Casamento por obrigação
5 Capítulo 5
No dia seguinte, Armando tinha a desculpa perfeita para ir até a casa de Beatriz. já que estava envergonhado de que sua amiga soubesse que a festa era por conta de seu noivado com Marcela.
—E como Bettica está de volta e não a convidou para a festa? -perguntou Camila
—Sabe que Marcela e ela nunca se deram bem, não é?
—Quem se dá bem com Marcela sem ser seu irmão Daniel tão chato quanto ela?
—Haha! Bem, tem a Maria Beatriz.
—Ah, claro! A irmãzinha chata.
—E...
—Nem me fale de Patrícia! Mesmo assim, Bettica é nossa amiga e mesmo não se dando bem com Marcela.
—Não se continuará depois do que Marcela fez esta tarde.
Armando lhe conta.
—Mas que absurdo, Marcela não muda! Pobre de Betty! E não foi atrás dela?
—Tentei, mas não quis falar comigo depois.
—E não lhe tiro a razão. Imagina voltar depois de 5 anos e ver seu maior amigo noivo da mulher que lhe perseguia e tirava sarro dela como fazia. Ainda mais como a tratou. Ah não irmão, não dá para entender, eu não fugiria, daria na cara da esnobe de Marcela! O que pensa que é?
—Sabe como ela é.
—E você sabendo como é, diga-me o que deu na sua cabeça? Disse que nunca se casaria e que te fez querer casar com Marcela?
—Er... (se dá conta que Mário não contou a sua irmã do acordo entre os Mendoza x Valencia)
—Vocês sempre me disseram que deveria sentar cabeça e no momento, até Mário está falando isto. Não quero ficar sozinho.
—Isto até entendo e concordo, mas irmão, por que justo com Marcela?
—Por que, Marce e eu tivemos umas coisas e ... nossas famílias são amigas e... ela gosta de mim e até gosto dela.
—Sabe, não me convence!
—Você que sabe.
—Ainda vou descobrir, mas esta de que talvez goste de Marcela a ponto até de se casar, não me convence!
—Olha, te contei, vamos visitar Betty ou não?
—Claro. Estou com muita saudade desta mal-agradecida.
—Como assim?
—Sabe que moro na cidade e nem me deixou seu contato para que nos encontremos!
—Tampouco sabia eu.
As duas nunca haviam se dado bem desde pequenas, já que Marcela não perdia a oportunidade de humilhá-la por ser filha de fazendeiros ricos e a seu ver, linda, enquanto Beatriz, além de ser mais jovem, era filha dos criados mais velhos da fazenda. Como se não bastasse, Marcela juntava-se a Mário, Freddy, Wilson e os filhos dos fazendeiros para perturbar e fazer pouco da pobre Betty. Se não fosse por ser muito querida por seus pais, que a tinham como uma sobrinha e porque e se tornou logo amiga de Camila, talvez Armando não tivesse ficado amigo dela e a protegido tanto como se fosse uma outra irmã.
E foi justamente numa daquelas tardes quentes, debaixo do pé de manga onde costumavam se esconder do sol de Quindío, que o destino começou a traçar o rumo que mudaria a vida de Betty para sempre. As malas já estavam prontas na varanda quando ela foi se despedir de seu protetor.
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Lembranças
—Sabia que este dia iria chegar. -a abraça -Você é muito inteligente e sabe que aqui na fazenda não tinha como estudar e se formar! Teria que ir para a Capital. Não está feliz?
—Sim, estou, mas também triste.
—Triste? Como triste? Seu sonho sempre não foi se formar?
—Sim, e sei que terei que ir para Bogotá para isso, mas...
—O que foi?
—Vou sentir saudades.
—De seus pais? Sim, é natural, mas eles entendem, afinal, sabem que era impossível...
—Não só deles, claro que sentirei saudades deles, mas também sentirei saudades de meu príncipe salvador. – Betty o abraça, escondendo o rosto em seu peito envergonhada.
—Oh, Betty! Também sentirei falta de minha Bettica, mas podemos escrever sim?
—Você é meu único amigo, você e Cami.
—Vai conhecer outras pessoas e fazer novos amigos.
—Não serão como você!
—Lógico que não! Na Capital terão rapazes inteligentes, não um peão chucro como eu.
—Você é muito inteligente, Armando!
—Não como você!
—Ah assim me encabula!
—É sério! É muito inteligente! Tenho muito orgulho de você.
—Tenho medo do que pode acontecer, que lá também riam de mim e não terei você para me salvar.
—Oh! Não creio que o pessoal da Capital seja tão bobo assim como nós caipiras.
—Não sei, Armando.
—Prometa que vai estudar muito para realizar seus sonhos e não vai deixar que ninguém tire sua alegria?
—Vou tentar Ditinho.
—E que não vai deixar que ninguém a faça ficar triste, nem se burlar de você?
—Tentarei.
—Falarei com professora Catalina sobre isso, com certeza ela cuidará de você.
—Dinho.
—Sim?
—Me promete uma coisa?
—O que quiser, Bettica.
—Promete que vai me esperar?
—Te esperar, como assim?
—Sei que sou só uma menina e que você já tem 18 anos.
—Já sou todo um homem!
—Sim e tem muitas namoradinhas por aí!
—Mas que assuntos são esses, Betty?
—Isto se vê. Promete que não vai se casar com nenhuma delas?
—Casar-me? Jaja! Jamais me casaria!
—Ah um dia chega, como diz dona Margarita...
—Não comigo. Eu jamais me casarei!
—Mas caso aconteça, me espera? Não serei menina para sempre, quando voltar, já serei uma mulher e quem sabe, menos feia.
—Não gosto que fale assim de você!
—Promete que me esperará?
—Acho que isto não é assunto para você! Ainda mais, vai para a capital, conhecer outras pessoas e quando crescer vai querer namorar e não vai querer nada mais com um caipira como eu. Vai me esquecer.
—Jamais vou te esquecer. Promete?
—Está bem! Não vou me casar, mas se me casar será com você, satisfeita?
—Sim, claro. Me deu sua palavra! Será meu marido!
Fim das lembranças
Logicamente, Armando não havia levado a sério o pedido e a promessa. Achava que era brincadeira de criança, mas Betty havia levado muito a sério, por isso lhe doía saber que ele não havia comprido e estava noiva de outra e sobretudo, de Marcela Valencia.
—Por quê?
A vida não cidade não havia sido fácil, os bullying eram ainda piores que os que passava na fazenda e ali não tinha seus pais, nem Armando para cuidá-la, lógico tinha Catalina, que mais que uma professora, era sua madrinha, como uma tia. Não tinha amigos, seus amigos eram os livros e assim passava o dia inteiro na biblioteca, onde fez amizade com Aura Maria, que estava terminando os estudos com muito custo e para garantir algum dinheirinho trabalhava na biblioteca. Aura Maria, simpatizou logo de cara com aquela menina que passava os dias estudando, logo descobriu que ela era ajudante de professores e ajudava a corrigir provas, logo, se tornou sua única amiga e a defendia do bullying dos colegas. Por Aura Maria, Betty conheceu outras pessoas como as suas amigas, Sandra e Mariana. E foi graças a elas que passou os melhores momentos na cidade, aparte de sua formatura. Foram elas que a convenceram a aceitar a mudar de visual para a formatura. Assim, Betty aceitou que tia Catalina a levasse para o salão onde sempre se arrumava e quando saiu de lá nem ela mesmo se reconheceu, assim como seus colegas e os professores. Com isso, começou a chamar atenção de rapazes quando saía de rumba com as amigas, mas a verdade é que nenhum daqueles rapazes lhe despertavam nada.
—Mas como assim, Betty?
—Ail Aura Maria, como lhe explico, é que... que...
—Gosta de alguém?
—Sim.
—E de quem é? É de alguém da faculdade? Ai, não me diga que gosta do tal do Miguel Ruevas!
—Para nada! É um rapaz do lugar onde nasci, a fazenda,
—Da fazenda? Mas tão longe!
—Sim, mas...
—E como ele é?
—Ele é, é tudo, um sonho. Alto, forte, viril, o homem mais bonito que já vi, como diz você um triplepapito!
—Ai Betty mas se é tudo o que diz, devem ter mulheres assim. Não vai ser fiel a você!
—Bem, as duas coisas são verdade: ele é assim, e tem um monte mulheres atrás dele e é muito mulherengo.
—Ai, Betty assim não dá!
—Mas também não temos nada! Não o vejo desde que saí da fazenda quando era só uma criança!
—Mas ele tinha quanto?
—18.
—Era todo um homem. Como espera ter algo com ele?
—Porque quando voltar, ficaremos juntos, Aura Maria.
—Não sei não, Betty. Não quero te desanimar, mas ele pode estar casado, sei lá.
—Não, pois sei que jamais se casaria com outra.
—Como sabe?
—Ele me prometeu, prometeu que só se casaria comigo e me esperaria até que voltasse. E embora ainda não tenhamos nada, nossa amizade é forte e será meu! Vou me casar com ele, Aura Maria!
Aura Maria balançou a cabeça, isto que sua amiga sentia poderia ser obsessão ou até amor verdadeiro, mas e ele? Provavelmente nem lembrava de ter feito tal promessa, assim sua amiga iria sofrer muito ao saber da verdade.
—Ai, pobre Betty. -Aura Maria disse para si, enquanto a menina colocou cara sonhadora.
O castelo de areia havia desmoronado. Aquelas palavras pesadas da obsessiva Marcela no lago ainda ecoavam na sua mente, misturando-se com o som dos cascos dos cavalos lá fora. Betty jogou as fotos antigas sobre a cama de colcha simples, sentindo o peito sufocar de indignação.
De volta ao presente, Betty se abraçava ao boneco Beto, chorando.
—Por quê? Por que justo com Marcela Valencia? Ele, ele me prometeu! -disse Betty, entre lágrimas -Ele me prometeu, me prometeu que nunca iria se casar! E que se casasse seria comigo! Aura Maria tinha razão! Ele não iria esperar por uma menina como eu. O que faço?
Lembranças
—Ai, mija! Quando estiver com seu cowboy, põe em prática tudo que te falei. Faça como viu neste vídeo, abrace-o, beije-o, deite em cima dele, ai querida! Se ele é tudo isto que me disse é um bombom é não pode perdê-lo por nenhuma! Mesmo não tendo experiência tem coisas que as outras não tem: o ama e é pura. Não sabe como pode enlouquecer um homem se lhe disse que quer se entregar e aprender tudo com ele. Uma virgem como você, ai querida! E deixe que lhe ensine tudo! Dói um pouco, mas depois, vai ver como é bom!
De volta ao presente
—Ai, Aura Maria, se eu tivesse tanta coragem assim, mas sim, conquistá-lo... do meu jeito! Mas tenho que descobrir como. Também tenho que descobrir porque se comprometeu com Marcela Valencia porque sei que ela vivia atrás dela e nunca quis nada.
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Armando, apesar de não se lembrar da promessa que fez à Betty há cinco anos, sentia-se mal do que estaria pensando dele ao saber que estava noivo exatamente de uma pessoa como Marcela, tão metida, esnobe e tão diferente dele. Alguém que costuma achar-se superior a todos e que fazia bullying dela. Viu o rosto de decepção no rosto de sua amiga. Mas o que podia fazer? Se pudesse escolher jamais escolheria Marcela como noiva, mas escolheram seu destino por ele.
-Mesmo assim, deveria ter convidado Beatriz para que nos divertíssemos como antigamente e matarmos as saudades, ao invés de tanta gente que nem conhecemos. -disse Camila
—Acho que eu convidei este pessoal todo? Se nem os conheço!
—Então, como? Já não precisa me dizer nada! Foi nossa mãe?
—Quem, mas se não ela, ah?
—Imagino.
—Mas vamos, vamos logo, não quer ver Betty?
—Como ela reagiu ao saber quem era sua noiva?
—Digamos que não disse nada, mas Marcela quem nos encontrou e disse e posso dizer que sua cara não foi das melhores!
—Não duvido! Quem não se surpreende de saber que você ficou comprometido justo como a harpia de Marcela Valência?
Armando tragou em seco, não podia falar nada, assim como Mário que assistia calado os irmãos conversarem, pois sabia muito bem porquê Armando tinha se comprometido, o que Camila ignorava.
—Bem, vamos!
—Mário, er, não sei como Betty irá recebê-lo. Peço que não fique com piadinhas, sim?
—Mário, mudou muito, Mandinho!
—Sim, irmão, sei que fui um idiota.
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