Castle

1 They wanna make me their queen


Notas iniciais
Olá pessoal, cá estou me aventurando em mares pouco navegados por mim. Mas segura nas mãos de Deus e vai u.u
Ah, se você percebeu ou não, a trilha sonora da fanfic é Caslte - Halsey

Momo Hinamori fitava seus olhos castanhos no espelho à sua frente e logo ajeitou alguns fios da mesma cor que desalinhavam seu coque lateral. Trajava um vestido novo confeccionado especialmente para esta ocasião. Era simples e elegante, feito de cetim azul claro, com mangas compridas e saia levemente rodada, com alguns detalhes em índigo. Pegou brincos de safira e os colocou em suas orelhas. Passou os dedos no tecido de seu decote reto e finalmente se deu por satisfeita com seu visual. Era a consorte real, mesmo pretendendo ser discreta, queria despertar o desejo de seu amado.

Respirando fundo, tomou coragem e deixou seu quarto. Foi andando em direção à escadaria que levava ao salão. Lá estavam nobres de todo o reino do Hueco Mundo, adornados da cabeça aos pés e munidos de seus sorrisos mais falsos. Vagarosamente desceu os degraus, observando atentamente os convidados que fingiam não a notar. Em seu íntimo sabia que em breve tudo iria mudar, pois logo seria a rainha, pensou com ambição.

Sousuke Aizen, o grande rei, havia prometido um grande anúncio ao final daquele baile. O que mais poderia ser além de anunciar o casamento entre eles? Era sua consorte há anos, e durante todo este tempo Momo passou almejando por este dia. O dia que faria todos a encararem com o devido respeito, sem cochichos pelas costas, sem olhares de desprezo, sem aquele sentimento de inutilidade. Sendo rainha ela poderia de fato ajudar seu Sousuke e não somente dar bons momentos de prazer em algumas noites.

Viu seu amado de longe conversando com Gin Ichimaru e Byakuya Kuchiki fazendo seu papel de bom anfitrião, com um sorriso afável e olhar penetrante. Um grupo um tanto estranho, ao seu ver. Com a situação política no reino frágil do jeito que estava, talvez o rei estivesse tentando novas alianças.

Mesmo estando nesta posição há dez anos, ainda havia um grupo conservador que não aceitava Aizen com um rei legítimo. Apesar do grande crescimento econômico que a nação apresentava, mesmo com a paz com os reinos vizinhos alcançada e o desenvolvimento tecnológico exponencial, parecia que tudo não era o suficiente. Afinal ele não tinha o sangue daquela família em suas veias.

Sim, aquela família era a família real anterior, a qual o atual rei destronou ao eliminar seu antecessor, exilando a princesa num local que nenhum nobre foi capaz de encontrar nestes dez anos. Pelo que Momo lembrava, eram pessoas bondosas e tolas que acabaram levando o país à ruína. Era uma questão de tempo até uma pessoa corajosa os tirar do poder. Sabia que nem todos aceitariam a revolução de bom grado e esperou que os bons resultados os calassem. Mas isso não ocorreu e ultimamente ouvia-se cada vez mais a voz daqueles que consideravam Aizen um usurpador, um golpista.

Tentou se aproximar dele, mas ele logo se distanciou, rumando para o pé da escada. Parecia estar prestes a fazer o anúncio, mesmo o evento mal ter começado. Tentando aquietar-se, observou Aizen subindo alguns degraus e logo passou a mão direita pelos cabelos castanhos escuros. Naquele momento já tinha a atenção de todos e começou a falar:

— Bom, como todos sabem, convidei-os a este baile com intuito de fazer um grande anúncio. – o coração de Momo batia descompassado em seu peito – E logo o farei sem mais delongas. Como sabem sou rei de Hueco Mundo há dez anos. Bom, o tempo em que seu soberano reinou sozinho chegou ao fim. Hoje anuncio meu noivado – fez uma pausa e contemplou o topo da escadaria antes de completar – com a princesa Orihime Inoue.

Parecia que todos esqueceram-se de como respirar diante daquela revelação, o único som que se ouvia era a batida suave dos saltos de Orihime nos degraus de madeira. Ofereceu um sorriso sem emoção a Aizen quando este lhe ofereceu a mão direita para ajudá-la a terminar de descer.

— Mas o que é que está acontecendo aqui?! – Rukia Kuchiki foi a primeira a sair do transe.

A princesa de longos fios ruivos dirigiu à amiga morena um olhar nostálgico e um leve menear de cabeça, como se não houvesse outra opção para ela, além de se casar com o responsável pela morte de seu irmão.

— O que milady não entendeu? – Aizen se fez de desentendido e passou o braço pela cintura da noiva – Acabei de anunciar meu casamento com a princesa.

A tensão preenchia o ambiente e eram quase palpáveis o espanto e a incredulidade da nobreza de Hueco Mundo. O sexto duque e irmão de Rukia franziu o cenho e caminhou até a saída. Como aquele rei atrevia-se a casar-se com Orihime? Aquela que havia escondido e privado de todo contato com o mundo externo, aquela que tinha todo o direito ao trono, independente de casamento algum. Chocada com a deselegância do irmão, Rukia não sabia o que fazer, se o seguia ou se tentava fugir com a amiga de infância desse pesadelo.

Ichimaru, o terceiro duque, foi o primeiro a parabenizar o rei, sendo logo seguido por outros nobres. Sem cerimônias a pequena tomou Orihime pela mão e a levou para a sacada do salão de festas. Olharam-se sem nada dizer por um tempo, até que a maior lançou-se num abraço, contendo as lágrimas. Sentia tanta falta da amiga que não via e nem tinha notícias há dez anos. Rukia repousou a palma de sua pequena mão no rosto de Orihime, como se quisesse constatar que ela não era uma visão apenas.

— Onde você esteve? Nós te procuramos por todo canto... por tanto tempo... Eu e meu irmão nunca desistimos de te encontrar.

— Eu sei Rukia... – desviou o olhar para a presença que tanto se acostumara – Na verdade nem eu mesma sei onde realmente estive. – riu para si – Mas não se preocupe, eu fiquei bem e não estive sozinha. Ulquiorra sempre esteve comigo, não é?

Foi então que a outra viu um rapaz franzino e pálido perto das portas de vidro que separavam a silenciosa sacada do salão movimentado. Com uma expressão ilegível e olhos verdes sem muita emoção ele aproximou-se das duas.

— Vossa majestade deseja que sua alteza esteja junto dele.

— Mas eu nem conversei com Rukia. – disse Orihime com os lábios fechados num bico.

— Vocês terão muito tempo, mas não agora. Venha comigo, mulher. – e a tocou levemente no cotovelo.

— Volte amanhã a Las Noches para conversamos mais, Rukia. – e seguiu o homem de cabelos negros.

Ao ver a princesa voltar ao salão sendo escoltada por Ulquiorra Cifer, Momo começou a se dar conta de que não era uma peça ou um sonho ruim. Era realidade. Ela não seria rainha, ela sequer sabia seu futuro no reino. Ainda estava parada no mesmo lugar onde começara a ouvir o anúncio, não conseguia mover um músculo sequer e nem tinha forças para apenas fingir que era uma decisão sábia do rei casar-se com a herdeira da família real deposta para calar a oposição. Ou também para fingir que seria apenas um casamento de fachada e que o coração de Sousuke era seu, pois sabia que nunca o tivera. Sem despertar a atenção, como sempre fazia, retirou-se até seus aposentos.

Neste ínterim o rei aproximou-se da noiva e quando uma música lenta começou a ser tocada pela orquestra, a levou até o meio do salão para dançarem. Deixando-se guiar pelo homem, Orihime seguiu suavemente os movimentos precisos de Aizen.

— Parece que o ambiente em Las Noches é mais hostil que Ulquiorra me falou. – ela foi a primeira a quebrar o silêncio.

— Por que diz isso, minha querida? – falou ao seu ouvido.

— A cada minuto que passa outro nobre deixa o salão. Agora foi a vez da consorte real.

Suprimiu uma gargalhada e perguntou:

— Por acaso isso te preocupa, princesa?

— Creio que sim. – fitou as orbes castanhas do homem – Serei a rainha um dia, infelizmente os seus problemas serão os meus problemas.

— Então considera a consorte um problema? – ergueu uma sobrancelha.

— O quê? – perguntou surpresa – Não... O que faz ou deixa de fazer com ela não me diz respeito. Refiro-me à falta de apoio de parte da nobreza.

— Mas que mente aberta minha futura esposa tem... Então tudo bem se eu tiver uma outra mulher além de sua alteza?

Parou de dançar por um momento antes de falar:

— C-como assim além de mim? – o sorriso do moreno alargou-se – Eu não serei sua esposa no sentido completo da palavra. Não é tudo uma encenação? Uma manobra para aquietar a oposição?

— Claro que não, minha cara. – acariciou seu rosto – Além de estabelecer bases sólidas para seu reinado, é também dever de um rei gerar herdeiros legítimos ao trono com sua rainha.

Notas finais
Vlw
Flw