Notas iniciais
OI pessoal... Mais uma história para vocês.. Sou louca sei! Espero que curtam ela... E deixem seus comentários...
Boa leitura!!

— Solte-me... Solte-me... — Ele implorava enquanto esperneava. Entre chutes e socos tentava inutilmente se ver livre. O medo se juntava a raiva. Aquele que deviam amá-lo e zelar por sua segurança o tinha usado como moeda de troca, uma mera mercadoria.


— Fique quieto, do contrário será pior para si! — Um dos homens disse ao que bateu em sua nuca com um pedaço de madeira. Sua mente nublou e seu corpo caiu inconsciente, ficando vulnerável. — O coloque na gaiola.


Nunca precisou de grandeza ou de muito. Nasceu em uma família pobre que morava em um vilarejo que ficava na fronteira de Tranaden com Astoria. Seus pais, pessoas analfabetas não levavam jeitos para serem pais, marcados pela pobreza eram rudez e perdiam tempo demais em seus próprios vícios para ligar para os filhos.


Era o caçula de três filhos. Seus dois irmãos mais velhos, alguns anos tinham ido embora. Talvez fugindo da pobreza ou dos espancamentos dos próprios pais. Não tinha como dizer ao certo.


Sempre se amargurava por eles não tê-lo levado junto, o deixando para trás. Por um lado até entendia, era um moleque de sete anos quando os gêmeos fugiram, com a promessa que um dia voltaria para levá-lo juntos, porém tal promessa nunca chegou a ser cumprida. Possivelmente seu pai tinha razão. Seus irmãos deveriam está mortos.


Para evitar os maus tratos de seus pais vivia sempre fora de casa. Cresceu meio selvagem, sempre brincando na floresta ou indo à cidade... Onde fazia pequenos serviços – como carregar bagagem ou engraxa os sapatos dos burgueses – para conseguir alguma grana, para compra algo para matar sua fome.


Mesmo vestido àqueles trapos, e debaixo daquela sujeira ele era bonito. Os loiros cabelos encontravam sempre embaraçados. A pele bronzeada devido sempre exposta ao sol. Seu corpo era magro, possivelmente a escassez de alimento, mas ainda assim tinha estrutura harmoniosa, bastava coloca alguns alimentos que ficaria belo.


Isso tudo fez os olhos do senhor das terras que morava. Seus pais não cuidavam da terra, logo não produziam nada e deviam impostos. Cansado de esperar tal senhor do feudo veio cobrar a dívida. Na certa ele levaria a vida de seus pais como pagamento, mas sua mãe lembrou que ainda tinha um filho... O entregou como moeda de troca...


Obviamente debaixo de toda aquela pobreza o senhor do feudo viu que poderia lucrar, aceitando a oferta. Dessa forma que levou Milo, um jovem camponês, ao mercado de escravos.


Uma triste história, um destino cruel a alguém com apenas o prelúdio de seus 18 anos, mas era assim que sua vida começava... Onde tudo mudaria.


O local era em uma área aberta nas proximidades do porto. Um palanque foi erguido, nobres, mercenários e viajantes com interesse iam olhar a mercadoria em oferta.


O loiro aos poucos foi despertando de seu sono. Sentiu sua cabeça lateja, ainda mais diante do barulho presente. As pessoas pareciam eufóricas. O cheiro do mar chegou a suas narinas e isso impulsionou abrir os olhos. Em primeira estância não associou aquilo a realidade.


Tentou mover suas mãos, contudo descobriu que elas, juntamente com seus pés, tinham grilhões que restringiam seus movimentos. A segunda coisa que observou era que encontrava em uma jaula, como um animal.


O pânico o tomou, e inutilmente tentou se livrar de sua prisão, algo realmente sem sucesso. Vendo que não tinha opção de fuga, tentou entende onde achava.


Recordou da traição de seus pais, que o vendeu tal barato. Mesmo que eles nunca doaram amor, não esperava algo tão baixo assim.


Ao analisar a cena, Milo compreendeu seu trágico destino. O mercado de escravos. Seria vendido pelo maior lance, e na certa nada bondoso esperaria por ele.


Quando viu um dos brutamontes vim em sua direção, tentou fugir, mas a jaula limitava sua tentativa. Sem escapatória foi puxado sem delicadeza, e arrastado até o palanque.


— O que temos aqui? Um jovem em torno de seus 17 a 20 anos. Dentes brancos, belos olhos azuis e cachos dourados. Quem dará mais para ter esse encantado anjo?! — O leiloeiro disse atiçando as pessoas presentes.


As pessoas começaram gritar. O lance inicial era de duas moedas. Seu valor era tão baixo, como a forma que valia para seus pais.


Tentou bloquear aquele som, ignorando o valor que davam por si. Até que uma voz gritou no meio da multidão.


— 330 moedas de ouro!


Todos olharam para o homem que dava um lance tão alto para um reles escravo. Um garoto pobre que jamais virá tanto dinheiro.


Milo ergueu o rosto, e viu um senhor de pele moreno e cabelos castanhos. Ele devia ter em torno de seus 40 anos, mas ainda conservava o fresco. Trajava roupas impecáveis, e pela farda possivelmente alguém da alta patente, talvez lorde ou general. Atrás dele – alguns passos – tinha cerca de oito homens, pelos trajes subordinados a ele.


— Alguém da mais? — Gritou o ganancioso leiloeiro, e vendo que ninguém ousaria superar aquele lance: — Vendido para o cavalheiro!


–oo0oo-


— Mandou me chamar mestre Shion?! — Seus pés com leveza lhe levavam para dentro do quarto.


— Sim! Quero saber se ainda está com raiva de mim?


Os olhos verdes olhavam para a figura a sua frente, naquele mosteiro aonde havia vivido a vida inteira. Shion era uma figura de suma importância em sua criação.


Há uma semana fora anunciado que finalmente poderia fazer seus votos e se torna um Acólito, contudo Shion lhe negou isso, dizendo que não havia vivido fora das paredes do mosteiro e que com sua ingenuidade não poderia decidir o melhor para si!


Naquele momento Mu tinha ficado uma fera, pois havia esperado por aquele momento a vida toda, e agora estava sendo praticamente expulso para ir morar com um primo que só vira duas vezes na vida, durante alguns meses.


— Não tenho raiva de ti mestre. — As palavras de Mu eram sinceras, no momento em que o mais velho havia tomado a decisão por si, realmente ficou uma fúria, entretanto não estava mais, pois sabia que o mesmo estava fazendo aquilo para seu bem.


— Já tem tudo arrumado? — Shion indagou caminhando para perto da porta de seus aposentos, onde Mu estava ajoelhado em respeito.


— Sim! Partirei em alguns minutos! — Mu tentava por um sorriso fraco no rosto.


Quando pequeno seu maior sonho era sair daqueles portões, contudo teve que aceitar a promessa da mãe e o perigo que rodava seu pescoço.


Agora com seu primo como imperador, à paz reinava como há muito tempo não existira, mas seu sonho de infância tinha morrido, e já considerava aquele local seu lá, e novamente estava sendo removido dele aos desejos dos outros. Indo para o desconhecido. Não sabia nada sobre o mundo lá fora, o temia.


— Ficarei feliz se depois dessa temporada você voltar, porém quero ter certeza que isso e o que o seu coração quer! — Shion falou tocando no rosto de Mu, o abraçando! — Não vamos fazer seu primo esperar mais, a carruagem que ele mandou já deve estar querendo partir.


— Mandarei cartas assim que chegar! — Mu se levantou do chão desdobrando sua túnica.


— Ficarei imensamente feliz, escutando você descrever o castelo! — Shion sorria para o menor, vendo o mesmo sair de seus aposentos.


Considerava Mu um jovem muito precioso para ficar ali sem conhecer o mundo, se fosse seu real desejo ele voltaria, não deveria viver a base de uma promessa que não fora o mesmo que fizera.


Mu caminhou a passos calmos. Não queria ter pressa como sempre tinha. Passou o véu por seus cabelos, um incomum lilás, e assim passou também o leve tecido sobre a boca até a altura do nariz, deixando apenas a vista os olhos. Aquilo não era medida do mosteiro, e sim, sua, para a própria segurança.


Despedira-se das crianças que como si, moravam naquele lugar calmo, acenou para muitos e a carruagem partiu.


Mu assim que entrou fechou a janela. Não queria olhar para a paisagem, queria dormir, fingir estava em sua cama no quarto compartilhado do mosteiro, era isso que queria.


Não era mimado, nem dava para ser, contudo sua vida todos sempre tomavam as decisões para si, acreditava que pelo menos algo poderia ser sua escolha, como decidir ser um monge e fazer seus votos, mas uma vez lhe foi vetado isso.


Mu havia estado tão estressado nos últimos dias que não dormiu direito. O balançar da carruagem foi lhe dando um baita sono, aos poucos suas pálpebras foram se fechando. Perdeu a noção do tempo e espaço, e tudo que sabia que em um solavanco forte, o fez cair sentado no chão de madeira da carruagem.


— O que está acontecendo aqui? — Mu indagou a tempo de escutar barulho de espadas.


No primeiro momento Mu ficara seriamente em pânico, contudo sabia que não deveria ficar assim. Tirando o estofado de seu banco encontrou a espada que ali havia sido escondida para sua própria proteção.


Quando o barulho da luta parou, Mu prendeu a respiração e tirou a bainha expondo a lamina. O jovem nunca havia pegado em uma, e era pesada, no entanto não queria morrer não mesmo.


Quando a porta foi aberta ao seu lado, Mu colocou a lamina na direção da mesma. Estava tremendo, se não fosse o cocheiro ou alguém da escolta estaria ferrado, bem ferrado!


— Pelo amor de deuses, abaixe isso se não quer morrer. — Uma voz grossa soou o que fez o temor de Mu aumentar.


Estava ferrado.


Continua...