Catch Me
1 Capítulo 1 - Columbia
Notas iniciais
– Vamos filho! Ou perderemos o vôo — disse a bela mulher de longos cabelos negros e olhos castanhos guardando a bagagem, já pronta para partir.
Loki havia terminado o ensino médio e estava ansioso para frequentar uma boa universidade em Londres — sua terra natal -, mas para sua infelicidade, sua mãe havia ganhado uma boa proposta de emprego nos Estados Unidos e Loki odiou aquilo. Ficou feliz pela mãe, seu sonho era ser uma grande estilista de moda e agora ela tinha chance de trabalhar com os melhores, mas Loki amava seu país. Amava o frio Londrino, a calmaria, as belas arquiteturas e a tradição antiga sobre reis e rainhas. Ele não queria partir de jeito nenhum, mas não podia estragar os sonhos de sua mãe e com muito pesar, ele entrava naquele avião à caminho de Nova York.
– Sei que é difícil pra você, filho — disse a mulher observando Loki olhar pela janela do avião com um longo suspiro -, mas Columbia lhe fará bem, eu garanto.
– Tudo bem mãe, estou bem — mentiu o moreno sentindo o avião prestes a decolar.
A viagem havia sido silenciosa. Loki não fazia o tipo falante e sua mãe já estava acostumada com os silêncios do filho, embora ela nunca soubera ao certo quando o rapaz estava feliz ou triste. Loki era bom em disfarçar o que sentia e era melhor ainda em mentir.
A vida dele nunca fora algo muito emocionante. Não era muito bom em fazer amigos, gostava de ficar sozinho a maior parte do tempo e havia perdido o pai quando tinha cinco anos. Sentia-se incomodado em mudar de país, não previa que uma coisa dessas poderia acontecer. Já havia planejado toda a sua vida morando na Inglaterra e agora não fazia ideia de onde estava se metendo.
O moreno abriu os olhos meio sonolento percebendo que havia dormido — por muito tempo por sinal -, o avião pousava vagarosamente, e ao olhar para o lado viu que sua mãe ressonava também.
– Mãe... — sacudiu os ombros dela com calma não conseguindo acordá-la. — Isabella Frost!
– Azul! — exclamou a mulher acordando rapidamente, olhando para os lados confusa.
– O quê? — indagou o moreno, confuso.
– Nada... esquece, estava pensando na próxima linha de vestidos — disse Isabella coçando os olhos. — Já chegamos?
– Sim.
Ao desembarcarem do avião, procuraram um táxi que os levaram para o mais novo lar dos dois. Um pequeno apartamento em uma das áreas de classe média em Nova York. Loki observou o endereço várias vezes, confuso, aquele não podia ser o lugar onde ficariam.
– Mas mãe... a faculdade é muito longe daqui!
– Sinto muito Loki, foi o único lugar que consegui achar, você vai ter de ficar na faculdade.
– Vai me despachar para uma república? — questionou o moreno, indignado.
– Ah, vamos lá! Será divertido! Conhecerá pessoas novas, fará novos amigos...
– Não quero amigos — disse Loki emburrado, indo para seu novo quarto.
Loki ficou o dia todo trancado no quarto, se mudar de país já não estava em seus planos, ter de morar numa república com um bando de americanos desconhecidos muito menos. No dia seguinte já seria seu primeiro dia. Ficou apreensivo pensando se não seria melhor fugir de volta para a Inglaterra, mas com que dinheiro? Ele não tinha um centavo. Não passava de um sustentado pela mãe e Columbia não era barata, ele sabia. Trazer essa decepção para sua mãe não era uma opção, e com pesar, deitou-se em sua cama adormecendo aos poucos. Não iria jantar, não sentia a menor fome.
oOo
O moreno sentiu os pequenos raios de sol baterem contra a janela entreaberta de seu quarto. Sentiu-se um idiota por ter dormido com a roupa do corpo, agora suas pernas doíam por causa da calça jeans que usava. Saiu do quarto adentrando ao banheiro e encontrando sua mãe de toalha enquanto passava uma gilete nas pernas.
– Jesus, mulher! Tranque a porta! — disse Loki tapando os olhos.
– Desculpe! Estou com pressa — disse Isabella terminando. — Pode entrar.
– Eu vou tomar banho, mãe.
– E daí? Não tem nada que eu já não tenha visto, quer que eu conte do dia que você fez cocô em cima de mim quando tinha quatro anos?
– Não! Tudo bem!
– Você era tão fofinho! Estava com um sorrisinho envergonhado e me disse "mãe, quelo fazer totô"...
– Mãe! — exclamou Loki sentindo suas bochechas esquentarem.
– Ok, estou saindo.
O moreno suspirou aliviado. Sua mãe era bem inconveniente, além de ser nova e moderna. Odiava aquilo. Principalmente quando ela lhe buscava na escola quando era um pré-adolescente. Os garotos viviam a secando por ser uma bela mulher de corpo curvilíneo e ele já havia arranjado brigas com muitos por isso.
Depois do banho, Loki se trocou correndo, estava atrasado e a universidade não era perto. Comeu apenas um bolinho e pegando suas malas, saiu de casa dando antes um beijo de despedida em sua mãe.
Pegou um táxi próximo de sua casa e com um longo suspiro derrotado, sentia sua vida sendo arruinada a cada instante que se encontrava mais próximo de Columbia. Aquilo estava errado, ele não deveria estar naquele país, teria tido mais sucesso numa universidade em Londres, disso tinha certeza.
Quando estava prestes a pegar no sono o táxi parou o deixando próximo ao campus. O moreno pagou o taxista, e pegando suas malas, saiu em direção à universidade.
Loki estava perdido, o lugar estava lotado de gente e muitos pareciam tão assustados quanto ele, esses provavelmente deviam ser os calouros assim como ele. Ao longe avistou dois rapazes que pareciam um pouco alterados. Aproximou-se de onde estavam, vendo que muitos faziam o mesmo, e quando pôde ver melhor a cena, percebeu que aquilo era uma briga. Típico.
– Enlouqueceu seu idiota?! Você não é um Aesir! — gritou um rapaz de estatura média, olhos e cabelos castanhos, barba bem desenhada e uma camiseta da banda Black Sabbath. Era estiloso, Loki teve de admitir.
– Eu vou me mudar! Já me decidi! Você é um traidor, Tony... — disse o outro visivelmente nervoso. Era loiro, alguns centímetros maior do que o outro, olhos azuis e vestido com uma simples blusa azul.
– Ótimo, vá confraternizar com o inimigo então — disse o que parecia se chamar Tony chutando a mala do loiro em revolta. — Mas depois não venha pedir para voltar Steve, está tudo acabado. — E se virou à passos largos.
Loki ficou surpreso em já ter presenciado uma briga. Mal havia chegado. Essas pessoas deviam ser loucas e violentas. O moreno não pôde deixar de pensar que com aquele rapaz loiro saindo, sobraria uma vaga na república do outro e já que muitos calouros estavam perdidos ali, era melhor correr atrás dele e garantir um lugar antes que outros o façam. E com esse pensamento, saiu desenfreado empurrando algumas pessoas enquanto passava.
Loki estava exausto da correria, não havia o alcançado pelo que parecia. Deixou-se cair sentado à grama macia do chão recuperando o fôlego, e para sua surpresa, Tony estava ao seu lado sentado à grama de cabeça baixa e com lágrimas nos olhos.
– Olha garoto, sei que sou irresistível, mas não preciso de uma pessoa me admirando nesse momento — disse Tony percebendo o olhar de Loki em cima de si.
– O quê? — disse Loki arqueando a sobrancelha em desdém. Aquele homem era muito egocêntrico. — Não estou te admirando, preciso de um lugar para ficar.
– Ah, está procurando uma república? — indagou Tony secando as lágrimas, levantando-se junto com o outro e o encarando por alguns instantes. — Muito bem. Qual o seu nome?
– Loki.
– Sério? — perguntou Tony repulsivamente.
– Sei que é estranho. Minha mãe curti mitologia nórdica para o meu azar — disse o moreno, entediado. Aquilo era um discurso normal, todos sempre estranhavam seu nome.
– Se encaixaria melhor nos Aesir meu caro, mas agora que aceitaram Steve duvido que caiba mais um lá — disse Tony amargurado.
– Ora, se não é a ex-putinha do Rogers — disse uma voz grossa aproximando-se dos dois.
– Thor — disse Tony fuzilando o loiro a sua frente com fúria.
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