Casos e Acasos
24 Casos e Acasos - Capítulo 24
Notas iniciais
Regina foi a primeira a acordar. Seus olhos se acostumaram com a claridade que entrava no quarto. Logo um sorriso se formou nos seus lábios quando ela sentiu os braços de Emma em volta da sua cintura. Ela se virou de frente pra loira e ficou encarando as lindas feições do rosto de Emma que ficavam mais encantadoras com a loira dormindo.
Até um tempo atrás a morena nunca imaginou que estaria nua em sua cama com Emma ao seu lado, mas ela não se incomodava com isso. Ela amava Emma e não gostaria de estar em outro lugar se não ali com a sua menina.
Seus pensamentos foram interrompidos pela voz manhosa da loira ao seu lado.
– É feio ficar encarando as pessoas enquanto elas dormem. – Falou Emma apertando a morena em seus braços.
– Não é quando a visão é uma loira extremamente gostosa e nua deitada ao meu lado. – Respondeu Regina com um tom malicioso e brincalhão.
Emma ao ouvir aquilo abriu os olhos e sorriu genuinamente pra Regina.
– Eu sou irresistível, eu sei. — Ela riu ao sentir o tapa que Regina deu em seu ombro. — Bom dia minha linda. – Falou Emma depositando um beijo na testa de Regina.
– Bom dia meu amor. — Respondeu Regina sentindo todo carinho daquele beijo.
Ficaram um tempo na cama trocando carinhos e embora nenhuma das duas quisesse sair dali, ambas tinham muito que fazer. Era quarta-feira e a festa era naquele final de semana. Emma tinha que finalizar os preparativos e Regina organizar as papeladas do final do semestre.
Levantaram e claro Regina arrastou Emma para o banheiro. Ambas queriam curtir cada momento ali porque com a correria desse final de semana não teriam tanto tempo uma para a outra. Depois do banho Regina seguiria pra faculdade e Emma pra casa, só iria mais tarde para a faculdade.
– Boa sorte. – Regina falou antes de sair.
– Porque boa sorte? – Emma perguntou confusa.
– Seu pai. – Respondeu à morena rindo. – Daria de tudo pra ver a sua cara diante do interrogatório dele. E sim minha querida ele irá fazer um interrogatório. — Deu um selinho na sua loira e seguiu pra porta.
– Obrigada viu. – Emma falou em tom irônico e saiu logo em seguida.
Emma sabia que o pai faria um interrogatório básico, ele não era do tipo que ficava no pé, mas não deixaria de perguntar. Ontem quando ligou ele logo ficou tirando sarro dela, ele não era bobo. Sabia o que tinha acontecido e não perderia a oportunidade de implicar com ela. Apesar dela se sentir um pouco envergonhada com isso, adorava o relacionamento que estava reconstruindo com seu pai.
–Pai, cheguei. — Emma o chamou assim que entrou pela porta.
– Olha só quem resolveu dar as caras. Pensei que não voltasse hoje. — Alexandre falou de um jeito divertido.
– Ha ha ha. Muito engraçado. Hoje eu pego mais tarde no trabalho. — Emma se jogou no sofá e Alexandre sentou ao lado dela.
– E então? — O mais velho perguntou.
– E então o que? — Emma o olhou com as sobrancelhas franzidas.
– E então, Emma? Você dormiu na casa da Regina.
– Sim, só não entendi aonde o senhor quer chegar e se entendi, eu quero fingir que não me perguntou isso.
Emma estava mais vermelha que um tomate e então deitou no sofá e colocou a almofada sobre o rosto.
– Ah Emma, qual é. Pelo menos eu não preciso me preocupar em falar pra vocês se cuidarem.
– PAI!
Emma levantou do sofá horrorizada com o que tinha acabado de escutar e Alexandre não se aguentou e então começou a rir da reação da filha.
– Depois dessa eu não saio do quarto por um mês! — Emma ia andando para o quarto e resmungando. — Nossa, que pai fala isso pra filha?
– Emma, eu estava brincando. Volta aqui. — A cada palavra que Alexandre falava, ele ria cada vez mais.
Como hoje era dia de Regina estar na faculdade na parte da manhã, ela era só sorrisos. Na hora do intervalo encontrou Mary na sala dos professores.
– Regina, vejo que tudo sobre aquele dia foi resolvido, não é mesmo?
– Vamos fingir que aquele dia não existiu. Mas e você e David? Como estão?
– Ah, estamos caminhando bem. E você e Emma?
– Eu e Emma? Como assim eu e Emma?
– Ah Regina, pra cima de mim? — Mary perguntou sorrindo.
Regina viu que não adiantava esconder mais nada, mas não queria que esse assunto se espalhasse, então apenas sorriu pra Mary.
– Mudemos de assunto. Vai fazer o que nas férias?
As duas ficaram conversando por mais algum tempo até dar o horário de cada uma voltar aos seus respectivos afazeres.
Pouco antes do meio dia, Regina já estava pronta pra sair da faculdade. Aquele dia ela só ficava lá na parte da manhã. Assim que estava saindo, seu celular apitou. Ela o pegou e assim que viu o nome de quem havia mandado a mensagem, seu sorriso não poderia ser maior.
“E de repente, tudo mudou. Meu mundo acabou de ganhar novas cores, nossos ares, novo perfume. E que perfume hein… Ela tem um sorriso que é capaz de acender uma avenida inteira. Tem um olhar que, sinceramente, me fascina. Um jeitinho todo dengoso, todo meigo, todo carinhoso, todo estiloso. Posso estar completamente errada mas tenho certeza de que, eu e você nos completaríamos. Porém, não estou querendo atropelar nada, ou então, forçar sentimentos. Sempre acreditei que as coisas iram acontecer no momento certo, exatamente quando devem acontecer, porque afinal, quando é pra ser, tudo começa a se encaixar.”
O sorriso da morena só se alargou ao terminar de ler a mensagem. Ela queria responder, mas não sabia nem o que falar, então foi pra casa sorrindo.
O dia da loira estava corrido. Havia recebido uma ligação do Gustavo e da Zelena. Ambos querendo conversar com ela, então pediu para um amigo substitui-la no trabalho e foi até o hospital conversar com Gustavo.
Enquanto estava dentro do ônibus resolveu mandar uma mensagem pra Regina. Queria ligar, mas não queria parecer grudenta, então só mandou uma mensagem. Quando terminou de escrever, enviou e notou que já estava de frente ao hospital, então bloqueou o celular e foi a procura do Gustavo.
– Boa tarde, você pode me dizer onde o doutor Gustavo está? — Emma perguntou a enfermeira.
– Doutor Gustavo está em cirurgia. Você pode aguardar aqui se quiser. — A mulher respondeu.
– Tudo bem. Obrigada.
Depois de quase uma hora esperando, ele apareceu.
– Emma, desculpa a demora. Não achei que fosse demorar tanto na cirurgia.
– Tudo bem. Deu tudo certo?
– Graças a Deus. Bom, vamos até minha sala que preciso conversar com você.
– Aconteceu alguma coisa entre você e a Ze? — Emma perguntou enquanto eles estavam andando.
– Comigo e com a Zelena? Por quê?
– Porque vocês dois me ligara no mesmo dia e querem conversar comigo. Isso é no mínimo estranho.
Gustavo sorriu. — Bom, é uma coincidência. Eu sei o que Zelena quer falar com você e fique tranquila que não é nenhum problema.
Eles chegaram à sala do médico e ambos se sentaram.
– Então o que ela quer falar comigo? — Emma perguntou.
– Você vai ter que conversar com ela pra saber. Agora vamos focar no assunto que quero tratar com você.
– Ok, diga. — Emma estava ansiosa. O que Gustavo poderia querer com ela?
– Então, nós médicos, em todo semestre do ano convidamos as pessoas a serem voluntárias aqui no hospital. Seja a ala de preferência dela ou a que estamos em falta, só que de uns tempos pra cá nós notamos a queda nas inscrições para voluntários e isso é preocupante, principalmente para as crianças que ficam aqui no hospital, então como eu te conheço há algum tempo e sei do seu comprometimento, eu gostaria de te fazer esse convite. De vir ser voluntária aqui no hospital. Isso normalmente parte de terceiros e não de nós médicos, mas nós não encontramos mais alternativas.
Emma estava surpresa com o convite.
– Bom, eu realmente agradeço por você ter pensado em mim, mas eu não sei se sou a pessoa mais adequada a fazer isso. Assim, quer dizer, isso exige uma tremenda responsabilidade e eu não sei se darei conta. — A loira estava realmente apreensiva. Feliz por Gustavo ter pensado nela, mas com um certo receio.
– Vem comigo. — Ele a chamou r Emma apenas o acompanhou.
Eles passaram por todas as alas em que o hospital tinha disponível e as que mais precisavam de voluntários. Pela dos idosos, das crianças recém-nascidas, inclusive visitaram o bebê que foi encontrado pelos enfermeiros. Foram em todos os lugares e a última parada foi à ala das crianças com câncer. Antes de entrar, Gustavo alertou Emma que não era algo fácil de ver e lidar. Você interagir com crianças naquele estado exigiria um psicológico bastante preparado e todos os voluntários passavam por acompanhamento durante a estadia no hospital, como um modo de ajudar a lidar com as crianças.
Assim que entraram, Emma engoliu seco. O coração se contraiu de tal forma, que Emma ficou puxada o ar com dificuldade. Ali estavam os guerreiros mais imbatíveis que existia. Emma via muitas carinhas abatidas, algumas até dolorosas, mas todas sorrindo. Nenhuma delas estava chorando, muito pelo contrário.
Ficaram ali por algum tempo e Emma não poderia ter ficado mais encantada. Conversou com algumas crianças, sobre seus gostos e várias ideias já vinham surgindo em sua cabeça.
– Ok, Gustavo, isso foi golpe baixo. — Emma disse assim que eles saíram da sala das crianças.
– Eu queria que você visse com seus próprios olhos como tudo acontece. Agora eu volto a te perguntar: Você aceita ser voluntaria aqui, Emma?
– Sem pensar duas vezes. Sim, eu aceito.
– Ótimo. Então depois acertamos os detalhes.
Eles sorriram e se abraçaram. Como já estava quase na hora de ir pra faculdade, Emma se despediu do amigo e seguiu para falar com Zelena. Aquela era a última semana que a faculdade funcionaria, já que no sábado seria a festa de fim de ano.
Regina havia saído da faculdade e foi direto pra casa. Henry voltaria da casa do pai naquela tarde e ela queria curtir o filho um pouco.
– Mamãe, eu queria ir ao cinema.
– Mas logo hoje, Henry? Eu pensei da gente ficar aqui grudadinhos o dia todo. — Regina falou e apertou o filho em seus braços.
– Só se me prometer que na próxima vez que formos ao cinema a gente vai levar a Emma.
– Ta bem. Eu prometo.
Eles sorriram e passaram a tarde toda assistindo filmes e comendo besteiras.
Emma e Zelena conversaram por bastante tempo e novamente Emma não pôde deixar de se surpreender com o rumo da conversa. Zelena disse que Emma havia passado no processo seletivo que todos os alunos do curso faziam quando chegavam à época de estagiar. Ela não podia estagiar no próprio campus que estudava, mas como Zelena era a coordenadora e o campus precisava de mais estagiários, ter Emma ali seria de grande ajuda. A loira teria que abrir mãos dos empregos que tinha, porque o único horário que Zelena havia conseguido era na parte da tarde. Então deixou a loira escolher. O mais doloroso seria sair do clube em que trabalhava, mas como qualquer coisa que vale a pena exige sacrifícios, Emma não pensou duas vezes para aceitar.
Depois de um logo dia Emma chegou em casa tarde da noite, estava cansada. Como previsto não viu Regina o dia todo e já estava morrendo de saudades da morena. Olhou as horas e decidiu ligar para a mulher que além de povoar seus pensamentos, era a responsável pelos sorrisos diários de Emma.
Ligação On
– Oi. – Falou com a voz tímida embargada pelo sono que chegava.
– Oi. – Respondeu Regina do outro lado. – Eu não sabia se você já tinha chegado em casa, estava esperando pra te ligar. Senti saudades. — Admitiu a morena do outro lado da linha.
Emma sorriu ao ouvir que a morena também sentia saudades.
– Eu também linda. Como foi o seu dia?
– Cansativo, corrido, mas só pela amanhã. – Sorriu. — E o seu?
– Bem corrido também. Novos horizontes se abrindo. – Respondeu a loira com um sorriso nos lábios pensando na tarde no hospital e na proposta de Zelena. As coisas não poderiam estar melhores, e ter Regina em sua vida deixava Emma mais feliz ainda.
– É mesmo? Conte-me mais sobre isso. – Pediu Regina.
– Que tal você aceitar almoçar amanhã comigo e então eu te conto tudo? – Emma falou em tom galanteador.
– Almoço em troca de informações Miss Swan? Que feio! – Fingiu repreende-la.
– Tenho que usar as cartas ao meu favor Senhorita Mills.
– Ok, eu topo.
– Eu passo aí lá pelas 11:30h, ok? – Emma falou e bocejou.
– Ok, Em. Agora vai dormir.
– Poxa, mas a gente ficou sem se falar o dia todo e você já está me mandando ir dormir? – Emma fingiu estar chateada.
– Claro que não meu amor. Eu sei que você está cansada, mas não vai admitir isso e desligar o telefone primeiro, então cabe a mim te mandar ir dormir.
– Só porque você está pedindo.
– Então vai lá.
– Ok. Sonha comigo? – Emma perguntou de uma forma tão doce, que Regina achou graça.
– Pode deixar. Durma bem.
– Vou dormir pensando em você, então dormirei otimamente. Boa noite, linda.
Emma desligou o telefone e mais uma vez, deixou Regina abobada do outro lado da linha.
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