vida corrida entre ensaios, gravações, shows, viagens e etc. Aquele ano fora extremamente corrido com a produção do novo álbum do grupo, o Wings. Ele gostava especificamente daquele álbum pois ao invés das várias faixas em grupo, os membros foram capazes de interpretarem canções solo. Quantas vezes ele não ouviu a voz de Jimin em sua música? Apreciar apenas a voz dele era um deleite.

Às vezes ele escutava a música de Jimin mais do que sua própria — não que houvesse tanto tempo assim para escutar músicas naquele momento. Era fim de ano, grandes premiações ocorriam a todo o momento: Golden Disk Awards, Melon Music Awards, Mnet Asian Music Awards... O último era o que mais o preocupava no momento. Em uma ou duas semanas viajariam para Hong Kong onde começariam a conhecer o palco. Este evento tinha uma repercussão mundial maior do que os outros então, mais do que nunca, precisavam se mostrar a altura de concorrerem a categorias como Melhor Grupo Masculino junto de grandes nomes como EXO e SHINee.

Naquela noite, alguns dias depois do MMA, Jungkook saiu da cede da empresa em que trabalhava mais tarde que o habitual. As ruas de Seul já estavam desertas apesar de ser uma cidade extremamente movimentada. Pelo horário o motorista particular do grupo não poderia mais atendê-lo então decidiu pegar um táxi. Colocando o capuz sobre a cabeça e a máscara médica preta no rosto, andou alguns quarteirões para distanciar-se da empresa e chamou um veículo pelo celular. Assim, àquela hora da noite, nenhum taxista perceberia quem ele era. Não havia nenhuma possibilidade de vazar alguma informação sobre o destino dos mesmos.

Depois de cinco minutos aguardando em uma esquina, o carro chegou. Ele entrou, dando boa noite ao motorista e disse o destino. Era um tanto afastado do grande centro da cidade. Era um bairro bom onde o grupo morava — obviamente que esta informação não ia a público — em um condomínio de vinte casas. Ao saltar, pagou o homem e caminhou até os portões. Aguardou o porteiro, pensando em como sua cama deveria estar deliciosa e quente, apenas esperando que ele se deitasse. Não teria compromissos no dia anterior, poderia descansar plenamente até se ver, mais uma vez, em uma semana agitada com nenhum tempo reservado ao descanso.

Ouviu o barulho do portão abrindo depois que o porteiro o reconheceu e entrou no condomínio. A larga rua estava vazia, as casas já se iluminavam com algumas luzes natalinas e, àquela hora, estavam em completa escuridão, salvo às luzes das entradas. Os postes elétricos da rua também estavam acesos, iluminando seu caminho até a sétima casa à esquerda. Retirando as chaves do bolso do jeans preto, parou em frente a porta e colocou a chave na fechadura. Naquele momento tentava ouvir se ainda havia alguém acordado. Silêncio. Sem muitas preocupações abriu a porta e entrou.

A casa tinha dois andares. O primeiro era destinado à cozinha, sala e quartos recreativos. Um com instrumentos, outro com alguns jogos e outro com aparelhos de exercício físico. Por mais que quase nunca parassem ali aquela era uma casa boa. Em cima, os quartos de todos os integrantes. O seu era um dos menores, não guardava muitas coisas. As roupas sempre podiam ser dobradas e guardadas em espaços pequenos. De resto, computador, carregadores, alguns álbuns e alguns porta-retratos de sua família.

Fechou a porta e trancou-a, retirando os tênis na entrada. Todos os outros pares de sapatos estavam ali. Todos em casa, dormindo sãos e salvos. Suspirou de alívio e finalmente adentrou na casa. Saindo do pequeno corredor, via-se a sala à direita com anexo à cozinha e portas para os outros quartos. À sua frente, a escada que levava ao andar superior. Colocou suas chaves na pequena prateleira na parede e começou a subir os degraus. Na metade disto, ouviu o som da porta da geladeira batendo.

Algum dos outros garotos, visivelmente, levantou para fazer um lanchinho da madrugada. Ele não achava esse hábito muito saudável mas às vezes recorria ao mesmo. Inúmeras vezes acordou com uma vontade inexplicável de tomar um refrigerante gelado e comer alguns biscoitos de arroz. Parou, esperando alguém se mostrar. Tinha a impressão de que poderia ser Namjoon ou até mesmo Hoseok. Eram os que mais tinham esse hábito.

Pouco depois, Jimin saiu da cozinha carregando uma garrafa d’água em mãos. Ele parecia extremamente sonolento. Os cabelos ainda estavam bagunçados e tinha os olhos um pouco fechados. Também não usava maquiagem e vestia um pijama preto. Ao se deparar com Jungkook, sorriu ao máximo que se pode quando se tem sono e parou no início da escada, logo atrás de Jeong.

— Não devia chegar a esta hora. Está muito tarde. Desse jeito vamos ter um Kookie desmaiando em algum lugar de sono. — Brincou. Não era exatamente o melhor tipo de brincadeira mas era uma verdade. Com o desgaste gerado com a agenda lotada, todo o tempo de descanso deveria ser aproveitado se não os meninos entrariam em colapso.

— Eu estou bem. Precisei ficar mais um tempo na empresa com o manager para ajeitar a minha agenda. A Weekly Idol quer fazer um programa com vários maknaes então tivemos que remarcar várias entrevistas para que isso não afete meu compromisso com o grupo. — Falou sem muita pressa. Era uma explicação que daria mais cedo ou mais tarde quando começassem a falar sobre o que viria na próxima semana. Os membros achavam importante fazer uma reunião semanal para todos se manterem atualizados das coisas. — E você? O que faz aqui a esta hora da noite?

Rindo um pouco como se a resposta estivesse na cara, Jimin ergueu o braço mostrando a garrafa de água. Realmente era uma resposta óbvia.

— Agora não se pode nem pegar uma água nesta casa que nosso caçula tímido já mostra sua preocupação. — Constatou ao subir os primeiros degraus, obrigando Jeong a terminar de subir até o segundo andar onde os dois voltaram a se olhar. — É o seu cansaço ou você está se abrindo mais conosco, Kook?

Riu sem graça com a brincadeira do hyung. Ele já sabia a resposta mas, novamente, todos implicavam com o mesmo de alguma forma divertida. Isto quando não era ele que arriscava a fazer alguma coisa com os mais velhos.

— Cansaço.

— Sei. Promete que vai dormir? Não quero que se esforce mais ao ponto de se descuidar. — Falou. Jimin pousou a mão livre no ombro de Jungkook, fazendo-o se sobressaltar um pouco. Ele riu um pouco. — Não precisa se sobressaltar, não sou uma assombração.

— Aquele passei na casa mal assombrada ainda me deixa com arrepios. — Constatou. Nem se lembrava para qual programa o grupo fizera aquela visita. O fato era que ainda se assustava com toques no meio da noite.

— Não é só você. Até o Yoongi tem certas paranoias. Acho que não somos o grupo mais corajoso. — Falou. Os dois caminharam pelo segundo andar até chegarem na frente do quarto de Jimin. — Agora é sério, se cuide. Amanhã Jin vai lhe dar uma bronca.

— Prometo me cuidar. — Jungkook sorriu. — Se cuide também. Tenha uma boa noite.

— Sempre tenho. — Jimin terminou. Jeong observou os lábios carnudos do hyung se curvarem num sorriso enquanto o mesmo abria a porta. Antes de deixá-lo entrar no quarto, Jungkook voltou a falar.

— Jimin...

— Hm? O que foi?

Jeong hesitou. Ele não tinha algo para falar com Jimin naquele momento. Óbvio que seus sentimentos eram algo do que quisesse falar mas não deixaria aquelas palavras saírem de sua boca. Ele engoliu em seco e retirou a máscara do rosto. Sua vontade de passar mais um tempo com Jimin o fez dizer algo impensado. Não tinha a possibilidade dele dizer “quero ficar mais um pouco com você”.

— Jungkook, ainda acordado? — Jimin riu, balançando a mão na frente de seus olhos. Jeong voltou a olhar para ele, ainda pensando em uma solução.

— Sim, sim. Estou acordado.

— Então, o que foi?

— Eu estava pensando...

— Todos pensamos. — Comentou.

— A sua música... — Começou, ainda não muito seguro se estava conseguindo uma boa desculpa. — No que estava pensando quando compôs Lie?

Ele viu os olhos de Jimin se encherem de surpresa e, por um momento, ele não disse nada. Jungkook teve medo de ter perguntado algo que não deveria ou de estar parecendo um idiota completo por perguntar aquilo no meio da noite. Passando alguns segundos de silêncio, Jimin voltou a falar.

— Estava pensando em mim e em como eu me sinto. — Disse calmamente. — Não pensei que fosse tomar interesse por isso.

Jeong comprimiu os lábios em um leve sorriso para disfarçar o que se passava em sua mente. A música falava de um homem apaixonado que se vê sofrendo por amor, um amor cheio de mentiras. Mais uma vez, Jungkook foi impulsivo.

— Jimin-hyung está apaixonado? — Questionou. Ele mesmo se surpreendeu com a pergunta que fez. Deu um passo para trás sem acreditar nas palavras que deixara escapar e viu o rosto de Jimin mais uma vez exibir espanto. Jungkook então percebeu o quanto aquela pergunta poderia ser interpretada como uma declaração. Ela transbordava ciúmes. — Não... Não foi isso que eu quis dizer, eu... Só quero saber porque se precisar de ajuda com isso...

Por mais que dissesse para si mesmo que tudo o que queria era Jimin feliz, isso não anulava a dor de saber que ele seria feliz com outra pessoa. Jungkook se calou, pensando que poderia se afundar ainda mais se continuasse falando. Baixou a cabeça e esperou a repressão de Jimin de olhos fechados.

E esperou.

Passaram um ou dos minutos em silêncio o que deixava Jungkook mais inquieto. O medo tomava conta dele em uma velocidade impressionante, deixando-o temeroso ao ouvir a voz de Jimin. Quando finalmente ouviu, não esperava que estivesse calma e bem-humorada.

— Estou. — Admitiu. — Não achei que você fosse me perguntar isso. Yoongi e Namjoon ficaram quietos quando começamos a produzi-la. — Deu de ombros. O coração de Jungkook bateu forte contra o peito e ele levantou o rosto para olhar Jimin. Ele não parecia preocupado com nada, mantinha um sorriso nos lábios e parecia feliz. O alívio tomou conta de Jungkook e ele suspirou profundamente. Talvez Jimin não tivesse percebido nada. Ou se percebeu deixou passar. Ele se sentia pronto para sair dali.

— Ah. Entendi. Eu vou dormir. — Falou apressado, saindo da frente de Jimin e indo em direção a porta de seu quarto. — Boa noite.

Quando chegou a porta de seu quarto e abriu a mesma, Jimin o chamou:

— Jungkook?

Sem se virar, com a mão ainda na maçaneta e a porta entreaberta dando ao escuro de seu quarto, ele respondeu.

— Sim?

Deseje-me. O eu que está perdido e desviado. — Deixou escapar. O canto baixo fez o corpo de Jeong se arrepiar. Ele continuou sem se mover. — Isso não te diz nada?

— É claro que sim, Jiming-hyung. — Falou um pouco afobado. — É a letra da sua música.

Ele ouviu um suspiro vindo de onde Jimin estava e logo o fechar de porta. Finalmente ele fora dormir. Jungkook suspirou de alívio e entrou em seu quarto. Acendeu a luz do mesmo e jogou a mochila em cima da cama de solteiro. Fechou-se no quarto com o maior silêncio possível e jogou-se na cama, a cabeça deitada sobre a mochila.

Seu coração batia forte e ele encarava o teto branco sem muitos motivos. Engoliu em seco e continuou a sim por alguns minutos, sem pensar em nada, esperando seu peito se acalmar. Quando isto aconteceu ele recapitulou o que aconteceu naquela noite. Deixou quase explícito para Jimin o que ele sentia. Descobriu que Jimin estava, efetivamente, apaixonado. A situação não lhe parecia boa e ele sentia um pouco de vontade de chorar. Talvez tivesse estragado tudo.

Continuou ali, deitado na cama. Talvez tivessem se passado apenas quinze minutos, talvez tivessem se passado duas horas. Não importava muito, apenas que, em algum momento daquela noite, Jungkook ouviu batidas em sua porta, forçando-o a se levantar. Todo o cansaço que ele acumulara no dia anterior tinha sumido, dando lugar à sua tristeza e preocupação.

Ao abrir a porta, deparou-se com Jimin. Ele não trazia a melhor das caras, parecia um tanto emburrado e tristonho, os olhos levemente marejados.

— Jimin, o que foi? — Perguntou preocupado.

— Eu não aguento mais isso. — Confessou. Antes que Jungkook pudesse perguntar o que era o “isso”, Jimin entrou no quarto e fechou a porta atrás dos dois. Jeong abriu a boca para perguntar o que estava acontecendo mas se calou ao receber um abraço de Jimin. Sentiu seus braços quentes o apertando e deixou que Jimin fizesse isso. Esperava que ele se sentisse bem fazendo aquilo. Se perceber, retribuía o abraço, apertando Jimin igualmente.

Os dois ficaram quietos por um momento até que Jeong quebrou o silêncio.

— O que aconteceu?

— Eu me apaixonei. — Jimin falou. Sua voz estava abafada pois seu rosto estava contra o peito de Jungkook. Este, por outro lado, engoliu em seco ao sentir o leve roçar dos lábios de Jimin contra seu peito.

— Você já disse isso... — Jungkook tentou não soar magoado, ciumento ou rude. Queria apenas estar ali para seu hyung.

— Eu me apaixonei pela pessoa errada. — Reformulou. O aperto que Jeong sentia aumentou. Jimin parecia abraçá-lo como se sua vida dependesse disso.

Mais uma vez, silêncio. Os dois ficaram quietos por um tempo, imersos demais no abraço para voltarem a conversar. Jungkook prestava atenção na respiração acelerada de Jimin e sentia o cheiro de seu perfume, como também o calor de sua pele.

— Por quem você se apaixonou? — Junkook deixou-se levar. O coração apertou-se ao proferir estas palavras, sabendo que a resposta, fosse qual fosse não seria “você”. Sentia vontade de se esconder, de virar criança e nunca sair de baixo das cobertas. Ali, protegido pelo cobertor, nenhum monstro o faria mal.

Jimin ergueu a cabeça para olhá-lo. Os dois se fitaram por um momento. Jungkook estava prestes a adicionar um “se não quiser não precisa dizer” quando recebeu sua resposta. Sentiu os lábios cheios, macios e quentes de Jimin contra os seus. O coração de Jeong parecia que iria explodir. Sua mente não processava direito o que aquilo significava. No momento, tampouco importava.

O significante, naquele momento, era o sabor dos lábios de hyung. Os estalidos que os dois produziam ao prolongar o beijo, o som de suas respirações alteradas, o abraço que os aproximava.

Foi um beijo um pouco curto, não tão intenso mas necessário. Ao fim dele os dois se olharam por um bom tempo, cada um com seus pensamentos, finalmente processando o que tinham feito. Quando as respirações se normalizaram, nenhuma palavra foi dita. Precisavam dizer várias coisas. Ao mesmo tempo, diziam nada. Talvez, naquela noite, palavras não fossem necessárias. Os dois eram dançarinos, eram fluentes na linguagem do corpo.

Era tudo o que precisavam naquele momento.

Desfizeram o abraço e Jungkook começou a retirar o casaco. As mãos de Jimin o ajudaram, deixando-o de camisa e jeans. Os sapatos saíram com facilidade, os dois voltaram a se abraçar. As mãos de Jungkook foram ao rosto de Jimin, prendendo-o enquanto outro beijo se iniciava. Os dois tinham pressa mas não queriam que o momento escorressem rapidamente. Queriam desfrutar das sensações novas que lhes eram apresentadas.

Jimin deixou as mãos na cintura de Jeong que logo começou a danar para trás até sentar-se na cama. O hyung manteve-se de pé por um instante, sugando o lábio inferior de Jungkook. Daquela maneira, os dois não viram necessidade em suas camisas. Jeong retirou a parte de cima do pijama de Jimin e Jimin retirou sua blusa. Ele sentou-se na beira da cama junto à Kook e, por um momento, simplesmente se olharam.

Apreciaram o que havia de belo um no outro, o que os fascinava e atraía. Por mais que já tivesse visto Jimin sem camisa várias vezes, Jeong apreciava-o mais agora, um momento especial para os dois. Jimin, por outro lado, sentia o prazer de revelar o que Jungkook mantinha guardado em baixo da camisa. Sem perceber, os dois riram baixo. A felicidade transbordava dos dois.

Mais uma vez se beijaram. Lentamente, apaixonadamente. Desfrutavam um do outro como se não houvesse tempo no mundo. Jimin passou os braços por Jungkook e se jogou para trás, puxando-o consigo. Os dois permaneceram deitados na cama entre abraços e beijos. Carinhos. Não havia pressa em sair dali e conversar sobre o ocorrido poderia vir depois. Em certo ponto, tão confortável e aconchegado nos braços de Jungkook, Jimin pegou no sono.

Nesse momento, Jeong parou para pensar. Mil coisas poderiam ter ocorrido aquela noite. Ele poderia morrer, a casa poderia pegar fogo, a Coreia do Norte podia atacar... Dentre estas e várias outras coisas, a mais improvável aconteceu. Jimin correspondia seus sentimentos. Sem perceber, cantarolava baixinho a música de Jimin.

(Ah, woo woo)

Fique longe longe de mim

Fique longe de mim

(Ah, woo woo)

Algo, por favor, me salve

Por favor, me salve

É interminável, mesmo se eu tentar fugir

Eu caí em uma mentira

Pego em uma mentira

Por favor, encontre o eu que era inocente

Eu não consigo fugir de dentro dessa mentira

Por favor, devolva o meu sorriso

Naquele momento, com Jimin em seus braços, ele finalmente entendeu a música. Não era sobre um homem apaixonado que se vê sofrendo por um amor cheio de mentiras. A música se tratava de um homem que descobriu seu amor. Um amor diferente, impossível de se expor, talvez até mesmo impossível de ser correspondido. Ele pedia que ficasse longe dele, que alguém o salvasse. Entretanto, não conseguia fugir. Seu sentimento era verdadeiro, não podia se desfazer pela dor. Então o homem se vê contando uma mentira. Finge ser quem não é, mantém as aparências. Seu amor verdadeiro nunca se expõe. Seu sorriso desaparece e ele continua a suplicar para que alguém o tire daquela rede de mentiras; que alguém o devolva o ser inocente que ele foi, o ser que apenas amava.

Jungkook sorriu abertamente ao compreender o amor de Jimin. Fechou os olhos, ainda abraçado ao mesmo. Ele se sentia feliz ao finalmente entender a pessoa que amava e esperava que, algum dia, ele compreendesse seu amor — isso se, à esta hora da noite, já não compreendia.

Eu descobri emoções, eu me tornei

Então, eu sou eu

Agora eu sou eu

Você me faz começar

Você me faz começar

Você me faz começar

(Sorria comigo, sorria comigo, sorria comigo)

Você me faz começar

(Sorria comigo, sorria comigo)

Com aquele amor novo, ele se descobriu. Se tornou aquele que queria ser. Agora, Jungkook apenas queria que Jimin sorrisse estando ao seu lado.

Notas finais
Bom, é isso. Espero que tenham gostado :) Mereço uns reviews? Beijos e até uma próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!