Casualidades em uma livraria
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Boa leitura ^-^
Em passos calmos e olhar indiferente, o estudante caminhava tranquilamente a um ritmo que poderia se comparar ao de uma tartaruga. Não havia motivo pra ter pressa, ou alguma preocupação, já que a enxurrada de pessoas apressadas a sua volta mal o notavam, e assim, não o incomodavam.
A não ser pelas acidentais trombadas, que de certa forma o perturbava um pouco, mas na maioria das vezes acabava rindo internamente, ao ver o leve desespero do trauseante ao não perceber em quem tinha esbarrado.
“Não ter presença tem suas vantagens”
Mas logo o semblante impassível se torceu em uma leve careta de desgosto, quando viu um grupo de belas jovens passando ao seu lado.
“E também tem suas desvantagens, droga”.
Mas deixou isso de lado, suspirando pesadamente decidiu apressar os passos. Acabou esparrando em uma senhora de meia idade, e como era um rapaz educado, apesar de um pouco antissocial, se virou para se desculpar, mas a mulher apenas o olhou de um misto de admiração e espanto.
“Ela quer meu corpo nu”
Foi seu primeiro pensamento, o que lhe tirou um sorriso de milímetros pela idiotice que passou pela sua mente. Direcionou seus olhos cinzentos para a mulher, que pelo que entendeu estava balbuciando um pedido de desculpas, e dando um leve aceno de cabeça, virou as costas, mostrando as letras grandes e claras de tom azul celeste, combinando com o suave branco do uniforme de basquete, onde se podia ler o nome da escola imperadora, Rakuzan.
“Apesar de termos perdido a Winter Cup, ainda somos vistos como os embaláveis imperadores.”
Não conseguiu deixar de sorrir orgulhosamente, mas logo seu sorriso se apagou, ao lembrar que de certa forma aquele campeonato foi seu ultimo, já que estava no ultimo ano do ensino médio, e desse jeito não poderia mais participar de torneios escolares de basket. Que de certa forma gostava, mas não admitiria, nem sob tortura, talvez em troca de uma coleção de L.N*, mas somente com essa condição.
Apesar de não ser um “general não coroado”, ou um integrante da famosa “geração dos milagres”, era um jogador do time principal da Rakuzan, um novo modelo do 6° sexto jogador fantasma da Teiko, com o talento descoberto pelo próprio capitão da geração dos milagres, Akashi Seijuro, diga se de passagem, mas ainda sim, um jogador do time principal.
Concluindo seu pensamento, entrou na pequena livraria de ar aconchegante para comprar sua querida L.N que faltava para sua coleção, que depois de uma árdua e cansativa busca de cinco minutos pela internet, encontrou no site da livraria.
O que lhe custou um sermão de Akashi, que de um jeito calmo e ameaçador, pediu para que guardasse o celular e voltasse ao treino, em outra ocasião acataria a ordem e obedeceria ao capitão, mas definitivamente não poderia fazer isso, e depois de muita conversa, ameaças de morte por parte de Akashi, ambos, jogador e capitão, entraram em um acordo, onde o modelo de 6°jogador fantasma poderia comprar o que queria, mas teria que voltar, e ficar no treino extra sem reclamar.
“Detalhes são apenas detalhes”
Pensou, enquanto alegremente dirigia os finos e longos dedos ao que procurava, tão logo estendeu a mão, logo a recolheu rapidamente ao sentir que esbarrou na mão de outra pessoa.
“Merda, não acredito. Milhares e milhares de pessoas no mundo e eu tinha que esbarrar logo com você? Deve ser plaga do Akashi, ele deve ‘tá’ rindo desse momento pela minha falta de sorte, deve ser esse o motivo de ter me deixado sair do treino, ele devia ter isso em mente...”
- Você está bem? Mayuzumi-kun.
- Sim, melhor impossível. – Resmungou aborrecido ao se deparar com olhos indiferentes de tom azul que lhe olhava de forma interrogativa, ou foi o que lhe pareceu ao menos.
- Se você diz.
Decidindo-se por ignorar aquela breve conversa, tratou logo de pegar o livro e ir embora, mas não esperava esbarrar a mão novamente com a do homem ao seu lado. Ambos se olharam brevemente, para logo voltarem à atenção de novo a prateleira, onde repousava o volume único que por uma brincadeira do destino, ou apenas o amor pela leitura que tinham em comum, os dois queriam.
- Kuroko.
- Mayuzumi-kun.
E novamente dirigiu seu olhar cinzento ao livro que tanto queria, e sem fazer nenhum movimento brusco, fez um gesto para pegar o livro, logo sendo copiado pelo mais novo. Bufando, abaixou o braço, logo sendo copiado novamente por Kuroko.
“Esse cara tem que ‘tá’ tirando com a minha cara. Não pode ser, tem que ser uma brincadeira sem graça. Akashi deve ter pagado essa criatura para me vir aqui me perturbar”.
- Kuroko, poderia me dar licença para eu pegar o livro? – Respirou fundo, olhando impacientemente o outro, que lhe olhava de maneira indiferente.
- Eu gostaria muito, Mayuzumi-kun. Mas por favor, peço que não se ofenda, mas também quero esse livro, então você poderia me dar licença?
Novamente respirou fundo, tentando acalmar os pensamentos onde lhe mostrava varias maneiras de assassinar Kuroko. Virou seu rosto para o jovem funcionário da livraria, que por sorte, estava alguns metros dos dois. Fez um gesto com a mão, o chamando, mas o jovem nem prestou atenção. Repetiu o gesto, mas nada do outro ver.
- Senhor. – Chamou calmamente pelo rapaz, que por sorte o escutou.
Mas escutar é diferente de ver. Com certeza riria muito da situação, se não fosse tão cômica. A expressão assustada do rapaz olhando desesperadamente a sua volta procurando o interlocutor sem nenhum sucesso. Não conseguia culpa-lo por isso, sabia que sua falta de presença, assim como a do homem ao seu lado não era as das mais chamativas.
“Pelo menos não sou o único que passa por isso, Kuroko com certe... Kuroko? Onde raios esse cara...”
Sua linha de pensamento foi cortada pelo berro, que lhe sou um tanto feminino e histérico do atendente, que encarava branco feito papel, um tanto tremulo até, a figura calma de Kuroko. Não conseguiu deixar de sorrir em diversão quando se pôs ao lado do jogador da Seirin, notando o brilho de diversão nos olhos deste.
- Senhor. – Decidiu se pronunciar primeiro, vendo o atendente o olhar de jeito confuso.
- A quanto tem...
- O tempo todo. – Sorriu matreiramente ao cortar o atendente confuso, até pensaria em fazer drama, mas já estava cansado. – Por um acaso, o senhor tem outro livro desse no estoque? – Comentou apontando o livro na prateleira.
- Me desculpe senhor, irei ver imediatamente. – Disse o atendente fazendo uma rápida reverência ao mais alto, e correndo para uma porta ao fundo da livraria, se esquecendo completamente de Kuroko.
- Você fez de propósito. – Comentou casualmente olhando os livros nas prateleiras a sua volta.
- Mayuzumi-kun, eu jamais faria algo assim.
- Sei. – Murmurou mais pra si do que para Kuruko, que continuava com o semblante tão expressivo quanto ao de uma porta com dor, se é que isso era possível, apenas sendo entregue pelo brilho divertido nos olhos azuis.
Os dois esperaram em silêncio o retorno do funcionário. Que quando se aproximou, simplesmente passou pelos dois, e passou a procurar.
Massageou as têmporas, piscou algumas vezes os olhos cinzentos, e com passos silenciosos se aproximou do funcionário, pousou a mão no ombro do jovem, sentiu os músculos deste se retesarem, e o mesmo virar para si de maneira brusca e olhos arregalados. Não se deu o trabalho de falar nada, apenas levantou a sobrancelha de maneira interrogativa e aguardou a resposta.
- Sinto muito, mas não tem outro exemplar do livro que procura senhor...
- É uma pena. – Se manifestou Kuroko, fazendo o jovem funcionário saltar para trás. – Por favor, me desculpe. Minha intenção não era assusta-lo
“Talvez faze-lo sofrer um ataque cardíaco, mas não mata-lo. Como pode ser tão cínico, Kuroko? Rindo internamente enquanto faz essa cara deslavada”
- Entendo, obrigado. – Agradeceu ao homem enquanto voltava a ficar na frente do livro, logo sendo acompanhado por Kuroko.
Perguntou mentalmente se realmente queria aquele livro, e para a sua surpresa, não precisava tanto assim dele. Já que havia quatro volumes antes deste que nem havia lido ainda, graças ao treino de basket, que já não era necessário mais ir, pois não participaria mais de torneios escolares, mas que mesmo assim, continuava indo todas as tardes. A razão? Pelo fato de gostar de jogar basket, o motivo? Por querer curtir os últimos momentos com o time, que gostava, mas não admitiria isso, antes de se formar.
Ficou sem graça ao perceber que um par de olhos azuis o observava com atenção. Sabia que o outro tinha essa mania de observar os outros, mas saber e ficar a vontade com isso era coisas completamente diferentes. Fechou os olhos, e suspirou novamente, que alias, já havia perdido a conta de quantas vezes havia suspirado em menos de uma hora.
Conhecia-se muito bem, sabia que se fosse com outra pessoa, com certeza já teria ido embora há muito tempo em vez de passar por toda essa situação um tanto cansativa. Mas simplesmente havia ficado ali, como uma criança birrenta querendo um brinquedo em supermercado.
Teve vontade de se socar pela postura infantil, motivada apenas pelo rancor que sentia pelo outro, depois do jogo da Winter Cup. Sabia que todo mundo teria que perder um dia, mas mesmo assim não era nenhum pouco fácil superar esse fato, especialmente quando o torneio havia passado havia duas semanas apenas. Ouvindo a voz suave de a sua mãe ressoar em sua mente, apenas lhe lembrando que guardar rancor não era saudável. Decidiu-se que seria legal com Kuroko, e assim quando morresse não se lembraria desse dia e teria arrependimentos, pelo contrario, se lembraria dele com orgulho, por ter sido maduro o suficiente para saber como lidar com as supressas da vida.
- Mayuzumi-kun, por favor, fique com o livro.
- Como assim? – Não conseguiu disfarçar a surpresa.
- Eu não preciso tanto assim dele, e depois de ver as suas caretas estranhas, percebi que não queria tanto assim o livro como você, então, por favor, fique com ele. – Viu Kuroko lhe sorrir minimamente enquanto lhe estendia o livro.
- Não, fica pra você, eu não quero esse livro, Kuroko.
- Me desculpe, mas eu insisto que fique com ele, Mayuzumi-kun.
- Kuroko, eu ‘to’ tentando ser legal, então fique com a merda do livro. – Respondeu com a paciência que não tinha.
- Mas estou sendo gentil, então aceite, por favor, Mayuzumi-kun.
Ambos se encaram, olhos faiscantes de raiva, e o clima cada vez mais pesado. Virando se de costas, e com passos firmes, simplesmente se afastou de Kuroko e saiu da livraria.
“Dane se, não quero mais o livro, compro outro dia. Isso que da ser legal, só da dor de cabeça. E eu que estava disposto a deixar o rancor de lado...”
- Você está com a cara estranha de novo Mayuzumi-kun. – Comentou naturalmente Kuroko, enquanto caminhava calmamente ao seu lado.
- Mas o que cargas d’água você ‘ta’ fazendo aqui, criatura? – Não conseguiu deixar de berrar pelo susto, e assustar alguns que andavam a sua volta, que novamente, não conseguia vê-los.
- Por favor, não seja tão escandaloso, Mayuzumi-kun. – Murmurou Kuroko enquanto balançava a cabeça em negativa pela atitude do mais velho. – Estou indo a caminho do metrô, assim como você.
- Entendo
“Cínico, fez de proposito que eu sei”
Tranquilizando a respiração, voltou a caminhar ao lado de Kuroko. Passou-se uns 5 minutos, e nenhuma dos dois disse uma palavra. Nunca pensou que o silencio o incomodasse tanto, e nunca se imaginou puxando conversa com o outro.
- Nossa. Como você fala cara. Você não cansa? – Comentou de maneira sarcástica. Certo, não era o melhor jeito de iniciar uma conversa, mas o que valia era a intenção.
- Você acha? Fico até lisonjeado Mayuzumi-kun, normalmente as pessoas dizem que eu quase não falo. – Respondeu Kuroko, de um jeito até que poderia se dizer alegre.
Depois de contar até 20, voltou a conversar com Kuroko, ou melhor, para o monologo que era a conversa que girava em volta de literatura. Ficou até feliz ao descobrir que compartilhavam os mesmos gostos para livros, e até mesmo algumas bandas.
Nem se deu conta de quando chegaram à estação no subsolo, muito menos quando trocaram o numero dos celulares, apenas percebeu que o tempo passou, quando se despediram e cada um foi pegar seu respectivo metrô.
Notas finais
Agradeço a todos que leram, e também peço desculpas pelos erros ortográficos ^-^
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