Catarse.
1 Eu não tenho nada para te oferecer.
Geralmente se pegava calculando a distância entre o que queria fazer e o que precisava fazer.
E nesse momento havia escolhido a primeira opção.
Aguardou a saída dos demais colegas de trabalho da mesa, e assim que os viu sumir através da porta do banheiro, agarrou o homem sentado ao seu lado pelo colarinho da roupa e lhe deu um beijo rápido e afoito. Interrompeu o ósculo a tempo de não ser pego pelos colegas e de deixar a sensação de quero mais no outro homem.
— Você não devia fazer isso.
— Ora Espanhol, deu pra se incomodar agora?
— Não. — Falou sério. — Você é tão comprometido quanto eu, Máscara.
— Você precisa lembrar disso todas as vezes, Shura?
O garçom chegou com uma garrafa de tequila e quatro copos de dose. Dispôs as bebidas, os sachês de sal e os pedaços de limão.
— Precisar não preciso, mas acho prudente. — Shura puxou seu copo ignorando o restante das coisas.
— Se fica tão preocupado assim, por que não me impede? — Lambeu sugestivamente a pele entre o polegar e o indicador, depositando um pouco do sal de um dos sachês, passando a língua em seguida. Ambos sabemos que você poderia. — Virou a dose de tequila chupando o limão.
— Sim, sabemos. — Falou virando o shot sem se importar com o ritual.
Acompanhou o trajeto da língua de Máscara da Morte na própria mão e o barulho de sucção no momento em que ele chupou o pedaço de limão. Sentiu um frio na espinha.
Aquilo precisava parar!
Trabalhavam juntos há pelo menos seis meses e há três meses haviam entrado em uma pegação frenética escondidos de todos. Afinal, ambos eram comprometidos.
Tudo tinha começado da maneira mais simples possível, bêbados, depois de uma festa da empresa dividiram um carro de aplicativo, e antes de chegar ao destino, já pediram mudança de rota para o Motel mais próximo.
Não fizeram amor, não havia tal sentimento. Apenas aplacaram o tesão e a tensão que sentiam na presença um do outro desde o primeiro dia.
Depois decidiram se encontrar sem beber, o objetivo era calcular se realmente se sentiam atraídos ou se havia sido consequência da bebida. Mesmo que ambos já soubessem antecipadamente a resposta, prestaram-se ao tal teste, que acabou com Máscara da Morte de quatro na cama de Shura, soltando gemidos que poderiam soar perturbadores para a concepção humana e falando o italiano mais sujo do qual se tinha notícia.
Inclusive, que tipo de apelido era Máscara da Morte? Shura se pegava pensando todas as vezes que estava perto do Italiano.
No seu primeiro dia de trabalho ouviu de praticamente todos os funcionários que “Precisava falar com Máscara da Morte”, aquilo o deixou intrigado. E quando viu o homem alto, de cabelos grisalhos, olhos de um tom castanho avermelhado e pinta de mafioso, não soube dizer se tinha sido transportado para um dos filmes de “O Poderoso Chefão”, ou se estava tendo um sonho erótico dos mais loucos.
De sua parte, Máscara achou o Espanhol de olhos verdes e compleição seria, muito interessante, mas como dizia sua Nonna “Onde se ganha o pão, não se come a carne”, mas como teve vontade de morder aquelas carnes de aparência firme. E assim estava inaugurada a temporada de tensão sexual entre os dois.
— Preciso ir embora. — O Espanhol decretou virando outro shot de tequila. — Ainda tenho que organizar as coisas que ganhei no chá de casa.
— Então você casou mesmo, hein? — Sorriu irônico, passando a língua nos lábios de Shura para recolher a bebida.
— Máscara! — Apontou para o banheiro.
— Fica tranquilo, eles vão demorar. Não entraram ali só para mijar, já estão se pegando há um tempo.
— Mu e Aldebaran? — Levantou uma das sobrancelhas. — Quem diria. De qualquer forma eu preciso mesmo ir embora. Divide o carro comigo?
— O carro, a bebida, o sexo, minha vida… — Sorriu malicioso enumerando as coisas.
— Máscara… — Suspirou.
— Já sei… você não tem nada para me oferecer. — Sorriu sarcástico. — Eles já estão vindo.
Fecharam a conta, enquanto Aldebaran e Mu bebiam as doses destinadas a eles. Pediram um carro pelo aplicativo e foram embora em duplas.
— Vai mesmo direto pra casa? — Máscara falou apertando a coxa de Shura.
O Espanhol o encarou com um olhar enigmático, suspirando em seguida.
— Como faço para mudar a rota? — Perguntou ao motorista do aplicativo.
Recostado no banco o Italiano sorria internamente. Ali, cada um oferecia o que podia.
Continua.
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