Catenae
6 Capítulo VI: Evinctus
Notas iniciais
Ever felt away with me
Just once that all I need
Entwined in finding you one day
Ever felt away without me
My love, it lies so deep
Ever dream of me*
Gold desviou o olhar da fumaça roxa que desaparecia no ar e encarou as próprias mãos com atenção enquanto sentia o poder circulando novamente por todo o seu corpo após vinte e oito anos. Não houve, contrariamente ao que ele esperara a princípio, qualquer sentimento de completude em sua reunião com a magia, apenas o mesmíssimo vazio que sentira desde que Belle fora expulsa de sua vida. Vazio esse do qual ele tinha comodamente se esquecido após os anos amaldiçoado.
Ele sabia perfeitamente bem o que de fato traria o que tanto ansiava sentir, mas temia ser rejeitado e acabar ainda mais quebrado do que se encontrava naquele momento. O feiticeiro tinha conhecimento de que nada nunca seria muito simples em sua vida e que o fim da maldição significava o advento de novos problemas que ele precisaria resolver antes de finalmente começar a busca por Baelfire naquele mundo.
Belle. Havia muito o que precisava falar com ela, e Gold estava certo de que sua esposa tinha muito o que dizer também e que sua presença ao lado dela não apenas era desejada como também esperada. Ainda assim, aquele que fora o sempre covarde Rumpelstiltskin temia e, escondendo-se atrás de suas obrigações, adiava o reencontro que sabia ser inevitável.
E se ela o rejeitasse, acusando-o novamente de ser irresponsável e descuidado com a criança que os dois haviam criado de seu amor verdadeiro? E se não mais o quisesse após tantos anos sofrendo aprisionada apenas para se tornar uma arma contra ele? Belle tinha excelentes motivos para não querer mais a presença dele em sua vida, e ele as compreendia perfeitamente, o que não faria com que o abandono – se é que assim podia ser chamado – doesse menos.
De todo modo, não havia mais nenhum motivo pelo qual adiar sua visita a Belle no hospital, nenhuma outra obrigação urgente. Além disso, a necessidade de vê-la viva e à salvo crescia a cada momento, quase sobrepujando o medo que possuía de uma rejeição. Por isso, Gold seguiu cuidadosamente por entre as árvores e retornou às ruas da cidade de Storybrooke.
Ele evitou as principais ruas da cidade, pois não queria ser parado no meio do caminho para responder perguntas tolas e desnecessárias de passantes mais corajosos. Viu, de muito longe, o reencontro de Emma com os pais dela e percebeu que ela não retornara o abraço de Snow White – Gold estava certo de que a loira se encontrava mais perdida do que nunca agora que quebrara a maldição.
Também percebeu Archie Hopper olhando para o par de bonecos que um dia foram os pais de Geppetto na vitrine da loja dele. Observando o rosto repleto de tristeza do psicólogo, o feiticeiro percebeu repentinamente que, para alguns, a maldição fora uma bênção na medida em que os fizera esquecer de memórias realmente perturbadoras. O próprio Gold passara vinte e oito anos sem sonhar sequer uma noite com o dia em que abandonara Baelfire, o que podia muito bem ser interpretado como um milagre.
Por estar passando por ruas exclusivamente residenciais, ele observou por através das janelas enquanto as pessoas dentro de suas casas conversavam entre si. Evidentemente, Gold não era capaz de escutar o que diziam – não sem magia, pelo menos –, mas as mais diversas expressões permeavam os rostos: raiva, tristeza, decepção, confusão, alegria…
O homem prendeu a respiração por um momento quando finalmente avistou o hospital diante de si, perguntando-se se a sua família ainda se encontraria ali ou teria se movido para um lugar mais seguro, cansados de esperar que ele se juntasse a eles. Se tivessem de fato saído do hospital, Gold estava certo de que teriam ido para a casa de Maurice, mas o feiticeiro esperava que pudesse encontrá-los ali, em um terreno um pouco mais neutro.
Gold respirou profundamente e continuou sua caminhada em direção ao hospital, que acabou por encontrar mais cheio de pessoas do que esperara anteriormente. Talvez fosse a expressão fechada em seu rosto, mas ninguém teve a ousadia de pará-lo para qualquer fim. Passando por Whale, que se sentara em uma das cadeiras na sala de espera e encarava fixamente o chão, Gold parou para um pequeno interrogatório.
"Fale-me da jovem paciente que resgataram ontem na ala psiquiátrica desse hospital," disse, com brusquidão. "E não ouse mentir para mim, querido, ou descobrirá que sente saudades do velho e manco Mr. Gold."
Whale olhou para o rosto do feiticeiro, engoliu seco e começou a falar rapidamente do estado de saúde de Belle, referindo-se a ela como Rose French – e Gold não se preocupou em corrigi-lo. Segundo o médico, ela apresentava alguns sintomas de abstinência dos remédios que tomara enquanto estivera presa, estava desnutrida e começava a se recuperar da desidratação. Dr. Hopper, ele comentou, ficara de fazer uma análise mental da garota naquele dia, mas Whale não estava muito certo de que, após todos os acontecimentos que haviam ocorrido naquele dia, ele se lembraria.
"Então, você sabe quem é essa que esteve trancada naquele lugar sob condições subumanas, Frankenstein?" Perguntou enquanto sentia um sorriso maníaco surgindo em seus lábios. "Você sabe quem é essa mulher que esteve presa por mais de vinte e oito anos sob a posse da Rainha?"
Whale, de novo, engoliu seco e balançou a cabeça negativamente, e Gold deixou escapar uma risadinha. Ele encarou o médico nos olhos antes de responder.
"Essa mulher, meu caro Frankenstein, é legalmente a minha esposa e também mãe do meu filho," disse Gold, deixando parte de sua fúria clara em suas palavras. "E, quando eu descobrir quem foram as pessoas coniventes com a Rainha na prisão dela, vou fazê-las pagar com sangue."
"G-Gold, eu não sabia," disse Whale. "A Rainha aprisionou a jovem aqui quando conjurou essa terrível maldição, e todos nós estávamos sob o controle dela. Nas memórias de Whale, há um motivo concreto para a prisão da garota, mas eu nunca soube em qualquer uma de minhas vidas que você é casado."
Gold observou o médico com atenção, mas decidiu que não devia continuar perdendo tempo o ameaçando. Ele ouviria o relato de Belle e decidiria se Whale merecia continuar vivendo posteriormente.
"Leve-me até o quarto da minha esposa, Whale," disse, por fim. "Ela ainda se encontra nesse hospital, certo?"
"Receio não saber, Senhor das Trevas," disse o médico, com o rosto franzido enquanto pensava. "Ela deveria se encontrar aqui, mas pode ter saído na confusão que se sucedeu ao final da maldição."
Ele balançou a cabeça afirmativamente e pediu, novamente, que Whale o acompanhasse até o quarto de Belle. O médico se levantou da cadeira onde estava sentado e pediu para que Gold o acompanhasse. Perdido em seus pensamentos e seus medos, o feiticeiro sequer sentiu a caminhada e, quando Whale mencionou que Belle estaria na porta diante deles, ele a encarou estupefato.
O médico pediu licença e se retirou, deixando Gold encarando a maçaneta da porta por um momento enquanto media suas opções. Não, seu cérebro gritou. Ele não podia mais fugir de suas responsabilidades, estava na hora de ser corajoso pela única mulher que um dia ousara amá-lo. Gold devia isso a ela.
Com o coração pulando em seu peito, o feiticeiro então tocou gentilmente a maçaneta e a girou.
~~//~~
Belle nunca acreditou verdadeiramente que sua vida seria fácil em algum momento, a princípio porque era muito diferente do que se esperava que ela fosse, e depois por ela ser a pessoa que mais amava o Senhor das Trevas. Nas primeira semanas de vida de seu filho, entretanto, enquanto ainda se recuperava após o duro nascimento, ela chegou à conclusão de que uma parte de si esperara que Gwenaël crescesse em um ambiente pacífico.
Infelizmente, sequer a esperança lhe restava após Rumpelstiltskin lhe contar seus verdadeiros planos. Na melhor das hipóteses, ela e o filho ficariam presos sozinhos em um mundo cujas normas desconheciam, e, na pior das hipóteses, ficariam ambos amaldiçoados por trinta anos à mercê de uma Rainha louca que faria qualquer coisa para ter poder sobre Rumpelstiltskin.
Não que Belle não acreditasse veementemente que viveria a primeira alternativa. Bom, pelo menos, na maior parte das vezes. A despeito de tudo o que a revelação de Rumpelstiltskin mostrara, ela também deixara evidente a importância da família para ela, ainda que de uma maneira um pouco destorcida.
Durante as semanas de recuperação, Rumpelstiltskin não saiu do lado dela, cuidando de sua saúde e ensinando-lhe tudo o que sabia a respeito de como cuidar de um bebê enquanto ignorava as tentativas que Belle fazia de conversar com ele e sua ira crescente diante do aparente descaso com o qual o feiticeiro estava tratando ela e seu filho.
Por fim, quando Belle já se sentia suficientemente forte para se levantar e caminhar pelo castelo, Rumpelstiltskin a deixou para procurar uma via de transporte para o mundo onde Baelfire estava sem o uso da maldição. Isso deu tempo a jovem para que ela pensasse a respeito de tudo o que ele lhe contara e seus sentimentos sobre o assunto.
Alguns dias se passaram antes que Belle concluísse que, embora houvesse bons motivos para ela estar com raiva do marido, fora injusta com ele. Ela soubera desde o começo quem Rumpelstiltskin era e aceitara se casar com ele a despeito de tudo isso: conhecia o homem amoroso e cuidadoso da mesma maneira como conhecia a fera cruel e possessiva, e o aceitara e amara como um todo.
Com essa percepção veio a vergonha. A vergonha por não ter sido fiel ao que prometera a si mesma e a Rumpelstiltskin: o amor que ultrapassa a luz e as trevas. Apenas muitos dias depois, enquanto observava Gwenaël dormindo em seus braços, Belle conseguiu se perdoar, pois percebeu o motivo pelo qual traíra os votos que fizera. Um novo amor entrou em nossas vidas, e eu ainda estou aprendendo a conciliá-lo com o meu amor pelo Rum. Não foi por mim que senti raiva, mas pelo meu filho.
Em meio a essas reflexões, Belle se via na necessidade de cuidar de si mesma – pois ainda se recuperava, embora melhorasse a cada dia – e de seu filho. Ainda que Rumpelstiltskin tivesse lhe ensinado muito nas semanas que permanecera com ela no castelo, cada dia trazia um novo desafio a respeito de seu pequeno bebê.
Havia questões que a jovem estava certa de que aconteciam com todas as mães: pequenas dores de barriga e vômitos, choros inesperados, uma pequena reação alérgica à picada de um mosquito, entre outros. Havia problemas, entretanto, que Belle sabia serem específicos daquele bebê, pequenos atos mágicos nascidos de sentimentos comuns, como a fome e o sono – houve uma vez, por exemplo, que Gwenaël colocara ela para dormir por horas.
Casos como esse eram muito raros, mas faziam com que a jovem desejasse a presença do marido. Talvez, Rumpelstiltskin tivesse respostas com soluções práticas. Ela não se esquecera que o bebê quase a matara no momento de seu nascimento em uma tentativa de fazer parar a dor que estava sentindo e se preocupava com a possibilidade Gwenaël machucá-la sem querer e deixá-la impossibilitada de ajudá-lo. Muito em breve, ele precisará de instruções a respeito de magia, e o que você fará, Rum?
Belle tentava resolver essas questões – tanto as mágicas e extraordinárias quanto as mais corriqueiras – usando os seus adorados livros. Às vezes, isso bastava, mas havia momentos em que, temerosa, ela precisava usar a sua intuição.
Por vezes, a jovem pensou em usar a magia de transporte para ir até a corte de seu pai, onde haveria pessoas de sobra para lhe ensinarem a cuidar do menino. Então, lembrava-se da promessa que quebrara e voltava atrás: ainda não se encontrava desesperada a ponto de desistir do filho.
Mesmo nas vezes em que havia paz no castelo, nos momentos em que Gwenaël estava dormindo, Belle se esforçava para se manter o mais ocupada possível. Se ficasse muito tempo pensando demais, enlouqueceria de preocupação.
Ela passava quase todo esse tempo lendo livros que pudessem ajudá-la com o filho, em uma tentativa que ela sabia ser vã de antecipar a próxima surpresa. Ela também passara a se ocupar cozinhando para si mesma e, durante todas as tardes – quando Gwenaël já estava acordado –, Belle subia até a biblioteca e lia para o menino histórias que sabia que ele ainda não compreenderia.
O primeiro retorno de Rumpelstiltskin ao seu castelo ocorreu com o objetivo dele fortificar os feitiços que o protegiam e verificar como estavam Belle e seu filho. Ela ocorreu certa de doze dias após a jovem decidir que estava traindo o marido ao guardar rancor pelas decisões equivocadas dele. Desse modo, ela já sabia perfeitamente o que desejava dizer a ele a respeito do assunto.
Ocorreu, entretanto, em um dia especialmente conturbado para Belle, no qual Gwenaël amanhecera com uma febre assustadoramente alta. O feiticeiro, portanto, encontrou a esposa ainda vestida em seus trajes de dormir procurando por livros no alto de uma escada em sua biblioteca, enquanto seu filho chorava aos berros na cama que um dia pertencera a Belle, cercado de almofadas que o impediam de rolar e cair.
"O que você está fazendo, Belle?" Perguntou Rumpelstiltskin, e ele não conseguiu não soar acusatório. "Por que Gweanël está aqui, chorando, e você está procurando por livros?"
O tom de seu marido fez com que Belle se esquecesse completamente que a sua intenção inicial fora se desculpar com Rumpelstiltskin por seu comportamento desde que ele lhe contara a respeito de Baelfire. Como ele se atrevia a acusá-la de abandonar um filho em necessidade após semanas ininterruptas sem retornar por eles!
"Para a sua informação, eu estou procurando uma maneira de curar a febre dele," ela disse de modo ríspido. "Como meu marido esteve longe demais para me ajudar, eu tive que contar com o auxílio dos meus livros. Para que eles me ensinassem a ser a mãe de uma criança como o Gaël."
Belle se virou para encará-lo, mas acabou por perder o equilíbrio. Ela fechou os olhos esperando pelo impacto, mas este não chegou a acontecer. Quando abriu os olhos novamente, ela percebeu que se encontrava nos braços de Rumpelstiltskin. Novamente.
A jovem esperou que seu marido fizesse um comentário sarcástico a respeito do jeito desajeitado dela, mas ele se limitou a colocá-la no chão delicadamente e seguiu até onde Gwenaël se encontrava ainda chorando. O feiticeiro segurou o menino em seus braços e começou a cantar uma canção de ninar em uma estranha língua.**
Para a surpresa de Belle, o choro começou a diminuir apenas alguns poucos segundos após Rumpelstiltskin segurá-lo nos braços. A jovem se perguntou o que significariam aquelas palavras e o que aquilo estava fazendo com seu filho, mas teve a sensatez de não interromper o marido em meio a algo que claramente era um feitiço – afinal, ela confiava nele! Apenas alguns minutos se passaram antes que o feiticeiro estendesse Gwenaël já completamente em silêncio para Belle segurá-lo.
"Nos meus mais de duzentos e cinquenta anos de vida, eu tive a oportunidade de aprender todo o tipo de magia," ele disse, o olhar perdido em meio às lembranças. "Essa foi uma magia que eu aprendi com parteiras de um lugarejo há muito morto e praticamente esquecido. Ela combate os males mais comuns da infância."
"Você precisa me ensinar a fazer isso," disse Belle, curiosa diante de uma magia tão doce e ansiosa para aprender algo tão útil. "Por que nunca me ensinou isso? Teria sido muito útil nos últimos meses."
"Mesmo a magia mais benigna requere um preço, Belle," disse Rumpelstiltskin, tocando o rosto da esposa com a ponta dos dedos. "No caso, o custo da magia é proporcional à gravidade da aflição que você quer curar. Você definitivamente não estava forte o bastante."
"E você preferiria que Gaël morresse de uma febre?" Perguntou enquanto se afastava do marido, repelindo o seu toque gentil. A raiva crescia em seu peito, queimando-lhe a garganta.
"Eu supus que, se ele estivesse muito doente, você me chamaria através do seu cordão" disse Rumpelstiltskin após engolir seco.
Belle ergueu a mão para segurar o cordão que seu marido lhe dera pouco mais de um ano antes, o mesmo que lhe dava o poder de convocá-lo. Tanto tempo se passara e tantas coisas haviam ocorrido que a jovem se esquecera da existência daquela possibilidade.
Os dois ficaram um momento em silêncio, e Belle se sentiu péssima por ter esquecido de um detalhe de importância tão fundamental. Rumpelstiltskin pareceu compreender o que se passava na cabeça da esposa, pois colocou as mãos sobre os ombros dela em um gesto reconfortante.
"Todos cometemos erros, minha querida Belle," ele disse, suavemente. "Todos nós estamos sujeitos a isso. E eu sou o mais errado de todos."
"Eu tenho errado mais vezes do que você, Rum," disse ela após um breve período de reflexão. "Quando eu fiz os meus votos – mesmo antes de fazer meus votos! –, eu prometi te amar completamente, até mesmo as partes mais escuras. Eu tenho traído os meus votos."
"Quando uma terceira pessoa entra em nossas vidas, algumas prioridades mudam," disse Rumpelstiltskin, e Belle sorriu ao perceber que os dois pensavam de maneira parecida. "Você está certa em sentir raiva. De certa forma, eu estou apenas repetindo os mesmos erros que cometi com Baelfire."
Belle se adiantou e recostou sua cabeça no peito do marido, mantendo Gwenaël entre eles. Ele respondeu ao gesto passando os braços ao redor do corpo da esposa e passando os dedos pelos cabeços dela.
"Eu prometo," ele começou a falar, mas teve que limpar a garganta, pois sua voz saíra muito rouca – não ficava tão próximo física e emocionalmente de Belle desde o nascimento do filho. "Eu prometo que, se eu encontrar uma maneira de nos transportar juntos para o mundo onde Bae está sem a maldição, nós o usaremos juntos. Você está certa, minha Belle, não posso cometer o mesmo erro com o Gwenaël."
Belle sentiu as lágrimas de emoção surgindo em seus olhos quando notou que, finalmente, recuperara o seu marido. Eles ainda permaneceram muito tempo naquela posição enquanto observavam o filho deles nos braços de Belle, e ela ousou ter esperanças novamente.
~~//~~
A primeira coisa que Gold viu quando abriu a porta do quarto de Belle foi o par de olhos azuis que pertenciam a sua esposa. Notou um sorriso sendo construído lentamente neles enquanto ele fechava a porta atrás de si – hipnotizado e incapaz de desviar o olhar. Depois, percebeu que os lábios dela também haviam se curvado para cima em um sorriso sincero e repleto do amor que ele sabia não merecer.
Ela estava muito mais magra e pálida do que ele se lembrava. Gold esperara por isso, mas a constatação fez com que a raiva nublasse a felicidade pelo reencontro. Procurando se acalmar – pois ainda não queria discutir o que a Rainha fizera –, o feiticeiro olhou em volta, procurando por seu filho e Maurice. O segundo se encontrava ausente, e Ryan estava dormindo em um pequeno sofá.
"Ele estava muito cansado," disse Belle, a voz estava mais rouca do que ele se lembrava – provavelmente, Gold imaginava, ela passara anos sem ninguém com quem conversar. "Fez questão absoluta de passar a noite inteira acordado comigo porque tive pesadelos. Ele se parece com você em quase tudo o que pude perceber até agora."
Gold se voltou novamente para a esposa, percebendo que ela sorria de modo carinhoso, mas seus olhos estavam cheios de lágrimas. Ao notar o olhar dele em si, Belle estendeu a mão como quem pedia que ele a segurasse. O feiticeiro se aproximou lentamente e segurou a mão de sua esposa com firmeza, entrelaçando os seus dedos com os dela.
Ele se sentou na cama, diante da jovem, e levou a mão dela aos seus lábios, beijando-a com carinho. Depois, soltou-a e segurou seu rosto entre as mãos, e o sorriso de Belle deu lugar a uma expressão fechada enquanto as lágrimas começavam a escorrer de seus olhos.
"Quando ele nasceu, eu prometi que eu sempre o protegeria," a jovem disse, por fim, sua voz muito trêmula. "E aqui está ele, um homem, enquanto tudo do que eu consigo me lembrar é uma criança muito pequena e de pele cintilante que se agarrava a mim todas as noites porque tinha medo do escuro e que estava aprendendo a reconhecer palavras nos livros de história dos quais tanto gostava."
Gold não sabia como responder àquilo. Ele entendia que, embora Belle nunca o fosse culpar diretamente, nem mesmo ela não podia negar a responsabilidade parcial dele no que ocorrera. A jovem pareceu perceber por onde caminhavam os pensamentos dele, pois se adiantou e o abraçou, enterrando o rosto ainda molhado pelas lágrimas no peito do marido – e ambos se sentiram repentinamente completos e seguros, pois se encontravam finalmente em sua única e verdadeira casa, nos braços um do outro.
Eles assim permaneceram um tempo que não conseguiram contar, e Gold não se lembrava de ter se sentido mais completo em algum outro momento. Ele sentiu Belle se acalmando lentamente enquanto a respiração da jovem se tornava menos acelerada e os soluços menos frequentes. Então, ela afastou suavemente e o encarou com um olhar crítico que fez com que o feiticeiro se sentisse repentinamente muito exposto.
A princípio, ele achou que ela retomaria a discussão anterior, perguntaria o que acontecera depois que fora levada. Gold estava certo de que Belle estava muito curiosa a respeito do crescimento do filho – e o feiticeiro se sentia mal por não ter a resposta para todas as suas perguntas. Ela, entretanto, sorriu repentinamente e tocou o rosto dele com carinho.
"Você tem uma aparência mais respeitável nesse mundo," ela disse, para a surpresa de Gold, e um sorriso travesso brincava em seus lábios. "No nosso mundo, mesmo quando você voltou a ser humano, havia algo do diabinho por quem eu me apaixonei na sua postura e no seu modo de falar."
O feiticeiro sorriu suavemente. Sim, aqueles anos sob o papel de Mr. Gold o haviam modificado, mas ele se orgulhava daquela nova e distinta aparência, que poderia acabar lhe sendo útil em um momento futuro. Eles se encararam por alguns segundos antes que Belle novamente deitasse a cabeça no peito do marido, mas sem esconder o rosto daquela vez.
"Precisamos conversar sobre o que aconteceu com você, Belle," ele falou, deixando escapar um leve suspiro. "Sei que deve ser uma realidade que ainda te perturba e tenho certeza de que foi a causa de seus pesadelos, mas eu precisosaber o que aconteceu."
O feiticeiro sentiu a esposa ficando tensa em seus braços. Em uma tentativa de acalmá-la, ele passou os dedos pelos cabelos dela da maneira como se lembrava de que ela gostava. O ato, entretanto, não produziu qualquer efeito.
"Por que você precisa saber disso, Rum?" Perguntou Belle, por fim, e sua voz saiu muito trêmula – e Gold se sentiu estremecer, pois era a primeira vez em muitos anos que lhe chamavam por aquele apelido carinhoso. "Falar sobre esse assunto me machuca e vai te machucar, de modo que não vejo motivo para reviver essa dor."
"Você não compreende," disse Gold, engolindo seco. "Eu não posso deixá-los viver depois do que fizeram com você. Eles pensarão no Senhor das Trevas como alguém misericordioso, o que é algo muito perigoso. Poderão tentar novamente te machucar, machucar o nosso filho."
Belle balançou a cabeça negativamente, enterrando seu rosto novamente no peito de Gold. O feiticeiro percebeu que a jovem tentava controlar as próprias emoções e não pressionou uma resposta, deixando que se passassem alguns minutos antes que o silêncio fosse novamente preenchido com palavras.
"Você é outro homem agora, Rum, e eu tenho fé de que você aprendeu com os seus erros e que não nos deixará mais desprotegidos," disse Belle, sua voz ainda muito trêmula e fraca. "Além do mais, eu fui com eles por vontade própria, pois fiquei com medo de que Gaël saísse do esconderijo dele se eu resistisse. Não vou deixar ninguém me separar de você novamente, e estou certa de que nosso filho aprendeu a se defender também."
"Eu não posso deixá-los incólumes depois de tudo o que fizeram com você," falou Gold, exasperado.
"Você pode," interrompeu Belle, no tom mais firme que ele a viu usar desde que entrara naquele quarto de hospital. "Por favor, Rum. Eu não desejo ver o seu coração ainda mais escurecido por causa de uma vingança sem sentido. Deixe que outros cuidem da Rainha, ela tem muitos inimigos, e os outros eram apenas peões. Deixe todos em paz. Por mim!"
Gold encarou Belle por um momento, pensando no que ela dissera. Alguns segundos antes, ele sentira a necessidade de se vingar o corroendo, mas agora o amor que sentia pelo coração bondoso e pronto para o perdão da esposa o preenchia por completo – a vingança não parecia mais tão importante.
Ele sentiu os olhos de Belle em si enquanto a jovem analisava a expressão no rosto dele e tentava decifrar os seus sentimentos. Por fim, ele sorriu suavemente e assentiu, em uma promessa silenciosa, fazendo com que ela retribuísse o sorriso.
Lentamente, os rostos dos dois se aproximaram até o momento em que seus lábios se uniram em um beijo muito urgente. Gold percebeu que, naquele momento, a vingança não tinha qualquer importância para ele, pois finalmente estava em casa.
~~//~~
Belle passou os dias que se seguiram aprendendo tudo o que Rumpelstiltskin tinha a lhe ensinar sobre magias e poções capazes de facilitar a sua vida como mãe. Ela dominou quatro feitiços curativos de intensidades variadas, mas que podia ser usados em um bebê tão pequeno – e o feiticeiro mais de uma vez recomendou que a jovem os usasse apenas em última instância, pois para toda magia havia um preço.
Ele também a ensinou como preparar medicamentos de natureza não mágica, e Belle não conseguiu conter a pergunta que questionava o motivo pelo qual o seu marido aprendera aquilo.
"Todo conhecimento pode ser útil, mesmo quando isso não parece provável no momento em que surge a oportunidade de aprendê-lo," ele respondeu com um sorriso. "Eu nunca pensei que ensinaria à minha esposa a usar esse conhecimento em nosso filho, mas imaginei que poderia ser útil em algum momento."
Belle sorriu e assentiu. Ela compreendia perfeitamente, pois sabia o que significava uma sede insaciável pelo conhecimento.
Naqueles dias, a jovem sentia como se fosse um retorno aos seus primeiros meses de casamento, embora contassem com a ilustre presença de Gwenaël em suas vidas. Belle sabia que não duraria muito tempo, pois Rumpelstiltskin precisaria retornar em breve à sua busca, mas procurava aproveitar sem pensar no inevitável momento em que ficariam no castelo apenas ela e o filho.
Como ela previra, o marido ficara apenas algumas semanas antes de partir novamente – apenas o bastante para que ela aprendesse tudo o que precisava para cuidar do filho. Antes de partir, ele fez Belle prometer que usaria o cordão caso precisasse dele e, em seguida, fez a promessa de retornar em breve para verificar se eles estavam bem.
"Não posso permitir que aconteça qualquer coisa com duas das pessoas mais importantes da minha vida," disse ele, depositando um beijo na testa da esposa. "Por favor, Belle, não hesite em me chamar caso precise de mim, mesmo que pareça bobo."
Belle assentiu e teve que se conter para não falar nada enquanto Rumpelstiltskin voltava de costas para ela. A jovem teve uma sensação desagradável ao observá-lo partir, a mescla de um intenso vazio e uma ansiedade crescente.
Nos meses que se seguiram, Belle fez o possível para manter uma rotina que a ocupasse o máximo possível. Não queria pensar nas incertezas que permeavam o seu futuro, não podia pensar naquilo, caso contrário acabaria por enlouquecer de preocupação. E Gwenaël precisava da firmeza e da segurança dela!
Ela passava as manhãs e as tardes revezando entre cuidar do filho e realizar suas antigas tarefas no castelo – que englobavam cuidar para a manutenção da organização e da limpeza do mesmo. Durante as noites, ela se sentava em sua biblioteca com Gweanël e lia para ele até que seus olhos ficassem demasiado pesados e ela rumasse para a cama.
Os pequenos problemas diários que a surpreendiam – e, às vezes, assustavam – não deixaram de acontecer, mas, agora mais preparada, ela se sentia cada vez mais segura para lidar com eles.
As coisas começaram a mudar quando Gwenaël começou a engatinhar e, por fim, dar seus primeiros e inseguros passos sobre as duas pernas. Belle nunca antes cuidara de um bebê e não sabia lidar com o súbito interesse nos preciosos, delicados e muitas vezes perigosos objetos que Rumpelstiltskin coletara em seus acordos. Usando magia, ela criou um pequeno cercado onde ele ficava sempre que a jovem precisava realizar as tarefas mais essenciais – como cozinhar ou lavar as roupas dos dois.
Para o alívio de Belle, não demorou muito mais tempo para que Gwenaël começasse a entender as suas palavras e se interessar pelas histórias que ela tentava lhe contar. A jovem conseguia manter seu filho sentado ao seu lado por até meia hora se o entretivesse com histórias.
Outra coisa que os meses acabaram por mudar foi o modo como Gwenaël aperfeiçoou cada vez mais a sua comunicação com ela. Antes, tudo o que ele fazia era chorar, e Belle era forçada a adivinhar que tipo de choro era aquele; depois, ele aprendeu a se comunicar por gestos – a maioria simples como o esticar dos bracinhos para que ela o segurasse –; e, ainda posteriormente, o menino começou a imitar os sons que ela fazia, embora ainda não fosse capaz de transformá-los em palavras.
Belle achava aquilo adorável e começou a ensiná-lo o significado das palavras que dizia. O que nunca rendia um resultado imediato, mas muitas vezes fazia com que ela o surpreendesse repentinamente apontando para alguma coisa e fazendo um som que se assemelhava remotamente com o da palavra que a designava.
Rumpelstiltskin retornou duas vezes após aquela primeira vez para curtas visitas, nas quais Belle se esforçava para passar o máximo de tempo possível com o marido enquanto contava a respeito do dia à dia do filho e seu rápido crescimento. Em resposta, ele lhe contava sobre sua busca.
O feiticeiro também passava algum tempo conversando com o filho e, embora a comunicação entre os dois não fosse tão clara quanto a que existia entre Gwenaël e Belle, eles pareciam conseguir se compreender.
Durante a terceira visita, Rumpelstiltskin passou um dia inteiro tentando fazer com que o menino falasse o nome dele. E quando Belle mencionou que talvez fosse melhor que ele começasse com algo mais simples, como a palavra "pai", o feiticeiro deixou escapar um gargalhada e disse que, se o filho conseguisse pronunciar o nome dele, o resto seria fácil de se aprender. Isso fez com que ambos começassem a rir com uma leveza que não sentiam desde o nascimento de Gwenaël.
Ao final de todas as visitas – mas muito especialmente da terceira –, enquanto Belle via Rumpelstiltskin desaparecendo diante de si, a jovem sentia um peso crescendo em seu coração. Uma vez, ela tentara explicar ao marido como se sentia, mas ele apenas lhe sorrira, dissera que ela não precisava se preocupar e pedira que ela confiasse nele. Belle, entretanto, não era capaz de afastar aquela sensação ruim, por mais que tivesse tentado.
Algo fantástico e muito inesperado, entretanto, ocorreu duas semanas após a terceira visita de Rumpelstiltskin. Algo que afastou todos os sentimentos negativos de si.
Belle estava cozinhando enquanto contava ao filho uma história a respeito de um gato de botas que, em troca da própria liberdade, dera ao seu amo riqueza e o amor.
Gwenaël sorria e tentava imitar o som de algumas das principais palavras da história – e Belle fazia pequenas pausas para corrigi-lo. Em um dia comum, eles podiam passar muito tempo fazendo aquilo – um tempo que crescia na medida em que o menino ficava mais velho –, mas, naquele dia, a jovem percebeu que seu filho se encontrava inquieto. A despeito dos sorrisos e das brincadeiras que os dois compartilhavam, havia algo no modo como ele se sentava que denunciava sua ansiedade.
"Certo! O que você tem hoje, Gaël?" Ela perguntou, embora não esperasse por uma resposta. "O que há de errado?"
O menino a encarou, parecendo fazer um esforço para conseguir responder. Ele balbuciou alguns sons que Belle não compreendeu, o que o fez ainda mais inquieto, como se ele soubesse que não fizera corretamente e estivesse decepcionado consigo mesmo.
"Gaël?" Ela disse, aproximando-se de onde ele estava sentado para segurá-lo no colo. Talvez, fosse uma febre ou dor de barriga, embora já fizesse algum tempo desde que ele parara de sentir isso com regularidade.
Quando ela o envolveu com seus braços para erguê-lo, entretanto, algo muito alto ressoou dentro de sua cabeça, o que fez com que ela se afastasse rapidamente, desequilibrasse e caísse com força no chão.
"Mamãe," ela ouviu uma voz que pensava conhecer gritando. "Mamãe, tudo bem? Você machucou?"
A jovem abriu os olhos que sequer tinha percebido ter fechado e encarou o rosto do filho muito próximo do seu e suas mãozinhas tocando gentilmente o rosto dela. Ela o encarou com certa confusão. Ele finalmente estaria falando? Não, não é o Gaël, eu conheço essa voz e nunca ouvi a dele.
Mas quem mais a chamaria de mãe?
"Mamãe," gritou ele, os olhos inundados por lágrimas. "Responde! Mamãe!"
Os lábios dele, entretanto, não se moviam, e ela percebeu que estava ouvindo aquelas palavras dentro da própria cabeça. Ela se lembrou, então, do momento logo após o nascimento dele em que ouvira a voz do primeiro Gwenaël em sua cabeça. Seria aquilo magia?
"Gaël, eu estou bem, querido. Não chore, eu apenas assustei quando você gritou antes," disse ela, abraçando o menino com carinho enquanto se perguntava qual fora a primeira.
"Mamãe," ele falou dentro da cabeça de Belle enquanto retribuía o seu abraço, e ela notou que, embora ainda soasse como se ele estivesse gritando, o volume diminuía a cada nova palavra. "Mamãe. Rumpelstiltskin. Onde está Rumpelstiltskin?"
Belle encarou o filho com surpresa. Então, todo o esforço de Rumpelstiltskin para que seu filho falasse seu nome não havia sido infrutífero! Ele se lembrava do pai dele, e se lembrava do nome dele, e aquela fora a sua primeira palavra! A jovem teve que se conter para não usar o cordão naquele momento apenas para contar ao marido o que acontecera.
"Ele está fora, mas vai voltar logo," ela disse, esperando que estivesse sorte. "E, para você, não é Rumpelstiltskin, é papai."
"Papai?" Perguntou a voz, incerta, na sua cabeça, e Belle percebeu que ele entendia o significado da palavra – afinal, ela já lera muitas histórias em que ela aparecia e tinha importância.
"Papai," ela disse, sorrindo, e Gwenaël sorriu em retorno, como quem soluciona um quebra-cabeça realmente difícil.
Ela definitivamente precisava falar com Rumpelstiltskin sobre aquele momento. Não só porque seu filho usara uma espécie de leitura de mentes às avessas para dizer suas primeiras palavras, como também porque ele usara para expressar a falta que sentia do pai.
~~//~~
Desde aqueles momentos perdidos com Belle e o pequeno Gwenaël Gold não se sentia tão feliz e pleno. Ainda assim, a missão de sua longa vida ainda não estava concluída, sua família ainda não se encontrava completa: restava achar Baelfire.
Gold sabia que, embora a parte mais longa de seu plano estivesse completa, ainda restava a mais difícil: encontrar o filho mais velho naquele mundo recém provido de magia e reconquistar a confiança dele. O feiticeiro não tinha ilusões, Baelfire provavelmente estaria muito chateado e ressentido com ele, mas Gold estava determinado a convencê-lo de seu arrependimento.
Ryan encontrou seus pais abraçados quando acordou e limpou a garganta para chamar a atenção deles. Os dois o olharam com carinho e felicidade, e ele sorriu com uma alegria genuína pela primeira vez desde que Gold o encontrara em Storybrooke. Algo, entretanto, parecia errado com o outro, seu rosto se contorceu quase imediatamente após o sorriso surgir em seus lábios, o que fez com que Gold se levantasse em um salto.
"Algo errado, Gaël?" Perguntou, aproximando-se do filho com cuidado.
"Dor de cabeça, eu acho," Ryan respondeu, mas sua voz aparentava um cansaço que não devia estar sentindo após ter dormido. Então, ele olhou diretamente para Gold e prendeu a respiração. "Espere, eu estou vendo de novo. Estou lendo as emoções de vocês de novo. Por quê isso está acontecendo agora? Esse é um mundo sem magia, e isso nunca aconteceu antes por aqui."
Gold estava preocupado, ele não estava muito certo de como o retorno repentino da magia afetaria um feiticeiro adulto, poderoso e com pouco tempo de treinamento. Havia muito desde que ele aprendera a controlar sua magia e, embora não tivesse manifestação exterior, Gold estava certo de que havia crescido em poder desde que o filho era uma criança de quatro anos de idade.
"Ele está lendo nossas emoções?" Perguntou Belle, estupefata, e Gold se lembrou repentinamente de que a esposa não conhecia os poderes do filho. "Como isso é possível?"
"Essa é a maneira primordial da magia dele," disse Gold para a esposa. "Ele é capaz de ler sentimentos, e é capaz de escutar os espíritos que nos cercam."
"Isso não é verdade. Eu o vi fazendo sua primeira grande magia, foi quando ele enunciou a sua primeira palavra dentro da minha cabeça. A primeira vez foi pouco depois dele nascer, mas ele repetiu isso algumas vezes antes de, antes de…" Belle precisou parar por um momento, e respirou profundamente. "Ele fez magia desde muito novo, você sabe disso, eu lhe contei."
"Eu sabia que ele tinha realizado atos mágicos de natureza mais prática, como te colocar para dormir ou te transportar para perto dele," Gold comentou, também espantado. "Mas as magias que mechem com os pensamentos, as emoções e os espíritos não são práticas. Elas são como a magia do verdadeiro amor, de natureza extremamente complexa e imprevisível – e você nunca me falou que ele falava dentro da sua cabeça. Isso explica a facilidade dele de aprender as coisas, ele é um feiticeiro empata."
"O que é um feiticeiro empata?" Perguntou Ryan, com um grunhido – definitivamente, tudo o que ele queria eram mais poderes que não compreendia!
"Um feiticeiro empata é alguém com a capacidade de compartilhar experiências, pensamentos e emoções com outras pessoas," disse Gold prontamente. "Normalmente, essa é uma magia considerada das trevas, e os poucos feiticeiros empatas dos quais se tem conhecimento foram um perigo para a humanidade. Mas você, Gaël, você nasceu do verdadeiro amor, não tem como a essência de sua magia ser completamente das trevas."
"Bom, se o meu pai já foi o Senhor das Trevas," disse Ryan, incapaz de conter o sarcasmo em sua voz – o tom de voz alternativo, que deixava seu medo evidente, não era opção naquele momento. "Não é surpresa que a minha magia seja das trevas, certo?"
"Gaël, quando você foi concebido, o seu pai não era mais o Senhor das Trevas," disse Belle, levantando-se da cama e se sentando ao lado do filho; ela passou o braço por cima dos ombros dele em um abraço. "Além do mais, foi a magia do amor verdadeiro que quebrou a maldição da adaga, ela com certeza é a magia mais forte dentro de você."
Ryan enterrou o rosto no ombro da mãe, buscando um conforto que há muito não possuía. Ela passou os dedos nos cabelos do filho e percebeu que a sensação não era muito diferente da dos cabelos de Gold, o que a fez sorrir com carinho. Apesar dos olhos e da cor dos cabelos e do formato do nariz e do queixo, ele era muito mais parecido com o pai dele do que com ela.
"Não se preocupe, eu vou ensiná-lo a controlar isso," disse Gold, sorrindo diante da cena que presenciava. "Agora, vamos tratar da sua dor de cabeça."
"Não é necessário," disse Ryan, perdido na sensação de estar abraçado com a sua mãe novamente, sendo reconfortado por ela. "Já está passando."
Gold ia protestar, mas, naquele momento, eles ouviram uma pequena batida na porta e, um segundo depois, Emma Swan entrou no quarto acompanhada por seu pai, David. Ryan se afastou lentamente da mãe, sentindo-se repentinamente envergonhado por ser pego em uma posição tão vulnerável.
"Desculpe interrompê-los," disse Emma, parecendo realmente arrependida por ter entrado naquele quarto. "Eu gostaria de fazer um acordo com Gold e achei que poderia encontrá-lo por aqui."
"Emma, você não precisa fazer isso," disse David, tentando soar mais calmo do que se sentia. "Você já deve um favor ao Rumpelstiltskin. Tenho certeza que a Madre Superiora…"
"Não pode fazer nada, porque sua magia depende de varinhas mágicas e pó de fada, que estão em falta por aqui," retrucou Emma com rispidez. "Além disso, eu tenho duas informações valiosas e ele tem duas coisas para fazer por mim, nada mais justo."
"O que te faz pensar que suas informações são valiosas para mim, querida?" Perguntou Gold, com um sorriso. "Que tal me dizer o que você quer de mim? Então, quem sabe, possamos decidir se haverá um acordo."
"Como eu disse, eu tenho duas informações. A primeira, é o nome que o filho que você está procurando tem nesse mundo," Emma precisou conter um sorriso quando o rosto de Gold se contorceu em uma careta de espanto. "Em troca dessa informação, eu quero que você transforme August novamente em um homem de pele e osso."
"Se é apenas isso, considere feito," disse Gold, prontamente, perguntando-se como Emma poderia saber o nome de seu filho naquele mundo – mas ele confiava na loira, sabia que ela era leal aos seus acordos.
Gold percebeu que o filho ficara repentinamente inquieto diante do acordo, e ele se perguntou se ele se sentia culpado por não ter pensado no amigo antes. Não, não era aquilo o que o incomodava de fato. O feiticeiro se perguntou o que o filho não o estaria contando.
"O acordo seguinte é uma informação que conseguimos recentemente a respeito das fronteiras da cidade," disse Emma e deixou escapar um suspiro antes de continuar. "Em troca da sua promessa de que seu filho não voltará com você para Storybrooke."
Gold encarou a mulher com espanto, perguntando-se o motivo pelo qual ela não queria que Baelfire retornasse com ele. O feiticeiro percebeu repentinamente que havia história entre Emma e seu filho mais velho – provavelmente, é isso que Gaël não está me contando. Mas como ele saberia?
"Sei que parece ser demais," disse Emma, com um olhar sério. "Mas eu garanto que essa é uma informação que você gostaria de ter."
Gold sabia que não estava sendo passado para trás. Aquela era Emma Swna, e Emma Swan era uma mulher justa e honesta. Ele não sabia o que faria quando encontrasse Baelfire e quisesse reunir sua família, mas sabia que a loira estava dizendo a verdade.
"Muito bem," disse Gold, por fim. "Mas quero refazer os termos desse acordo. Você me dará a informação a respeito das fronteiras da cidade e me dirá porque não quer a presença de Baelfire aqui, e eu prometo que ele não voltará comigo e não contarei a ele o que você está me dizendo agora."
Emma sorriu e apertou a mão que Gold estendia para ela. David deixou escapar um suspiro, e Ryan se levantou repentinamente, fazendo com que todos olhassem para ele.
"Eu não lhe dei essa informação para que você pudesse barganhar com o meu pai," ele disse, a raiva crescente em seu tom de voz. "Você sabe, eu mesmo ia cuidar para que o August voltasse a ser humano. Ele é meuamigo e, agora, eu tenho minha magia de volta."
"Você quem informou a Emma o nome de Baelfire nesse mundo?" Perguntou Gold, sentindo-se repentinamente traído. "Você sabe quem ele é e não me contou?"
"Você não entende," disse Ryan. "Ele nunca te receberia de braços abertos, está cego demais por sua raiva para te perdoar."
Gold precisou se esforçar para não gritar com Ryan, ele entendia que seu filho mais novo só queria protegê-lo de uma dor que julgava ser inevitável. Ainda assim, ele odiava o fato de que seu filho o estava protegendo, pois achava que estava na hora dele proteger sua família. Gold se forçou a se voltar para Emma, que os encarava impassível.
"O nome do seu filho nesse mundo é Neal Cassidy," disse Emma quando percebeu o olhar de Gold sobre si. "E o motivo pelo qual eu não o quero em Storybrooke é porque ele é o pai do Henry, e definitivamente não quero esse tipo de influência na vida do meu filho."
Gold encarou Emma, estupefato. Baelfire – não, Neal Cassidy – tinha um filho naquele mundo, um filho que o feiticeiro vira crescendo sem saber que era seu neto, um filho que era uma criança esperta e inteligente e que sempre o fizera lembrar do próprio filho – embora Gold nunca tivesse compreendido o motivo.
"Quanto ao problema da fronteira," disse Emma, após alguns segundos. "Quando uma pessoa tenta atravessar a fronteira, ela perde a memória."
Gold sentiu como se um soco tivesse sido dado em seu estômago, ele percebeu que Belle se levantara e estava ao seu lado, seus braços em torno dele, confortando-o. Emma pareceu, por algum motivo, constrangida diante daquela cena, e se voltou para Ryan.
"Sinto muito, Ryan," disse Emma, e Ryan acreditou nela, embora achasse difícil perdoá-la. "Eu realmente queria não ter que usar essas informações, mas eu preciso garantir que o meu filho não saia machucado dessa história. Tenho certeza que você entende a importância de proteger alguém que você ama."
Ryan entendia, mas o fato é que, para proteger Henry, ela jogara Gold no caminho certo para mais uma decepção, e isso ele não podia perdoar. Ele assentiu, entretanto, certo de que precisava manter a paz dentro de sua família – porque, agora, eles eram todos uma família.
"Xerife, eu tenho assuntos urgentes a tratar com a minha esposa no momento," disse Gold, com a voz cansada. "Tenho que levá-la até a minha casa e mantê-la onde poderá se recuperar em segurança. Também vou precisar preparar a magia que vou usar para transformar August em um homem de verdade. Encontre-me amanhã na minha loja pela manhã, e farei a minha magia."
Emma assentiu e, com uma pequena saudação para os três, saiu, sendo seguida por um David muito preocupado.
"Ela será uma líder muito mais eficiente do que a mãe dela quando aprender a lidar com a situação a qual está vivendo," disse Belle, sorrindo. "Snow nunca foi uma pessoa prática ou mesmo sensata na hora de governar."
Gold sorriu para a esposa, mas Belle pode perceber que o sorriso era triste. Ryan se sentou no mesmíssimo sofá em que dormira naquela tarde, o peso de sua decisão de não contar ao pai a respeito de Neal em seus ombros.
"Ela não é a única pessoa que vai acabar superando em muito um pai ou uma mãe em sua vocação," disse Gold, deixando escapar uma risada suave, e Belle se desvencilhou dele e voltou a se sentar ao lado do filho.
"Nós te amamos muito e estamos orgulhosos de você, Gaël," disse Belle, segurando as mãos do filho. "Nunca se permita pensar outra coisa."
Ryan não voltou os olhos para a mãe, mas os ergueu para encarar o pai. Ele repentinamente percebeu que Belle estava certa, pois viu o orgulho e a felicidade evidentes no sorriso que Gold lhe lançava, e Ryan notou que ele entendia a sua recusa em lhe dar informações.
"Não se preocupe," disse Gold. "Eu só quero saber que ele está bem e é feliz com os meus próprios olhos. Ficarei muito surpreso se ele não me rejeitar à primeira vista."
Ryan assentiu. Novamente, ele abraçou a mãe com força, apoiando sua cabeça no ombro dela. Belle deixou escapar uma breve gargalhada e o abraçou de volta, depois, encarou Gold o convidando para se juntar a eles. Quando o feiticeiro se sentou do outro lado de Ryan, ele passou o braço por cima dos ombros do pai, fazendo com que ele se juntasse ao abraço.
Os três permaneceram muito tempo sentados daquele jeito sem dizer sequer uma palavra. Finalmente, estavam juntos. Finalmente, eram uma família.
~~//~~
Belle não sabia ao certo o que fazer com esse novo poder que descobrira que Gwenaël possuía. Depois de enunciar dentro de sua cabeça aquela primeira palavra, muitas outras se seguiram e a jovem teve que forçar o filho a começar a falar em voz alta com ela para que aprendesse a pronunciar as palavras, tão eficiente era aquela forma de comunicação. Belle não sabia como era com outras mães, mas ela nunca se sentira tão próxima de outra pessoa quanto se sentia de Gwenaël.
Para a sorte da jovem, o menino era muito esperto e inteligente, ele também adorava imitá-la se isso significava que ganharia algumas risadas de sua mãe. Eles passavam muito tempo conversando – e se comunicavam de maneira tão harmônica que Belle muitas vezes não percebia se o filho estava falando em voz alta ou apenas colocando palavras na cabeça dela.
Ela começou a perceber que ele absorvia facilmente o conhecimento que a jovem tinha, o que fez com que concluísse que, mais do que jogar os pensamentos dentro da cabeça dela, o menino era capaz de captar alguns de seus pensamentos também.
Belle sentia prazer em se sentar e conversar com o filho, vendo a mente dele sendo rapidamente construída enquanto ele adquiria uma noção de si mesmo como um ser individual e, de certa forma, completo. Era tão belo quando fora ver e sentir aquela mesma criança crescendo dentro de si, e ela sentia muitas vezes como se os dois fossem apenas duas partes de um todo.
A grande tristeza de Belle era a ausência de Rumpelstiltskin. Ela e o filho eram certamente partes de um todo, mas o feiticeiro também era uma das partes que tanto a jovem quanto Gwenaël sentiam faltando em suas vidas.
A vida, entretanto, era feliz para os dois. Belle sentia como se quisesse viver eternamente naquele limbo, dividida entre a companhia de Gwenaël e dos seus livros. Ainda assim, sua ansiedade crescesse diariamente enquanto via seu filho crescendo. Por uma razão que não conseguia nomear, ela tinha a sensação de que não veria o menino atingindo a idade adulta.
A grande mudança na vida de Belle e Gwenaël aconteceu dois meses depois do primeiro aniversário do menino – e a jovem ainda se sentia ressentida por Rumpelstiltskin não ter aparecido para comemorar com eles, embora soubesse que os motivos dele provavelmente eram plausíveis.
Mãe e filho estavam sentados juntos na biblioteca, lendo diversas histórias a respeito de gênios, quando o menino começou a tremer descontroladamente. Foram necessários alguns minutos antes que Belle conseguisse acalmá-lo o bastante para que ele enunciasse dentro da cabeça dela que sentira pessoas más invadindo o castelo.
A jovem encarou Gwenaël por um momento, incapaz de se decidir a respeito de como agir. Ela não duvidou por um segundo sequer das palavras do filho, pois conhecia e respeitava a magia dele. Então, seus olhos se tornaram pura tristeza enquanto ela pedia que ele se escondesse ali.
"Eu vou chamar o seu pai," disse Belle, com um sorriso triste. "Enquanto ele não chega, vou distrair quem quer que esteja invadindo esse lugar. Aconteça o que acontecer, não saia da biblioteca! Você entendeu, Gaël?"
Gwenaël assentiu, com tristeza, e Belle soube naquele momento o quanto aquela criança era especial. Ele sabe que discutir comigo apenas colocará nós dois em perigo. Terá lido isso em meus pensamentos? Belle, então, se levantou e, após um último olhar sobre o menino, deu as costas para ele e atravessou a porta.
Logo que saiu da biblioteca, ela sussurrou o nome de Rumpelstiltskin três vezes para seu cordão e começou a torcer para que ele tivesse escutado o seu chamado. Então, caminhou lenta e cuidadosamente pelos corredores em direção ao hall de entrada do castelo, tentando escutar algo incomum se movendo por ali.
Enquanto se aproximava, ouvia uma voz de homem que ela pensava conhecer cada vez mais alta. Gaston!, ela se deu conta, com certo alívio – pois ela sabia ser capaz de lidar com o seu antigo noivo –, enquanto encarava a porta que a levaria ao salão de entrada. Ele está incitando as pessoas a invadir o castelo. Que tolo!
Belle abriu lentamente as portas do castelo e encontrou Gaston e três de seus homens avançando lentamente. Eles pareceram parar quando a viram entrar suavemente no aposento, por algum motivo, completamente estupefatos.
"Lady Belle," disse Gaston, fazendo uma pequena reverência. "Eu vim resgatá-la das garras desse monstro. Por favor, acompanhe-me. Posso lhe garantir que você estará segura comigo."
Belle pareceu surpresa com as palavras de seu antigo noivo. Ele não saberia que ela havia se casado com Rumpelstiltskin diante da corte de seu pai? Aquela não parecia ser uma perspectiva possível, pois o casamento do Senhor das Trevas com certeza seria um evento muito comentado em todo aquele mundo.
"Sir Gaston, embora você me honre com a sua bravura, o meu resgate é desnecessário," disse Belle, tentando soar mais calma do que realmente estava – algo parecia não se encaixar naquela história. "Eu e Rumpelstiltskin estamos casados há quase dois anos sob o consentimento do Conselho de Avonlea e do meu pai. Se puder esperar alguns minutos, posso compor uma carta para que você e seus homens sejam bem recebidos na vila mais próxima – sinto não poder oferecer a hospitalidade deste castelo."
"Eu ouvi essas notícias enquanto estava no Reino do Norte, milady, e confesso que elas muito me chocaram," disse Gaston, e seu tom deixava evidente a sua sinceridade. "Passei algum tempo bastante confuso, incapaz de compreender como meu senhor Maurice foi capaz de casar a única filha com um monstro. Então, algumas semanas atrás, a Rainha Regina me chamou à sua presença e explicou tudo."
A Rainha Regina! Sim, alguma coisa estava definitivamente errada naquela história, e Belle estava certa de que descobriria o que era. Gaston nunca fora bom em guardar segredos, sua natureza era prática demais para tanto. A jovem rezou para qualquer divindade que estivesse disposta a escutá-la naquele momento para que seu filho não viesse procurá-la.
"Receio não entender como a Rainha Regina poderia ter explicado qualquer coisa," disse Belle. "Ela não teve qualquer parte no acordo que eu e Rumpelstiltskin fizemos com o meu pai."
"Ela não estava presente durante as negociações e o casamento," disse Gaston, e ela sentiu que o sorriso do cavaleiro era uma tentativa de tranquilizá-la. "Mas ela conhece esse monstro como ninguém, pois foi ele quem lhe ensinou as artes mágicas. A Rainha conhece os métodos dele e me garantiu que ele teria enfeitiçado a todos."
"Gaston, você não deve se preocupar comigo," disse Belle, e ela também tentava transmitir tranquilidade em seu sorriso. "Estou muito certa de que o meu marido não me enfeitiçou, pois fazer alguém se apaixonar é algo impossível. Essa é uma das principais restrições da magia."
"A Rainha mencionou que você podia dizer isso, mas ela garante que, embora não seja possível fazer uma pessoa se apaixonar, um feiticeiro ou mago competente é capaz de fazer alguém pensar que está apaixonado," disse Gaston. "Venha comigo, milady. Tenho certeza que a Rainha será capaz de quebrar a maldição dessa besta."
Belle deixou escapar um suspiro. Em outro momento, talvez tivesse se sentado com Gaston e tentando convencê-lo de que estava errado. Ela sabia que o cavaleiro era um homem digno e honesto, e que acreditava veementemente no que estava dizendo. Mas as circunstâncias exigiam uma solução rápida, pois ela não sabia por quanto tempo Gwenaël ficaria escondido – e se o chamado por Rumpelstiltskin através do cordão de fato funcionara.
Ainda não é o momento para que as pessoas descubram a respeito do meu filho. Não quando Rum passa a maior parte do tempo fora do castelo!
"Sir Gaston, eu realmente sinto muito, mas não tenho tempo para convencê-lo a se retirar pacificamente," disse Belle. "Se você não sair agora, por vontade própria, serei forçada a retirá-lo à força."
Sem se mover, Gaston a encarou com um olhar de pena que a irritou profundamente. Ele não acha que eu sou capaz de fazê-lo se retirar! Com um suspiro, Belle conjurou um feitiço para empurrá-los para fora do castelo, para a surpresa da jovem, entretanto, o feitiço não pareceu afetá-los.
"A Rainha mencionou que você talvez tivesse aprendido alguns truques com o monstro e nos protegeu contra a maior parte dos feitiços comuns," disse Gaston, se aproximando lentamente, como se temesse que ela fugisse. "Venha comigo, milady. Prometo que a Rainha a livrará da maldição do monstro."
Ela soube, naquele momento, que estava cercada. Se fugisse, mesmo que com o uso de magia, eles vasculhariam o castelo atrás dela, e podiam acabar por encontrar Gwenaël – e se tornara ainda mais crucial que a existência do menino não fosse conhecida. Não, não havia nada que pudesse fazer sem colocar em risco o segredo da existência de seu filho.
Portanto, ela ergueu os olhos e encarou Gaston, a raiva transbordando dentro de seu ser. Rumpelstiltskin a encontraria, e seria trabalho dela impedir que matasse todos aqueles tolos. Então, eles vão me dever a minha vida!
Com isso em mente, ela permitiu que seu antigo noivo a amarrasse – enquanto se desculpava por ter que fazê-lo – e guiasse para fora do castelo, onde cavalos os esperavam.
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* Já se sentiu distante comigo/Apenas uma vez, que é tudo que eu preciso/Envolvido em achá-lo, um dia/Já se sentiu distante sem mim/Meu amor, ele se encontra tão profundo/Já sonhou comigo (Música: Ever Dream – Nightwish)
** Essa foi uma ideia que eu tirei de uma passagem do Ciclo da Herança, do Christopher Paolini.
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