Catenae

9 Epílogo: Momentum


Notas iniciais
As falas estão entre aspas, os pensamentos em itálico. "Momentum" pode significar momento, importância ou tempo.

All of my memories keep you near
In silent moments imagine you be here
All of my memories keep you near
Your silent whispers, silent tears
Together in all these memories
I see your smile
All the memories I hold dear
Darling, you know I will love you
'til the end of time*

Belle estava ciente que a visita a Neal Cassidy não fora um completo sucesso ou fracasso quando, junto de Mary Margaret e David, ela aguardou na fronteira de Storybrooke até que o carro de Gold aparecesse.

Ryan ligara para avisar que estavam retornando e que, em poucos dias, seu irmão mais velho chegaria à cidade. O seu filho fizera questão de enfatizar que Neal não estava fazendo isso por seu pai, mas porque desejava conhecer Henry. Belle, entretanto, não conseguia acreditar nisso.

Quando o carro cruzou a fronteira da cidade e parou diante deles, Belle pôde ver pela expressão no rosto de Ryan que ele se arrependia amargamente daquela viagem. Gold desceu lentamente do carro, recusando-se a encarar a esposa nos olhos, mas ela percebeu que seus ombros estavam caídos e viu que ele acreditava nas palavras de Ryan — ele acreditava que Neal não estava indo para Storybrooke por ele.

Ela se aproximou do marido, abraçando-o com força, e percebeu que apenas a consciência da presença dos demais o impedia de chorar nos ombros dela. Quando eles se separaram, ela segurou o rosto dele entre suas mãos, forçando-o a encará-la. Ela viu nos olhos dele a tentativa infrutífera de esconder a sua dor enquanto tentava transmitir força e coragem através de seu olhar.

Então, após alguns segundos se olhando, ela viu o olhar dele se transformando lentamente, a dor dando lugar a uma esperança relutante. Apenas nesse momento Belle se afastou.

Foi quando a jovem percebeu que Henry aparentava mais consciência do parentesco que possuía com Gold, pois lhe lançava olhares como quem desejava lhe falar alguma coisa. Observando que Belle o encarava, o menino se aproximou lentamente e segurou a mão do avô.

"Não se preocupe, ele vai te perdoar quando vir que você não é mais um vilão, como eu perdoei a minha mãe quando vi que ela estava tentando não ser mais a Rainha Má," disse Henry, sério, encarando Gold nos olhos. Ele pareceu pensar por um momento antes de, por fim, acrescentar, " avô."

Então, antes que Gold tivesse a chance de reagir, ele se afastou em direção à caminhonete de David, onde Emma já depositava as malas dos dois. Com um aceno, então, a família Charming partiu.

"Será como Henry disse, Rum, tudo vai dar certo," disse Belle, com um sorriso encorajador. "Essas coisas demandam tempo."

Gold não respondeu, e Belle se perguntou no que ele estaria pensando, se no filho que se recusava a perdoá-lo ou no neto que acabara de chamá-lo de avô pela primeira vez. Ryan se aproximou de Gold e passou os braços por cima do ombro dele, guiando-o de volta ao carro.

A viagem de volta à cidade ocorreu tranquilamente. Gold não enunciou sequer uma palavra durante todo o caminho, mas segurou a mão de Belle com força.

Neal disse muitas coisas dolorosas, abriu muitas feridas antigas. Belle não respondeu Ryan, aquilo era algo que ela esperava que acontecesse, pois não achava que qualquer filho perdoaria facilmente um pai que o abandonou por egoísmo e sede de poder. Talvez você devesse contar a ele. Isso deve animá-lo.

Novamente, ela não respondeu. Passara os últimos dias se perguntando o que Gold pensaria de sua nova gravidez. Embora tivessem concordado que desejavam uma nova criança, talvez seu marido não estivesse no melhor estado de espírito para receber aquela notícia. Talvez, fosse melhor esperar até que as coisas com Neal estivessem mais pacíficas.

Mãe, ele precisa de alguma coisa boa pela qual aguardar. Então, Belle notou que seu filho ouvira seus pensamentos confusos e, pela expressão em seu rosto, ela percebeu que ele estava achando graça de suas dúvidas.

Você não sabe disso. Ryan não deixou escapar nenhuma expressão facial, mas, através da conexão que estavam dividindo, ela notou uma mudança súbita no humor do filho.

Eu sei. Por muito tempo, eu tive que contar com a minha confiança em mim mesmo para ter esperança. Teria sido muito mais fácil se eu tivesse uma promessa de felicidade que não dependesse inteiramente de mim.

Então, Ryan se fechou completamente a ela, não lhe dando a oportunidade de responder, o que não fazia muita diferença, pois Belle não fazia a menor ideia do que dizer a respeito disso. A jovem sabia que seu filho não a responsabilizava pelos anos que passara por conta própria naquele mundo, mas, não importando o que os outros lhe dissessem, ela se culpava. Poderia ter feito melhor, poderia ter se esforçado mais para sair da prisão de Regina, poderia ter sido mais enfática com seu marido, feito ele perceber que seu dever primordial era protegê-los.

Por sorte, antes que Gold percebesse a mudança de humor de Belle, eles chegaram ao seu destino e ela desceu rapidamente do carro, carregando a pequena mala que seu marido levara sem se importar com os protestos do mesmo a respeito de como ele podia muito bem carregar a mala.

A jovem percebeu repentinamente que as palavras de Ryan a haviam feito tomar a decisão de contar ao marido a respeito do que descobrira não mais que três dias antes. Afinal, por que esperar para dar uma boa notícia? Certo.

Ela deixou as malas no quarto que os dois compartilhavam e voltou para encontrar um Gold irritado entrando na casa.

"Belle, você sabe muito bem que eu sou perfeitamente capaz de…" ele começou a dizer quando percebeu a presença da esposa.

"Rum, gostaria de conversar com você à sós," ela o interrompeu com firmeza e foi recebida por um olhar que se tornava pura curiosidade.

Sob um olhar compreensivo de Ryan — e nesse momento o prestamista percebeu que seu filho conspirava com Belle às escondidas dele —, ele seguiu sua esposa pelas escadas da casa e entrou no quarto quando ela já se sentava na cama que os dois compartilhavam. Lentamente, Gold fechou a porta do quarto e se juntou à esposa, sentando-se ao lado dela enquanto esperava que ela começasse a lhe contar o que desejava.

"Eu sei que é um pouco repentino e que talvez não seja a melhor hora, mas eu e Ryan concordamos que você precisa saber o mais rápido possível," ela disse, em um tom de voz cheio de dúvidas que fez com que Gold temesse o que viria a seguir.

Ela segurou a mão direita dele entre as suas, e o prestamista percebeu que elas tremiam. Lentamente e sem desviar o seu olhar do rosto dele, Belle guiou a mão e pousou-a, sob a sua, sobre o seu abdômen.

Gold engoliu seco, imaginando se aquilo significava o que ele pensava que significava. Ele ergueu o olhar do lugar onde sua mão se encontrava para encarar nos olhos cheios de lágrimas da sua esposa.

"V-você está…?" Gold não conseguiu terminar a frase, mas não foi necessário, pois Belle a compreendeu e assentiu em resposta.

Daquela vez, ele não a ergueu em seus braços e girou pelo quarto — mesmo que desejasse fazê-lo, não seria capaz com aquele corpo muito mais frágil do que o do mundo deles —, mas abraçou a esposa com força pela cintura e a beijou com paixão e uma urgência que nada tinha de sexual.

"Isso significa que você está feliz com a notícia?" Perguntou Belle, entre lágrimas e sorrisos, quando eles se separaram.

"Feliz é pouco para descrever o que eu estou sentindo nesse momento, minha Belle," disse Gold, deitando a cabeça no ombro dela. Sentir o calor do corpo dela contra o seu, sabendo que ela carregava uma criança que seria mais uma chance para os dois, quase o fazia esquecer que Neal o havia rejeitado. "Por sinal, como Ryan ficou sabendo a respeito disso antes de mim?"

"Foi ele quem descobriu, estava lendo sentimentos de novo e percebeu cores diferentes em minha volta, depois notou que havia uma luz vermelha pouco usual vinda do meu abdômen," ela disse, e Gold percebeu havia preocupação em seu tom de voz. "Rum, você precisa começar a ensiná-lo antes que a magia dele saia do controle."

Gold assentiu lentamente, abraçando Belle com mais força contra si. Sim, ele estava consciente que errara em não ter começado a treinar seu filho logo que a maldição fora quebrada.

"Conversarei com ele a respeito disso ainda hoje," ele disse.

Mas não naquele momento, ambos sabiam. Naquele momento, os dois celebravam juntos a sua nova chance, a sua nova esperança.

~~//~~

Rumpelstiltskin não sabia ao certo se ele se sentia feliz ou temeroso diante da perspectiva do nascimento de seu segundo filho.

Ele não tinha certeza se a criança herdaria os poderes do Senhor das Trevas, o que era certamente uma perspectiva incômoda. Em geral, crianças dos Senhores das Trevas anteriores a Rumpelstiltskin nasciam com aptidão por magia das trevas, mas aquela era, também, nascida do amor verdadeiro. Se os poderes se combinariam ou se anulariam, ele não sabia, mas temia por seu filho ou sua filha. Por outro lado, aquele era o fruto de seu amor por Belle, sua chance de constituir uma família ao lado de seu verdadeiro amor.

Juntos, ele e Belle passavam uma boa parte do dia conversando, tentando determinar como seria o futuro daquela criança. Sua esposa estava convicta de que o filho deles nasceria com, no máximo, um pequeno resquício de magia das trevas sobrepujado pela magia do verdadeiro amor. Rumpelstiltskin achava que a opinião dela era sensata, mas tinha esperança de que a criança não nascesse com magia, algo que em sua opinião sempre era gerador de problemas.

Ele não contara a esposa, entretanto, outro dos motivos pelo qual se preocupava com o futuro de seu filho. Em breve, a Rainha Regina lançaria uma maldição que colocaria todos eles em seu poder; nesse momento, a criança estaria imediatamente em perigo, sujeita às intenções de Regina. Não, ele não podia permitir que isso acontecesse, precisava haver outra maneira.

Certa manhã, cerca de três meses após retornarem ao seu castelo, Rumpelstiltskin acordou ao raiar do dia após um vívido pesadelo no qual sua Belle e uma criança sem rosto gritavam pedindo socorro enquanto ele estava aprisionado atrás de grades, incapaz de ajudá-los.

Lentamente se recompondo, o feiticeiro observou sua esposa sorrindo durante o sono e se perguntou não pela primeira vez como ela poderia amá-lo. Ele tomou repentinamente a decisão de fazer algo por Belle naquele dia. Afinal, sua amada merecia ser adorada a cada segundo de sua existência. Sim, de alguma forma, ele a faria sorrir incansavelmente naquele dia.

Rumpelstiltskin se levantou cuidadosamente, temendo que sua esposa acordasse se ele fizesse um movimento brusco. Ele caminhou lentamente até o grande salão do castelo que ele nunca usara e uma ideia lhe surgiu saída de um poema que lera muito tempo antes.

Com um aceno de sua mão, o feiticeiro fez aparecer centenas de vassouras, baldes cheios de água e espanadores de pó, encantando-os para limpar sozinhos o salão. Sim, essa noite será uma da qual minha Belle nunca esquecerá!

Rumpelstiltskin observou por um momento os objetos fazendo o seu trabalho, mas rapidamente saiu, temendo que sua ausência fosse notada pela esposa e perguntas fossem feitas, obrigando-o a revelar que haveria uma surpresa. Belle nunca dormia até muito tarde.

Rapidamente, ele foi até a cozinha e preparou um café da manhã para ela, esperando que isso encobrisse a ausência dele ao seu lado durante o seu despertar para aquele dia. Quando chegou ao quarto que dividiam, encontrou sua amada já sentada na cama esfregando os olhos.

"Bom dia, querida," disse Rumpelstiltskin, admirando a beleza da mulher diante de seus olhos. "Eu trouxe o café da manhã para você."

Ela não respondeu. Passou alguns momentos bocejando e se espreguiçando antes de olhar na direção dele. O feiticeiro aproveitou o tempo para se sentar ao lado dela na cama ainda segurando a bandeja.

"Rum," ela respondeu por fim, olhando avidamente para a comida que o marido trouxera. "Parece delicioso, muito obrigada!"

Rumpelstiltskin ouvira falar que a maior parte das mulheres se sentia muito mal durante a gravidez, e Belle não era exceção, pois passava mais tempo do que ele gostaria muito cansada e enjoada. Quando ficava com fome, entretanto, parecia comer três vezes mais do que costumava antes da gravidez.

À insistência da esposa, o feiticeiro a acompanhou durante a refeição enquanto Belle lhe contava a respeito do livro que começara a ler no dia anterior e que planejava terminar ainda naquele dia.

"Eu me pergunto o que vai me dar mais trabalho para conseguir antes do fim de sua gravidez, livros ou comida," disse Rumpelstiltskin com uma risadinha. "Vendo a forma como você os devora com igual avidez, simplesmente não consigo me decidir."

Belle deu um pequeno soco de brincadeira no braço do marido, rindo suavemente, e continuou comendo sem se sentir nada culpada por fazê-lo. Afinal, ela estava comendo por dois.

Quando terminou, Belle foi se trocar enquanto Rumpelstiltskin a observava atentamente. Ele percebeu, com alegria, que a gravidez começava a ficar muito evidente e logo seria impossível que sua esposa a escondesse, mesmo que usasse roupas mais largas. O feiticeiro sorriu, satisfeito ao pensar no futuro próximo em que não precisaria se esforçar nem um pouco para ver os sinais de gravidez na jovem.

Então, ao terminar de se vestir, Belle se voltou para ele, perguntando o que fariam naquele dia, Rumpelstiltskin comentou que precisaria sair para fazer um acordo, prometendo voltar ainda naquela mesma noite. Ele percebeu que a jovem se sentia desapontada diante da perspectiva de passar o dia sozinha, mas o feiticeiro estava determinado a fazer com que aquela noite fosse perfeita e havia um limite de coisas que vassouras e espanadores encantados podiam fazer sozinhos.

Eles então se separaram no saguão de entrada do castelo com um beijo nos lábios. Rumpelstiltskin imediatamente se transportou para o salão dentro do castelo, que os objetos encantados terminavam de limpar. Satisfeito, o feiticeiro se esforçou para torná-lo mais romântico com candelabros dourados e flores.

Ele transportou os instrumentos musicais que guardava no castelo em um canto, esperando que Belle estivesse disposta a dançar com ele naquela noite. Próximo, o feiticeiro conjurou uma mesa e, durante todo o restante do dia, ele viajou até lugares distantes com o objetivo de preenchê-la com pratos exóticos.

Apenas ao anoitecer Rumpelstiltskin sentiu que estava tudo pronto e rumou para buscar Belle, encontrando-a lendo na biblioteca. Ele pigarreou alto para chamar a atenção da esposa, então absorta em um livro, e ela imediatamente se levantou e foi abraçá-lo, com um enorme sorriso no rosto.

"Eu tenho uma surpresa para você, minha querida," disse o feiticeiro quando os dois se separaram, animado para mostrar o que preparara para ela.

Belle o fitou curiosa enquanto ele a puxava para fora da biblioteca e guiava até um canto do castelo no qual nunca fora, e que raramente era visitado até mesmo pelo próprio Rumpelstiltskin. Aquele sendo um castelo enorme, Belle dera preferência a limpar os cômodos que seu então mestre usava com mais frequência.

Quando os dois chegaram ao salão, o feiticeiro sentiu Belle prendendo a respiração. Ela soltou a sua mão lentamente enquanto caminhava até o centro do lugar, observando ao seu redor. Rumpelstiltskin estalou os dedos, mudando as roupas dela para seu vestido dourado de princesa.

"É-é tudo muito lindo, Rum," disse Belle, mal podendo conter sua emoção. "Muito obrigada! Mas qual é o motivo para essa celebração?"

"O motivo é você, meu amor," ele disse, se aproximando e segurando as mãos dela com força entre as suas. "Eu sinto que você merece uma surpresa por dia apenas por ter concordado em ser a minha esposa."

"Bom, foi difícil recusar quando o que eu ganhava em troca era você como marido," ela respondeu, dando mais um passo na direção dele, mas sem ainda tocá-lo.

Os dois se encararam por um momento, sentindo como se fossem duas metades de um único ser naquele momento de ternura e amor; então, Belle passou os braços por cima dos ombros do marido e seus lábios se uniram em um beijo urgente. Rumpelstiltskin sentiu o seu ser se fundir por um segundo com o de sua esposa enquanto suas línguas dançavam uma dança tão antiga quanto tempo.

Quando se separaram, um olhar muito apaixonado em seus rostos, Rumpelstiltskin estalou novamente os dedos e os instrumentos começaram a fazer o seu trabalho. Ele fez uma pequena reverência, sendo seguido por ela, e se abraçaram, dançando lentamente ao som de uma melodia tão antiga quanto qualquer verso.

~~//~~

Há muito tempo Belle não se lembrava de estar tão feliz. Cerca de um mês havia se passado desde que Gold e Ryan haviam voltado da viagem até Manhattan, e a jovem via o humor dos dois se tornando melhor a cada momento, quando começavam a surgir os pequenos sinais de gravidez — pequenos enjoos e cansaço, principalmente.

A atitude de Gold era exatamente a mesma da vez anterior, ele passava muito mais tempo do que o habitual a encarando e tentava satisfazer todas as vontades dela. Ryan, por outro lado, se tornara muito protetor, e Belle precisava gritar com ele — coisa que não gostava de fazer — sempre que queria sair sozinha.

Eles haviam decidido não contar a ninguém a respeito da gravidez, mas, não muito tempo depois do retorno dos dois, Belle visitou o pai e lhe contou as novidades. Moe ficou muito animado em saber que teria outro neto e começou imediatamente a listar nomes que gostaria que a criança tivesse, ansioso por participar daquela vez. Demoraram-se longos minutos antes que Belle conseguisse fazê-lo parar de falar por tempo suficiente para dizer que já escolhera um nome de menina e um nome de menino.

Quando Moe perguntou quais eram, entretanto, Belle não contou, dizendo que esperava manter aquilo em segredo por mais um tempo. Eles deram boas gargalhadas juntos naquele dia, e a jovem quase pôde se lembrar dos tempos de sua juventude, quando ela e o pai se sentavam após um cansativo dia e conversavam sobre o futuro. Depois daquele dia, Belle começou a se esforçar para visitar Moe pelo menos três vezes por semana.

Neal chegou à cidade três semanas depois dos demais, e Belle só ficou sabendo alguns dias depois através de Ruby, que lhe aconselhara ficar longe de encrencas, já que Emma andava muito nervosa com a chegada de seu ex-namorado. Ela não sabia que o pai de Henry era, também, filho de Gold, então ficou muito surpresa quando Belle se levantou sem dizer nada e saiu do restaurante rapidamente.

A jovem foi imediatamente falar com seu marido, contando-lhe que Neal chegara à cidade. Aquilo trouxe de volta o mau humor de Gold, mas Belle estava determinada em não fazer aquilo durar e, naquele dia, preparou um jantar em família, no qual Moe apareceu e fez com que Gold se esquecesse temporariamente o seu mau humor enquanto conversava sobre o filho que estava por nascer.

O dia seguinte amanheceu ensolarado, e Belle se sentiu satisfeita ao perceber que Gold não estava com tanto mau humor quanto ela esperara quando revelara a respeito de Neal. Talvez, tudo acabasse bem, afinal.

Como de costume, Ryan fez questão de levá-la até a porta da biblioteca antes de partir para suas aulas de magia na loja do pai. Ele e Belle conversaram sem usar palavras sobre Neal e, após alguma insistência de sua mãe, Ryan disse que daria uma chance ao irmão mais velho no momento em que este estivesse disposto a dar uma chance ao pai dos dois.

Quando alcançaram a biblioteca, Ryan recebeu um abraço e um desejo de boa sorte da mãe e partiu para a loja do pai. Apenas quando ele estava muito longe Belle se voltou para a bilbioteca e abriu as portas. A jovem caminhava por entre as estantes escolhendo a sua próxima leitura — pois sempre lia quando não tinha nenhum trabalho para fazer e se encontrava completamente sozinha — quando ouviu passos de alguém que entrava na biblioteca e rumou para a entrada.

Belle percebeu instantaneamente que nunca vira o homem parado junto à porta, esperando-a, mas algo na aparência dele era muito familiar, e a jovem percebeu instantaneamente quem era aquela pessoa.

"Você é Baelfire," ela disse, aproximando-se lentamente sem saber como se sentia a respeito daquela visita inesperada.

O homem assentiu lentamente, finalmente entrando na biblioteca. Como ela, ele parecia estar pensando a respeito do que dizer naquele momento.

"Nesse mundo, eu sou Neal Cassidy," ele falou, parando a apenas dois passos dela. "E você é a Belle, esposa do meu pai."

Belle assentiu, encarando Neal com um misto de curiosidade e temor. Ela não se preparara mentalmente para receber aquela visita, presumindo que ele procuraria Ryan ou Gold quando sentisse vontade de entrar em contato com sua família. Agora, temia que, se dissesse algo errado, Neal se afastaria da família dele novamente.

"Como soube onde me encontrar?" Perguntou Belle, a curiosidade vencendo o medo. "Foi Ryan quem lhe contou?"

"Não, aquele garoto nunca me diria como te encontrar. Quero dizer, eu nunca vi um cara tão superprotetor com a própria mãe, embora agora o entenda em parte," falou Neal, sorrindo suavemente. Belle percebeu, entretanto, certo ressentimento na voz dele, e notou que ele sentia ciúmes de seu irmão mais novo. "Foi Ruby quem nos contou, a mim e a Emma, quando fomos ao restaurante da avó dela ontem à noite. Ela deixou escapar o modo estranho como você se comportou quando descobriu que eu havia chegado à cidade. Eu meio que passei a noite inteira esperando que Ryan viesse me bater de novo ou meu pai viesse querendo ter uma nova conversa comigo."

"Não, nós sabemos que você precisa de espaço," disse a jovem, encarando aquele homem estranho e tão familiar. "Esperávamos que você nos procurasse quando sentisse vontade de dar uma chance a sua família."

Sentindo-se repentinamente muito cansada, Belle se sentou em uma das cadeiras usadas pelos visitantes que desejavam ler na biblioteca. Ela não desviou o olhar de Neal em nenhum momento, embora continuasse incerta a respeito de como agir.

"Por que veio me procurar, Baelfire?" Perguntou Belle, por fim.

"Eu gostaria que você me contasse mais a respeito do meu pai e de como e por que você se apaixonou por ele," disse Neal, voltando os olhos para as estantes, envergonhado. "Eu já li o conto sobre vocês dois, mas esses contos nunca são completamente verdadeiros. Eu acho que talvez isso possa me ajudar a entender quem ele é hoje."

Belle o encarou por um momento antes de começar a contar como tudo se sucedera entre ela e Rumpelstiltskin ainda no mundo original deles, começando com o acordo que haviam feito e terminando com o momento em que fora presa por Gaston apenas para se ver sequestrada por Regina logo depois.

Neal se sentou em uma cadeira próxima à dela enquanto Belle falava, observando-a com atenção, como quem tentasse dissecar cada emoção no rosto dela. Ele não a interrompeu em qualquer momento, mesmo quando parecia ter alguma dúvida.

Ela falou do medo que sentia no começo, em como lentamente começou a ver o homem desesperado por trás do monstro e como começou a se apaixonar por ele. Falou da maldição da adaga quebrada pelo beijo de amor verdadeiro, dos meses alegres que se sucederam, do casamento e da gravidez, da dureza que foi descobrir que seu marido tinha planos que nunca lhe contara, de como o perdoara.

Não falou de Gwenaël, entretanto, porque achou que o homem diante de si ainda não estava pronto para ouvir do irmão sem sentir inveja de tudo o que ele tivera. Quando acabou de falar, Neal passou algum tempo em silêncio, absorvendo o que ela dissera.

"Você acha que ele mudou?" Perguntou Neal, por fim.

"Sim, mas não está completamente diferente," disse Belle, esperando que sua honestidade não prejudicasse o relacionamento entre pai e filho, mas sabendo que ela era necessária. "Ele ainda tem o hábito de esconder coisas e alguns impulsos dele são muito perigosos, mas ele está tentando por todos nós."

Neal assentiu, pensativo. Belle o encarou por um momento, notando o quão parecido com Gold aquele homem era — realmente não era uma surpresa que ela o tivesse reconhecido tão rapidamente.

"Talvez você queira jantar conosco amanhã à noite," disse Belle, com um sorriso. "Apenas assim saberá se ele merece o seu perdão, quando tiver a disposição de conhecê-lo novamente. E você deveria levar o Henry."

Neal pensou por quase um minuto completo antes de finalmente assentir, dizendo que aceitaria o convite.

Após mais um momento observando o sorriso de Belle, o homem se levantou e apertou a mão dela suavemente, saindo da biblioteca logo em seguida.

~~//~~

Eles dançaram juntos por um tempo que pareceu muito curto antes que Belle se cansasse e os dois se retirassem até a mesa, onde a comida que Rumpelstiltskin coletara durante todo aquele dia os aguardava. O feiticeiro a esquentou usando sua magia enquanto os dois atravessavam o salão até a mesa. Enquanto Belle se sentava, ele estalou os dedos e os instrumentos passaram a tocar uma música lenta e muito mais baixa.

"Obrigada, Rum," ela disse com um sorriso. "Essa foi uma surpresa maravilhosa."

Rumpelstiltskin se limitou a sorrir em resposta, e eles ficaram se encarando por um momento antes que Belle desviasse os olhos para a comida diante de si. O feiticeiro passou quase todo o minutos seguinte tentando conter o riso enquanto sua esposa tentava se decidir a respeito de qual prato experimentaria primeiro.

"Como conseguiu tudo isso, Rum?" Ela perguntou quando finalmente se decidiu e começou a se servir. "Quero dizer, eu nunca vi pratos como esses em toda a minha vida."

"São iguarias de reinos distantes," disse o feiticeiro, sorrindo para a esposa. "Infelizmente, não pude trazer coisas de outros mundos, pois foi uma decisão de última hora e não pude contratar os serviços de Jefferson. Talvez em uma próxima vez."

Belle lançou um sorriso de agradecimento para ele, sem sequer se preocupar em dizer que aquilo era desnecessário — ela sabia que aquela era a forma como ele mostrava que a amava —, e começou a comer avidamente. Rumpelstiltskin a observou por um tempo antes de encher o seu próprio prato e acompanhá-la, e os dois permaneceram em silêncio enquanto comiam.

Por fim, após praticamente esvaziarem a mesa — pois o feiticeiro também comia bastante quando desejava, e aquele dia o havia feito gastar muita energia usando magia —, os dois se encararam por um momento. Rumpelstiltskin se perguntou se Belle aceitaria dançar com ele novamente, ansiando sentir o corpo dela contra o seu.

Como se houvesse lido os pensamentos dele, a jovem se ergueu e puxou Rumpelstiltskin para uma nova dança. Ele novamente estalou os dedos enquanto os dois voltavam ao centro do salão, fazendo com que os instrumentos tocassem mais alto, embora continuasse a ser algo lento.

Belle passou os braços por cima dos ombros do marido apoiando sua cabeça no peito dele, e ele a abraçou pela cintura enquanto se moviam lentamente. Rumpelstiltskin sentia a barriga um pouco inchada de sua esposa contra si e a felicidade crescia lentamente em seu interior. Ele se perguntou não pela primeira vez se seria capaz de ver o futuro daquela criança, e nenhum momento lhe parecera mais propício do que aquele para uma tentativa.

Lentamente e sem interromper a dança, o feiticeiro deslizou as mãos para a cintura dela e se concentrou, ativando a magia de previsão do futuro que ele tanto demorara para aprender a controlar. Por algum tempo, nada aconteceu, e Rumpelstiltskin estava quase perdendo a esperança quando ouviu uma voz forte dentro de sua cabeça.

Rum, papai! E ele viu duas crianças, a primeira era um menino muito jovem que possuía os mesmos olhos azuis de Belle, a segunda era um menino ruivo alguns anos mais velhos. Eles conversavam calmamente entre si, e não havia qualquer sinal dele ou de Belle nas proximidades — o que era normal, pois o feiticeiro raramente conseguia prever o seu próprio futuro.

"Rum," Rumpelstiltskin ouviu Belle o chamando repentinamente e, quando o rosto dela entrou em foco, ele percebeu que ela já o devia estar chamando há algum tempo, pois seu rosto demonstrava uma profunda preocupação. "O que aconteceu? Você parou de dançar de repente, e não me respondia."

"Desculpe," disse o feiticeiro, encarando a esposa como quem quer tranquilizá-la. "Eu tive uma visão do nosso filho."

"Um menino?" Perguntou Belle, após um momento, seus olhos brilhando de emoção. "O que você viu, Rum? Como ele é?"

"Vai ser, minha querida," disse Rumpelstiltskin, segurando Belle pela cintura e a guiando até a mesa onde haviam jantado mais cedo, onde se sentaram. "Ele vai ter os seus olhos, e terá um amigo muito mais velho que ele, ruivo. Não o reconheci, mas de alguma maneira eu sei que não é nosso."

"O que eles faziam juntos?" Perguntou Belle.

"Conversavam apenas, mas não pude ouvir as suas palavras."

Belle assentiu lentamente, pensando sobre o que Rumpelstiltskin lhe dissera. Uma parte dela queria saber tudo o que houvesse para se saber sobre essa criança, mas ela também sabia muito bem que o marido não seria capaz de ver tudo.

"Espere um momento," Belle falou, repentinamente. "Você já me disse que não podia ver o seu próprio futuro. Como pôde ver o futuro de seu filho se não pôde ver o nosso?"

"De alguma forma, nesse período da vida dele, ele provavelmente não terá muito contato comigo," disse Rumpelstiltskin, com uma certeza dolorosa do que causara a separação dos dois, embora estivesse decidido a não falar sobre isso com Belle ainda. "Mas eu ouvi a voz dele antes de ter as visões, e ele me chamou de papai e de Rum. Acho que talvez seja apenas o que ele quer que eu veja. Não tenho como saber a proporção dos poderes dele, talvez essa seja apenas uma coisa que ele possa fazer."

Belle assentiu novamente, incerta a respeito de como se sentia. Ela debateu dentro de sua própria cabeça por algum tempo se deveria perguntar ao marido se ele a vira, mas por fim decidiu que não. Conhecer o futuro podia se tornar um grande fardo.

Por fim, ela se levantou, guiando-o para o centro do salão novamente.

"Dessa vez, se você for usar alguma magia para prever o futuro, me avise," ela disse, com um sorriso. "Não me preocupe desse jeito de novo, Rum."

Ele assentiu e passou os braços pela cintura dela enquanto ela o abraçava pelo pescoço, e eles novamente voltaram a se mover ao som da música. Rumpelstiltskin colocou as suas preocupações no fundo de sua mente, porque aquela noite pertencia apenas a eles.

~~//~~

Gold quisera saber tudo a respeito da conversa que Belle tivera com Neal quando ela apareceu em sua loja logo depois do almoço para lhe contar o ocorrido — quando Ryan finalmente apareceu na biblioteca para ajudá-la.

Ela procurou não omitir nenhuma parte do que dissera, e falou ao marido que seu filho mais velho parecia querer uma nova aproximação de sua família. Por fim, ela contou a respeito do convite para jantar que fizera a Neal e Henry, e Gold pareceu muito satisfeito diante da perspectiva de ter uma noite para convencer o seu filho do quanto estava arrependido de tê-lo abandonado tantos anos antes.

Ryan, por outro lado, não pareceu nada animado com o rumo que as coisas estavam tomando. Neal machucar o seu pai já era algo que o causava uma raiva que ele era quase incapaz de controlar, mas, se ele fizesse qualquer coisa contra a sua mãe — que nunca lhe fizera nada —, Ryan não sabia se seria capaz de se controlar antes de cometer um homicídio.

Belle não estava feliz com o comportamento de Ryan, não apenas porque ele estava tornando tudo entre Neal e Gold mais difícil, mas também porque ela não precisava da proteção dele. Afinal, ela sobrevivera encarcerada por trinta anos, era perfeitamente capaz de se virar sozinha! Estava cansada de ser tratada como um objeto precioso e delicado.

Isso causou a sua primeira grande briga com Ryan, na qual Belle gritou que precisava de espaço e que queria que as pessoas confiassem mais na capacidade dela de se defender. Ambos Gold e seu filho pareceram muito chocados com a explosão dela, e a jovem ficou satisfeita ao perceber que eles não a seguiram quando ela saiu de casa para uma caminhada para esfriar a cabeça.

Belle caminhou por algum tempo sem rumo, apenas tentando se acalmar com o pensamento de que as pessoas que Ryan estava apenas inseguro. Quando deu por si, ela percebeu que se encontrava na frente do restaurante da Granny e entrou mais atraída pelo cheiro dos hambúrgueres do que por um plano premeditado. Belle sentiu um nó no estômago quando percebeu que Emma e Henry estavam presentes e acenaram para que ela se juntasse a eles — embora tenha ficado aliviada por não ver Neal com eles.

Belle se aproximou, mas não se sentou ao lado deles, decidida a sair dali o mais rápido possível, pois não estava com vontade de falar com Emma sobre Gold ou Neal. Para sua surpresa, entretanto, a loira sequer tocou no assunto, apenas perguntando se era mesmo verdade que Henry fora convidado para jantar com eles no dia seguinte e confirmando a presença dele diante da resposta afirmativa dela.

Depois, Henry perguntou se ela tinha alguma sugestão de livro para ele e os dois começaram uma conversa a respeito do que ela já havia lido e achava que o menino gostaria de ler também enquanto Emma os observava tentando conter o riso. Quando deu por si, Ruby colocava o hambúrguer que ela não pedira diante de si.

"Você entrou enquanto fritavam um," disse, rindo, quando Belle a encarou interrogativamente. "Não foi difícil imaginar que você entrou só para isso."

Ela comeu de maneira mais voraz do que planejara ao entrar no restaurante, percebendo-se repentinamente faminta. Então, deixando o dinheiro na mesa, Belle, Henry e Emma saíram, separando-se à porta e rumando para suas respectivas casas.

Quando ela chegou em casa estava muito mais tranquila do que no momento em que saíra, embora ainda não tivesse completamente recuperada da sua briga com seu filho. Encontrou Ryan, entretanto, a esperando logo no saguão de entrada da casa, de modo que a primeira coisa que ela percebeu quando fechou a porta atrás de si foram os braços de Ryan a envolvendo enquanto ele pedia desculpas por seu comportamento superprotetor.

Belle o deixou se desculpar por um tempo, limitando-se a retribuir o abraço que ele lhe dava. Ela sabia, no seu interior, que todos os resquícios de sua raiva haviam se evaporado completamente.

"Gaël," ela disse olhando nos olhos dele quando os dois se separaram. "Eu sei como você se sente, sei que depois de tantos anos é difícil se livrar da sensação de que alguma coisa ruim vai acontecer e arruinar a sua felicidade. Eu também me sinto assim."

"Você se sente assim também?" Perguntou Ryan. "É essa a causa do seu medo?"

Belle balançou a cabeça afirmativamente, antes de contar a Ryan a respeito dos meses que passara acordando assuntada após pesadelos nos quais ela perdia ele e Gold novamente e revivia cada momento de solidão e desesperança que passara.

"Foi por esse motivo que eu comecei a fazer consultas semanais com o Archie," disse Belle, sorrindo suavemente e segurando o rosto do filho entre as mãos, fazendo-o encará-la. "Nós precisamos viver o momento, tratando o futuro como uma esperança de felicidade e o passado como uma lembrança, ou nunca viveremos de verdade."

"É por isso que vocês querem ter um novo filho ou uma nova filha? Uma nova esperança para o futuro?" Perguntou Ryan, e Belle percebeu naquele momento que o seu filho sentia uma pontada de ciúmes da criança que estava por nascer.

A jovem precisou se esforçar para conter o riso que se formava em seu âmago. Olhando nos olhos de Ryan num momento de tamanha vulnerabilidade, ela não podia deixar de se lembrar do temor nos olhos de seu filho quando, muitos anos antes, ele lhe pedia para deixar uma vela acesa quando ia dormir. Pela primeira vez, a lembrança não lhe provocou dor.

"Em parte, eu acho," ela falou, por fim. "O que nós perdemos com você jamais poderá ser substituído, pois você sempre vai ser alguém único e fundamental no nosso coração. Mas nós queremos uma nova chance como pais, uma nova promessa de felicidade no futuro, assim como esperamos que, um dia, você traga suas próprias adições à nossa família."

Ryan sorriu um pouco encabulado, e Belle percebeu que seu filho nunca sequer cogitara a ideia de se apaixonar e ter seus próprios filhos. Ela se perguntou o que ele andara fazendo nos últimos quase trinta anos que o isolara tanto do caminho do amor; resolveu, entretanto, que aquela pergunta não precisava ser respondida naquela noite.

"Por falar nisso, eu espero de você um bom comportamento durante o jantar," disse Belle, em tom de repreensão. "Quero que você e seu irmão comecem a agir de modo civilizado um com o outro, o que é fundamental para que essa família dê certo."

"Eu já disse," falou Ryan sorrindo abertamente, "enquanto Neal não tiver a intenção de machucar você ou o meu pai, eu não vou ser contra uma aproximação dele."

Belle sorriu, achando que aquela promessa era o bastante naquele momento. Pela primeira vez naquela noite, ela deixou que Ryan invadisse o espaço de sua mente e tivesse acesso irrestrito aos seus pensamentos.

As coisas são mais fáceis ditas do que feitas, mas eu vou me esforçar. Belle assentiu suavemente, sentindo-se repentinamente exausta.

Durma bem, Gaël. Ela se voltou para entrar na casa e seguir até o quarto que compartilhava com Gold.

Ryan abriu espaço para ela passar, deixando os dedos roçarem suavemente em suas costas enquanto ele respondia, tenha sonhos pacíficos, mamãe. Belle sorriu sem se voltar para o filho, pois há alguns dias tinha apenas sonhos pacíficos: ela finalmente deixava o que lhe ocorrera nos últimos trinta anos para trás e era capaz de viver aquele momento de paz e felicidade.

O futuro. Bom, o futuro nada mais era do que a promessa de mais felicidade e paz: era nisso que ela acreditava, e a vida lhe havia ensinado que nada era mais importante do que acreditar.

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*Todas as minhas lembranças mantém você próximo/Em momentos silenciosos imagino você aqui/Todas as minhas lembranças mantém você próximo/Seus sussurros silenciosos, lágrimas silenciosas/Juntos em todas essas lembranças/Eu vejo seu sorriso/Todas as memórias eu prezamos/Querida, você sabe que eu vou te amar/Até o fim dos tempos (Memories — Within Temptation)

Notas finais
E aí, pessoas maravilhosas? Eis que termino essa etapa da história. Catanae está oficialmente encerrada e já tenho a próxima fic, cujo título provisório é "Origo Magi" (A Origem dos Magos). Então, eu sei, flashbacks de dar diabetes em qualquer um, mas eu senti realmente muita falta de cenas assim nessa fic e quis remediar um pouquinho. Espero que tenham pegado as referências à versão da Disney de A Bela e a Fera e ao filme Fantasia. Tratarei na próxima fic um pouco mais do Ryan e, evidentemente, ela responderá as questões que deixei nessa fic: mais da gravidez (e da nova criança) Rumbelle, mais sobre a origem dos poderes do Ryan, mais a respeito da relação entre o Neal e o Gold, e veremos mais da Belle na próxima fic do que nessa. Agradeço muito a todos que acompanharam e comentaram até aqui, o que foi muito importante para mim. Especial agradecimento à Melissa, que fez a primeira recomendação de fic que eu recebo (VALEU!! Significou muito para mim!!). Continuem acompanhando, pois eu devo terminar a fic da Emma em breve e daí começarei a escrever uma fic Rumbelle que estou planejando há algum tempo e vai ter muito mais momentos dos dois do que essa aqui!! E "Origo Magi" deve sair no mais tardar em setembro :) (quem quiser que eu avise por MP quando ela sair, só me pedir que eu aviso). Até a próxima fic!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!