Catch Me
23 Capítulo 23 - A New Beginning
Notas iniciais
Steve entrava no hospital às pressas temeroso de que estivesse atrasado, mas por sorte Bucky e os outros estagiários ainda estavam na recepção decidindo quais salas as duplas iriam dessa vez, o loiro pôde respirar aliviado finalmente. Quanto ao motivo de seu atraso, bem, ele tinha de esclarecer de vez as coisas com Stark que resultou numa séria conversa que o fez se atrasar.
"Steve saía da faculdade tranquilamente, olhou no relógio vendo serem 18:00. Apesar da faculdade de medicina ser em horário integral o loiro sempre ficava mais um pouco perdido em suas leituras. Ele colocou um livro de volta na mochila distraído com o caminho que seguia fazendo com que consequentemente esbarrasse em alguém pelo Campus.
– Não olha por onde anda?! — Vociferou uma voz irritada. Uma voz masculina que Steve reconheceu na mesma hora.
Os olhares se encontraram no mesmo instante incertos se faziam algo ou simplesmente ignoravam um ao outro.
– Desculpe Tony — Disse Steve.
– É meio tarde pra isso, não? — Indagou o moreno arqueando a sobrancelha.
– Estou falando do empurrão — Disse o loiro secamente.
Tony cerrou os punhos, Steve parecia mudado.
– Não tem mais nada à dizer?
– Na verdade sim, espero que tenha entendido o que eu quis dizer no telefone.
Tony olhou para o loiro inconformado, ele estava sendo rudimente grosseiro.
– Então é isso? Acabou? — Perguntou Stark diminuindo o tom de sua voz num gesto submisso, dependente. Ele queria que Steve dissesse que não, ele implorava para que o loiro lhe beijasse naquele momento.
– Antes que eu lhe diga me responda uma pergunta — Disse Steve num tom sério — Se voltássemos agora o que teria de dizer ao Bruce depois? Seja sincero.
– Que tipo de pergunta é essa? — Indagou Tony sentindo-se pressionado, encurralado.
– Me responda Tony.
Tony suspirou frustrado, ele estava perdido.
– Eu teria que dizer à ele que eu não vou mais tentar algo com ele — Disse o moreno abaixando a cabeça envergonhado.
– Eu sabia — Disse o loiro dando um sorriso fraco — Você não perde tempo mesmo.
– Mas Steve, eu...
– Você o quê? Me ama? Que tipo de amor é esse Stark?! — Questionava o loiro aumentando o tom de sua voz.
– Eu estou confuso! Mas eu ainda te amo!
– Está mentindo! — Vociferou Steve.
– Estou? E você? O que tem com o doutorzinho, hein?
– O quê?
– É isso mesmo!
– Está falando do Bucky?
– Sim, e não me venha com "ele é meu melhor amigo" porque Bruce também é o meu.
– Quer saber? Isso não te diz respeito mais, o que eu faço com o Bucky é problema meu.
Tony ficou boquiaberto com as palavras do loiro.
– Seu...
– E eu não quero mais ouvir! — Disse Steve fechando os olhos com pesar. O que ele diria a seguir seria o ponto final de seu relacionamento — Não existe mais nada entre nós. Acabou Tony.
Stark ficou paralisado, imóvel. Sentiu como se o concreto do chão o prendesse, como se não tivesse mais forças para nada.
– Steve, espera — Disse o moreno segurando o braço do loiro que parou na mesma hora.
Tony pôs-se à frente de Steve próximo o suficiente para que ele pudesse pressionar seus lábios aos do loiro. Um último beijo.
Steve não recusou, na verdade não moveu um músculo. Tony se afastou dele com pesar saindo do caminho do loiro e tomando seu curso. Ele não iria implorar para que Steve voltasse, afinal, no fundo ele o entendia."
– O que aconteceu com você hoje? — Indagou Bucky adentrando à sala junto do loiro.
– Fui resolver um assunto.
– E esse assunto começa com "Tony" e termina com "Stark"? — Perguntou o moreno interessado no assunto.
– Terminei com ele de vez.
Bucky encarou Steve por alguns segundos, ele não parecia triste, e o normal seria o loiro se debulhar em lágrimas ou ficar calado a noite toda por isso.
– E você me diz isso assim? Não parece chateado.
– Eu estou aliviado Bucky, me sinto mais livre, leve... Claro, estou triste, eu realmente sentia que poderia ter um futuro com ele, mas sair desse triângulo me libertou.
– Bem-vindo de volta à vida de solteiro — Riu Bucky começando a organizar uns papéis — Mas lembre-se, não é sempre um mar de rosas.
– O que quer dizer? — Indagou Steve curioso.
– Sexo.
O loiro riu assentindo em concordância. Sentiria falta, muita falta do sexo, afinal ele era homem também, necessitava daquilo.
– Obrigado por me lembrar — Disse num tom sarcástico.
– Digo isso por que você é todo certinho. Não é necessário estar namorando pra transar Steve.
– E por acaso você tem alguma sugestão? — Indagou o loiro arqueando a sobrancelha. Sabia que pegaria o moreno naquela já que ele não mais gostava de mulheres.
– Ok, fui pego, não tenho amigos gays para te apresentar — Disse Bucky num tom divertido, porém imagens perturbadoras vinham em sua mente. Uma simples curiosidade de como seria transar com um cara, especificamente com Steve. Afinal, se até Frandal Aesir parecia sucumbir à tentação, o que de tão maravilhoso o homem tinha afinal? O moreno passou a ter essa curiosidade depois de perceber que o número de homossexuais parecia aumentar naquela universidade.
Steve fez uma careta continuando a fazer seu serviço, organizar os papéis, era a sala mais chata e entediante que haviam pegado.
– Mais e então, como vai a sua vida? — Perguntou Steve sem assunto, estava demasiado incomodado com o silêncio repentino.
– Fico o tempo todo estudando e de noite faço estágio, conhece? — Disse o moreno sarcasticamente — Mas se está falando de relações amorosas estou na seca.
– Sério? — Riu o loiro incrédulo. Bucky não era um pegador compulsivo assim como Tony, mas ele sempre aparecia com várias amigas de repente.
– Com essa vida corrida, só quero saber de dormir nos fins de semana.
– Estranho ouvir isso de você — Comentou o loiro sorrindo divertido.
– Pois é, invertemos os papéis — Disse Bucky — Depois que você ficou todo bonitão as mulheres olham mais pra você, apesar de você não gostar delas.
Steve ainda se lembrava de sua infância e adolescência, quando ele era apenas um garoto magricelo à quem sofria bullying por ser o mais baixo dos garotos e que era protegido por Bucky que na época era maior e mais robusto que ele. O loiro não gostava do físico que tinha e muito menos de ser sempre salvo por Bucky, então decidido entrara numa academia e se alimentara com mais frequência mudando total e drasticamente seu físico o deixando no mesmo nível que Bucky e até um pouco maior.
– Pois é, mas pelo menos ser forte serve para algo, tipo lidar com os homofóbicos que simplesmente não sabem conversar.
– Steve... — Disse o moreno num tom receoso e ao mesmo tempo muito curioso — Me diga sinceramente... O que você vê nos homens? Quer dizer... Qual a diferença afinal?
O loiro arqueou a sobrancelha surpreso com a curiosidade de Bucky. Será que seria muita ousadia que ele tentasse algo naquele momento? De qualquer maneira se Bucky achasse estranho ele poderia fingir estar brincando. Steve sorriu um pouco animado em poder tirar as dúvidas dele.
– Bem, explicar fica meio difícil Bucky — Disse Steve quase que inocentemente chegando perto do moreno que dava um passo para trás a cada vez que o loiro se aproximava.
Steve pôde perceber o nervosismo estampado em Bucky. Ele parecia ofegante e seus lábios semiabertos lhe eram como um convite à um beijo.
– Quer mesmo saber? — Indagou o loiro encurralando o moreno que sentiu a parede atrás de si o impedir de prosseguir. Ele estava encurralado.
Bucky esperava que à qualquer momento Steve riria de sua cara zombando do quanto ele parecia nervoso, mas esse momento não chegava. Steve permanecia esperando por sua resposta e ele sentia seu corpo demonstrar uma curiosidade imensa o fazendo chegar ao ponto de acenar a cabeça positivamente.
Steve umideceu os lábios enquanto olhava os de Bucky, tão avermelhados e convidativos. Como não havia os notado antes? O loiro pensou em Tony, na insinuação que ele havia feito sobre Bucky, ele havia respondido como se realmente tivessem tido algo, mas não era verdade. Mas por quê não afinal?
Bucky fechou os olhos quando sentiu Steve se aproximar ainda mais selando seus lábios aos dele timidamente à princípio. O moreno enlaçou a cintura do loiro meio desajeitado enquanto Steve desabotoava seu jaleco passeando com a mão em seu abdômen por baixo da camiseta que vestia, tentando ao máximo buscar um pouco de pele. Bucky não sabia explicar ao certo como era a sensação. Era forte, diferente, era masculina, porém era ótima.
Steve aprofundou o beijo mordiscando os lábios de Bucky com voracidade até deixá-los um pouco inchados e vermelhos. Bucky gemeu por instinto gostando das sensações proporcionadas. Era completamente fora do comum estar aos amassos com Steve Rogers em pleno hospital. Os dois infelizmente se afastaram imediatamente ao ouvirem o barulho de alguém batendo na porta. Bucky abotoou seu jaleco rapidamente enquanto Steve ia atender a porta.
– Sr. Rogers, apenas vim ver como estão as coisas, estão dando conta? — Indagou o Dr. Rand — Esta sala costuma ser a mais difícil para os estagiários.
– Está tudo bem — Assentiu Steve meio nervoso — Não é?
– Claro, estamos quase terminando, faltam algumas análises para garantir se está tudo certo — Disse Bucky indiferente. Ele era bom em disfarçar ao contrário de Steve.
– Muito bem então, os deixarei terminarem. Com licença — Disse o doutor se retirando.
Steve ao fechar a porta suspirou aliviado enquanto Bucky segurava uma gargalhada.
– Você fica muito nervoso sob pressão, é bom nunca tentar se tornar um cirurgião — Zombou o moreno rindo da expressão do loiro.
– Muito engraçado... — Disse Steve dando um falso sorriso — Tem noção do quão vergonhoso seria se nos pegassem?
Os dois ficaram um pouco contrangidos ao notarem a situação na qual estavam, mas não podiam apagar o que aconteceu, nem queriam. Ambos haviam aproveitado.
– Respondi sua pergunta ou ainda tem suas dúvidas? — Perguntou Steve com um sorriso travesso nos lábios.
– Ainda tenho minhas dúvidas — Disse Bucky com um sorriso de canto dando a deixa para que Steve lhe tomasse os lábios mais uma vez.
oOo
Tony estava em seu quarto, como sempre, terminando um trabalho da faculdade. O trabalho era construir algo bem simples, nada tão extravagante, mas como Tony sentia-se extremamente sozinho nos dias que se seguiam resolveu construir algo que lhe fosse útil, pelo menos naquele momento.
– Tony...? — Indagou Bruce batendo na porta e abrindo-a encontrando uma bagunça no quarto.
Haviam várias ferramentas jogadas pelo quarto, vários pedaços de sucata e várias anotações também.
– O que está fazendo? Construindo um foguete? — Ironizou o moreno.
– Não — Disse Tony animadamente — Sabe, depois que eu levei um pé na bunda do Steve achei melhor me concentrar no trabalho da faculdade, vou tirar a maior nota Bruce! Conheça o Jarvis!
– Jarvis? — Questionou Bruce confuso enquanto olhava para o computador à sua frente.
– Boa tarde senhor Banner — Disse uma voz robótica saindo do computador. Bruce arregalou os olhos surpreso.
– Mais o quê...? Como?
– Está falando com o maior gênio da engenharia física — Gabou-se Tony.
– Eu receio que não, senhor — Disse Jarvis — Antes do senhor vem Albert Einstein, Louis Pasteur, Nikolas Tesla, Thomas Edison...
– Cale a boca Jarvis — Bufou Tony.
– Receio que isso também não seja possível, já que eu não possuo uma boca.
– Ótimo, eu criei um comediante — Disse Tony revirando os olhos enquanto Bruce gargalhava da situação.
– Você é um bobo Tony.
– Ah sou é? — Disse Stark aproximando-se perigosamente de Bruce que o parou imediatamente — Algum problema?
– Tony eu... Eu não tenho certeza ainda, mas eu acho que... Eu posso estar apaixonado pelo...
– Nem termina, já sei o que vai dizer e eu não estou afim de ouvir mais outro fora.
– Somos amigos Tony, isso nunca vai mudar.
– Eu sei — Suspirou Stark — Eu só queria saber quando será a minha vez. Já reparou que está todo mundo se envolvendo com alguém? Acho que até o Loki está de rolo com algum rapaz, Clint está com a Tasha, até o Ian com a tal da Darcy. E eu aqui, sozinho.
– Não está sozinho Tony — Disse Bruce segurando o ombro do amigo em solidariedade — Você tem à mim. Será que pode ter à mim sem precisar me levar pra cama?
– Nem um beijinho? — Perguntou o moreno fazendo bico.
– Nem um beijinho — Riu Bruce — Só me prometa, por favor, não se envolver com a Amora.
– Ainda com isso Bruce? Que implicância com ela...
– É sério Tony, sabe que eu não implico com ninguém, se eu não gosto dela algum motivo tem. Ela é problema Tony, fica longe dela.
Tony bufou revirando os olhos. Bruce sempre dizia isso quando ele ficava um tempo com Amora. Ele apenas assentiu para que o moreno não lhe infortunasse mais com o assunto e ficou calado.
"O que Amora tinha de tão grave afinal?" Pensou balançando a cabeça em negação. Era só implicância de Bruce.
oOo
– Loki... — Sussurrou uma voz vindo detrás do moreno.
– Que susto! — Disse o menor respirando fundo, era Thor.
Loki se encontrava na biblioteca da universidade pesquisando um novo trabalho. Àquela hora muitos alunos estavam em atividades extracurriculares fazendo com que a biblioteca fosse só sua, coisa rara de se ver.
– O que está fazendo mofando aqui? Vai tomar um sol, está pálido — Disse o loiro roubando o livro que o moreno lia.
– Me devolve!
– E o que eu ganho em troca?
– Thor... Estamos numa biblioteca — Suspirou o moreno.
– E você acha que eu ligo? — Indagou o loiro levantando-se com o livro.
Loki foi obrigado a levantar também o seguindo até o fim de um dos corredores da biblioteca.
Thor o puxou pela cintura mordendo o lóbulo da orelha do moreno que fechou os olhos extasiado. O loiro o beijou encostando-o contra uma prateleira enquanto apertava com firmeza as nádegas de Loki.
– Thor! — Alertou o moreno ouvindo um livro cair do outro lado do corredor.
– Shh, seu estraga prazeres — Resmungou o loiro distribuindo beijos pelo pescoço, bochecha e boca do moreno — Tenho uma proposta à fazer.
– Que tipo de proposta? — Indagou Loki curioso enquanto sentia as mãos do loiro tocarem suas costas por debaixo da blusa.
Thor parou com os carinhos retirando de seu bolso um colar. Colar este que parecia familiar ao moreno.
– Quero que fique com ele — Disse Thor timidamente.
Loki sorriu observando o colar com o pingente do Mjölnir, o mesmo colar que havia visto no quarto do loiro no dia em que havia se entregado à ele.
– Mas antes de aceitar, preciso fazer a proposta — Disse o loiro misteriosamente.
– Diga logo, estou curioso — Disse o moreno aflito.
– Loki, eu... Você... Nós...
– Sim...? — Dizia o moreno o ajudando a dizer de uma vez.
– Você aceita namorar comigo?
Loki sorriu como à um suspiro, um alívio. É claro que já pensara no dia em que Thor o pedisse em namoro, mas não passavam de sonhos, possibilidades. Ouvir aquelas palavras, sentir que eram reais era completamente diferente.
– É claro que eu aceito Thor — Disse o moreno dando um selinho no loiro que o apertou contra seu corpo num abraço forte.
Thor virou o moreno de costas colocando o colar nele e depois dando um beijo em seu pescoço. Loki virou-se enlaçando o pescoço do loiro com as mãos e dando-lhe um beijo com desejo e volúpia. Thor ficou inquieto sentindo os resultados daquele simples beijo no meio de suas pernas o parando no mesmo instante.
– Chega, antes que eu te estupre nessa biblioteca — Disse Thor.
– Não seria capaz — Disse o moreno.
– Está me desafiando? — Indagou o loiro arqueando a sobrancelha.
Em resposta, Loki se desvencilhou de Thor aproveitando para pegar seu livro e sair correndo da biblioteca.
– Ei, seu trapaceiro! — Dizia o loiro correndo atrás do moreno.
oOo
– Indústrias Aesir, com quem falo?
– Amora Enchantress, diga quem sou ao seu chefe e tenho certeza de que ele me atenderá — Disse a loira pelo celular.
Uns minutos se passaram e Amora ficava impaciente esperando por respostas.
– Amora? — Indagou uma voz grossa, autoritária. A loira sorriu triunfante.
– Alô, senhor Odin? Tenho algumas informações sobre seu filho... — Disse num tom falso de preocupação.
– O que ele fez desta vez? — Indagou Odin com a voz cansada agora.
– A pergunta é com quem ele fez — Disse Amora maldosamente.
Odin Aesir era na opinião de Thor uma bomba-relógio, sempre prestes a explodir, e quando a explosão ocorre coisas terríveis acontecem.
Fale com o autor