Casualty Of Love

21 Capítulo 21


Notas iniciais
Obrigado a Pkena por betar.
Boa leitura!

Seus passos eram apressados, permitindo que seus cabelos balançassem pela corrida desajeitada.


Mu sabia que devia ser rápido, cada segundo era importante. Ele não estava pondo tudo a perder. Dessa vez seguia seu coração... Seu próprio caminho.


— KAMUS! — Mu entrou com tudo no quarto do primo, sem olhar para trás, sem dar a mínima para os guardas ou etiquetas que um príncipe devia ter, afinal, ele foi criado em um mosteiro.


— O que foi Mu?


Kamus estava em seu jardim privado. Sua aparência era serena, mas na verdade, Mu claramente podia ver o cansaço.


— Você quer Milo de voltar? — Mu disse se aproximando do primo, vendo o mesmo arregalar os belos olhos azuis.


— Que pergunta de mau gosto, Mu! E claro que eu quero Milo de volta. Ele me traindo ou não, isso é uma coisa que falarei com ele, somente com ele. — Kamus falou severo.


— Ótimo, então troque de roupa, não pergunte e me siga. — Mu falou agitado. Eles não tinham muito tempo.


— Mu, o que você esta pensando? Te seguir para onde? — Kamus indagou parado olhando para o primo.


— Não dar tempo para explicar. Milo não está bem e precisa de você. Vai agir ou ficar pensando? — Mu bradou sério. Ele abriu o armário de Kamus e jogou as roupas em cima do primo.


Kamus rapidamente refletiu sobre tudo. Ele estava chateado, para não falar puto com Milo, queria esfolar o menor, mas só de cogitar que ele precisava de si, não pensou duas vezes.


Assim que o imperador terminou de se ajeitar, seu primo o puxou com tudo para fora do quarto. Muitos soldados não entenderam nada e até ficaram curiosos, mas ninguém era louco de questionar aquele imperador.


Mu não soltou Kamus até os dois estarem dentro do estabulo olhando para os cavalos!


— Onde estamos indo? — Kamus indagou ajudando seu primo a subir no cavalo e montou logo atrás dele.


— O local ficar na fronteira da floresta velha com o leste da floresta do imperador. Falaram que você iria saber. — Mu falou com a respiração totalmente descompassada.


— Falaram? Quem falou o que? — Kamus não gostava de ser mandando, ele era o soberano do reino, as pessoas seguiam suas ordens.


— Isso realmente importa agora? Apenas ande com esse cavalo, pois todas as suas perguntas serão respondidas quando chegarmos. — Mu falou encarando o primo.


Se fosse há outros tempos, Mu nunca levantaria a voz para Kamus, mas o primo tinha que ser tão absurdamente desconfiado como o Kanon, que lhe tirava totalmente os nervos, e lhe levava a loucura.


Kamus não ditou mais nem uma palavra. Ele percebeu que Mu estava relativo em falar quem estava direcionando aquela loucura toda.


Não faltava muito para o sol nascer, quando o cavalo de Kamus chegou à pequena trilha que era considerada a fronteira. A passagem pela vila foi rápida e sem paradas. Havia poucas pessoas estavam na rua àquela hora. O que era muito bom, pois não fazia sentido algum o imperador mal vestido, correndo com o cavalo para algum lugar e só com o primo.


— Então cadê, Milo? — Kamus perguntou não vendo nada aos arredores, descendo do cavalo para olhar melhor.


— Kanon apareça! Sei que você está aqui. — Mu falou olhando para seu lado esquerdo, exatamente de onde o ladrão sairá.


— Você me trouxe para uma emboscada Mu? — O ruivo disse sacando a espada e apontando para Kanon.


— Não! Kamus calma! — Mu colocou-se na frente dos dois. Kanon não havia dado nem um passo até aquele momento.


— Como quere que me acalme, pois desde que esse cara a pareceu em minha vida, só tem dado dor de cabeça. Primeiro você, Mu e sequestrado, e agora Milo. Sem contar que agora os dois estão me traindo por causa dele!


Kamus estava possesso de raiva. Não estava conseguindo ver o que ocorria ali. Sua espada estava apontada para o peito de Mu, pois o primo escondia o ladrão.


— Se querer minha cabeça então terá, mas não acuse Mu e Milo de nada, eles só estão pensando em mim e em você. — Kanon falou.


— Porque me trouxe aqui? — Kamus abaixou a espada, mas em nenhum momento a guardou.


— O que sente por meu irmão? Não vou entregar um dos meus bens mais valiosos para virar um prostituto. — Kanon se aproximou de Mu ficando ao lado dele.


— Bem precioso? Está brincando? Quem deixa que o bem precioso fosse vendido como um escravo, eh? Milo não é nada para vocês, não venham com hipocrisia. — Kamus apertava a espada e os punhos.


— Não fale o que não sabe! Acha que é fácil conseguir algo na vida medíocre que nos vivíamos? Você alguma vez se importou em saber como e a vida das pessoas na periferia do seu reino? Pois é, não sabe o que eu e os meus irmãos passamos. Então não me venha julgar pelos meus atos, imperador. — Kanon falou encarando Kamus como igual. Sabia que tinha errado com Milo, mas não era aquele homem que iria lhe jogar isso na cara.


O clima ficara tenso. Mu já esperava por isso quando trouxe seu primo para o encontro com Kanon, mas porque ele ainda tinha esperança que um dia, aqueles dois cabeças duras iam se encarar por igual.


— Agora me responda! Amas mesmo meu irmão? Amar Milo como ele te ama? — Kanon reforçou a sua pergunta.


Kamus desejou arduamente fincar sua espada no peito de Kanon, mas sabia que no momento que fizesse isso, tudo estaria realmente acabado entre ele e Milo. Poderia dizer para si que o loirinho o traiu e que merecia a morte, que devia matá-lo com suas próprias mãos, todavia seu coração sabia que seria incapaz de viver sem ele.


Sua mente trabalhava a mil, entre todas as possibilidades, e em todas elas tinha apenas uma certeza, não iria perder Milo.


— Ele é o sol na minha vida... Fez-me viver de novo! Ele derreteu o gelo de meu coração. — Disse com imensa sinceridade. Era até desconfortável ver um duro governante falar tão livremente de sentimentos.


— Quer dizer...


— Eu o amo, e farei tudo por ele! — Kamus disse firme.


— Ok! Então lá vai... Eu e Saga permitiremos que tome a mão de nosso irmãozinho em casamento, mas com alguns termos. — Kanon disse. Ele mesmo não gostava disso, porém foi à ideia de Milo, e a respeitaria.


— Vai usar seu irmão como troféu? E tão baixo assim? — O ruivo deu um passo para frente, e raiva, mas deteve por Mu coloca-se novamente como escudo.


— Kamus, por favor, escute primo! — O príncipe disse choroso. Aquela situação toda era tensa.


— Quais são suas condições? — Ele realmente fazia imenso controle para não cortar a cabeça daquele bandido.


— Primeiro: todos os crimes meu, Saga, Shiryu, Mu e do nosso povo serão perdoados. Claro, andaremos dentro de vossa lei a partir disso.


— Não iam perde a oportunidade! — Kamus trincou os dentes. Pelo menos, eles não eram assassinos, apenas ladrões, pois não desejava perdoa assassinos de vidas inocentes.


— Segundo: Deixará Mu escolhe seu destino, e espero que seja ao meu lado, se ele aceitar casa-se comigo. — Kanon disse olhando docemente para o príncipe ao seu lado. O amava profundamente.


Kamus ergueu uma das sobrancelhas. Claro que havia notado a inclinação de seu primo para o ladrão, mas realmente não imaginava que fosse algo a esse patamar.


— Você está sendo forçado, Mu? — Indagou ao primo sem rodeios.


— Não! — Negou com a cabeça. — Eu amo Kanon... E não quero voltar ao monastério, eu quero viver ao lado do homem que amo. — Disse para o ruivo e depois se aproximou do loiro sendo abraçado. — Sim, aceito!


Ambos riram apaixonados, e Kamus não pode deixar passar isso despercebido.


— Ok! E tem mais? — Indagou esperando ouvir todas as imposições daqueles homens.


— Meu irmão não ser um concubino de seu harém, casara-se com ele e será o único. Os amaram e protegeram como merecem. — Kanon disse a última parte sério.


— Merecem? Fala como se houvesse mais de um Milo, até onde... — Kamus estava realmente confuso.


— Eu disse certo! Descobrimos que Milo foi consagrado pelos deuses como um Kari, se não saber, eles podem...


— Gerar mesmo sendo homens. Sei disso! Está querendo dizer que... — O ruivo parou de falar e seus olhos arregalaram quando sua mente processou tudo. Seu coração parou uma batida e suas mãos soaram. Em toda sua vida jamais ponderou sobre isso. Claro, como governante sabia que em algum momento teria que ter um herdeiro, mas pensar que seria com seu amado, dava outra expectativa.


— Sim, Milo espera um filho seu! Por esse motivo voltamos, pois ele precisa de você! Não será fácil, e no final, ele te ama. — Kanon disse captando cada reação do imperador.


Kamus não deteve a mais nada ao seu redor. Sua mente vagou para desde que conhecerá o loiro até ali, tudo que viverão. De alguma forma, Milo, modificou sua vida. Tornou apto a amar e proteger... Ensinou que a felicidade era palpável. Um filho era o símbolo perfeito do amor que sentiam.


— Onde ele está? — Perguntou ansioso para ver seu amado.


— Primeiro...


— Tem a minha palavra que cumprirei as suas exigências, mas claro, ressaltando que não aceitarei mais nenhum crime e terão que jura lealdade a mim. Agora pare de ladainha, e me deixe ver meu noivo. — Falou firme.


— Ok! Por aqui majestade. — Kanon indicou o caminho. Queria rir, era estranho ver um poderoso imperador tão desesperado para ver a pessoa que amava...


Os três fizeram o caminho, calados. Kamus agitado para rever Milo, Mu eufórico ainda pelo pedido de casamento inesperado, e claro, Kanon receoso ainda com tudo.


Assim que chegaram à caverna, Saga saiu de onde estava sentado e olhos para o imperador, ele estava pronto se acaso precisasse duelar. Porém um aceno de Kanon indicou que tudo estava bem, e que o imperador aceitou a proposta.


— Está tudo bem Saga, o imperador deu sua palavra! — Kanon disse ainda segurando a mão do amado.

— Onde ele está? — Kamus indagou.


Saga apontou para a cama improvisada no chão da caverna, sobre o manto achava dois corpos, Milo e Shiryu dormiam profundamente.


— Ele passou mal, mas agora está melhor! — Saga disse indo até o amado, e o tomou em seus braços indo com ele para outro canto da caverna, para deixar o imperador mais a vontade com Milo. Os dois precisavam conversar.


Saga sentou encostado na parede com Shiryu – adormecido – em seu colo, ao que viu Kanon e Mu sentar ao seu lado. Eles agora eram meros expectadores.


Kamus a passos leves se sentou ao lado do corpo adormecido de Milo, o Imperador não queria acordar o menor, a cara e pele do mesmo estava abatidas, mesmo ele estando serenamente adormecido.

O ruivo pensara que assim que vesse o pequeno iria querer gritar com o mesmo, obriga-lo a dizer o porquê de ter preferido os irmãos ao invés de si. Kamus como filho único não entendia a coisa de “irmãos” e família completa, mas o pouco já o fez ir atrás de Mu que e o mais próximo disso.


Imaginar para alguém que pouco tem de família, ela ir aos poucos, sorrateiramente e complicada mente, aumentando de forma inusitada, mas um tanto esperada.


Kamus estava imensamente feliz, queria dar uma festa de uma semana pra seu povo comemorar consigo, mas naquele momento não podia, e também só queria curtir o momento com Milo.

— Ka... Mus. — A voz seca do pequeno em desespero chamava o amado na inconsciência.


Para o imperador saber que habitava os sonhos do menor, era só mais uma prova que o amava cada segundo mais.


— Estou aqui, esta a salvo, tudo ficara bem! — Kamus deitou ao lado do pequeno o puxando para si.


— Mas quem disse que eu estava em perigo? — Milo tinha acordado com a proximidade de Kamus, porém não ousara sair de perto dele.


— Você longe de mim é um perigo! — Kamus passava suavemente a mão nos cabelos de Milo.


— Eu estou esperando um bebê, nosso bebê. — Milo apertava as mais na vestimenta fina de Kamus, suas emoções estavam mexidas, ele estava com medo da reação.


— Eu sei! Eu já suspeitava que fosse um Kari. — Kamus mesmo sentindo o aperto do menor em si. Não parou de fazer o leve carinho. Não queria Milo nervoso e sim à vontade.


— Porque não me contou? Não estou recriminando, só apenas querendo saber. — Milo tinha seus olhos focados nos de Kamus.


Os dois se amavam. Isso ninguém poderia negar, mas aquele belo amor esta manchado, manchado de medo, precaução, e muitas, muitas duvidas de um futuro que nem um deles pode prever.


— Eu só suspeitava! Não sabia se realmente era. Sabe qual e a porcentagem de Kari por reino? E menos de um... Não iria por coisas na sua cabeça sem saber se são verídicas, mas mesmo assim eu iria falar com você, mas não deu tempo, tudo ocorreu tão rápido.


— Eu sei, desculpa Kamus, eu não deveria ter ido embora, ter posto nosso filho em risco, eu só estou fazendo mal para todos, e eu não sei o porquê deu estar chorando. — Milo tinha doces lágrimas escorrendo pela lateral de seus olhos e elas não paravam e ele não sabia como fazê-las parar.


— Ei... Ei Calma! Sim, fiquei com raiva de você ter ido embora, claro fiquei, era como se você tivesse me deixando para trás, mas juro que tento entender, são seus irmãos, se fosse Mu, talvez tivesse feito o mesmo, não vou lhe julgar não por isso. E seus irmãos estão a salvo, não vou mais condená-los a nada.


— Mas eu não acho legal essa coisa de acordo, eu já ia voltar para você Kamus, mesmo você negando eles iam me levar a você.


— Ironicamente eu sei! Não posso julgá-los totalmente quando não tenho armas para isso e muito menos argumentos, mas só de saber que aqueles ladrões, fazem você feliz e a Mu também por mim esta tudo bem, contanto que não voltem a fazer isso.


— Kamus... Desculpas! — Milo abraçou fortemente o corpo do outro contra si, como ele amava aquele homem só os deuses iriam saber.


— Eu também te amo! — Kamus sussurrou no ouvido do menor o detendo em seus braços. — Cuidarei de ti e do nosso filho!


— Sim! — Milo deixou se tomado nos braços do imperador ao que esse se levantou o erguendo do chão.


— Vamos voltar ao castelo! Milo não pode fica nessa friagem.


— Mas... — Kanon pareceu inseguro.


— Eu dei minha palavra, e cumprirei! Darei aos dois meu perdão, e claro, ficarão no castelo. Milo precisa de tranquilidade, e isso inclui seus irmãos por perto. — Kamus disse sem olhar para os gêmeos ao que saiu da caverna. Por Milo abria exceção e deixaria seu orgulho de lado.


Continua...