Notas iniciais
"Chamou?"

Você acredita em papai Noel?

Aquele simpático velhinho que, todos os anos, na véspera do Natal, visita as casas do mundo inteiro com um trenó puxado por renas mágicas e deixa presentes para as crianças bem comportadas. Uma figura conhecida há séculos.

Não sei quanto a você, mas o caso do misterioso desaparecimento do bom velhinho, naquele final de ano, abalou o mundo inteiro.

Rapidamente, espalhou-se a fofoca de que o papai Noel estaria sendo mantido em cárcere privado e os bandidos exigiam uma quantia imensa de dinheiro em troca de sua libertação. Outros boatos falavam de uma hipótese ainda mais absurda: aquele seria o primeiro ano que não haveria Natal!

E isso, é claro, não poderia acontecer de maneira alguma.

***

Durante aquela manhã do dia 24 de dezembro de 2013, aos arredores da mansão do papai Noel, o movimento de pessoas era intenso. Várias tendas cobertas haviam sido montadas, em meio à neve, para atender às necessidades dos investigadores, formando assim, uma espécie de acampamento. Só que sem a parte divertida.

Logo, uma pista de pouso foi preparada para receber os helicópteros, o meio de locomoção mais fácil e rápido naquela região. A central de telefonia fora montada em uma das tendas para receber, especialmente, denúncias anônimas sobre o caso. Já a patrulha, especializada em resgate na neve, estava a postos para qualquer emergência que surgisse.

A tenda maior, do centro, abrigava o refeitório (que era, para muitos, a melhor de todas). Ao redor desta, seguiam tendas menores, cada qual com uma função diferente. As mais distantes, por exemplo, serviam como dormitórios para todo o pessoal que trabalhava na operação.

Mas, é claro, ninguém pensava em descansar em uma hora como aquela. Tempo. O que eles menos tinham de sobra. E cada segundo perdido...

— ... Poderá significar o fracasso da missão. Determinação. Compromisso. Seriedade. Temos que nos concentrar em resolver este caso o mais depressa possível... Está entendido? — falou o general.

E, como não houve resposta, repetiu, em um tom levemente mais irritado que antes:

— En-ten-di-do?

Como se não tivesse prestado atenção naquela longa e cansativa conversa (o que, não posso culpá-lo por isso), o rapaz, meio magrelo e com aspecto um pouco pálido, encarou o general por alguns instantes. Ao acaso, ocorreu falar o que sempre lhe fora ensinado pelos mais experientes:

— Sim, senhor!

— Ótimo, ótimo.

Se o general notou seu desinteresse e sua total e completa indisposição, não deu sinais disso. Este em questão era um homem baixo, calvo, de temperamento autoritário e com um belo bigode “Chevron” do qual ele tinha muito orgulho. Seu mais precioso e inseparável objeto era um daqueles relógios de bolso antigo, do tipo que só colecionadores de antiguidades e avós têm. Avós dos seus avós, melhor dizendo.

Alguns segundos se passaram com um silêncio desconfortável no ambiente. O garoto deu um longo bocejo e, finalmente, o general quebrou o silêncio comentando:

— Bem, acho que acabei fugindo um pouco do assunto principal...

— Nem sei direito qual era assunto principal mesmo — comentou o rapaz baixinho, para si mesmo.

— ... Você veio aqui para falar algo comigo. Sei que pode ter parecido um pouco cansativo, mas essas “poucas” palavras precisavam ser ditas. Sou todo ouvidos, agora.

O rosto do mensageiro era desanimador. Más notícias, ele trazia. Só não sabia como iria dizê-las ao general.

— Hum... É sobre a contratação de um detetive para o caso, eu...

Mal pôde terminar, já foi interrompido – de novo – por um soldado, claramente perturbado, que havia chegado naquele instante.

— Com licença, Sr. Gomez? Há algumas pessoas querendo urgentemente falar com o senhor! Elas estão esperando na tenda de reuniões.

— Urgente? Estou indo neste exato momento.

O general então saiu da tenda de discussões, sem dar mais explicações, e se dirigiu ao tal lugar. Foi seguido de perto pelo mensageiro, a quem não deu atenção.

Por uma feliz coincidência, o mau tempo havia passado e o sol brilhava no céu. O que, por sinal, facilitava muito a caminhada na neve.

Não demorou muito, os dois chegaram à tenda de reuniões que funcionava, basicamente, como uma sala de espera. O general logo reconheceu a figura, sentada em um pequeno sofá ali disposto e olhando para a tela de um celular.

— Srta. Esper, a jornalista! Que surpresa mais agradável.

Ela levantou a cabeça para olhar, mas já imaginava quem havia dito aquelas palavras.

— Acho que vou ter que concordar com o senhor, general querido. Da última vez, aquela matéria sobre o Natal me rendeu muitos elogios da minha supervisora, se quer saber.

Carolina Esper, uma das pessoas mais prestigiadas em seu ofício de repórter, estava sempre apresentável, não importava a situação. Em qualquer evento grande o bastante para dar-lhe destaque, lá estava ela, antes de qualquer outra pessoa. E presente ao seu lado em todos os lugares (naquele momento, sentado um pouco mais distante), o cara da câmera.

— Bom, eu não me lembro de ter dado permissão para a senhorita gravar aquela nossa conversa particular, que aconteceu da última vez — ele a encarou com as sobrancelhas franzidas, claramente irritado.

— Águas passadas, general querido — balançou as mãos para o alto, como se ele tivesse tocado em um assunto muito delicado. — Agora, na verdade, estou aqui para cobrir as investigações do desaparecimento do papai Noel. Gostaria de ter uma “conversa particular” com o detetive encarregado do caso, se o senhor me der permissão.

Enquanto falava, o cinegrafista se aproximou com uma câmera de todo tamanho apoiada nos ombros. Logo, ele entregou um microfone para a repórter, que encarava o general à espera de uma resposta.

— Um obrigado de vez em quando seria bom, sabe? — comentou baixinho o cara da câmera.

O Sr. Gomez parecia em transe, totalmente absorto em seus pensamentos, com olhar vago. Então, de repente, soltou:

— Detetive? Onde-

Seu olhar imediatamente se dirigiu ao rapaz que o acompanhava, do qual ele não recordava o nome de jeito nenhum e não estava com tempo para perguntar.

— É sobre isso que eu tava tentando dizer esse tempo to-

— Onde está a lista com os nomes que eu te passei? — interrompeu o general.

— Aqui, senhor — ele apontou para uma prancheta que estivera carregando desde o início.

— E o detetive? Já está a caminho? Por que está demorando tanto? Quem é que você chamou, afinal de contas?!

— Senhor, eu e-entrei em contato com os melhores detetives do mundo, mas n-nenhum deles estava disponível — foi nesse momento que o rapaz sentiu um tremendo nó na garganta, em parte por causa da maneira como o general o encarava. Os braços estavam cruzados sobre o peito, corpo tensionado, olhar penetrante, testa franzida. Aquele, definitivamente, não era um bom sinal.

— Quer dizer que estamos sem um detetive para resolver o caso? — disse, com a voz extremamente baixa, dando ênfase em cada palavra. Suas bochechas ganharam um tom levemente avermelhado. A irritação, visível.

O mensageiro tremeu nas bases, com medo do que viria a seguir.

Foi exatamente nesse instante que um grupo de mais ou menos dez pessoas — uma espécie de anões, usando vestidos coloridos e chapéus adornados nas cabeças — entraram na tenda às pressas, fazendo um grande estardalhaço. Aquela confusão toda acabou por desviar a atenção do general, salvando o pobre rapaz de um sermão daqueles.

— Exijo que alguém me explique o que diabos está acontecendo aqui?! — esbravejou, claro, o Sr. Gomez.

Mais e mais pessoinhas pequenas, em poucos segundos, invadiram o lugar, que já não era lá muito grande. Todas elas conversavam entre si e a voz do general, logo, se perdeu no barulho. Agora, seu rosto já estava tão vermelho quanto um tomate.

Dentre aquela multidão, uma figura um pouco mais alta que as outras, se destacou. O general acompanhou seu movimento com olhos esbugalhados, perguntando-se quem seria aquela “pessoa” (porque, se era uma, ele ainda não sabia ao certo). Ela veio andando, abrindo espaço por entre as anãs, desde a entrada da tenda até o lugar onde o Sr. Gomez e os outros estavam.

E, quando, finalmente, eles ficaram frente a frente, o general ainda não estava totalmente certo de se tratar ou não de um ser humano. A turminha atrás dela, imediatamente e sem que ninguém precisasse falar, se calou. O silêncio dominou o ambiente.

Antes que o Sr. Gomez pudesse expor suas dúvidas ou dizer qualquer outra coisa, a garota estendeu sua mão para cumprimentá-lo e se apresentou:

— Prazer, sou a detetive Bengala de Açúcar.

O general não ousou se mover. Levou alguns segundos para que a informação fosse processada. Nesse meio tempo, permaneceu calado, encarando a tal figura que, aos seus olhos, não passava de uma criança. O motivo para tal pensamento era sua aparência um tanto... Incomum, digamos. Igual às “anãs” (que, assim como ela, o general não tinha muita certeza do que se tratava), a garota usava um vestido das cores branco e vermelho. Seu cabelo estava preso com fitas da mesma cor.

— Oh, não. Isso não está acontecendo — falou ele, massageando as têmporas. — Isso não está acontecendo.

Seu olhar irritado logo caiu, novamente, sobre o mensageiro. Ignorando a menina com as mãos estendidas, ambos foram até um canto ter uma conversa particular. O general parecia bem tenso, aos olhos do jovem.

— Mas que tipo de “detetive” é essa, hein? Já sei que não gosto dela, nem um pouco. Talvez, ainda haja uma segunda opção. Talvez... O Sr. Sherlock Holmes? — virou-se para o rapaz, esperançoso.

— Ocupado.

— Sr. Poirot?

— Também.

Respirou fundo.

— O... Inspetor Clouseau?

— Senhor, ela é nossa última opção!

De um lado, esses dois tentavam resolver o impasse. Do outro, acontecia uma entrevista com a recém-chegada. O cinegrafista apontava a câmera para a repórter, que parecia um gigante ao lado da investigadora.

— Conversamos agora com a detetive Bengala de Açúcar, encarregada das investigações no caso que chocou o mundo, o maior desaparecimento da história. Veja, após os comerciais, a entrevista exclusiva... — Carolina sinalizou que parasse de gravar. — Agora, se vocês me derem licença, tenho que retocar a maquiagem. Depois marcamos uma entrevista, tá bem, querida?

Bengala apenas balançou a cabeça afirmativamente, sem entender o porquê. A graciosa Srta. Esper e o cara da câmera saíram da tenda com dificuldade, por causa da multidão. Uma das pequeninas, que tinha um chapéu enfeitado com balas de jujuba, aproximou-se da detetive.

— Que gente mais estranha, né Jujubinha? Você viu aquele cara? Parece meu avô! — disse, referindo-se ao Sr. Gomez.

A detetive pegou uma bengalinha doce do bolso e colocou na boca. Ah, o sabor era delicioso! Este era, de longe, sua guloseima predileta. Naquele momento, os dois homens voltavam de sua conversa particular. O “mais velho” logo se apresentou:

— Acho que começamos com o pé esquerdo, não é? Gomez, representante da UNO de assuntos natalinos. Muito prazer, detetive.

Ambos trocaram um aperto de mãos amigável. O mensageiro achou que o general parecia até estar aceitado bem a situação. Ou então, era um ótimo ator. Prontamente, a detetive tirou a bengala doce da boca e falou:

— Bem, todo esse pessoal atrás de mim são minhas ajudantes, assim como a Jujuba aqui — falou a detetive.

Todas as anãs da multidão acenaram as mãozinhas em cumprimento e pareceu, por um momento, que a tenda estava mais cheia do que aparentava.

Sentindo-se pressionado, o general resolveu apresentar o rapaz ao seu lado:

— Este jovem aqui é meu mensageiro. O nome dele é... É... João? É...

— Pedro, senhor — suspirou.

— Exatamente o que eu disse.

A detetive teve que se segurar para não rir. Sem querer, acabou comentando:

— Hum, mas quem é que se esquece do nome das pessoas com que trabalha?

As faces do general ficaram vermelhinhas, só que dessa vez, não foi por irritação.

— Ah... E... O que são elas? — apontou para a turminha de trás da detetive. — Anãs? Versão feminina dos Oompa Loompas ou dos Minions?

— Não. Na verdade, elas são de uma nova espécie chamada Pu-mi-lia. Elas são Pumilias.

— Interessante!

— Nossa, eu nem fazia ideia...

Enquanto os dois falavam entre si, Bengala aproveitou a oportunidade. Depois de tornar a colocar a bengala doce na boca, tirou do bolso seu bloquinho especial, em forma de lupa. Todos os seus casos estavam ali anotados. As pistas, suspeitos... Em resumo, tudo. Numa seção, por exemplo, ela escrevera:

“Caso do Dente de Alho.”

E, carimbado por cima, em cor verde, estava escrito:

“Encerrado.”

Em outras páginas pelas quais passou, relembrou alguns de seus melhores trabalhos, como o:

“Caso Era Uma Vez. Encerrado.”

“Caso do Ex-termínio. Encerrado.”

“Caso Felizes Para Sempre. Encerrado.”

Outros, uma minoria eu diria, apresentavam um carimbo diferente, de cor vermelha. Significava que o caso não fora solucionado, como o do:

“Caso Falso. Abandonado.”

Por fim, depois de ter passado por quase todas as páginas do bloquinho, achou uma em branco onde anotou as primeiras palavras:

“Caso Papai Noel.”

***

O Sr. Gomez e a detetive, acompanhada por Jujuba, dirigiram-se prontamente para uma das tendas com objetivo de começar as investigações. Pedro havia sido dispensado pelo general com as palavras: “Vá fazer algo de útil. Se precisar de você, eu mando chamar.”.

Enquanto andavam, uma dúvida logo ocorreu à detetive. Ela tirou a bengalinha doce da boca e perguntou:

— Toda a casa foi evacuada, general?

— Sim. De humanos, sim. A mamãe Noel está foragida... Quer dizer, desaparecida assim como o papai Noel.

— Talvez ela tenha sido levada pelos bandidos. Só espero que eles ainda estejam vivos.

Ele pareceu refletir por um momento sobre a hipótese. Então falou:

— Não podemos tirar conclusões precipitadas, mas...

— O quê?

— Os presentes também foram levados.

A expressão no rosto da detetive era de total surpresa.

— Oh, mas isso é horrível! Será então que não teremos Natal?

— Nem pense em uma coisa dessas, detetive! Ah, não podemos parar um pouquinho para descansar? Estou ficando enferrujado...

— É a idade — comentou baixinho a detetive.

— ... Para onde estamos indo? Recolher pistas? Interrogar os suspeitos?

— É. Mais ou menos. Pirulito!

E, como num passe de mágica (ou ilusionismo, como preferir) a Pumilia mencionada simplesmente se matearilizou em frente a eles.

— Chamou? — perguntou a pequena.

— O quê?... Como é possível? — indagou o general, incrédulo.

— É só eu pensar no doce, que ela aparece. Não há explicação!

— Mas tem que haver uma expli-

— Não há explicação, estou dizendo. Por exemplo, tem gente que acredita em Deus ou Deuses. Pede para eles explicarem isso, pra ver no que dá!

E, dirigindo-se à Pumilia, falou:

— Pirulito, como nós estamos em relação aos suspeitos?

Dito isso, o general não teve como rebater. Pirulito se aproximou da detetive e cochichou em seu ouvido. Contente, ela agradeceu e logo transmitiu as novas ao general:

— Temos o Lobo Mal que recusou dar explicações sem a presença de seu advogado. E um pequeno contratempo com a Bruxa Malvada do Sul. Ela chegou a ser presa, mas foi liberada por falta de provas, de acordo com a Pirulito.

— Então... Estamos indo interrogar?

— Errado! As Pumilias dão conta do recado. Bala de Goma, Brigadeiro, Pão de Mel, Bombom e... Chocolate! — esta última, com certeza, a mais amada por todos.

Logo, cinco pequeninas apareceram na frente deles. Bengala deu uma tarefa específica a cada uma e as dispensou para fazerem seu trabalho.

— E agora? Vamos simplesmente cruzar os braços e esperar?

— Claro que não, quem disse? Vamos entrar no espírito natalino! Passamos lá na tenda refeitório e tomamos um copo de coca e comemos um pedaço de panetone, que tal? Ah, vejo que você adorou a ideia, está até ficando vermelhinho de emoção!

***

O plano da detetive, para alívio do general, acabou não se concretizando. Enquanto eles conversavam, chegou às pressas um homem de farda para relatar algo. Respirando com dificuldade, ele soltou:

— General, os duendes!... Eles estão destruindo a fábrica...

— Vishh — soltou a Pumilia.

— Vamos lá ver o que está acontecendo — resolveu a detetive.

Não era tão fácil assim. A fábrica de brinquedos do papai Noel ficava lááá embaixo. Foi preciso pegar um elevador e descer por uma íngreme escada até que eles pudessem chegar ao tal lugar.

— Nossa, como é que uma pessoa idosa lida com isso? Até eu que sou bem novinho estou tendo dificuldade — disse o general, caindo na gargalhada de si mesmo.

— Olha só, você sabe rir!

E foi só falar que ele voltou a ficar sério, parando de sorrir. Mas Bengala ignorou sua mudança repentina e comentou baixinho, para si mesma:

— Eu sabia que você não era sério o tempo todo, como as pessoas insistem em afirmar.

Finalmente, quando alcançaram o lugar, não faziam ideia do que encontrariam pela frente.

Simplesmente, um caos total e completo.

Tintas derrubadas no chão, embrulhos de presentes despedaçados, cacos de vidro onde quer que olhassem. Afinal, uma tremenda confusão.

E o pior de tudo eram os duendes. Estavam em péssimo estado! Alguns, sentados de frente para a parede, outros deitados em lugares muito incomuns. Sorriso, diversão e simpatia pareciam palavras inexistentes por ali.

Ambos, general e detetive, observavam a cena com espanto. Não sabiam direito como expressar em palavras o tamanho da tristeza que parecia poluir aquele ambiente.

Foi então que ouviram uma voz feminina. Achavam que nenhum ser humano na face da Terra conseguiria expressar algo, naquele instante, sem cair em lágrimas. Mas logo descobririam que estavam enganados.

— Falo direto da fábrica do papai Noel, onde uma rebelião de duendes estourou. Ainda não foi calculado o valor total do prejuízo, mas podemos ver aqui o estado lastimável dos materiais. Só mesmo vândalos para fazerem algo assim. Nenhum suspeito foi preso até agora... Corta!

No meio de toda aquela desgraça, havia alguém certamente muito contente. Apresento a todos, Carolina Esper.

— Conseguiu umas imagens boas? Há! Essa matéria vai bombar, escute o que eu digo...

— SENHORITA! Mas que falta de vergonha é essa?! — a fala repentina do Sr. Gomez assustou a todos. — Se aproveitando desses pobres duendes!... O que raios aconteceu aqui?

Ele andou até a repórter com os olhos saltando das órbitas e o rosto vermelho de raiva. Para evitar o bate-boca que estava prestes a começar, Bengala correu para ficar entre os dois. Com um tom de voz autoritário, sem chegar a ser agressivo, ela falou:

— Discussão não leva a nada. Por que todos não nos empenhamos para achar uma solução? Esper?

Ela se virou para a jornalista, estufando o peito e levantando os ombros, para parecer mais alta.

— Tá bem, querida — pronunciou com desprezo, depois de alguns instantes.

E, virando-se para o general, a detetive mudou totalmente sua postura. Seu corpo estava relaxado e sua energia, totalmente controlada. Ela respirou profundamente, puxando ar pelo nariz e soltando pela boca, antes de começar a falar:

— Não se preocupe. Sei o quanto está irritado e com raiva nesse momento. Também estou! Mas precisamos nos manter calmos para não piorar tudo, ok? Eu sei que você dá conta. — sua mão tocou com delicadeza o ombro do general e lá ficou.

Como num passe de mágica, a energia dele mudou completamente. Os ombros relaxaram, assim como o resto do corpo e as rugas de raiva na face desapareceram. Ele mesmo notou a diferença na hora. E que diferença! Nem parecia o mesmo homem.

— Perfeito! Agora, vamos ouvir a versão dos duendes, certo? Se quiserem gravar, tudo bem.

— Por que eu iria querer mostrar a verdade se a mentira é muito mais lucrativa? Então não, nós não queremos, obrigada — respondeu Carolina rispidamente.

A detetive se aproximou de um dos duendes, escorado na parede. Jujuba tentava ajudá-lo a levantar, mas ele parecia não ter mais forças. Bengala sentou ao lado do pobre coitado e falou, com a voz mais macia que pôde:

— Senhor duende. Está tudo bem, não vamos machucar vocês. Eu sou a detetive Bengala de Açúcar e aqueles são o Sr. Gomez, Srta. Esper e...

— É Bob — sussurrou o cinegrafista.

— E o cara da câmera. Só queremos saber o que realmente aconteceu aqui.

O duende balançou a cabeça tristemente. O lado direito de seu rosto estava sujo de tinta roxa e o olhar, vazio. A detetive imaginou, para servir de comparação, a figura de um zumbi. Depois de alguns segundos em silêncio ele, finalmente, resolveu falar:

— Estamos cansados. Cansados de trabalhar e trabalhar o ano inteiro para deixar os presentes prontos. Agora, tudo sumiu. Demos um basta! Estamos com raiva. Estamos cansados... E o Natal está condenado.

Os olhos se fecharam e seu corpo tombou no chão duro. A angústia tomou o coração de todos. Uma lágrima silenciosa rolou pelo rosto da detetive.

— Ele está... M-morto? — perguntou Bob.

O silêncio se seguiu e ele se perguntou se alguém tinha ouvido suas palavras ou se todos estavam, como sempre, o ignorando. Porém, não demorou muito, a voz fraca da detetive respondeu:

— Não. Está apenas exausto. É melhor deixarmos ele e os outros dormirem um pouco. Vamos deixar eles em paz.

Ninguém quis discutir com ela. Depois de se afastarem da cena de guerra, começou a discussão do que poderia ser feito a seguir.

— Chamar a polícia e fazer um boletim de ocorrência, é claro.

— Onde você tava quando o duende falou? No mundo da lua?!

— Parem vocês dois. Isso é sério! Se não pudermos encontrar um jeito de recuperar os presentes, o Natal pode mesmo estar condenado.

O general estava impressionado com a seriedade da detetive. No começo, ele pensava que ela era daquele tipo de pessoa que brinca e faz piadas. Mas agora, percebia que teria que rever seus conceitos.

— Então, vamos nos concentrar e pensar em uma solução, ok? Quero ver todo mundo dando ideia e, para isso, precisamos de silêncio... Olha, quer saber? Vamos fazer assim: vaca amarela, pulou da janela, quem falar primeiro...

Rever conceitos? Que nada!

— Oras! Isso é coisa infantil, de criança. Fala assim: a partir de agora, todo mundo fica de bico fechado para eu poder pensar melhor — pronunciou Carolina, decidida.

Já o cara da câmera que, até agora não havia falado nada, resolveu finalmente se expressar:

— Eu acho que...

— Shhh!

Uma péssima hora, como sempre, pensou ele.

Cada um dos cinco começou a botar a cabeça pra funcionar. Não, bater ela na parede não era de muita ajuda, constatou Bob depois de algumas tentativas.

O general pensava na possibilidade de todas as nações se unirem para doar dinheiro e comprar os presentes direto da fábrica. Mas, pensou bem, isso era algo que as pessoas já estavam acostumadas a fazer.

Carolina pensava em, simplesmente, cancelar o Natal e economizar dinheiro e tempo (porque qualquer pessoa, por mais idiota que seja, sabe que tempo é dinheiro). Contente com sua conclusão final, ela imaginou como seria aplaudida de pé por ser a repórter que diria para o mundo que o papai Noel não existe — o que, é claro, não é de forma nenhuma a verdade, mas acho que você já entendeu como as coisas funcionam no “mundo dos adultos”.

E, por fim, a detetive Bengala de Açúcar (que, nesse momento, chupava uma bengalinha, só para adoçar a boca), era a que fazia o maior esforço para achar uma solução consistente. Várias ideias passaram pela sua cabeça, porém nenhuma ela considerou boa o bastante para ser colocada em prática.

Seus olhos examinavam o ambiente, que não tinha mais aparência de fábrica, mas de um lugar completamente abandonado. Ela reparou em todos os mínimos detalhes, mas nada lhe ocorreu.

A bengalinha doce já fora totalmente consumida quando ela, finalmente, obteve inspiração. Assim que colocou os olhos em Jujuba, que estava sentada aos seus pés, teve a brilhante ideia. Sem que os outros percebessem, ela se abaixou e cochichou na orelha da Pumilia. Os olhos da pequena brilharam de animação.

— Posso contar com você? Perfeito!

E, dirigindo-se ao grupo, questionou:

— Já pensaram em alguma boa ideia?

Envergonhados, todos balançaram a cabeça negativamente em sincronia.

— Cavalheiros, eu tenho a resposta para nosso problema.

Imediatamente, todos os olhares focaram na pequena figura da detetive. As palavras proferidas a seguir poderiam ser a solução para a grave situação.

— Sei que a probabilidade é mínima, mas quero propor que acrescentemos os presentes à lista de desaparecidos. Talvez, eles ainda possam ser encontrados antes do Natal. O que ajudaria muito, é claro. Mas não podemos contar só com essa possibilidade. Já tomei as providências necessárias para colocar a minha outra solução em prática. Esta não posso revelar por enquanto.

— Como assim, detetive? O que você está querendo dizer?

— Não posso contar a ideia, por mais que eu queira, para não ser divulgada lá fora — e, dizendo aquilo, dirigiu seu olhar para a Srta. Esper.

Antes que a repórter pudesse rebater o insulto, o general interveio:

— Tudo bem. Nós confiamos em você, detetive.

— Ótimo. Mandei a Jujuba colocar o plano em ação com ajuda das outras Pumilias.

De fato, a pequenina em questão desaparecera de vista, sem que ninguém tivesse notado até aquele instante.

— Como ela fez isso? — indagou Bob.

— Não há explicação — respondeu, prontamente, o general.

Todos estavam aliviados em ir, finalmente, embora daquele lugar. Carolina ainda queria ficar mais um pouco para filmar algumas tomadas e nada que a detetive ou o general pudessem falar a convenceria do contrário. Assim, se separaram mais uma vez.

O Sr. Gomez insistiu que eles dessem uma pausa para conversar sobre o andamento das investigações. Ambos se dirigiram à tenda de discussões e, chegando lá, o general começou a desabafar:

— Então, detetive, talvez você queira me esclarecer algo. Mesmo que sua ideia dê certo ou os presentes sejam achados, o que pretende fazer caso o papai Noel não seja encontrado a tempo?

— Ah, mas é claro que...

— Você está ao menos pensando na quantidade de crianças ao redor do mundo que sofrerão? Tem ideia da gravidade disso? — gesticulava com as mãos para o alto, enquanto andava de um lado para outro no pequeno espaço da tenda.

— Sr. Gomez, você...

— Imagine! Uma pobre criancinha acordando cedo no tão esperado dia de Natal. Procura por todos os lados por sua regalia, mas não a encontra. Os biscoitos e o copo de leite, intocados. O que essa criança vai pensar?

Bengala desistiu de tentar falar; apenas concordou com um leve aceno com a cabeça.

— Que bom que você compreende. Perdoe-me, detetive, mas não consigo acreditar que algo assim possa acontecer. Não se eu puder evitar.

Enquanto falava, por um breve momento, a investigadora reparou no desespero e aflição que aquele homem estava passando. Todos aqueles acessos de raiva e clara impaciência, que a havia irritado tanto no começo, se revelavam agora como uma máscara. Com a voz rouca, disse:

— Nem eu, general. Nem eu.

E, para deixá-lo menos preocupado, completou após um tempo:

— Mas anime-se, Sr. Gomez! Nesse exato momento, estamos trabalhando em uma seleção para possível substituição do bom velinho! Ótimo, né?

O general parou de andar, abruptamente. Encarou a detetive de punhos cerrados. Pela sua expressão, ele não achava que era algo ótimo. Esbravejou:

— Grrr, marmelada!

— Chamou? — perguntou uma Pumilia, aparecendo na sala.

— Ah sim, Marmelada está encarregada da seleção. Como o senhor adivinhou?

E, dirigindo-se para a ela, completou:

— Como estamos?

A pequenina se aproximou da detetive e cochichou em seu ouvido. Enquanto ouvia, a detetive transmitiu as boas notícias ao general:

— Bem, bem. Já temos vários candidatos que passaram da primeira fase e estão recebendo treinamento... Hum, general? Quantos homens são necessários para fazer o serviço de um papai Noel? — brincou Bengala.

— Grrr — foi a única coisa que ele falou.

***

Chegou, finalmente, o dia que crianças do mundo inteiro esperavam ansiosamente: 25 de dezembro de 2013.

E o que as pequeninas acharam, de baixo de suas árvores de Natal, foi algo que surpreendeu a todos: brinquedos feitos de doce!

A notícia estourou nos jornais e revistas. Muitos acharam a ideia simplesmente esplêndida. E a detetive, a mente por trás daquela história, ganhou espaço nos principais veículos de mídia. Todos os voluntários que haviam ajudado a espalhar os presentes pelas casas, receberam condecorações e muitos parabéns.

Claro, nada seria possível sem a ajuda tanto das Pumilias quanto dos duendes — que haviam se recuperado totalmente, graças ao grupo de autoajuda, e voltado à ativa, com um incentivo a mais: nada de trabalhar exaustivamente durante todo o ano. De agora em diante, eles teriam todos os benefícios que os trabalhadores normais tem direito. Tirar um período de férias estava, é claro, em seus próximos planos.

Enfim, mais uma história com um final feliz. Ou nem tanto. O principal dilema ainda continuava: onde estaria o papai Noel?

***

O tempo é algo que voa quando se está correndo contra. Era já dia 14 de janeiro de 2014, ou seja, mais de três semanas tinham se passado desde que as investigações haviam iniciado e nada do papai Noel aparecer!

A seleção para novos papais Noeis estava, novamente, aberta para quem quisesse se candidatar para o próximo inverno. Ninguém dizia, mas todos pensavam a mesma coisa. As esperanças tinham sido reduzidas a nada. Até a detetive estava começando a desanimar.

Para esfriarem um pouco a cabeça, ela sugeriu para o general deles irem até a tenda de entrevistas para checar como os futuros papais Noeis estavam se saindo. Ele logo aceitou, como não tinha nada a perder. Jujuba os acompanhava e assim foram.

Chegando ao lugar desejado, Bengala deparou-se com uma velha conhecida, que estava na fila para ser entrevistada.

— Chapeuzinho Verde! Mas que coincidência encontrar você aqui, menina — as duas trocaram beijos no ar.

— Pois é, estou tentando sair do ramo de delivery há algum tempo. Além disso, adoro verde e vermelho, que é a cor do papis Noel, né? Bom, chega de falar de mim. Soube que você estava investigando o caso do desaparecimento. Você é fera de mais, Bengala! Parabéns!

— Opa, é meu aniversário e eu não tô sabendo? Parabéns por quê, CV?

— Oras, porque vocês recuperaram o Noel!

— Nós o quê?!

Ambos, detetive e general, trocaram olhares assustados.

— Vocês não souberam? Ele está na tenda de reuniões sendo entrevistado por uma tal de Carolina Esper. Soube que ela é uma moça toda esnobe, pelo que falam... Ei, onde vocês tão indo?

— Obrigada, Chapeuzinho! E boa sorte! — gritou Bengala, já há muitos passos de distância, correndo em direção à tenda de discussões, ao lado do general e de Jujuba.

Durante todo o percurso, o Sr. Gomez ficou reclamando de que ele não havia sido informado de nada e tal. A detetive já estava cansada de tanta falação, quando eles finalmente chegaram ao lugar e ele se calou.

Lá estava o cara que desaparecera por todos aqueles dias e preocupara o mundo inteiro, papai Noel. Qual seria sua versão da história?

Bengala e o Sr. Gomez chegaram na hora que ele começava o seu relato. A Srta. Esper, é claro, estava ao seu lado com o microfone, pronta para iniciar a entrevista. O cara da câmera, também estava em seu posto, aguardando.

O papai Noel parecia em péssimo estado. Algemado e rodeado por policiais, parecia mais o bandido, em vez da vítima. Uma senhora, sentada ao seu lado, estava em condições parecidas. O olhar, vago. Para termos de comparação, pareciam mais uns zumbis, pensou a detetive.

Ele, afinal, começou a contar, com a voz seca:

— É uma situação que se repete, Natal após Natal. Muitas crianças se comportam mal durante todo o ano. Mas quando chega uma semana antes do Natal, elas viram uns anjinhos só para ganharem presentes!

— Essas são o pior tipo! — comentou baixinho o general para a detetive.

— Então, cansado dessa situação, decidi tirar umas férias, junto com minha mulher, a mamãe Noel. Larguei os duendes ocupados com os preparativos e fugi até essa pequena e calma ilha no Pacífico. Para evitar que alguém me reconhecesse, tive que me disfarçar usando uma peruca. Toda santa manhã fazia a barba porque, ao final do dia, ela já estava enorme outra vez! — falando isso, passou os dedos na longa barba branca.

— Mas, papai Noel, como o senhor fugiu assim, sem ninguém ver? E ainda mais sem o trenó e as renas... — indagou a repórter.

— Ah sim, eu usei o meu jetski, que tanto anda na neve como na água. A mamãe Noel preparou para nós um lanchinho para viajem. Ah, esqueci de dizer, estava delicioso o panetone, querida!

— Alguém chamou?

— Shhh... Agora não, Panetone.

— Bem. E o senhor pode nos contar como foi descoberto? — continuou ela.

— Eu não esperava ficar tantos dias fora, era só até o Natal passar. Mas acabei gostando do lugar e esqueci do tempo. Ah, foi um acidente muito incoveniente! Acho que devo ter exagerado um pouquinho no vinho — ele fez um sinal de pinça com os dedos para ilustrar o que ele chamava de pouco.

A detetive e o general se entreolharam. Realmente, eles não esperavam por aquela.

— Acabei dormindo além da conta e esqueci de fazer a barba. No dia seguinte, a camareira veio para arrumar o quarto e me encontrou, nesse estado...

— O senhor sabe do paradeiro dos presentes?

Ele ficou calado por alguns instantes, tomando coragem. A repórter aproximou mais o microfone de seu rosto rechonchudo, pressionando. E parece que havia dado certo.

— Eu confesso! Os escondi para que meu cargo não fosse assumido por outra pessoa. Eu sei, foi egoismo da minha parte — soltou Noel, abaixando a cabeça em seguida, envergonhado.

— Será que o senhor poderia responder mais algumas perguntinhas? É rápi-

— Já foi o bastante, Srta. Esper — interrompeu o general. — Vamos deixar o pobre homem descansar em paz.

Respeitando uma ordem do general, o grupo de policiais prontamente conduziu os dois para uma tenda que servia como uma cadeia improvisada. Muito provavelmente, seriam condenados por roubo dos presentes e teriam que prestar serviços à comunidade por 200 horas ou mais. Talvez ele tivesse a sorte de voltar a ser o papai Noel, só que dessa vez, obrigado.

Assim, ficaram na sala o general, a detetive, Jujuba, Carolina e o cara da câmera.

— Mas que papai Noel fujão! Bem, já temos muito material para a melhor de todas as notícias, não é mesmo? — Carolina dirigiu o olhar ao cinegrafista, acompanhado de um sorriso de ponta a ponta.

Bob analizou a câmera em suas mãos. Em seguida, fez uma expressão de pavor com os olhos esbugalhados e o queixo caído. Falou, não mais alto que um sussurro:

— Err... E se eu te dissesse que n-não estava gravando?

Carolina começou a gargalhar. Porém, quando percebeu que não se tratava de uma brincadeira, praticamente avançou no pobre rapaz. Antes que alguém falasse ou fizesse qualquer coisa, o Sr. Gomez (com um tom de voz muito pouco comum para sua pessoa) se expressou:

— Acalme-se, senhorita, por favor! Ficar irritada não ajuda em nada.

Todos na sala imediatamente voltaram sua atenção ao homem em questão. E, diante de tal situação tão atípica, ninguém ousou falar ou fazer qualquer coisa. O mais aliviado de todos foi Bob, que fora salvo de um possível homicídio.

Carolina ficou estática, com as mãos ainda paralisadas no movimento de puxar a camisa do cara da câmera. Observou, abismada, o general se aproximar e tocar-lhe o ombro com leveza, acompanhando-a até a saída. Esta, deixou-se levar, sem dizer nada.

Antes de sair, porém, o general deu uma piscadela para a detetive, que fez um joinha com ambas as mãos e sorriu. Já o cinegrafista havia dado no pé, antes que sobrasse pra ele.

— Pois é, Jujubinha, acho que só ficamos nós duas aqui!

A Pumilia balançou a cabeça em negação e sumiu no ar, deixando um rastro de fumaça. A detetive deu risadas.

— Bom, acho que sou só eu então.

Ela saiu andando em direção à saída. Entretanto, quando estava quase chegando, parou por um momento. Suas faces se iluminaram, como se tivesse lembrado de um detalhe muito importante.

Enfiou a mão no bolso e sacou de lá (depois de uma bengalinha doce, que foi direto para sua boca) um bloquinho em forma de lupa e o carimbo. Foi para uma das úúúltimas páginas, escolheu o carimbo certo e pá. Lá estava marcado, para que ninguém duvidasse:

“Caso Papai Noel. Encerrado.”

Notas finais
→ Pumilia foi inspirada na palavra Pumilio que, em latim, significa anão. Espero que você tenha gostado e até a próxima história. ;D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!