Catch Me
38 Capítulo 38 - Resumption
Notas iniciais
– Ele está demorando, não está? — Comentou Balder referindo-se à seu pai.
– E de quem será a culpa? — Indagou Thor em tom acusatório olhando para Loki.
– Deixe de implicância Thor, seu pai precisava mesmo de um choque de realidade — Disse Frigga.
– Tudo bem Frigga — Disse Loki — Deixe que Thor defenda o opressor, afinal, é ele quem vai acabar se afundando.
– Loki pare — Repreendeu Isabella — Tem que entender que é o pai dele, você não tinha direito de se intrometer.
– Pelo menos alguém me entende — Bufou Thor.
– Ah por favor, Loki foi o herói dessa tarde — Disse Karnilla ainda rindo da expressão de Odin ao ouvir as palavras duras de Loki.
Logo todos à mesa se calaram ao notarem que Odin voltava, mas ele não guardava uma carranca como era esperado, ele levava uma estranha expressão de... Alegria?
Odin sentou-se em seu lugar como se nada tivesse acontecido assustando aos presentes.
– Pai...? O senhor está bem? — Indagou Thor curioso.
– Ótimo — Respondeu Odin encarando ao filho com um olhar sereno e logo para Loki com um olhar mais desafiador — Enquanto estive fora me atrevi a chamar mais alguém a nos acompanhar neste almoço.
– Quem querido? — Indagou Frigga.
– É uma surpresa — Sorriu misterioso.
Loki não gostou do sorriso dele, muito menos do jeito que ele lhe observava. Algo estava para acontecer.
oOo
– Fora! — Gritou Sif sentindo seu corpo tremer de raiva e adrenalina.
– Mas Sif... — Darcy tentou argumentar.
– Se não quiser ser a próxima Darcy, sugiro que fique quieta! — Cortou a morena.
Jane estava de pé diante de Sif e das outras moradoras da república. Sif havia descoberto seu plano com o de Amora para separar Thor de Loki. Ela estava completamente ferrada.
– Minhas coisas... — Disse Jane quase que num sussurro, sua voz estava rouca e meio chorosa.
– Pode pedir para alguém vir buscar depois — Disse Sif duramente — Não quero mais te ver por aqui, arranje outro lugar para ficar.
Jane pegou uma mala na qual estava pronta feita por Natasha que havia sido gentil e arrumado para ela enquanto Sif gritava com a castanha.
A morena havia ficado furiosa pela traição, não só por seu primo Thor, mas por ela mesma que odiava Amora com todas as suas forças. Sif ainda não acreditava que Amora havia aliadas dentro de sua própria casa.
A castanha saiu da república sem ter para onde ir, e desolada, jogou a mala no gramado do Campus sentando em cima dela, encolhendo-se encostando a cabeça entre os joelhos e deixando-se chorar.
oOo
No restaurante Loki, Frigga e Isabella conversavam sobre a escolha de curso de faculdade do moreno enquanto Thor e Balder faziam uma estranha disputa de quem comia o camarão mais rápido. Karnilla e Odin apenas os assistiam entediados.
– Acho que sua convidada te deu o bolo pai — Sorriu Thor triunfante ganhando de Balder mais uma vez.
– Mulheres são vaidosas, sempre atrasam — Disse Odin.
– Estou começando a suspeitar dessa mulher — Disse Frigga fechando a cara — Não é nenhuma amante, espero.
Odin revirou os olhos.
– Não seja tola Frigga, nunca encontrarei esposa melhor.
– Acho bom — Disse a loira.
– Desafio você a tomar o vinho pelo nariz — Disse Thor arqueando a sobrancelha com um sorriso divertido.
– Nem pensar! — Disse Balder.
– Quanta baboseira... — Comentou Loki com um olhar entediado para os dois.
– E você se acha muito esperto, não? — Disse Thor num estranho tom calmo.
– Mais do que você com certeza — Retrucou o menor.
– Vocês discutem mais do que conversam. Tem certeza que já foram um casal? — Disse Balder arqueando a sobrancelha.
– Isso mostra a você Thor que não deve meter-se com homens — Disse Odin.
Thor suspirou cansado desistindo de argumentar algo. O loiro olhou para Loki que se encontrava encarando o copo de vinho a sua frente como se o vidro fosse mais interessante do que o que os outros conversavam.
Loki tentava pôr sua cabeça em ordem. Aquele almoço estava o enlouquecendo. Sua mãe e Frigga conversavam sobre a infância de seus filhos, Odin com certeza pensava em inúmeras maneiras de matá-lo, e quanto a Balder e Karnilla, paqueravam um ao outro lembrando-lhe de sua trágica história amorosa com Thor. O moreno levantou a cabeça vendo que o loiro o fitava deixando-o meio encabulado por não ter percebido. Há quanto tempo ele estava o encarando?
Thor manteu seu olhar por uns segundos até perceber que o olhar de Loki ficava cada vez mais vago e as íris esverdeadas já não olhavam mais para ele e sim encaravam abismadas alguém em algum ponto remoto no restaurante. O loiro virou sua cabeça para procurar quem Loki olhava tomando um susto ao perceber quem era.
Amora vinha em direção a mesa trajada num vestido com pedras brilhantes e esverdeadas, um par de salto preto e os lábios rubros como sempre.
– Minha convidada chegou — Disse Odin levantando-se com um sorriso para recepcioná-la.
– Só pode estar de brincadeira comigo! — Disse Frigga fitando Odin com um olhar de reprovação.
– Bem-vinda — Disse Odin cumprimentando a loira a fazendo sentar-se ao lado de Thor entre o loiro e Balder, o único assento que restava.
– Essa é...? — Dizia Isabella meio atordoada com a presença da loira.
– Sim — Respondeu Loki num tom sombrio.
– O senhor não tinha o direito... — Disse Thor entredentes.
Odin apenas devolveu um olhar indiferente para o filho.
– Muito gentil o seu pai, não? — Disse Amora com um sorriso cínico.
A loira olhou para Loki que agora a fitava com um olhar cheio de fúria. Ela sorriu mais largamente.
– Mãe vamos embora — Disse Loki num tom calmo.
– Sim claro — Concordou Isabella.
– Não, não! — Interrompeu Frigga — Quem aqui certamente tem de sair é Amora.
– De jeito nenhum — Disse a loira desafiadora — Odin me convidou oficialmente como sua nora — Provocou olhando para o moreno.
– Tem um terceiro filho e não me contou a respeito? — Disse Thor sarcástico.
– Tão brincalhão... — Disse Amora acariciando os fios loiros de Thor, mas o maior afastou-se recusando qualquer contato físico com ela.
Loki levantou-se da mesa num impulso, farto daquela situação desagradável, saindo do restaurante à passos ligeiros.
– Loki! — Exclamou Thor levantando-se também.
– Sente-se Thor — Disse Odin firmemente — Agora.
– Você não manda em mim — Disse o loiro saindo correndo dali.
Thor conseguiu alcançar Loki que havia parado em frente ao restaurante com as mãos nos cabelos negros puxando-os em nervosismo.
– É melhor voltar pra sua família — Disse Loki virando as costas para o loiro.
– Desculpe pelo meu pai — Suspirou o loiro — Eu não fazia ideia que ele a chamaria.
– Devia ficar com ela de uma vez — Disse Loki.
– O quê?
– Não é o que você quer? Não estou mais falando da armação que ela fez e sim da sua estupidez em querer agradar seu pai. Toda vez que tenta fazer isso parece que você volta a esconder quem realmente é. Se quer tanto que as coisas voltem ao normal entre você e seu pai fica com ela, e viva a vida que lhe foi planejada.
Thor agarrou o braço de Loki ao notar que ele se afastaria.
– Eu não pretendo ceder às vontades de meu pai do jeito que pensa — Disse firmemente — Eu só... Eu só queria que ele me entendesse.
– Ele nunca vai entender, o máximo que ele pode fazer é desistir e aceitar.
Thor soltou o menor.
– Talvez tenha razão.
– E pense pelo lado bom, seu pai parece ter uma implicância particular comigo. Tente se relacionar com outro, talvez o problema seja eu — Disse Loki sentindo um aperto irritante em sua garganta. Doía dizer aquilo, doía muito.
Thor ficou calado sem saber o que dizer. Apenas ficou encarando Loki enquanto o moreno se afastava dele. O loiro sabia que tinha de fazer alguma coisa, mas ao mesmo tempo ele sentia que já havia feito o suficiente, pelo menos da parte dele.
– Então é isso?! — Exclamou Thor fazendo Loki virar-se para ele já do outro lado da rua — Vai desistir assim?!
Loki franziu a sobrancelha confuso.
– Você já disse não!
– E quantas vezes você já se fez de difícil pra mim?
Loki sorriu numa mescla de felicidade e alívio. O sinal do farol se pôs vermelho e Loki atravessou a rua ficando de frente ao loiro.
– Eu devia te dar uma surra por me fazer sofrer todo esse tempo — Disse o moreno.
– Sério mesmo que você quer discutir sobre quem fez o outro sofrer mais? — Indagou Thor ganhando a disputa imediatamente.
Loki levou suas mãos até o rosto do loiro aproximando-o do seu até que não restasse mais distância entre os lábios que se encontraram delicadamente.
Thor passou sua mão direita em volta da cintura do menor pressionando-o mais contra si.
O moreno mordeu o lábio inferior do loiro levemente para depois prosseguir com o beijo lento e proveitoso. Quando os lábios se separaram os dois sorriram encostando suas testas uma na outra aspirando o mesmo ar, sentindo o cheiro um do outro por uns instantes.
– Nunca mais me deixe ir — Disse Loki afundando seu rosto na curva do pescoço do loiro num abraço.
Thor o envolveu contra si beijando o topo da cabeça do menor.
– Não vou — Sorriu o loiro.
– Ali! — Disse Isabella apontando onde Thor e Loki estavam.
Frigga vinha logo atrás da morena tão preocupada quanto Isabella à respeito deles, mas ao verem os dois abraçados as duas apenas sorriram aliviadas.
– Até que enfim — Suspirou Frigga — Já estava achando que não teria mais volta.
– Eu não duvidei desses dois nem por um minuto — Disse Isabella.
oOo
Ryan encontrava-se com as mãos na boca tentando segurar uma gargalhada.
Tony estava atordoado, andando para lá e para cá em seu quarto desde que recebera uma ligação de seu pai que dizia ir visitá-lo naquele sábado.
– Para de rir! — Exclamou o moreno jogando um travesseiro com força no peito de Ryan.
Ryan o segurou com facilidade antes que o impacto lhe atingisse.
– Você faz uma tempestade num copo d'água Tony.
– Você não conhece meu pai! Ele só vem quando eu realmente faço algo sério, mas eu não me lembro de ter feito algo ruim. Já faz um ano que eu não mando o reitor ir tomar naquele lugar.
– Você já xingou o reitor? — Indagou Ryan boquiaberto.
– E isso me custou um mês lavando o refeitório e um sermão do meu pai.
– Não imagino seu pai sendo o tipo que dá sermões — Disse Ryan pensativo.
– E ele não é. Ele sempre joga baixo e começa a falar da minha mãe.
Ryan sabia que a mãe de Tony já havia falecido. Havia saído em todos os noticiários na época.
– Deve ser um saco.
– E é — Suspirou o moreno.
– O jeito é esperarmos pra ver no que dá.
– Esperarmos... — Repetiu Tony — Ryan! Você!
– Eu...?
– Jarvis! — Exclamou o moreno alarmado.
– Senhor? — Disse a voz robótica.
– Droga, seu traidor... — Resmungou Tony digitando vários comandos em Jarvis vendo ter sido invadido — Jarvis foi rastreado há uma semana, eu não dei atenção por que podia ser um daqueles caras da nossa sala que se dizem mais nerds que eu, eles já tentaram várias vezes provar que são melhores, mas nunca conseguem, porém pelo que parece não eram eles. Meu pai hackeou o sistema.
– Viu? No final quem trabalha pro seu pai é a sua própria criação — Debochou o loiro — Mas o que eu tenho a ver?
– Com Jarvis dando informações à ele o motivo da vinda dele é claramente você.
– Tony! — Chamou a voz Bruce vindo do andar debaixo — Seu pai chegou!
– Quer que eu saia pela janela?
– Provavelmente a república está cercada por seguranças então eu sugiro que fomos pegos, mas é melhor ficar calado por precaução.
Ryan revirou os olhos saindo do quarto logo atrás de Tony. Os dois desceram às escadas rapidamente encontrando de pé Howard Stark. Ele vestia um terno cinza com uma gravata preta, um óculos escuro na cor preta e possuía penas um bigode semelhante ao do filho. Ryan sentia-se meio eufórico estando tão perto dele, afinal, era um sonho de infância conhecê-lo.
– Tony — Disse Howard dando leves tapinhas no ombro do filho — Você cresceu?
– Não — Respondeu o moreno secamente.
– Ah qual é, ao menos finja que está feliz por me ver.
– Hackeou o meu robô — Disse Tony em tom acusatório.
– Chama aquilo de robô? É apenas um computador falante. Ainda tem muito o que aprender...
– Não interessa, não tinha o direito de fazer isso com o Jarvis. Não tem nada melhor pra fazer não?
Howard revirou os olhos.
– Tem o temperamento da sua mãe.
Tony olhou para Ryan como quem dissesse "Não disse?".
Howard acompanhou o olhar do filho botando enfim os seus olhos no loiro ao lado dele.
– E você deve ser o garoto.
– Muito prazer senhor Stark — Disse o loiro estendendo sua mão — Ryan Lachlan.
Howard apenas observou a mão por alguns instantes ignorando o gesto.
– O que aconteceu com o Rogers? — Indagou Howard com divertimento em sua voz.
– Acabou — Respondeu Tony com indiferença.
– Que pena — Disse Howard num sofrimento fingido — Lembre-me de comprar um sutiã pra esse aqui agora — Zombou.
Tony já havia dito para Ryan que seu pai não gostava muito de sua homossexualidade, então o loiro resolveu relevar, apesar de na sua opinião Howard estar se comportando feito uma criança. Devia ser de família o sarcasmo nas palavras.
– Já terminou sua visita? — Disse Tony impaciente.
– Vamos com calma, quero conhecer seu novo... Namorado — Howard disse a última palavra com certo desprezo.
– Não somos namorados — Disseram em uníssono.
– A não? — Indagou confuso — E são o quê?
– Isso não te interessa pai.
– Ah vamos lá Tony, não dificulte às coisas, depois que sua mãe morreu.
..
– Vai começar — Suspirou o moreno.
– ...Ela fazia esse papel muito melhor, você sabe que eu não levo jeito pra isso.
– Quer mesmo saber? Então eu vou contar, Ryan e eu apenas dormimos juntos, estamos ficando e dessa vez sou eu quem dou minha bun-
Tony foi interrompido por Ryan que achava toda aquela situação um tanto desconfortável.
– Ainda não estamos namorando senhor, mas um dia isso irá acontecer e devo ressaltar que eu sou um admirador do seu trabalho desde pequeno.
Howard arqueou a sobrancelha analisando o loiro.
– Ele não está puxando seu saco, ele faz engenharia física e é um coitado que acredita em você e em seus projetos "revolucionários" — Disse Tony com uma voz entediada.
– Parece que escolheu bem dessa vez — Disse Howard um pouco mais interessado — Diga-me Ryan, o que mais lhe fascinou no meu trabalho? — Howard pôs seu braço em volta dos ombros do loiro.
– Tantas coisas! O senhor é o maior gênio que eu já vi, mas tem um projeto seu que realmente me fascinou...
Tony observava chocado seu pai e Ryan saindo da república juntos conversando como se fossem amigos. O moreno só não sabia dizer se isso era bom ou ruim.
– Eu mereço... — Suspirou Tony seguindo os dois.
oOo
Ainda no restaurante, Frigga e Isabella haviam insistido para que o casal voltasse, porém Odin e Amora não haviam gostado nada da nova condição deles.
– Isso é um absurdo! — Disse Odin enfurecido.
– Absurdo é você não apoiar seu próprio filho e trazer essa daí pra cá! — Disse Frigga no mesmo tom de voz dele.
– Só viemos para anunciar que voltamos a namorar — Disse Thor — Mas já vamos mãe, não dá pra ocupar o mesmo espaço que essa mulher — Disse olhando para Amora.
– Vai aceitá-lo de volta Loki? Mesmo depois da traição? — Alfinetou Amora.
– Chega de mentiras Amora, eu sei de toda a verdade, e dessa vez eu acreditei por que foi você mesma quem disse.
Thor franziu o cenho confuso.
– Não entendo — Disse a loira tão confusa quanto Thor.
– Você sabe sim, numa tarde você desabafou suas mentiras com um amigo, que felizmente também é meu amigo.
Amora levantou-se da mesa pensando em Tony na mesma hora. Maldito.
– E também tive Jane à meu favor — Loki deu um sorriso cínico para a loira que cerrava os punhos furiosa.
– Vocês me pagam. Todos vocês — Sussurrou a loira esbarrando seu ombro contra o de Loki ao sair do local.
Amora sentia-se uma burra, uma completa imbecil por ter confiado seu plano a Tony. Ah, mas ele a pagaria, ela ainda tinha uma carta na manga contra ele.
Fale com o autor