Casos e Acasos
9 Casos e Acasos - Capítulo 9
Notas iniciais
– Doutor Gustavo, me deixe levantar. — Emma estava tentando se levantar da cama, mas foi impedida pelo médico.
– Emma, você acabou de tomar pontos. Não vai poder se levantar.
– Mas se eu não for atrás dela, ela nunca mais vai olhar na minha cara. Por favor. Me deixe ir atrás dela.
– Ela está de cabeça quente, Emma. Você também. Dê um tempinho pra ela.
Emma se afundou mais na cama.
– Eu só faço besteira. — Emma sussurrou e virou a cabeça de lado.
O doutor terminou de administrar o remédio em Emma e saiu da sala. Para sua surpresa, Regina estava sentada ao lado de fora.
– Regina... — O médico a chamou estranhando o fato dela ainda estar alí.
– Oi. — A morena deu um meio sorriso.
Ele sentou ao lado dela. — Ta tudo bem? A propósito, meu nome é Gustavo.
– Eu sei seu nome. — Regina sorriu — Mas, oficialmente, é um prazer conhece-lo.
Eles se cumprimentaram formalmente.
– Pensei que você tinha ido embora.
– Eu irei. Só estou esperando Zelena chegar.
– A Emma não quis dizer aquilo. Ela só está de cabeça quente.
– Eu sei disso e não posso dizer que entendo o que Emma esteja passando, porque não sei, mas ela tem que entender que as palavras tem poder. Apesar dos nossos problemas, por maiores que eles sejam, ela não tem o direito de descontar em ninguém.
– Você está totalmente correta, mas Emma só tem 18 anos, Regina. Ela está na idade de curtir a vida, sair com os amigos, cometer erros e aprender com eles, mas ao invés disso ela está numa cama de hospital, sem ter o colo da mãe e a pessoa que ela julgava ser o super herói, desapareceu. Tente se colocar no lugar dela. Em nenhum momento eu estou julgando certa a atitude dela, muito pelo contrário, mas só tenha paciência. Você falou da amiga dela. Da pessoa que sempre esteve ao lado dela. Isso magoou a Emma. Não se afaste dela nesse momento, porque eu vi o quanto ela precisa de você e sinceramente, Emma não vai suportar perder mais alguém.
Regina pareceu refletir com as palavras do médico.
– Posso te fazer uma pergunta? — Regina perguntou e inclinou a cabeça pra trás.
– Claro. — Respondeu Gustavo.
– Você é formado em psicologia? — O médico achou graça.
– Não. Digamos que eu aprendi muito com a vida e aqui nesse hospital, ninguém sai pior do que entrou. Não se depender de mim.
Regina sorriu de lado.
– Então o que eu faço?
– O que você acha que deve fazer?
– Acho devo dar um gelo nela, para ela saber que ainda estou chateada.
– Então faça isso. — O médico levantou. — Ela vai precisar ficar aqui durante 3 dias.
Regina assentiu. — Obrigada.
O médico apenas acenou com a cabeça e saiu dalí.
Algum tempo depois Zelena chegou e Regina explicou todo o ocorrido. Claro que Zelena ficou chateada, mas Regina a tranquilizou.
– Regina, por que daquela irritação toda com a Ruby?
– Como assim, por quê? Você viu o que ela fez.
– Sim, mas não foi por querer.
– Zelena, eu estou com a cabeça cheia.
– Pode ir pra casa que eu fico aqui e revezo com a Mary.
– Tudo bem. Vou ficar com Henry. Qualquer coisa estou no celular.
Regina saiu dalí e Zelena foi em direção ao quarto que Emma estava.
– Ei Emma, se sentindo melhor?
– Uhum.
Emma continuava com a cabeça virada para o lado esquerdo, impedindo Zelena de ve-la.
– Ei, conversa comigo. — A ruiva se sentou na poltrona ao lado da cama e esperou.
Assim que Emma virou o rosto, Zelena viu que ele estava inchado e os olhos muito vermelhos. Sim, Emma estava chorando a quase uma hora.
– Eu magoei a Regina, Ze. — A loira falou com a voz chorosa.
– Oh Emma, não fica assim. Não vai adiantar.
– Ela tem me ajudado tanto. Ela abriu a porta da casa dela pra mim. Ela me deixou debaixo do mesmo teto que o Henry e eu fiz isso.
– Emma, porque você não diz tudo isso a ela?
– Acho que ela não quer nem me ver pintada de ouro.
– Não é verdade. Ela gosta de você. Por que você não tenta mostrar o quanto ela é importante pra você, de outra forma?
– Qual? — Emma fungou parecendo uma criança que estava tentando se redimir do seu erro.
– Ah, aí você tem que pensar. Eu vou alí pegar um café e já volto.
– Zelena, e a Ruby? — Emma perguntou assim que Zelena chegou a porta.
– Foi pra casa se sentindo a pior pessoa do mundo, né.
– Fala pra ela vir aqui.
– Pode deixar.
Zelena saiu da sala e voltou minutos depois com o café em mãos.
– Ze, eu já sei. Eu vou organizar um festa surpresa pra Regina. — Emma falou com um sorriso de orelha a orelha.
– Festa surpresa? De aniversário?
– Sim. Já que o aniversário dela é daqui a duas semanas, vai dar tempo.
– Emma, Regina odeia festa e ainda mais festa surpresa.
– Mas essa ela vai amar. Eu vou precisar da sua ajuda.
Emma começou a contar as idéias que vinham a sua cabeça e Zelena só conseguia imaginar a cara de Regina com essa tal festa.
Elas passaram mais um tempo conversando até Mary chegar. Emma pensou que Regina voltaria ao hospital, mas a morena nem deu as caras por lá, fazendo Emma se sentir mal.
No dia seguinte o médico voltou para olhar Emma e ela comentou com ele sobre a festa surpresa de Regina.
– Gustavo é sério... Espera, eu posso te chamar de Gustavo né? — Emma perguntou.
O médico sorriu.
– Fique a vontade.
– Ok. Gustavo, você precisa me deixar mais alguns dias aqui.
– Emma, eu não posso deixar um paciente num hospital, sendo que ele não precisa. Além de ser um assunto sério, você ocupa o lugar de quem realmente precisa.
– Pelo amor de Deus, Gustavo, como eu vou organizar essa festa, sendo que estarei debaixo do mesmo teto que Regina e ela mal falando comigo?
– E você ficaria aqui no hospital por isso?
– Mas é claro. Pela Regina eu faço muito mais que isso. — Emma falou sem pensar e ruborizou ao ver a sobrancelha franzida do médico.
– Eu não sei não. Isso pode me prejudicar.
– Vamos fazer assim. Enquanto não tiver ninguém precisando, eu fico aqui. Pode ser?
– E por quanto tempo você pretende ficar aqui?
– Mais uma semana.
Gustavo suspirou fundo.
– Eu vou ver o que posso fazer. Não prometo nada, ok?
Emma deu um largo sorriso.
– Muuuito obrigada. Não fale nada pra Regina hein. Diga a ela que tive uma pequena infecção e tenho que continuar aqui.
– Você é louca e eu mais louco ainda de concordar com isso.
Nesse momento Zelena entrou no quarto acompanhada de Henry.
– Gustavo.
– Zelena.
O médico e a professora trocaram um olhar um tanto... Simbólico.
– Emma, como você está? — Henry perguntou.
– Henry, quanto tempo. Eu estou bem. Vem cá, senta aqui que preciso conversar com você.
Enquanto Emma explicava todos os detalhes da festa para Henry, Zelena e Gustavo estavam conversando.
– Então Emma te convenceu a fazer parte do plano? — Zelena perguntou.
– Pois é. Não sei como, mas ela conseguiu me convencer. E como Regina está em relação a Emma?
– Está doida pra vir aqui, mas decidiu dar um "castiguinho" a Emma.
Os dois riram.
– Eu preciso ir. Nos vemos por aí?
Gustavo estendeu a mão e Zelena apertou de bom grado.
– Nos vemos por aí.
– Ah, então encontrou um novo motivo pra visitar o hospital né? — Emma falou sorrindo assim que o médico saiu da sala, tirando onda com a cara de Zelena.
– Swan, cale a boca ou você vai precisar ficar internada de verdade.
– Uou, ok. Henry, cadê sua mãe?
– Foi dar aula né, Emma. — O menino respondeu como se não fosse óbvio.
– Ah sim. Então você entendeu tudo né? Não pode falar nada pra ela.
– Pode deixar comigo. Nós temos que colocar um nome nessa operação. — Henry falou.
– Nome? Como assim? — Zelena perguntou.
– Um codinome. Nosso disfarce. Ou vocês vão ficar falando "Festa surpresa da Regina?" — Henry perguntou.
– Ele está certo. Que tal "Operação OUAT"? — Foi a vez de Emma perguntar.
– Não entendi. — Zelena e Henry falaram juntos.
– OUAT quer dizer Once Upon a Time, em inglês. Era uma Vez. Afinal, não é esse o tema da festa? Contos de fadas?
– Emma, eu adorei o nome, mas acho que é um erro colocar um tema desses. Primeiro que Regina já odeia festas. Segundo que ela odeia festas surpresas. Terceiro que temos pouco tempo e você ainda me vem com um tema de contos de fadas? E o local? Convidados? As fantasias? — Zelena perguntou.
– Ze, eu tenho tudo sobre controle. Só preciso que você escolha logo a sua.
– Fácil. Bruxa má do Oeste.
Emma gargalhou.
– Ta falando sério?
– Claro. Qual é o problema?
Emma continou rindo. — Problema nenhum.
– Garoto e você?
– Eu vou ser o Peter Pan, ué.
– Só falta a Regina ser a rainha má. — Zelena falou e Emma arregalou o olho. — AAAH, MENTIRA EMMA.
Zelena gargalhava. — Você vai escolher a Rainha má pra Regina?
– Emma, minha mãe vai te matar.
Os três ficaram rindo até o horário de visitas acabar. Como Emma ainda era paciente, eles teriam que cumprir o horário.
Regina tinha acabado de sair da sala de aula e encontrou Ruby no corredor.
– Regina, eu posso falar com você? — A garota perguntou com receio.
– Claro.
– Então, me desculpa. Eu não queria machucar a Emma. Nunca faria isso.
Regina estranhou. — Ruby, por que você está pedindo desculpas pra mim?
– Bom, você ficou muito chateada com o incidente e como você e Emma estão um pouco.. — Ruby ponderou a fala — É... um pouco próximas, eu não gostaria que ficasse nenhum clima estranho entre nós.
Regina estava realmente surpresa.
– Eu que peço desculpas. Sei que você jamais machucaria Emma de propósito e eu exagerei.
Ruby sorriu. — Tudo bem.
As duas se entenderam e Ruby foi para o hospital e Regina pra casa.
Assim que chegou em casa, Regina viu que Henry ainda estava vendo TV.
– Acordado a uma hora dessas? — Regina falou e foi em direção ao filho e lhe deu um beijo.
– Estava te esperando.
– Amanhã eu vou buscar Emma pela tarde, então comporte-se com Adriana.
– Emma vai ter que ficar no hospital mais uma semana, mamãe.
Regina franziu as sobrancelhas.
– Como assim mais uma semana? O que aconteceu?
– Acho que ela teve uma infecção.
– Mas isso é muito grave? — Regina estava visivelmente preocupada.
– Não sei. Bom, to indo dormir. Boa noite, mamãe.
– Boa noite, meu amor.
Henry subiu as escadas correndo, pegou o celular e ligou pra Emma. Sim, ela deu um jeito de esconder o celular.
– Eae, garoto.
– Emma, a primeira etapa da Operação OUAT foi concluída com sucesso.
– Então ela acha mesmo que eu estou com uma infecção?
– Sim e ficou preocupada.
– É por pouco tempo.
– Tudo bem. Eu tenho que desligar. Até amanhã.
– Até amanhã garoto.
Assim que Emma desligou o telefone, Gustavo entrou no quarto falando com alguém no celular.
– Sim Regina, ela teve uma pequena infecção, mas não é nada grave. Só a manteremos aqui por precaução. — Gustavo estava parado de frente a cama de Emma para ela ouvir a conversa. — Tudo bem. Qualquer coisa eu te aviso.
O médico desligou o telefone e olhou pra Emma.
– Espero que você saiba o que esteja fazendo.
– Sei sim. Fica tranquilo. Já escolheu sua fantasia?
– Já sim, mas é segredo. Boa noite Emma.
– Boa noite.
Emma esperou Gustavo sair da sala e ligou pra Zelena.
– Oi Emma.
– Ze, a segunda etapa foi concluída. Ligou pra Mary?
– Liguei sim e ela entrou no nosso bolão. Todo mundo apostando que Regina te mata.
– Zelena, foco. E o Sr. Gold?
– Só falarei com ele amanha né. Agora me deixa dormir.
– Tudo bem. Beijos.
As duas desligaram, mas Emma não conseguiu pregar os olhos.
– Será mesmo que a Regina vai me matar? — Emma se perguntou.
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