Casos e Acasos
10 Casos e Acasos - Capítulo 10
Notas iniciais
Na manhã seguinte Emma acorda com o barulho do celular escondido tocando.
– Oi garoto. — Emma fala assim que reconhece o número de Henry no visor.
– Emma, hoje minha Vó vai vir ficar comigo enquanto minha mãe vai dar aula. Podemos ir aí?
– Pode sim. Eu aproveito e falo com ela sobre a nossa operação.
– Tudo bem. Depois da escola nós passamos aí.
– Ta bem, garoto. Beijo.
– Beijo.
Assim que encerram a ligação, Mary apareceu na porta do quarto.
– Ei criança, está melhor?
– Ótima. Confesso que ansiosa.
– Emma, você tem certeza disso?
– Absoluta. O máximo que pode acontecer é ela nunca mais olhar pra minha cara, coisa que ela já não está fazendo mesmo.
Emma deu um sorriso triste.
– Ei, vai da tudo certo.
Elas ficaram mais um tempo conversando.
Já na casa de Regina era só correria.
– Henry, vamos logo.
– Calma mãe.
– Estava falando com quem? Ouvi sua voz lá em cima.
– Ninguém não. Vamos? — Henry fez uma cara tão de desentendido que fez Regina desconfiar, mas decidiu não pressiona-lo.
– Vamos. Não se esqueça que sua Vó irá te buscar na escola.
Os dois saíram de casa.
Já na parte da tarde, Cora e Henry estavam conversando na sala.
– Vovó, nós podemos ir visitar a Emma no hospital?
– Quem é Emma, Henry? — Cora perguntou curiosa.
– A aluna da mamãe. Eu já falei dela pra senhora.
– Ah claro. Sua mãe também já comentou comigo sobre ela.
– Então podemos ir?
– Sua mãe sabe?
– Vovó, lá a senhora vai entender tudo. Eu vou me arrumar.
O menino saiu andando sem dar tempo de Cora falar alguma coisa.
No hospital, Emma aguardava ansiosa pela visita de Henry e Cora. Seria a primeira vez que falaria com a mãe de Regina. Como será que ela reagirá?
Emma estava perdida em seus pensamentos e só foi despertar, quando ouviu a voz de Henry.
O garoto entrou pela porta, seguido pela Avó.
– Henry. — Emma abriu um sorriso ao ve-lo.
– Emma, essa é minha Vó, Cora. Vó, essa é a Emma.
A senhora estendeu a mão e Emma a cumprimentou na hora.
– É um prazer Emma.
– O prazer é todo meu.
– Vejo que você está bem. Quando vai ter alta?
– Então, eu preciso conversar com a senhora.
– Claro, mas só depois que você parar de me chamar de senhora.
Ambas sorriram.
– Tudo bem. Então, Cora, o motivo que eu ainda estou nesse hospital, é para preparar uma surpresa pra Regina. — A cada palavra, Emma falava com mais calma. Se todos próximos a ela surtaram com a ideia, a mae de Regina não seria diferente.
– Que tipo de surpresa se prepara ficando num hospital? — Cora já estava acomodada em uma poltrona e Henry sentado próximo aos pés de Emma.
– É que eu quero fazer uma festa surpresa para Regina, com o tema de contos de fadas. — Emma falou tudo de uma vez só e literalmente fechou os olhos, esperando um esporro gigante.
Diferente do que a Emma pensou, Cora deu um largo sorriso.
– Eu amei. Quando vamos começar a organizar?
Emma franziu a sobrancelha.
– Você não vai querer me bater e dizer que Regina vai me matar?
Cora deu uma leve gargalhada.
– Eu não vou te bater, porque adorei a ideia, mas já sobre Regina te matar, eu não posso dar garantias.
Sim, Emma estava começando a ficar assustada com todo mundo falando esse tipo de coisa.
– Será que ela vai gostar? — A loira perguntou receosa.
– Emma, querida, deixa eu lhe contar uma história. Mas antes, Henry, nada de contar isso pra sua mãe. — O menino assentiu. — Bom, Regina sempre gostou muito dos contos de fadas, quando era mais nova, tanto que a festa de 15 anos ela escolheu esse tema para sua festa. Não era surpresa nenhuma ela gostar tanto da Rainha Má, pois essa era Regina. A que preferia os vilões, porque dizia ela que nenhum deles nasceu assim. Todos os vilões eram bons, mas algo ruim aconteceu a eles, os forçando a serem maus. Regina estava toda empolgada. Mandamos fazer uma fantasia da Rainha má especialmente pra ela. O salão foi todo decorado. Estava lindo. Tudo lindo, até que deu a hora da festa. Regina tinha se escondido, pois queria ser a ultima a chegar, mas na festa dela, as pessoas que foram podíamos contar nos dedos. Uma menina mais popular que Regina deu uma festa no mesmo dia, com o mesmo tema. Depois desse dia, festa ficou fora de cogitação pra Regina. Ela ficou muito mal durante dias, mas depois resolveu deixar isso pra trás. Em todos seus aniversários seguintes, o máximo que eu e o pai dela conseguiam os fazer, era arrastar ela para algum restaurante.
– Nossa. Eu achava que essas coisas só aconteciam em filmes — Foi só o que Emma conseguiu falar.
– Mas me diga. O que está faltando?
– Eu vou conversar com um amigo meu e ele vai reservar o salão. Você poderia me ajudar com as fantasias.
– Claro. Claro.
– Vovó, eu vou ser o Peter Pan. — Henry falou todo empolgado.
– Eu imaginei isso. — Cora sorriu. — Querido, vai pegar um café pra mim?
– Claro. Já volto. — O menino saiu da sala e acabou encontrando o Gustavo no corredor. Acabaram que ambos foram para a cantina do hospital.
– Agora que estamos a sós, eu queria te perguntar o porquê você está tão disposta a fazer tudo isso pela Regina. — Cora perguntou realmente curiosa.
– Regina é muito importante pra mim. Ela me ajudou quando eu mais precisei e digamos também que é um pedido de desculpas por eu ter falado coisas que não devia.
– Entendo. Só continuo em duvida sobre uma coisa. Por que você precisa organizar tudo isso aqui do hospital?
Emma deu um longo suspiro e então começou a contar toda a história para Cora. Desde a perda de sua mãe, até a ultima vez que ela e Regina se viram.
– Menina, você é realmente muito corajosa. E então, já decidiu sua fantasia?
– Sabe que eu nem pensei nisso ainda. — Emma deu um meio sorriso.
– Mas como não? Temos que agilizar tudo logo. Mas agora eu tenho que ir, porque daqui a pouco Regina ta em casa.
– Tudo bem, mas Cora, é... Como vamos fazer pra Regina colocar a fantasia?
– Isso você pode deixar comigo. — A mulher piscou pra Emma.
Logo assim que Cora levantou da poltrona, Henry e Gustavo apareceram na porta.
– Se minha salvação fosse o café, eu estaria morta, né? — Cora falou tirando onda com a demora de Henry.
– Humm, me desculpe, mas acho que a culpa é minha. Imaginei que você queria falar a sós com Emma e levei Henry para um tour no hospital. — Foi a vez de Gustavo falar.
– Pois imaginou certo. Muito obrigada.
Todos se despediram e Cora e Henry saíram de lá.
Assim que chegaram em casa, Regina já estava a espera deles.
– Posso saber onde os estavam? – A morena estava sentada no sofá vendo TV.
– Nós fomos visitar a Emma. – Cora tomou a iniciativa.
– Hum. – Regina que pretendia falar um monte, ao escutar isso, não conseguiu falar mais nada.
– Henry, por que você não vai tomar seu banho pra depois a gente jantar? – Cora direcionou ao menino.
– Quer falar sozinha com a mamãe, né?
– Exatamente.
Os dois sorriram e Henry subiu.
– Querida, você já não acha que está na hora de ir conversar com a Emma, não?
– Pelo visto vocês conversaram muito, né?
Regina continuava voltada para a televisão.
– Regina, não muda de assunto.
– Mamãe, a Emma me magoou e eu ainda não estou pronta para perdoa-la.
– Regina, a menina foi impulsiva, falou algo que não devia, mas você não acha que está levando isso um pouco a sério demais não?
– Não sei. – A morena deixou a cabeça no colo da mãe.
– Querida, ela gosta tanto de você. – Cora falava e fazia cafuné na filha.
– E eu dela. – A morena sorriu.
– Que sorrisinho é esse, Regina?
Regina fechou a cara na hora.
– Que sorriso?
– Querida, só vá visitar a Emma, tudo bem?
– Uhum.
Cora ficou fazendo cafuné na filha até Henry descer para jantarem.
Após o jantar, Regina foi colocar Henry na cama. Era sempre assim. Por mais que Henry insistisse na sua ‘’fase adulta’’, nem o próprio abria mão disso.
– Mamãe, você está chateada com a Emma? – Henry perguntou deitado na cama.
– Não mais. Você gosta mesmo dela, né? – Regina perguntou fazendo carinho no rosto do filho.
– Sim, muito.
Regina sorriu.
– Vai dormir meu príncipe. Bons sonhos.
– Boa noite mamãe.
Ela deu um beijo nele e foi em direção a seu quarto, decidindo por fim ir visitar Emma no dia seguinte.
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