Catavento

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Adianto que este capítulo está repleto de erros. Não o revisei devidamente e histórias grandes tendem a ter mais alguns errinhos de concordância, coerência e sintaxe. Mas suponho que tenha dado para entender alguma coisa - tem que ter dado.

Sem mais delongas, vamos a fic!

Boa leitura!

Após a batalha em Enies Lobby, Nami foi presenteada por Chimney com um delicado catavento. Três pedaços de papel de tonalidade vistosa constituía a hélice, ligada a um fragmento de madeira extensa e tênue conforme um canudo. A navegadora recebeu ternamente aquela demonstração de afeto, visto que o objeto lhe proporcionava lembranças inolvidáveis de sua infância ao lado de Bellemere e Gen-san. Embora danificado, o fascínio que este proporcionava na ruiva extinguia qualquer defeito que detinha. Nami passava minutos gloriosos sentindo o vento gerado pelo rodar da hélice em sua face, desgrenhando suas madeixas ruivas e a transportando momentaneamente para o passado. Franky e Usopp se prontificaram auxiliá-la no reparo, mas ela recusou, alegando que''o danificariam ainda mais''.

Conforme rumavam em direção a Ilha de inverno, o catavento deteriorava-se devido ao vento gélido. Constatando esse incidente, Nami aceitou ajuda do ciborgue da tripulação. Franky estudou a simplória ventoinha minuciosamente, deixando a navegadora apreensiva por uma resposta positiva. O mecânico suspirou pesadamente, passando as mãos por sua face, a fim de secar as lágrimas que brotavam de seus olhos. Todo processo melancólico para revelar que não tinha como restaurá-lo.

Nami ficara aflita. O único instrumento que lhe fornecia recordações de sua família, estava prestes cessar com o funcionamento. Não poderia permitir que a hélice se danificasse mais! Porém, se Franky não pôde fazer algo...quem mais poderia?A solução plausível nessa condição lastimável, era conformar-se com a perda do objeto amado. Afinal, sempre foi assim.

A tripulação abalou-se em relação a angústia de Nami, que não manifestava disposição por absolutamente nada. Até mesmo quando Luffy direcionava o navio para direção errada -convicto de que estava concretizando o correto– ela não o advertia, apenas contemplava tristonha seu catavento multicolorido. Sanji cozinhava quitutes esplendorosos e saborosos para agradá-la, porém sem sucesso. Usopp e Chopper realizavam caretas peculiares perante a dancinha exacerbada de Franky, e a ruiva não os via, tampouco se prontificava. Decerto, seus nakamas tentavam ajudá-la de diversas formas: ora realizando acrobacias para impressioná-la, ora depositando alguns colares de esmeraldas em seu quarto. Esforços que não obtiveram nenhum resultado.

A única pessoa que aparentemente não se incomodava com as lágrimas dela, era a mesma que se remoía internamente.

Zoro.

Era desgastante presenciar aquela navegadora irritante não elaborar dívidas por nada, não ouvi-la berrar insanamente e não apreciar aquele sorriso exibicionista e maquiavélico. Desolador contemplar as lágrimas caindo de seus olhos cintilantes, desaguando sobre sua face terna e ele sem poder cessá-las. Diante a situação aparentemente reversível, o espadachim decidiu por tomar alguma atitude.

xx

No calar da noite gélida, Zoro aguardou todos os tripulantes se retirarem em direção a seus respectivos quartos. Esperou por horas até ter a confirmação de que todos já adormeciam. Quando esta ocorreu, dirigiu-se até o aposento de Nami e Robin, adentrando neste.

Certificou se as mesmas dormiam de fato, estudando os cantos do cômodo a procura do maldito objeto. Avistou-o de longe, estava próximo ao perigo. Rumou sorrateiramente em direção a mesinha ao lado da cama da ruiva, percorrendo todo o trajeto cautelosamente. O Roronoa sentiu a navegadora mover sobre a cama murmurando palavras estranhas, e imediatamente seu corpo congelou. Afinal, ele compreendia excelentemente o que provavelmente Nami faria consigo, caso o flagrasse no quarto pela madrugada no intuito de''furtar''seu amado catavento.

Aproveitou que essa inquietação momentânea havia sido apenas um alarme falso e apanhou o catavento, retirando-se do quarto imediatamente, prevenindo outro momento de pânico causado pelo sono pesado da navegadora.

Rumou em direção a oficina do Franky, segurando cuidadosamente o objeto. Percorreu o ambiente com o olhar. Nunca havia reparado o quão desasseado era esse cômodo do navio! Resquícios de alimentos sobre o chão, revistas para maiores -que provavelmente pertenciam a Sanji– jogadas sobre mesa central, as paredes brancas emporcalhadas de graxa, ou seja, uma desordem nunca vista pelo espadachim. Contemplou os diversos guias e manuais contidos na prateleira diminuta, ao lado de diversas ferramentas amontoadas ao chão. Concluiu, que para reparar o frágil objeto não seria necessário utensílios complexos. Assim, selecionou o martelo, o alicate e a cola.

Depositou o catavento sobre a mesa juntamente com o equipamento escolhido. Estudou atentamente o defeito do maldito: uma das pás feita de papel, ia desgastando-se e se desprendendo do centro da hélice.

Não seria tão árduo consertá-lo.

Fitava as ferramentas e o catavento na mesma fracão de segundos. Segurou o martelo, encarando-o.''Será que devo usá-lo?'',pensava receoso. Segurou a ferramenta em sua mão, selecionando pregos contidos no interior de uma caixinha. Posicionou-o entre a hélice e o papel, martelando-os fortemente e estridentemente no processo.

Zoro era uma pessoa exaltada e nenhum pouco sutil. Era capaz de matar criaturas inocentes e beber sangue de algum animal morto ao léu, caso estivesse faminto. Devido a essa sua personalidade brutal, nunca compreenderia a fragilidade de uma folha de papel.

Aquilo de fato não foi a decisão mais coerente que deteve na madrugada. Notou o rasgar mais profundo na hélice, devido a brutalidade do processo. Praguejou enfurecido, pois havia danificado ainda mais aquele catavento.

Depositou o martelo sobre a mesa, insultando tudo ao seu redor. Afinal, como explicaria para Nami que o catavento havia se fragmentado ainda mais?

– Bruxa maldita! Até sem fazer nada consegue me tirar do sério!

Destampou o frasco no qual estava contida a cola. Devido a rispidez na qual retirara a tampa, uma grande porcão do fragmento jorrara em sua face. O Roronoa passava a mão desesperadamente em sua face a fim de limpá-la. A veia saltitava em sua têmpora, e seu coração pulsava aceleradamente devido ao seu agudo aborrecimento. Justo quando optou por realizar uma boa ação para recuperar o sorriso daquela navegadora maldita, as situações parecem conspirar contra si.

O pigmento brando e pegajoso insistia em permanecer cobrindo seu rosto, prejudicando sua visão. Após algumas tentativas desesperadoras, do tipo: tentar lamber a cola próxima a seus lábios e passar um pano sujo de graxa preta pela face, -deixando-a imunda, agravando ainda mais seu mal-humor– Zoro por fim retirou a quantidade de cola esparramada em seus olhos, nariz e boca.

Decidiu em retornar sua atenção ao trabalho. Momentaneamente cogitou a possibilidade de cessar o conserto, visto que o catavento danificava-se a medida que realizava alguma''melhora''.

Ele não se reconhecia.

Não costumava desistir de seus objetivos facilmente, ainda mais quando este se tratavadela. Envolver-se com Nami já costumava ser uma dor de cabeça, com seus problemas então... era praticamente suicídio. Porém, apenas de idealizar devolver o sorriso aos lábios dela, seu coração acalmava. Se ela o esganaria devido a situação degradante do catavento? Não importa. Zoro apenas almejava vê-la bem, distribuindo ordens e voltando sua atenção para ele.

– AI!

O pigarreio veio acompanhado de uma dor indescritível acima de seus pés. Titubeou sobre o chão, agarrando-se a mesa e certificando acerca do ocorrido: o martelo havia despencando no piso. Mais especificamente sobre seus pés. A dor exorbitante, fê-lo murmurar palavreados exaltados e atirar a primeira coisa que havia sobre a mesa contra a parede: o catavento.

Levou as mãos as cabeça, deixando escapar um berro aterrorizador. Não havia percebido o que havia apanhado e atirado fortemente. Pensou que fosse a chave de fenda, uma serra, mas em hipótese nenhuma o catavento!

Esse objeto definitivamente o estava enlouquecendo. Assim como sua dona costumava fazer.

xx

A luz solar adentrava no aposento feminino, iluminando a face da ruiva adormecida. Nami girou seu corpo para o lado oposto, tentando livrar-se do incômodo proporcionado pela claridade.

Droga!Não conseguia mais retornar ao seu sonho de nenhuma maneira, visto que já havia passado do horário de se levantar.

Bocejou estridentemente depositando lentamente seus pés em sua pantufa de corujinha. Notou que Robin já havia levantado e arrumado sua cama -como era de praxe. Rumou em direção ao banheiro do cômodo no intuito de exercer sua rotina matinal: escovar os dentes, pentear delicadamente suas madeixas ruivas e pôr uma roupa simples e confortável. Retirou de seucloseta blusa rosada acompanhada de uma saia curta. Vestiu-se em minutos, sentindo-se preparada pela manhã ensolarada que lhe aguardava.

Abriu desatenciosa a porta de seu quarto, titubeando sobre o chão devido a algo espalhado no mesmo. Esbravejou por sua queda, a qual provavelmente foi ocasionada por Luffy, afinal, ele detém o hábito irreversível de largar objetos disseminados pelos corredores no navio.

– Aquele idiota me paga... — planejou maquiavélica espremendo seus punhos. — Espera... — sibilou pensativa, ao identificar que o instrumento jogado ao chão lhe era conhecido.

O Catavento.

Aparentava ter passado por alguma tormenta durante a madrugada. Seu corpo pegajoso -devido ao pigmento branco que fora utilizado no ''ajuste'' deste– composto por madeira, estava remendado por fita isolante de cor preta, equiparando-se a uma faixa de censura. A folha de papel, que anteriormente era colorida, havia sido substituída por uma de caderno, -contendoalguns esboços desenhados por Luffy– grudada a hélice através de goma de mascar.

A navegadora apanhou o catavento, questionando-se de que maneira ele havia parado defronte a porta de seu quarto. Quem havia o deixado naquele ambiente exposto e vulnerável? E como ele havia ficado mais danificado em tempo tão escasso?

Atordoada, cogitou que esse transtorno poderia ter sido ocasionado pela arqueóloga, numa tentativa de ajudá-la. Franky e Usopp também eram fortes candidatos de provocarem esse estrago na ventoinha. Sanji era outro suspeito que pairava na mente da navegadora, visto que ficara demasiado alarmado com a melancolia dela perante a situação do catavento.

Nami levou o objeto mais próximo de sua face, sanando ligeiramente suas dúvidas. Notou que o aroma impregnado ao mesmo não pertencia a nenhum dos nakamas pensado.Não mesmo!O Odor que emanava do catavento, poderia ser classificado como mistura de sakê, vinho ou rum...Zoro.

O sangue quente dominou o corpo da ruiva, percorrendo seu trajeto rumo a cabeça, afervorando seu íntimo. Seu coração pulsava ritmizando freneticamente, na mesma frequência que pressionaria a cabeça do espadachim contra a parede. Dava-lhe prazer apenas idealizar aquele patife clamando de dor e suplicando por perdão. Deixaria-o deteriorado equiparadamente ao seu catavento!

Passado alguns minutos mirando decepcionadamente o objeto, soprou-o levemente surpreendendo-se com o presenciado: a hélice do mesmo girou fortemente, proporcionando uma brisa forte capaz de bagunçar os fios ruivos da navegadora e fazê-la exibir um sorrido encantador como de uma criança. Decerto, o aspecto dele era desanimador: remendos e improvisos degradantes, porém funcionava melhor do que anteriormente!

O fator que mais intrigava a navegadora, era o motivo do espadachim ter realizado esse tremendo esforço por ela. Logo ele, que declarava praticamente em fracões diminutas de segundos:''não se importar com o catavento idiota''. Embora seus pensamentos tumultuados sobre essa atitude aterrorizadora pairasse por sua mente, ela sorriu levando o objeto próximo a seu coração. Deveria deixar de ser teimosa e admitir para si mesma, o quanto esse gesto de Zoro havia lhe atraído ainda mais. Gargalhou internamente, ao pensar no quanto ele deveria ter sofrido para obter esse resultado fatigante.

Nami não via a hora de esbarrar com esse espadachim pelos corredores do navio! Quando o feito, ela o insultaria demasiadamente, deixando hematomas disseminados pelo corpo moreno e libidinoso dele. Estrangularia-o... e commuitavontade! Era um prazer imensurável imaginar suas mãozinhas delicadas, apertando aquele pescoço convidativo e bem desenvolvido pelos treinamentos exercidos. Depois o jogaria contra a parede, esmagaria violentamente seus lábios contra os dele e sussurraria em seu ouvido:''obrigada''e''eu te amo, idiota''logo em seguida.

Notas finais
Quem gostou deixa review!! Beijos *----*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.